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terça-feira, 10 de março de 2009

A leveza do ser

Políticos, como se sabe, não inspiram seriedade. Aliás, ser sério, atualmente, requer uma alta carga de humor. Agora, o engraçado é quando uma sessão de gargalhada toma conta de uma sessão pública a ponto de ter que se fazer um recesso para se refazer do excesso de riso.


Foi o que aconteceu na câmara de vereadores da cidade de Medina, estado de Ohio, EUA, no final do ano passado. O vídeo (lá embaixo) foi divulgado somente agora.

Em plena sessão - aberta inclusive a adolescentes - os políticos locais foram tomados pelo riso que logo se contagiou por todo o ambiente. Onde há riso, sabe-se, há também pouco siso. De forma que a sessão foi interrompida, retomada e, após evento consecutivo, os participantes decidiram pelo recesso de uma vez por todas.

O motivo de tudo isso? Dos mais prosaicos: um pum! Sim, isso mesmo, um pum, um peido, uma flatulência. E, o mais engraçado ainda, nem era real. Um dos adolescentes presentes usou um aparelho para reproduzir o som de um pum. Feliz com a primeira reação da audiência, repetiu a dose e encerrou a sessão dos vereadores, impossibilitados de prosseguir tomados que foram pela gargalhada coletiva e, digo, pela catarse de soltar-se e aos gases, finalmente.

Agora, as minhas considerações, claro. A flatulência, vulgarmente denominada "peido" e carinhosamente chamada de "pum", vem da palavra "flato", do latim "flatus", que significa "sopro". Por definição, a flatulência é uma ventosidade anal que pode ser ruidosa ou não e tem cheiro fétido. Origina-se dos gases que são ingeridos juntamente com a comida e, complementarmente, une-se aos gases gerados durante o processo de digestão, quando ocorre a decomposição dos resíduos orgânicos dentro do intestino.

A flatulência, como vários processos do humano, varia conforme o ser: pode ser intensa em pessoas ansiosas que falam ao comer ou que comem muito depressa ou, também, em pessoas que sofrem de parasitoses intestinais.

O gás gerado pela "ventosidade anal" (adorei a definição!) é o metano (aka gás dos pântanos). Mais leve que o oxigênio, sobe rapidamente (lembre-se de elevadores). É um gás facilmente inflamável (lembre-se de brincadeiras de moleques que fazem da ventosidade anal um verdadeiro lança-chamas), incolor e contribui, acredite, 21 vezes mais do que o dióxido de carbono para o efeito estufa. Pense que somos mais de 6 bilhões de produtores de ventosidades anais.

O vulgo dá à flatulência os mais variados e divertidos nomes como forma de torná-lo assimilável, como se não o fosse: é chamado de "pum", "peido", "traque", "bufa", "triscada", "vento", "farpa", "trovoada", "bomba" e quaisquer outras designações que soem bufas, que é o que são.

Espécie de linguagem corporal que coloca a babélica torre da espécie humana na horizontal, a flatulência é um tabu. Repudiada vezes sem conta. Remetida para longe, de preferência. Negada à exaustão quando cometida. Apesar de vir, quase sempre, em registro sonoro e odorífero, é um ato silencioso porque compromete. Instila e destila. Envilece o nobre e torna o vilão ainda mais baixo.

Muitos os há que alegam não o fazê-lo sob hipótese alguma sob o risco de parecerem sujos. São mais fétidos do que os gases que exalam. Porque hipócritas. Sob o verniz civilizador, a flatulência foi relegada a pequenos e escuros cantos. Pode, claro, ocorrer em público. Mas, sempre, de forma rasteira, meio de rabicho que é o usual e peculiar caminho. É universal e no entanto agimos e reagimos das mais diversas maneiras à presença de gás de tanta combustão: com caretas, olhares feios, narizes fechados, risadinhas de soslaio e piscadinhas cúmplices.

Ao ouvir ou sentir o inequívoco sinal de presença do flatum, alguns de nós apontamos, acusadores. Outros, irmanados pela força da natureza, divertem-se e aproveitam para solidarizar-se fisiologicamente. Não há, entre nós, aqueles que um dia não o tenhamos cometido em momentos ou situações impróprios, cerimoniosos. Quanto maior a tensão no ar, poder equivalente tem o gás metano de arremeter.

Tamanho tabu deveria ser transferido em igual medida para a proteção da camada de ozônio, danificada em grande parte pelas nossas emissões, voluntárias ou não. Mas, a isso preferimos ser como os emissários submarinos: deixe que outras correntezas (do ar, no caso) levem o leve gás embora.

A graça de tudo isso? É que quando ocorre um episódio como este, dos vereadores de Ohio, todos percebem, por fim, a insustentável leveza do ser que, por mais contido seja, não se sustenta pela própria leveza que emana. E desaba, enfim. Nem que for por mérito de um singelo pum.

Abaixo, finalmente, o vídeo dos honoráveis de Ohio.

5 Comentários:

La Voyageuse disse...

Red,

Comigo aconteceu em publico, ha cerca de duas semanas. Estavamos todos sentados esperando o metro. Um senhor, todo elegante e compenetrado em sua leitura do jornal, ocupou o assento entre mim e uma senhora. Lentamente e sempre concentrado no seu jornal, inclinou o corpo para a mulher e dirigiu o traseiro para o meu lado. Pensei que ele estava sonolento, por isso se balancava. Qual nao foi minha agradavel surpresa ao ouvir um rapido estouro, como uma bombinha.
Como o cheiro fetido nao subiu imediatamente, estranhei o barulho. Ele, por[em, voltou a posicao inicial, e sem largar o jornal, fingiu que nada aconteceu. Levantou-se, disfarcou um pouco e foi para o outro lado da plataforma, deixando para tras e na minha cara, o rastro de gas metano. Creio que ele contava com um pumzinho silencioso e se assustou quando ouviu o ronco do motor. Quanto a mim, vc pode imaginar a minha cara e o meu nariz, ne?

Anônimo disse...

Po causa deste post vou ter um dia mais feliz...fizeste-me rir!

Um beijinho enorme

Ana

Redneck disse...

La Voyageuse, avaliei a história que você contou e cheguei às seguintes considerações: nunca, em momento algum, jamais, deixe que façam o seu nariz de penico. Quando acontecer isso, revide da mesma forma. Depois de feito isso, levante-se ou ande ou mova-se ou corra, aos berros, e acuse o malfeitor de contribuir para a perfuração da camada de ozônio. Não se sinta intimidada pelo gás metano alheio. Você sabe que, neste e em outros mundos, vocês, mulheres, podem ter ataques de histeria completos que, mesmo assim, serão consideradas as vítimas e jamais algozes. Então, aproveite o fato e vingue-se. Não fique constrangida. Sugiro que faça o que tem que fazer e deixe o local calmamente, com cara de paisagem. Beijo!

Redneck disse...

Ana, apesar de tão escatológico assunto, saiba que eu me diverti ao escrever o post. Às vezes, quando escrevo, eu rio sozinho. Então, você pode imaginar o quanto fico feliz ao saber que outra pessoa também se diverte e ri. Rir sempre nos faz bem. Beijo!

La Voyageuse disse...

Red,

E se na hora da vingança você nao estiver com seu gas metano devidamente armazenado dar um pumzinho, arrotar ou soltar fumaça pelas ventas? O que fazer? Como revidar?
Foi o meu caso, na hora nao estava pronta e so me restou o contrangimento e a perplexidade.

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Redneck, em inglês, define um homem rude (e nude), grosseiro. Às vezes, posso ser bem bronco. Mas, na maior parte do tempo, sou doce, sensível e rio de tudo, inclusive de mim mesmo. (Redneck is an English expression meaning rude, brute - and nude - man. Those who knows me know that sometimes can be very stupid. But most times, I'm sweet, sensitive and always laugh at everything, including myself.)

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