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sábado, 23 de outubro de 2010

Nude do dia

O Kommune 1 (ou K1) foi um dos grupos políticos pioneiros de manifestantes organizados surgido na Alemanha na década de 60. Era um grupo de oposição formado por estudantes e foi criado para rebater a família pequeno-burguesa como reação ao pensamento e à sociedade conservadores. A foto abaixo entrou para a história quando ainda não era moda se despir como forma de protesto.




Sediado em Berlim (Ocidental, na época), o grupo, como em geral acontece, a meu ver, com todos aqueles que constituem qualquer tipo de oposição a qualquer ideia, perdeu-se. E perdeu-se nas drogas, ao confiarem no instinto de fazer sua própria revolução. Engraçado que essa história se repete e ninguém aprende nada. Depois disso, os membros se dispersaram e, embora eu não tenha feito pesquisas a respeito, posso imaginá-los, os membros restantes, que não morreram pelas drogas, pacíficos, em aconchegantes famílias pequeno-burguesas. É a vida: se revoltar, provocar polêmica, começar a trabalhar e, para isso, unir-se ao sistema, constituir família e torcer para que a aposentadoria seja doce.




O Kommune 1 foi resgatado pela organização não-governamental Oxfarm que replicou a foto histórica. A Oxfarm também é formada por ativistas que, nas gerações atuais, travestem-se de ONGs e que se dispersam da mesma forma que os antigos manifestantes. A foto (acima) reconstituída pela Oxfarm, contra o antigo Muro de Berlim, é para registrar os 40 anos da promessa feita (e não cumprida) pelos países-membros da ONU em doar 0,7% da receita para ajudar o desenvolvimento dos demais países. Ai, que cansaço que dá constatar que, seja em 1967 ou 2010, o mundo não mudou nada. Até as bundas se parecem. Com a diferença que tiraram da reprodução o menino porque, nos dias de hoje, mostrar uma foto de criança nua pode, que ironia, levar as pessoas à cadeia.

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

2666

Calma, não é um número de candidato a nada. Nem o número da besta em dobro. Tampouco é alguma conta maluca a que eu cheguei ao fazer cálculos mais estranhos ainda. 2666 não significa nada, na verdade. Pelo menos o livro "2666" - Roberto Bolaño - Companhia das Letras - 852 páginas, em si mesmo, não remete a nenhum significado aparente. Se o tem, o número 2666, significado, esse ficou guardado com o autor, que já é morto. Estou a ler o livro há meses. De tempos em tempos, leio um trecho. São cinco romances dentro de um livro. Quero destacar um texto, um textículo pelo qual acabei de passar que muito me agradou:




"Há coisas mais esquisitas que a sacrofobia, disse Elvira Campos, sobretudo se levarmos em conta que estamos no México e que aqui a religião sempre foi um problema, na verdade, eu diria que todos os mexicanos, no fundo, sofremos de sacrofobia. Pense, por exemplo, num medo clássico, a gefirofobia. É algo de que muita gente padece. O que é gefirofobia?, perguntou Juan de Dios Martínez. É o medo de atravessar pontes. É verdade, conheci uma pessoa, bem, na realidade era um menino, que sempre que atravessava uma ponte temia que ela caísse, de modo que atravessava correndo, o que era muito mais perigoso. É um clássico, disse Elvira Campos.


Outro clássico: a claustofobia. Medo dos espaços fechados. Mais outro: a agorafobia. Medo dos espaços abertos. Esses eu conheço, disse Juan de Dios Martínez. Mais outro clássico: a necrofobia. Medo dos mortos, disse Juan de Dios Martínez, conheci gente assim. Se você trabalha na polícia, é espeto. Também tem a hematofobia, medo de sangue.


Certíssimo, disse Juan de Dios Martínez. E a pecatofobia, medo de cometer pecados. E depois tem outros medos, que são mais raros. Por exemplo, a clinofobia. Sabe o que é? Não faço a menor ideia, disse Juan de Dios Martínez. Medo de cama. Como é que alguém pode ter medo ou aversão a uma cama? Pois é, tem gente que tem. Mas isso dá para atenuar dormindo no chão e nunca entrando em um dormitório.


Depois tem a tricofobia, que é medo de cabelo. Um pouco mais complicado, não é? Complicadíssimo. Há casos de tricofobia que acabam em suicídio. E também tem a verbofobia, que é o medo das palavras. Nesse caso o melhor é ficar calado, disse Juan de Dios Martínez. É um pouco mais complicado que isso, porque as palavras estão em toda parte, inclusive no silêncio, que nunca é um silêncio total, não é?


Depois temos a vestiofobia, que é medo de roupa. Parece raro mais é muito mais difundido do que parece. E um relativamente comum: a iatrofobia, que é medo de médico. Ou a ginofobia, que é medo de mulher e de que, naturalmente, só os homens sofrem. Difundidíssimo no México, embora disfarçado com as mais diversas roupagens. Não é um pouco de exagero seu? Nenhum pouquinho: quase todos os mexicanos têm medo das mulheres. Não sei o que dizer, falou Juan de Dios Martínez.


Depois há dois medos que no fundo são muito românticos: a ombrofobia e a talassafobia, que são, respectivamente, o medo da chuva e o medo do mar. E outros dois que também têm um quê de românticos: a antofobia, que é o medo das flores, e a dendrofobia, que é o medo das árvores.


Alguns mexicanos sofrem de ginofobia, disse Juan de Dios Martínez, mas nem todos, não seja tão alarmista, senhora.


O que o senhor acha que é a optofobia?, perguntou a diretora. Opto, opto, uma coisa relacionada com os olhos, na certa, medo de olhos? Pior que isso: medo de abrir os olhos. Em sentido figurado, isso contesta o que o senhor acaba de dizer sobre a ginofobia. Em sentido literal, produz transtornos violentos, perdas de consciência, alucinações visuais e auditivas, e um comportamento em geral agressivo. Conheço, não pessoalmente, é claro, dois casos em que o paciente chegou à automutilação. Arrancou os olhos? Com os dedos, com as unhas, disse a diretora. Puxa vida, disse Juan de Dios Martínez.


Depois temos, é claro, a pedifobia, que é medo de crianças, e a balistofobia, que é medo de bala. Essa é a minha fobia, disse Juan de Dios Martínez. Sim, suponho que seja de senso comum, disse a diretora.


Outra fobia, esta vem aumentando, é a tropofobia, que é o medo de mudar de situação ou de lugar. Que pode se agravar se a tropofobia se torna agirofobia, que é o medo das ruas ou de atravessar uma rua. Sem esquecer da cromofobia, que é o medo de certas cores, nem da nictofobia, que é o medo da noite, nem da ergofobia, que é o medo de tomar decisões. E um medo que está começando a se difundir é a antropofobia, que é o medo de gente.


Alguns índios sofrem de forma acentuada de astrofobia, que é o medo dos fenômenos metereológicos, como trovões, raios, relâmpagos. Mas as piores fobias, a meu ver, são a pantofobia, que é ter medo de tudo, e a fobofobia, que é o medo dos próprios medos. Se o senhor tivesse que sofrer de uma das duas, qual escolheria? A fobofobia, disse Juan de Dios Martínez. Tem seus inconvenientes, pense bem, disse a diretora.


Entre ter medo de tudo e ter medo do meu próprio medo, escolho este último, não se esqueça de que eu sou policial e que se tivesse medo de tudo não poderia trabalhar.


Mas se o senhor tem medo de seus medos sua vida pode se transformar numa observação constante do medo e, se estes se ativam, o que se produz é um sistema que se alimenta a si mesmo, um círculo vicioso de que seria difícil escapar, disse a diretora."


Eu? Padeço de autofobia, que é o medo de si mesmo ou de ficar sozinho, também conhecido como monofobia ou isolofobia. #prontofalei (não que eu não tenha falado antes de 2666 diferentes formas)

terça-feira, 10 de agosto de 2010

O reino da pequena literatura

Era uma vez um planeta. Azul. Habitavam lá alguns bilhões de seres. Que, se bem contados, chegavam, certamente, a trilhões. Viviam em desordeira harmonia ou desarmoniosa ordem. Ora a cair, ora a levantar, os seres juntavam-se, dispersavam-se, acorriam quando um deles morria subitamente e acorriam também quando um deles nascia. A eles, se lhes parecia que tanto a morte quanto a vida eram surpresas. Não haviam dominado, portanto, a técnica da frieza e da vã filosofia de ver e crer. Ver a vida e crer que aquilo era convencional. Assistir a morte e lhe avaliar como um fim justo. Era sempre a mesma coisa: vida! Ohhh!!! Morte! Huuuuhhh!!!


Esses seres, certamente, tinham um problema. Sério, na minha prosaica avaliação. Avaliação essa, por decerto, contaminada, visto que eu mesmo estava entre aqueles seres. Portanto, assim, qualquer ato julgatório deixa de ser fiel se participo da trama e tramo contra ela.




Mas isso é uma avaliação minha e eu a faço como bem desejar. E quem quiser que conte outra. O Google contou. Maldito Google. Num futuro antevisto por um escritor do naipe de Will Self (google, by the way). Ah! Uma pausa: Will Self, numa tradição liberal (a faço como desejar, sem usar Google Translate), seria algo como por si mesmo se fará. Combina com ele. Reward and play: num futuro antevisto por um escritor do naipe de Will Self (google, by the way), o Google será deus. Tenho certeza. Ao buscador e empresa de software serão atribuídos poderes de vida e morte, a propósito do estranho estranhamento humano ante nascimentos e falecimentos. O Google terá poderes inimagináveis por ora. Se não for o Google, outra empresa com tendências equivalentes o fará.


Pois que o Google contou. Uma conta mundial. Cheia de tabulações, contas de reduzir, adicionar, variantes, raízes quadradas, noves fora e chegou a um número: 129.864.880. Até o último domingo, dia 8, era esse, de acordo com o modo google de calcular, o número de livros existentes no mundo. Livros, aqui, quer dizer títulos diferentes. Portanto, existem quase 130 milhões de livros diferentes publicados em todo o planeta que, visto de cima, parece, é azul.


Numa Terra que tem 6.861.601.621 (pouco antes da meia-noite desta terça-feira, 10 de agosto), há um livro para cada 0,0189 habitante. Colocado de outra forma, não chegam a 2% o total de livros em relação aos habitantes desse planeta em que os seres são bilhões - se bem contados os considerados 'burros' como animais, vegetais, eis que se chega aos trilhões referidos acima.


Portanto, grassa a estupidez. Não é coincidência. É fato. Leio de 5 a 6 livros por mês e mesmo que lesse de 500 a 600 ou 5.000 a 6.000 a cada semana, não daria conta de reduzir a montanha dos 'sem-literatura' que forma a estranha Babel deste mundo que, se diz, é azul.


Eu o diria, esse mundo, translúcido. Transparente. Falto de impressão, de letras, palavras, orações, frases inteiras. Impressas. Portanto, falta impressão no mundo. E dada a falta de impressão, a impressão que se tem é que nada se expressa. Tudo se exprime, se espreme. E o único caldo que resulta disso é uma tinta que vai rio abaixo, sem a menor possibilidade de preencher brancas páginas, translúcidas mentes de bilhões. O mundo, meu(minha) caro(a), não é azul. É zebrado. De tanta inconsistência e de tanta falta de literatura. Se as pessoas lessem, o mundo seria branco no preto, tinta na página. Consistência. O mundo é um breu!

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Dia ou noite, noite ou dia, dia ou noite...

Que somos fascinados por uma certa instabilidade, todos, humanos ou não (sim, os há), é um fato. Os seres humanos (e os não-seres) somos, por natureza, instáveis: ora preferimos o dia, ora a noite. Se temos cabelos lisos, os queremos cacheados. Se os temos crespos, os queremos lisos. Se nosso nariz é aquilino, reclamamos porque certamente ficaríamos melhor se fosse arrebitado. Se é achatado, ficamos chateados porque não é aquilino. Se temos pelos no corpo, fazemos depilação. Se não os temos, reclamamos que queríamos ser recobertos feito gorilas. É assim a insatisfação do ser humano. Sempre a olhar com laivos de inveja e luxúria para o gramado alheio enquanto o próprio padece com ervas daninhas.


O filme abaixo trata exatamente dessa dicotomia.

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Daqui até o fim do mundo, temos mais 3 anos ou 59 anos?



Na dúvida, já dou de graça que não estou para brincadeiras. Aliás, digo errado. Estou mais é para brincadeiras, daquelas do tipo "vamos brincar de índio", "vamos ver o que existe atrás do armário", "quem tem coragem de tirar a roupa e correr nu pela praia" e outras, nada infantis. Ah! Sei lá! Faz parte de um lado lúdico meu, sabe, mais baseado em alguns fetiches do que propriamente em uma lógica na qual prevale o lúdico como conceito de pessoa saudável...


Enquanto no Brasil comemoramos a vinda da Copa do Mundo de 2014 e dos Jogos Olímpicos de 2016, tem uma série de informações - terrenas e espaciais - que podem calar nossas bocarras antes de dizermos "Ai!". Há algumas previsões nostradâmicas que insistem na teoria de que o mundo acaba exatamente no dia 21 de dezembro de 2012. Ou seja, temos que pensar e agir a curtíssimo prazo porque faltam pouco mais de três anos.





Eu resolvi que liberarei uma face mais dionisíaca - sexo, drinks/drugs e tecno - antes que a "Foice" soe a toada e um vento frio me envolva e, glup!, já era! Não pretendo fazer a prova dos nove para ter certeza se as datas cabalísticas que anunciam o fim do mundo se confirmarão ou não. Existem sites específicos para isso, como Fim do Mundo 2012, cheio de conjecturas soturnas. Estou mais para as saturnais, os bacanais e quetais.


Lá do Havaí, onde o povo deveria estar preocupado com a altura da onda para surfar, alguns nerds da Universidade do Havaí esquecem que o mar está lá para isso e se entregam a um outro fetiche: o de espionar os vizinhos. É, isso mesmo: a isso se dá o nome de "voyerismo". Só que eles são voyers do céu.
  



Segundo esses doutos senhores que gastam o tempo precioso que lhes (e a nós) resta, há uma probabilidade catastrófica que coloca o asteroide Apophis em rota de colisão com a Terra para 2068, ou seja, em 59 anos. A se crer no aumento da expectativa de vida do homem (o homem como sexo, não como ser), estarei eu, daqui a 59 anos, fatalmente vidrado e sem reação (como um ser idoso, a essa altura, deverei estar amparado por andadores ou, no limite, preso a uma cadeira ou à cama), atemorizado com a proximidade do Apophis. Antes, previa-se que havia uma chance em 45 mil do Apophis dar um chute nessa bola chamada vulgarmente de 'Terra'. E o prazo de extinção era ainda menor: 2036. Depois, outra previsão reviu a primeira e deu outra dimensão para o fim dos tempos: haveria uma chance em 37 (glup!, de novo) da pedra nos acertar, no dia 13 de abril de 2029 (precisão!).





Se nada mudar, o Apophis mostrará suas garras mesmo assim: deverá rodopiar a 30 mil Km da nossa superfície em 2029 (os satélites de comunicação ficam 'estacionados' a 36 mil Km de altura). E, refeita essa previsão, a de 2036 também precisou ser corrigida: de uma chance em 45 mil, aumentaram a nossa sorte para a proporção 1/250 mil, com o Apophis a trombar com os satélites (a 32 mil Km de altura), e não conosco. O que nos deixava, afe!, um pouquinho mais confortáveis!


Mas, para contradizer Calderón de La Barca, de que "a vida é sonho", plagio Sartre e refuto com "o pesadelo somos nós", incluso nós mesmos, humanos, e a Terra, que nos há de comer se antes disso essa pedrinha chamada Apophis não tentar nos aphophar com sua superfície de mineral.





De forma que, segundo cálculos intrinsecamente complicados sobre os quais mantenho uma distância segura de 36 mil Km, essa batidinha que pode nos transformar em caipirinha cósmica, ficou para o ora longínquo ano de 2068. E, a se fiar nessa roca, haverá uma chance em 300 mil de uma colisão. Como a roca já fez dormir uma princesa, melhor não se fiar muito nesse artefato primitivo.


Claro que tudo isso são divagações porque nem mesmo o fato dos nerds do Havaí viraram os olhos para o céu ao invés de babar ante as ondas magníficas do local é capaz de dar conta de 6 bilhões de seres que se esfalfam feito formigas para sobreviver. O Apophis, como outros corpos celestes, sofre poderosas interferências gravitacionais do sistema solar. Neste momento em que escrevo e dou um peteleco na pedrinha, Apophis, impávido feito Apolo em cavalos de fogo, passa por detrás do Sol, às escondidas, de forma que nem mesmo nossos poderosos satélites de plantão, que espiam o Afeganistão em busca de um bin lad(r)ão, podem monitorá-lo.





Mas nossos problemas, ainda que eu amenize o anúncio do final dos tempos, não acabaram: em 2010, Apophis volta com pompa e circunstância e se põe a nu, sob nossos olhos aumentados por poderosos telescópios, o que nos permitirá (pelo menos aos havaianos nerds que não estão no mar) fazer novas e catastróficas previsões.


Até lá, creio que podemos sair para as saturnais e nos divertirmos. Não sei se você soube, mas outros cientistas voyeristas descobriram um novo anel, digo, um anelão, ao redor de Saturno, o que deu ao planeta uma conotação ainda mais anelada do que já sabíamos que Saturno tinha. Esse anel estava invisível, calcula-se (aqueles mesmos cálculos dos quais estou distante 36 mil Km), há 400 anos e somente agora, com lentes infravermelhas, foi avistado pelo olho humano curioso.


Se Saturno ganhou um novo anel, podemos celebrar as saturnais. E também as bacanais. Oras! Com tanta previsão sobre as nossas cabeças e tantas contas para saber se haverá diferença de proporções numéricas baseadas em 1/45 mil, 1/250 mil e 1/300 mil, não sou eu que vou me debruçar em ábacos modernos para constatar meu próprio fim. Um brinde e saúde, se você ainda tiver (a saúde) depois de tão alvissareiras informações!


terça-feira, 23 de junho de 2009

Que sejamos eternos enquanto durarem... os servidores!

Eu sempre comentei com uma amiga o que faria com cerca de 30 ou 40 sites nos quais estou cadastrado (de redes sociais a e-mails, de bancos a serviços de governo, e aglutinadores de conteúdo e outros, muitos outros) quando estivesse morto. Não fiz a conta, mas acho que já me cadastrei e mantenho contato regular em pelo menos uns 40 sites diferentes.

Tal pensamento, que pode parecer mórbido à primeira vista, mostra-se pertinente quando você passa a alimentar um blog e ser, sozinho, responsável por postagens que, aos conhecidos, servem de referência para o que você pensa, onde está, como está. Para estranhos, talvez reste, ao final, um vazio, uma falta de explicação, um súbito desaparecimento que será seguido de alguma perseverança (na visitação), certa frustração (espero) e, finalmente, a desistência, dado que tudo o que é contemporâneo, o é, também, descartável.

Ontem, me deparei com um artigo no G1 justamente sobre o que fazer com os perfis, principalmente em redes sociais como Orkut, Facebook, MySpace, Twitter e Flickr (estou nas cinco redes) caso a vida lhe seja negada. Nunca passei senhas para ninguém - nem família ou amigos. Eu, como 99% da humanidade, creio, não quero lidar assim, de repente, com o meu próprio desaparecimento e muito menos por meio de senhas de serviços virtuais.

Deixo para os que ficam a ingrata tarefa de lidar com a eternidade digital. A qual, acredito, durará até que o último servidor de uma empresa como a Google (que hospeda este blog, o Gmail, o Orkut, o YouTube) ou outras, como Yahoo! (proprietária do Flickr e do Meme), Technorati, Stumble, Facebook, Twitter, WordPress, Ning, Digg, Slide, FriendFeed e tantas mais que já não as recordo, seja desligado, pela mão bruta do homem que decreta as falências, pela ação da natureza, na eventual extinção da energia elétrica ou porque os dados foram, todos, corrompidos.

Por qualquer que seja o motivo, acredito e, acho, você também, que nossos dados (fotos, textos, páginas na internet, e-mails) podem ser guardados em algum disco rígido virtual imenso, sobre o qual nada sabemos (onde está, qual é o tamanho, o exato limite que podemos ocupar nesse latifúndio de alumínio que, tecnicamente, pode ser um servidor, um data warehouse, storage, fita, disco). Seja lá o que for, nossos dados circulam por aí, em algum espaço compartimentado com outras milhões de informações estranhas, num bacanal orgiástico sem controle.

Não sei onde geograficamente e nem me ocorre fazer uma investigação para seguir meu rastreio digital e saber que, de repente, meu blog está hospedado num servidor da Eslovênia porque lá existe mais espaço e é mais barato. Sei lá!

Bem, voltemos ao mundo dos mortos, ou melhor, dos que serão (mortos) sem nunca ter sido, ou seja, cada um de nós que lê estas linhas, pelo menos. O referido artigo do G1 apresenta algumas soluções de sites que seriam como testamenteiros: guardiões de informações sigilosas que serão liberadas na hora da nossa morte, amém! Pois que, se não confiamos em uma pessoa para fazer dela nossos backups ou contingências em vida, que nos entreguemos e a nossos segredos, confissões e pecados virtuais a quem é do ramo: um outro site.

Ninguém explica, porém, que tais sites não estão, como os padres da religião católica, fadados ao segredo dessas confissões, num dos dogmas mais rígidos da Igreja Católica, o que garante, a princípio, que são, os padres, inexpugnáveis. Não sei se os sites, sob ameaças judiciais, teriam algum tipo de pudor para não se dobrar. Ou ainda que os servidores desses sites, assim como os acima citados, não sofram reveses, ataques de hackers curiosos ou mortandade anterior à minha própria morte e acabem por espalhar informações restritas na imensa rede que tudo conspurca. OK! Meio apostólico o discurso, mas nunca se sabe, quando se fala sobre morte, todo cuidado é pouco.

Vamos aos sites que se arvoram, pois, de guardiões de nossas vidas pós-morte, se me é possível fazer tal injunção sem maiores consequências. Claro, são todos pagos, porque nem a morte é gratuita. Muito menos a virtual que, se gratuita em vida, ainda assim pode, a qualquer momento, cobrar seu preço, o que não ocorre na morte física (as fotos que ilustram o post são dos respectivos sites):


- Legacy Locker (algo como cadeado da herança): permite que o usuário cadastre todos os logins (codinomes, nicknames, nomes, e-mails) e senhas para que sejam entregues a familiares e conhecidos após a sua (e minha) morte. Tudo - e-mail, foto, rede social e qualquer outro serviço que exige cadastramento - pode ser colocado nesse site. Para cada conta, inclusive, o usuário pode escolher um (in)feliz beneficiário da herança digital. O respectivo herdeiro terá que apenas comprovar a morte de quem lhe afiançou como beneficiário e comunicar ao site com provas evidenciais do falecido (certidão de óbito) e de si próprio (documento de identidade). A taxa cobrada pelo site é única, de US$ 300 (até a morte do interessado), ou anual, a US$ 30 a cada ano.


- YouDeparted (você partiu; gostei!): nesse site, além de poder guardar logins e senhas, o usuário pode armazenar cópias de documentos importantes, escrever mensagens de despedida para os entes queridos, a serem disparadas ao primeiro sinal de morte, determinar as preferências para o funeral (quero caixão estofado, com flores brancas, mas não amarelas, sem véus, com poucas e finíssimas velas) e descrever os locais onde poderão ser encontrados documentos e objetos importantes (lá, sob aquela árvore, enterrei uma caixinha de madeira com todos os meus soldadinhos de chumbo em 1943). E olha a amplidão do serviço, alinhada justamente com a extensão da eternidade que se avizinha assim que você morre: podem ser cadastradas de 1 a 99 pessoas, que terão acesso a informações específicas determinadas pelo usuário (eu usaria a cota inteira só de birra). Cada herdeiro deve ser avisado pelo usuário que está a lhe transmitir a sôfrega missão e, de novo, assim que a morte do contratante é dada como certa, e um determinado número de herdeiros comunica o site sobre o ocorrido, já o site começa a liberar a caixa de Pandora do falecido. Os preços são anuais e variam entre US$ 10 (20 tipos de informação e 20 MB de memória - no Gmail, 20 MB é o limite de envio de anexos) a US$ 80 (informações ilimitadas e 5 GB de memória - o Hotmail oferece capacidade equivalente para arquivo de informações).


- Slightly Morbid (meio mórbido, é a tradução; meio???): não arquiva logins e senhas, e sim avisa os contatos - todos, reais e virtuais - de que você morreu. Dessa forma, o Dom Corleone do Mafia Wars do Facebook, a Ciganinha do Twitter e o TesudoJá do Messenger (que você imaginava completamente anônimo) vão saber da mesma forma do fato, assim como seus tios, primos, cunhados e parentes que aparecem somente por ocasião dos enterros. Nesse caso, o usuário deve criar uma conta com todos os e-mails dos seus contatos (uma espécie de mortal mailing) e passar um certificado com instruções para alguém de confiança. Quando da aparada da foice, negra e soturna, a fiel depositária do certificado e da confiança deve disparar (rápido, feito um tiro) mensagens que o falecido havia deixado por escrito. O legal é que esse serviço serve também para avisar que você ainda não passou desta para aquela, considerada equivocadamente, na minha opinião, melhor, em caso de escapar ileso de terremotos e tsunamis. Os preços , únicos, variam entre US$ 10 a US$ 50, conforme você é mais ou menos popular, tanto na vida real quanta na second life, ops!, na virtual.


- Orkut (Oh! turco! O Orkut foi inventado pelo turco Orkut Büyükkokten, que era engenheiro do Google): se você morre, de repente, como sói acontecer nesse caso, sem que você tenha dado por isso, e não se precaveu ordeiramente ao contratar um dos três serviços acima, o todo-poderoso Google cuida de você no além: ensina aos herdeiros da sua miséria virtual como te excluir da face virtual terrena. Basta que um parente ou conhecido, com acesso a dados pessoais seus, faça uma série de cliques e... glup! Você já era, assim na terra como na internet.

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

Você é digital ou analógico(a)?


Você sonha, certo? Sim, você sonha. Pode não se lembrar, mas, que sonha, sonha. Isso é fato. A partir desse pressuposto - e se você se recordar -, você sonha em preto e branco ou colorido?

Uma pesquisa realizada nos EUA indicou que 88% das pessoas sonham colorido e apenas 12% sonham em preto e branco. A explicação está na exposição das pessoas à TV e ao cinema. Os pesquisados com menos de 25 anos nunca ou quase nunca sonham em preto e branco. Logo, são pessoas digitais, 100% HD (high definition ou alta definição), completamente integradas à digitalização da vida.


Mas, a faixa etária que se encontra com mais de 55 anos sonha 25% das vezes em preto e branco. São pessoas que tiveram pouco acesso ao colorido da TV e do cinema. Os 12% que sonham em preto e branco devem ter mais de 80 anos e o cérebro não permitiu que assimilassem o mundo colorido (conclusão minha). Logo, os acima de 55 anos são análogo-digitais e os acima de 80 são completamente analógicos.


O fato da televisão e do cinema influenciarem na cor dos sonhos esclarece-se quando se confronta o estudo atual com outras pesquisas realizadas na década de 40 nos EUA, pelas quais 75% das pessoas, de qualquer faixa etária, nunca ou raramente sonhavam colorido. Eram completamente analógicas, digitalmente toscas.


Agora, tenho explicações particulares entre sonhos coloridos e monocromáticos. Creio que sonhos digitais (coloridos) são aqueles que expressam nossos desejos mais prementes, sejam os materiais, sexuais ou rotineiros mesmo, de preocupações rasteiras.


Os pesadelos, imagino, são sempre coloridos, dado que a cor ativa o cérebro e ajuda a elaborar todo o cenário. Assim, não tem porque ver sangue em preto e branco no pesadelo. Os sonhos estão, na maior parte das vezes, relacionados aos acontecimentos do dia-a-dia das pessoas e também aos temores mais comuns: ficar nu diante da multidão (devo ter esse sonho recorrente de tanto que falo sobre ficar nu), perder a memória, morrer, sofrer algum tipo de violência etc.


Claro que há sonhos que precisam ser interpretados por pitonisas, tal o grau de dificuldade de traduzi-los para a realidade. Como não dispomos mais de pitonisas, recorremos mesmo é aos videntes de plantão e, algo forçosamente, interpretamos esses sonhos como bem nos apetece.


Agora, os sonhos em preto e branco, esses eu reservo para uma categoria especial: são como os filmes noir, cheios de mistério, de névoas e véus. Ocorrem no entorno do período de maior produção de sonhos, durante o sono REM (Rapid Eye Movement ou Movimento Rápido dos Olhos), que é a fase do sono na qual ocorrem os sonhos mais reais, se é que posso classificar assim.


Na fase REM, a atividade cerebral é equivalente àquela quando se está acordado(a). O sono REM ocorre entre quatro e cinco vezes durante um sono considerado normal (de 8 horas). Pode-se acordar repentinamente após um sono REM que, somado, dura entre 90 minutos e 120 minutos por noite para adultos. Mas, de novo a idade: um bebê tem 80% do sono total formado por sono REM. Uma pessoa de 70 anos tem apenas 10% de sono REM. Para os jovens, categoria flexível o bastante para comportar quem não é bebê e tampouco ancião(ã), o sono REM dura 20% do sono total.


Dado que, de volta ao sonho preto e branco, é só somar dois mais dois. Sonha-se em P&B fora das horas de sono REM. Afirmo isso porque se o sono REM gera os sonhos mais vívidos, logo, esses sonhos são coloridos e de fácil recordação quando acordamos. De tal forma que a maior parte do sono convencional, por assim dizer, é tomada por sonhos P&B sobre o qual não temos a menor lembrança.


Se dado nos fosse armazenar sonhos em discos rígidos (ou mesmo em drives USB, a depender da qualidade do sonho de cada um, com mais ou menos gigabytes), o espaço de tal disco seria tomado por imagens analógicas. O que, numa evidente contradição, nos faria regredir ao tempo da câmera P&B com rolos e mais rolos de filmes a serem revelados para que os sonhos fossem, enfim, interpretados.


Olha só a dificuldade. Afora que se coloca uma questão importantíssima, concluída essa argumentação: se a maior parte de nós tem sonhos digitais, o que é dos sonhos analógicos, que perfazem quase que a totalidade do total do sono? Quer dizer que somos, no fundo, apenas periféricos. A era digital dos sonhos relegou as revelações mais interessantes àqueles pontos inatingíveis do disco rígido que nem um hacker é capaz de resgatar, ainda que se rezem terços e novenas para o santo do cérebro, aka santo Isidoro de Sevilha (considerado pelo Vaticano para proteger os usuários da internet e os programadores de computador).


Percebe que a era digital dos sonhos, ao invés de nos aproximar dos nossos próprios sonhos, tende a nos afastar ainda mais de qualquer elucidação que possa vir por meio de símbolos?


Posso parecer analógico ao declarar isso, mas, no tempo em que se processavam os sonhos apenas em P&B, havia mais possibilidade de rebobinar o filme e rever o passo-a-passo. Tudo era preto e branco, preto no branco. Sem firulas ou filigranas coloridas, com milhões de linhas de resolução que, num contraste absurdo, tornam insolúveis sonhos P&B agora perdidos para milhares de sinapses cérebro adentro.


Dou por encerrado o assunto, vasto e infinito. Me é impossível elaborar alguma resposta a esse tipo de questionamento. Até aqui, concluo que a digitalização do sonho me penalizou com a perda de memória. Não há cookies para rastrear o que quer que seja. Perdem-se, todas as noites, terabytes de sonhos analógicos. Lamento.


Em tempo, enquanto eu escrevia doidamente esse post, sem nenhum fundamento científico (algumas partes são reais, outras, imaginárias), li que há uma psicologia própria que ocorre durante o sono REM (gostei desse assunto!).


Assim, durante o sono REM, há uma série de acontecimentos que, sobremaneira, me interessam: as batidas do coração e os intervalos entre a respiração tornam-se irregulares, como se estivéssemos acordados e assustados. A temperatura do corpo é extremamente irregular. Para os homens, as ereções do pênis (chamadas de Nocturnal Penile Tumescence - NPT ou Tumescência Peniana Noturna) frequentemente acompanham o sono REM.


Sintomaticamente, há, para as mulheres, um alargamento do clitóris com consequente aumento do fluxo de sangue e lubrificação da vagina. Ou seja, somos todos uns tarados em pleno sono REM e nem sabemos de nada disso. Isso é um castigo????

quinta-feira, 31 de janeiro de 2008

Reductio ad absurdum

Reductio ad absurdum (latim, significa "redução ao absurdo" ou "reduzir ao impossível") é um conceito aristotélico e define um tipo de argumento lógico no qual alguém assume uma posição derivada de uma conseqüência absurda ou ridícula, e então conclui que a suposição original deve estar errada, o que conduz a um resultado irracional.

Reductio ad absurdum também é usado muitas vezes para descrever um argumento no qual uma conclusão é derivada de uma crença a qual todos (ou pelo menos aqueles que argumentam contrariamente) aceitarão como falsa ou absurda.

Um exemplo bastante comum: Mãe: Por que você começou a fumar? Filho: Todos os meus amigos fazem isso. Mãe: Está dizendo que se todos os seus amigos saltassem de um precipício, você o faria também? O argumento do filho é fraco e não tem lógica. De fato, ele começou a fumar porque quis, e não por imitação.

Eu me recordei desse conceito quando me deparei com algumas contradições das pessoas. Primeiro, elas lançam os argumentos à mesa. Depois, esperam que os presentes debatam esses argumentos à exaustão, contrários ou favoráveis, seja o que for. Ao fim, a pessoa que lançou o argumento somente assiste a cena, extasiada por ter provocado tão promissor debate e, em muitos casos, a primeira opinião de quem iniciou o conflito muda radicalmente de um extremo ao outro.

Eu sei que estou a cada dia mais longe do entendimento, aceitação e glorificação do ser humano, em geral. Na verdade, estou cada vez mais perto do marco zero da intolerância. Não tenho paciência para conversas sem objetivos e principalmente quando o foco do assunto é sobre o que eu faço e o que penso.

Não, não me entendam mal. Ainda que eu goste de ser o centro das atenções, não aguento quando as pessoas pensam que me conhecem mais do que a mim mesmo. Eu acho que, depois de conviver comigo todos esses anos, devo saber como funcionam todos os mecanismos desenvolvidos pela minha mente e corpo. Mas, não. As pessoas insistem e daí entra o reductio ad absurdum, pelo qual tentam extrair de você a verdade (segundo a ótica dessas pessoas) com técnicas sofisticadas de torturas psicológicas. E você nega, nega e nega até o galo cantar. E a tortura da gota que cai sem parar continua. Ao fim, ou você admite que o outro está certo ou sai em frangalhos. E o pior é que depois de tudo, o outro lado, de repente, admite que você até pode ter razão. Ou muito me engano, ou todos vocês, leitores, já passaram por algo semelhante.

De repente, vejo uma luz. Caroline me chamou e fui. Há uma luz. Trata-se de adotar um outro conceito, o do teatro do absurdo, que trabalha a realidade de forma inusitada. Em resumo: ser ilógico e soar como absurdo. Falar uma coisa enquanto esperavam que dissesse outra. Agir de forma totalmente contrária ao esperado. Eclipsar-me, virar um ectoplasma.

Quando eu escrevi em posts anteriores sobre desconstrução, era a isso que eu me referia: ser surreal. Porque, se me tratam como surreal, surreal serei! O bom do surrealismo é que nada é previsto, nada é premeditado. Ainda que eu previna as pessoas, aqui, neste texto, de que meu comportamento poderá ser absurdo, ninguém acredita e nunca saberá se sou eu ou é o outro, o surreal. Aquele da "minha vida sem mim". Não é legal?

Dizem que estou com um olhar insano, ultimamente. Talvez. Meu carregamento de fluoxetina não chegou e a palavra "lucidez" assume conotação de "acesso de loucura ao contrário". Uma pessoa querida na minha vida me disse, há alguns anos, quando usei cavanhaque, que eu tinha a aparência de um ser maligno e que, conforme eu a olhava, essa pessoa me temia. Ahahahaha!!! (quem ri sozinho está louco, dizem). Era essa a intenção. No que me toca, unirei a redução ao absurdo ao absurdo em si para me transformar absurdamente em um Ser Sur Real. "Ora", direis-me, "estás a viajar!". "Ora", responderei-te, "a imaginação é mais poderosa do que a rotineira vida real!". Dank, Caroline, dank!

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Redneck, em inglês, define um homem rude (e nude), grosseiro. Às vezes, posso ser bem bronco. Mas, na maior parte do tempo, sou doce, sensível e rio de tudo, inclusive de mim mesmo. (Redneck is an English expression meaning rude, brute - and nude - man. Those who knows me know that sometimes can be very stupid. But most times, I'm sweet, sensitive and always laugh at everything, including myself.)

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