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segunda-feira, 25 de julho de 2011

Chatice

Ela: Por que você está com essa cara?
Eu: É segunda-feira.


Ela: Não é para tanto.
Eu: Odeio a segunda-feira e tudo o que vem com ela.


Ela: Calma, é só o começo (eram 10:00 horas).
Eu: Posso ir embora?


Ela: Pode.
Eu: ...




Por que a segunda-feira é chata e anda a passos de lesma? Por que o domingo que a antecede sempre termina carregado como uma nuvem pronta a eclodir?


Segunda-feira sempre tem cara daquela coceirinha, né não? Inferno!

sábado, 25 de setembro de 2010

Ilha de Man

Esta semana, escrevi uma pequena matéria para o serviço online da publicação em que trabalho e citei a Ilha de Man. De fato, eu a verti para o português, a Ilha do Homem. A Ilha de Man (Isle of Man) é quase um montículo localizado entre a Inglaterra, a Escócia e a Irlanda do Norte.


Antes, era um reino nórdico, estabelecido pelos vikings. Depois, a Noruega cedeu a Ilha para a Escócia e, por fim, o local foi transferido para a Coroa Britânica. Tem uma área total de 572 km2, 48 km de comprimento e, em alguns lugares, a largura chega a 24 km. A população, conforme dados de 2006, é de pouco mais de 80 mil pessoas.


Formalmente, a Ilha de Man não faz parte do Reino Unido, é uma dependência da Coroa Britânica. E, por isso, a defesa e as relações externas são de responsabilidade do governo britânico. Uma organização extraparlamentar, Mec Vannin (filhos de Man) pretende alterar o estatuto da ilha e elevá-la a república soberana independente. Devo ter ouvido falar da Ilha de Man umas duas ou três vezes até aqui. Quando escrevi a nota a que me referi, foi com surpresa que encontrei o nome da Ilha entre os demais países.




(bandeira da Ilha do Homem)

Mas, a Ilha não é o meu foco, é apenas o nariz de cera (introdução do post). Passa-se que, assim que a nota foi ao ar, um leitor escreveu um comentário e alertou que nem ele nem qualquer outra pessoa que ele conhece chamaria a Ilha de Man de Ilha do Homem. Ou seja, eu havia escrito errado o nome da Ilha.
E me ocorreu que as pessoas - eu, você e todos, provavelmente todos os seres pensantes que habitam esse mundo - são bem rápidas em apontar incorreções, erros, equívocos e informações sobre as quais não têm certeza. Apontamos (e eu me incluo sim) rapidamente, ainda que não tenhamos ao menos checado se a informação que supomos deter é, definitivamente, a correta.


Pois o leitor assim agiu, por certo sob a guarida da convenção que determina que a Ilha de Man é Ilha de Man, e não, nunca Ilha do Homem. E mais não disse, não apontou fundamentos para o seu próprio comentário. Eu, particularmente, não respondi ao comentário. O serviço é da empresa e, para falar a verdade, não sei bem como é responder diretamente ao leitor sem argumentar e entrar em searas outras, longas como este post. Por isso, me calei. E note que eu não assino a matéria do serviço online.


Contudo, depois fiquei a pensar que muitas vezes, na minha vida, erros e incorreções que eu cometi me foram imediatamente apontados. Meu pai costumava gritar quando eu fazia algo errado ou diferente daquilo que ele supunha certo. Sempre me lembro disso. Não havia negociação. Era apenas de um jeito, do dele. E o apontamento era sempre rígido, sem maiores rodeios.


Depois, quando comecei a trabalhar no mercado formal, continuei a ouvir das mais variadas pessoas sobre algum serviço que eu havia feito e que estava errado. Ou apenas que não tinha sido feito conforme um determinado padrão. O padrão, no caso, é sempre da pessoa que está imediatamente num nível superior ao seu - pai, padrasto, chefe, o motorista do táxi (que detém o poder de me dirigir), o gerente do banco (que decide sobre minha eventual saúde financeira), o motorista (quando estou pedestre) e assim por diante. Há uma hierarquia da qual não se consegue fugir.


De sorte que, de tempos em tempos, erros, incorreções e equívocos me são apontados por todo lado. Claro que, por minha vez, eu os aponto também e o cachorro, como elo final da cadeia, deve correr atrás do gato para se vingar do humano. O gato vai atrás do rato que, por outro lado, rói tudo o que o humano faz. E assim, num círculo verdadeiramente monumental, comemos a própria calda e nem nos damos conta.


O que me chamou a atenção não foi o puxão de orelha do leitor. Foi o outro lado. Pouquíssimas vezes, raras mesmo, ouvi o contrário. Que o trabalho estava correto, que a informação havia valido a pena, que a matéria atendia determinada demanda, que o pasto roçado havia ficado segundo a vontade do meu pai. Não, isso é raro de acontecer. Eu podia carpir uma roça inteira (e eu o fazia) e me orgulhar do meu trabalho (e eu me orgulhava). Meu pai, no entanto, nunca disse uma palavra de retorno. OK, em sua defesa, posso dizer que foi assim que meu avô o tratou e era assim que ele imaginava que as coisas deveriam ser. Mas bem cedo eu era carente dessa afirmação positiva, desse reconhecimento, ao menos uma vez, de que tudo estava certo.


E isso, assim como o dedo apontado sobre os erros, continuou pela minha vida profissional. Você comete 9 acertos e 1 erro. E será para sempre lembrado por esse erro. Os acertos nunca são bons o bastante para se sobrepor aos erros. Jamais. Se eu informei bilhões ao invés de milhões, em matéria de qualquer coisa, cairão por cima de mim a fonte, o editor, o leitor e até mesmo colegas. É obrigatório que eu acerte sempre, que jamais erre.


Então, ao ler o comentário do leitor sobre a Ilha de Man, eu senti um enorme cansaço. Toda uma vida que, me pareceu, é vivida para apenas acertar. Nunca errar. Porque você será imediatamente punido, de uma forma ou de outra. Mas, se acertar, você não ganhará nada. É obrigação. Está implícito no grande contrato social que eu, afinal, nunca assinei.


Este post é apenas um desabafo. De uma exaustão que carrego comigo há tempos. E não vejo mais sentido em tanto acerto se sempre serei cobrado por erros, sejam enormes ou minúsculos. É cansativo. Não almejo condescendência e tampouco recompensas. No entanto, a cobrança milimétrica sobre tudo o que faço cansa. E não tenho mais energia para lidar com isso.


A propósito, sim, me é permitido nomear a Ilha de Man de Ilha do Homem. Eu não inventei a tradução. O engraçado é o nome da ilha. Ou, melhor, tem tudo a ver exatamente com o man.


quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Dados, perdas e danos

Dados


- 5 dias
- 120 horas
- 93 mil toques ou caracteres entre textos, tabelas, gráficos e números
- Mais de 50 contatos por telefone
- Mais de 100 contatos por e-mail





Perdas


- Entre 50 mil a 500 mil neurônios (estimativas dizem que perdemos de 10 mil a 100 mil neurônios por dia)
- Sono
- Calma
- Lucidez
- Paciência
- Financeiras (não quero falar mais do que isso)


Danos


- Estou mais triste
- Mais cansado
- Menos crédulo
- Ainda mais arrasado com os caminhos jornalísticos
- Desconfiado (assumi ares paranóicos desde o apagão)

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

A rotina que conforta

Está na moda a comfort food - a comida caseira, simples, feita pelas nossas mães e avós e que, em geral, é bastante trivial, sem grandes inovações, técnicas e ingredientes exóticos ou alternativos. É uma comida de rotina e, por isso, relacionada ao conforto: nos aconchega por meio de sabores, cheiros e texturas familiares e nos proporciona segurança. Mas isso é rotina. Ou não?





Esta semana teve quatro dias úteis (a última segunda-feira foi feriado no Brasil). Mas a minha semana foi tudo exceto rotineira:


- Dormi, entre terça e hoje, apenas 10 horas ao todo.
- Trabalhei das 9 da manhã às 3 da manhã nos últimos quatro dias.
- Falei pelo menos três línguas: português, espanhol e inglês.
- Consumi aproximadamente 10 horas no deslocamento entre a minha casa e o local do evento que cobri.
- Fui pago pelo meu trabalho em duas moedas: reais e dólares.
- Vi e tive contato bastante próximo com duas pessoas cujas ideias me são bastante distantes do meu universo: o prefeito da cidade de São Paulo, Gilberto Kassab, e o governador do Estado de São Paulo, José Serra.
- Entreguei, de segunda-feira até hoje, aproximadamente, 100 mil caracteres de textos que fiz para quatro veículos diferentes de conteúdos completamente diversos entre si.





Por tudo isso, releguei ao esquecimento uma série rotineira que sigo e da qual sempre reclamo:


- Ritual de preparar o café, ler o jornal, fumar um cigarro, abrir o computador e começar o dia.
- Comfort food: a comida caseira que eu mesmo preparo.
- Caminhar às noites.
- Ir, gratuitamente, dar uma espiada na livraria perto de casa e tomar um café expresso na esquina.
- Gastar tempo em atividades como ler, cuidar do blog e simplesmente não fazer nada durante alguns momentos do dia.





A rotina massacra, dizemos, em bordão contra o ato de se repetir os dias, semanas e meses. Mas senti imensamente falta da rotina. Até porque não acredito, verdadeiramente, que os dias são iguais. Ainda que se conserve os mesmos atos e atitudes no dia-a-dia, há pequenas alterações quase que impercetíveis que, embora minúsculas ou desprezíveis, mudam o cenário, o contexto e a ideia de que todos os dias são iguais: um barulho diferente, um sol inesperado, um telefonema surpreendente, uma notícia agradável.





Ontem, postei uma poesia que traduzia o meu despeito à exaustão e à necessidade que o jornalista brasileiro tem de se desdobrar e se dobrar em tantas e tão diversas personas profissionais que acaba, por fim, num emaranhado de prazos, números e total falta de qualidade de vida. Era um lamento ao que nós, profissionais de mídia, nos transformamos: autômatos de um processo que não cessa nunca, com produção de conteúdo que vai de um país ao outro em segundos, obrigados a compormos com a demanda da globalização (num dos casos, prestei serviços para uma pessoa de Barcelona, Espanha, que me contratou via e-mail para uma empresa cuja sede fica em Buenos Aires, Argentina, para trabalhar em São Paulo, Brasil).





Esse desenraizamento de rotina e de referência geográfica me coloca na roda incessante e febril que muda, pouco a pouco, a face de um profissional de comunicação. Já não sou um jornalista no sentido estrito do termo e, embora não tenha deixado de sê-lo por completo, caminho rumo a um novo patamar que ainda não consigo visualizar com clareza.


E, para retomar a simplicidade da comida caseira, creio que o sentimento que carrego, de me sentir desplugado sob vários aspectos, é uma tendência coletiva, senão em larga escala para todas as pessoas, mas que atinge cada vez mais as sociedades. Se, por um lado, provoca esses deslocamentos virtuais de tempo, espaço e geografia, por outro, creio, pode criar oportunidades antes improváveis que eu nem imaginava existir dentro de uma concepção restrita de rotina.





Ainda não sei quais serão os resultados disso tudo. Mas, admito, senti falta da familiaridade com a qual me cerco todos os dias e creio que esses dias me acrescentaram mais do que cansaço: me trouxeram, até aqui, mais desalento, isso sim. Porque é como se eu fosse uma engrenagem dessa roda gigante que para apenas para permitir o acesso de novos passageiros e despejar aqueles que já não têm funções úteis. Ou seja, o meu próprio caso, talvez.

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Redneck, em inglês, define um homem rude (e nude), grosseiro. Às vezes, posso ser bem bronco. Mas, na maior parte do tempo, sou doce, sensível e rio de tudo, inclusive de mim mesmo. (Redneck is an English expression meaning rude, brute - and nude - man. Those who knows me know that sometimes can be very stupid. But most times, I'm sweet, sensitive and always laugh at everything, including myself.)

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