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sábado, 2 de outubro de 2010

Boca de urna

Faltam apenas algumas horas para as eleições 2010 nas quais elegeremos o novo presidente, os novos governadores dos estados, novos senadores e novos deputados federais e estaduais. A previsão é que cada eleitor(a) gaste, em média, três minutos para concluir a votação nos seis candidatos.


Eu preparei uma cola, conforme instruções da Justiça Eleitoral.


Aproveito e faço a minha própria boca de urna, conforme a cédula abaixo.




Tem uma série de aplicativos na internet para quem quiser levar a cola para a seção eleitoral. Eu, que sou chique, também tenho aplicativos no iPhone para a cola, para acompanhamento das eleições e, finalmente, para a apuração, quase em tempo real.




Boa eleição para você! A despeito da obrigatoriedade, é um processo democrático.

terça-feira, 28 de setembro de 2010

Voto aberto

Há cinco dias do primeiro turno das eleições, que acontecem neste domingo, dia 3, abro aqui por completo o meu voto. Não tenho com isso a menor pretensão de fazer boca de urna, e sim recordar, mais à frente, as razões pelas quais escolhi os seis candidatos e porque os escolhi e, ainda, se foi uma escolha acertada ou frustrada.


Os seis candidatos - presidente, governador, dois senadores, um deputado federal e um deputado estadual - foram por mim escolhidos por eu identificar, ou tentar encontrar, em suas propostas, alguma ressonância com o que eu penso.


Não sou filiado a nenhum partido. Não tenho uma ideologia política propriamente dita. Creio que não me situo à esquerda, ao centro ou à direita. No Brasil, ao contrário da posição dogmática que estabelece que esquerda é esquerda e direita é direita, tudo parece ser mais flexível, de forma que tanto faz estar de um lado ou de outro ou, ainda, ao centro. Isso não significa absolutamente nada.


Portanto, repito: as minhas escolhas eu as faço conforme me parecem, sim, me parecem, porque não confio absolutamente em nenhum candidato a ponto de queimar um fio de cabelo, que estão mais alinhados conforme as minhas próprias ideias do que significa gerir a coisa pública.


Desejo, apenas, que o meu candidato não roube, não corrompa, não seja corrompido, não use o erário público em obras privadas, não privilegie os amigos em detrimento da população, não seja pequeno a ponto de usar o cargo que lhe é concedido para fazer do gabinete um trono, não tripudie sobre um povo que, bem ou mal esclarecido, confia nas suas palavras e, muito mais, nos gestos.


Por fim, repito ainda que, já que não me é dado o direito de não votar, e, ao deixar de ser obrigado a fazê-lo, criar condições de que os candidatos tenham que me provar de forma ainda mais detalhada porque eu deveria elegê-lo e não ao seu adversário, declaro o meu voto nos seguintes candidatos. E deixo registrado o meu último desejo: que o voto seja facultativo porque, se o fosse, eu nem às urnas iria, tal o meu descrédito com essa classe política a que somos submetidos:


- Presidente: voto na Dilma Rousseff, pelas razões neste post alegadas, e por não encontrar nenhum reflexo nos demais candidatos. Mais, por ter ojeriza ao insosso José Serra e ter uma série de restrições à Marina Silva. Aos demais candidatos, os chamados nanicos, nanicos ficam que nem me lembro os nomes.




- Governador (do Estado de São Paulo): Fábio Feldmann, do Partido Verde, porque não acredito na política do PSDB, de Geraldo Alckmin, e tampouco no candidato do PT, Aloisio Mercadante que, assim como alguns outros senhores do PT, cometeu mais deslizes do que cabem nesta página. Os demais, simplesmente, não me dizem nada. Veja que o meu voto é por eliminação, e não propriamente por opção. Melhor, é por falta de opção.




- Senador(a): voto na Marta Suplicy pelos motivos expostos neste post e porque acredito no programa da candidata e em suas ideias. O meu segundo voto para senador vai para o candidato Ricardo Young, por identificação mesmo. Os demais candidatos estão longe do que eu esperaria de um senador. Não quero pagode no Senado Federal e tampouco velhas raposas que clamam por Deus e Jesus quando, na surdina, são aqueles mesmíssimos que saqueiam os templos. E, afora expurgados por doenças graves, aqui estão a implorar os votos para depois, no primeiro dia de trabalho, esquecer o motivo pelo qual foram eleitos.






- Deputado federal: é uma vergonha ter na lista de candidatos uma mulher que pensa que está no pomar e acha que o corpo, a la Cicciolina, é suficiente para bancar a banca que pretende instalar nos gabinetes de Brasília. Uma vergonha, uma titica de galinha, e me deixa tiririca da vida, ter um palhaço candidato, primeiro lugar nas pesquisas, um analfabeto que promete ir para a Câmara dos Deputados para lá aprender o que se faz e, talvez, levar a família junto. Uma vergonha é o povo rir-se disso e ajudá-lo nessa empreitada. Uma vergonha é que a Justiça Eleitoral deixe que se inscrevam essas caricaturas, esses arremedos de políticos. Pior ainda é sejam votados como se fossem sérios. Tem até um Ivan Terrível, que é a mais perfeita tradução de quão ruça pode ser a política brasileira. Sem contar no Obama. O meu voto para deputado federal, em post mais do que justificado, vai para Fernando Alcântara de Figueiredo.




- Deputada estadual: Salete Campari. Que é Francisco Sales, paraibano. E Paraíba é mulher-macho sim senhor. E, ainda, Salete está alinhada com o meu candidato a deputado federal. É isso aí.




A despeito de todas essas escolhas, escolho, uma vez mais, o direito de não ter que votar. Essa é a minha política: do livre-arbítrio.

domingo, 19 de setembro de 2010

Meu rugido dominical



"O homem é um animal político, por natureza", afirmou o filósofo grego Aristóteles, pai intelectual de toda a humanidade que veio depois de si. Por homem, entenda-se o ser humano. No entanto, faço um recorte para contextualizar o post e pergunto: também a mulher é um animal político, por natureza?


Em 15 dias, incluso este domingo, acontece o primeiro turno das eleições deste ano que levarão aos respectivos executivos um(a) novo(a) presidente, um(a) novo(a) governador(a), novos(as) senadores(as), deputados(as) federais e estaduais, numa quase completa renovação dos quadros políticos do País.


Muitos(as) dos(as) candidatos(as) devem ser eleitos(as) no primeiro turno, o que nos poupa, a nós, eleitores compulsórios, do evento de votar duas vezes neste ano. Considerado isso, vou ao ponto central deste blog.


Todas as principais pesquisas indicam que teremos uma mulher na presidência: Dilma Rousseff, eleita em primeiro turno. E por isso a questão do primeiro parágrafo. De experiência do poder feminino na política, posso falar da cidade de São Paulo, que foi comandada por Luiza Erundina, entre 1989 e 1993, e por Marta Suplicy, entre 2001 e 2005. Administrações bastante diversas entre si, na minha opinião, nenhuma das duas deixou uma marca apenas por ser mulher. Ao contrário, foram administrações até bastante semelhantes aos antecessores e predecessores, todos homens. Talvez Erundina tenha tido uma atuação mais social, voltada para a periferia e, por esse motivo, foi prontamente descartada pelas elites que dominam essa cidade, o Estado e o País, de maneira geral. Marta, dada a bravatas, nem foi tanto ao subúrbio e nem tampouco ficou com os aristocratas paulistanos, meio do qual faz parte e pelo qual transita com facilidade.


Portanto, apenas o fato isolado de serem mulheres não fez com que a política pelas duas exercida tivesse uma marca, digamos, feminina. Comandaram como políticas, com as consequentes flexibilizações a que são submetidos os políticos que estão no poder. Claro, por interesses de um lado (da oposição) e de outro (da situação).


Agora, no próximo dia 3 de outubro, muito provavelmente teremos a primeira mulher a ocupar a Presidência do Brasil. Dilma Rousseff, com mais de 50% dos votos nas pesquisas, deve comandar o País a partir de 1º. de janeiro de 2011.


Voto na Dilma e em Marta, que é candidata a senadora pelo Estado de São Paulo. Não sou petista. Nunca me filiei a partido algum e também não comungo de ideologias ou quaisquer outros vieses do Partido dos Trabalhadores (PT) ou de qualquer outra agremiação política. Ao contrário do que diz Aristóteles, temo que o animal político que está em mim deve ser uma marmota, daquele tipo que hiberna no inverno. No caso, o meu inverno político é longo, bem longo, e a marmota-política tem dormido suavemente, sem solavancos.


Voto na candidata porque tenho ojeriza ao outro candidato, José Serra. E porque a terceira candidata, Marina Silva, que poderia ser uma alternativa, é por demais submissa a questões religiosas. O que, para mim, que me considero completamente agnóstico, é um comportamento perverso. Voto em Dilma por absoluta falta de opção. Não por convicção. Li que os candidatos, esses três principais candidatos a presidente aqui citados, interpretam papéis, os três. Claro que sim. São atores e a política é um palco.


Mas, alguém sabe efetivamente o que se passa nos bastidores? Seja na política, em Brasília, ou em quaisquer outros panos de fundo, seja na vida pública ou privada? Não. Ninguém sabe de nada.


Voto na Dilma, sobretudo, porque, já que não me é dado o direito de não votar e, sendo o voto obrigatório, considero um desperdício votar em branco ou anular simplesmente o voto e lavar as minhas mãos desse processo, por mais que eu não concorde com a maneira como são feitas as eleições neste País.


Não sei se a mulher é um animal político. Tampouco tenho certeza se o homem é um animal político. O que sei é que homens e mulheres podem ser animais. Ah! Isso sim. E animais, em geral, são irracionais, primitivos, agem por reação, intuição e sobrevivem assim, sob o risco de, se não o fizerem, serem abatidos na extensa cadeia animal. Mas, por outro lado, não tenho certeza de nada ao depositar (melhor dizer, digitar ou, quem sabe, tocar com minha impressão digital na urna) meu voto nessa urna eletrônica em que se converteu aquele velho saco de lona de votos do passado.


O que vejo, historicamente, é que, assim que assumem o poder, homens e mulheres mostram suas verdadeiras faces. Sim, o pano cai e o bastidor fica despojado. Talvez não completamente. Mas, com certeza, alguns pedaços costumam emergir do fosso que separa o palco das coxias. É neste momento que pegamos os atores desnudos, a trocar de figurino, sem maquiagem, sem máscaras, nus, desgraçadamente nus. Por vezes, pode ser bom. Na maior parte do tempo, no entanto, a nudez é feia e mostra corpos decompostos apenas.


Aristóteles disse mais: "O verdadeiro discípulo é aquele que supera o mestre". Dilma não é exatamente discípula de Luiz Inácio Lula da Silva. É uma criatura do atual presidente. Foi forjada nos bastidores (de novo, os bastidores) do poder em Brasília. Foi moldada. Pedaço a pedaço, foi decomposta e composta por uma ostensiva campanha de marketing que a modificou por fora e por dentro.


Mas, e estou cheio das citações hoje, "por fora, bela viola, por dentro, pão bolorento". Tenho algumas certezas (também estou cheio delas hoje). E uma dessas me diz que a criatura volta-se contra o criador em breve, muito em breve. Basta que chegue ao poder.


Dilma assim, me parece, é sim um animal político. De porte avantajado. E rugirá, inclusive contra seu criador. Ninguém me tira essa convicção. Dilma não é doce. Ao contrário, soa-me amarga. Não é carismática. Teve a sorte de ter um padrinho político que é capaz de plasmar sua própria popularidade nela. Ela não terá a conversa popular, a identificação com a massa, o fácil trânsito entre os morros da Rocinha no Rio de Janeiro e as colinas do Morumbi em São Paulo. Não. Não mesmo. Creio que, depois dos seis primeiros meses de governo, se não antes, conheceremos a verdadeira face dessa que será  a primeira presidente do Brasil. Um animal. Em vários sentidos. Em todos os sentidos.

sábado, 4 de setembro de 2010

O importante não é ser diferente...

...é ter coragem para fazer a diferença. Daqui a menos de um mês, acontece o primeiro turno das eleições 2010 que elegerão: o próximo presidente do Brasil, os futuros governadores dos Estados, os senadores para o Senado Federal e os deputados federais e estaduais para a Câmara dos Deputados. Mudaremos, de uma só vez, quase todos os representantes na Presidência, no Congresso Nacional e nos executivos de cada Estado. Ficam de fora, apenas, os prefeitos e vereadores.


Tenho uma birra particular com política e sou incrédulo quanto às propostas de qualquer político. Em geral, as plataformas são chochas, carentes de propostas efetivamente atraentes. E, para sedimentar a birra contra os políticos, quando eleitos, quase sempre, os mandatários mudam de rumo e agem da mesmíssima forma que seus adversários.


Portanto, não creio em políticos, não acredito um minuto sequer nas propostas, promessas, intenções (a não ser nas ocultas) e qualquer outro tipo de informação que esses profissionais caçadores de votos vendem como aqueles antigos fariseus vendiam mercadorias naquele respectivo templo.


Mas, por outro lado, eu não vejo o menor sentido em votar em branco ou anular o meu voto. Já que a nós, eleitores, não nos é facultado votar ou não, já que somos obrigados a fazê-lo, votarei, portanto, em algumas dessas pessoas. Não que eu acredite nelas, repito. Contudo, o meu critério passa por um viés de identificação. Ou mesmo por afinidade, feito os participantes de reality shows que enviam os demais para os paredões de eliminação e usam o decantado critério de "afinidade".


Acho que é uma alternativa válida, de qualquer forma. Porque é mais ou menos assim que nos relacionamos em sociedade, presumo. Por afinidade. Por gostar de algumas pessoas e de outras não. Por termos convergências ou divergências, tendemos a nos unir ou nos afastar.


Assim, será esse o requisito que definirá os meus votos: os cinco votos, afinal, e não apenas um. Ajudarei a definir a composição política desse País, de uma forma ou de outra. E o farei.


Começo por declarar o meu voto a deputado federal. Não, ninguém me pediu votos e, se me pedir, eu me negarei. Uma pessoa, para ser eleita, até mesmo para síndico do prédio, precisa conquistar o eleitorado. O voto deve ser espontâneo. E se o candidato em questão faz algum ponto de contato comigo, não vejo porque não votar justamente nesse candidato.


Odeio o paternalismo, aquela vocação da massa desassistida que enxerga no político, ainda, infelizmente, o papel de um Estado-provedor. Isso não existe. Portanto, essas políticas de bolsa disso e daquilo, para mim, passam ao largo. São esmolas. Precisamos de muito mais do que isso.


Em que pese as bolsas federais terem tirado da pobreza absoluta uma grande parcela da população, não acredito que essa seja a solução a longo prazo. Mesmo porque o custeio dessas bolsas, mais cedo ou mais tarde, cobrará a geração de caixa para provê-las todas, originalmente tecidas com sacos sem fundos.




O meu candidato a deputado federal é Fernando Alcântara de Figueiredo. Recifense de 37 anos, é para ele que vai meu voto. E desejo, de verdade, que o Sargento Fernando consiga ser eleito. Para saber da história dele e entender (ou não) a minha opção por ele, basta acessar o site do candidato (neste link).
Fernando está entre os amigos virtuais no meu Facebook (veja o perfil de Fernando no Facebook) e eu torço para que a frase que compõe o título e o início deste post faça, literal e politicamente, a diferença.

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Redneck, em inglês, define um homem rude (e nude), grosseiro. Às vezes, posso ser bem bronco. Mas, na maior parte do tempo, sou doce, sensível e rio de tudo, inclusive de mim mesmo. (Redneck is an English expression meaning rude, brute - and nude - man. Those who knows me know that sometimes can be very stupid. But most times, I'm sweet, sensitive and always laugh at everything, including myself.)

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