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domingo, 16 de março de 2008

Meu rugido dominical

De uns dias para cá, a minha conexão de banda larga tem falhado em alguns momentos. No contrato, prevê-se que, teoricamente, eu tenho direito a 2 Mbps de taxa de transmissão (nem sei, tecnicamente, quanto é para upload e quanto é para download). Nunca medi a taxa real, mas, tenho quase certeza que, na média, fica nos 100 Kbps. Ou seja, eu pago R$ 79,90 mensais para ter uma taxa levemente superior aos 56 Kbps de uma conexão discada.

Li neste domingo sobre a expansão dos acessos de banda larga no Brasil (mais de 5 milhões), que têm crescido mais do que as conexões discadas. Também nesses últimos dias, recebi minha última conta de luz: de 190 kWh foi para 280 kWh no mês (em dinheiro, de R$ 55,00 para pouco mais de R$ 99,00). Tentei ligar na ouvidoria da empresa e enviei e-mail. Claro que não tive resposta.

Tenho uma certa ojeriza, em geral, às embalagens de produtos, quaisquer que sejam eles. De uma lata a uma caixa de sabão em pó, todos os produtos, sejam de empresas nacionais ou multinacionais, sempre têm algum inconveniente para ser abertos. Não sei se você concorda comigo, mas, é quase certo que um simples pacote de biscoito ou a caixa de filtros de café nunca abrirá conforme as instruções.

Não se trata aqui de expor um painel de reclamações que deveriam figurar em quadros do Procon. Não é isso. É sobre a qualidade de serviços e produtos pelos quais pagamos, deliberamente, e não temos retorno. As concessionárias de telefonia e de luz são públicas. São administradas por empresas privadas que pagam pela concessão durante longos prazos. São, ou deveriam ser, regidas e fiscalizadas pelas agências regulatórias.

Quando você se confronta com algum problema - TV fora do ar, telefone mudo, internet que não conecta, aumentos inexplicáveis no consumo de energia elétrica, embalagens que machucam seus dedos - não há a quem recorrer. Já passei mais de 1 hora ao telefone (móvel) para reclamar com a central de atendimento sobre o telefone fixo. Quem paga essa conta? Eu mesmo. Já perdi a conta de ligações feitas e e-mails enviados às empresas.

Constantemente, fala-se que o Brasil bateu record de PIB, de inflação baixa, de produtividade, alta nas exportações. Que somos os potenciais donos do mundo de amanhã, com China, Rússia e Índia. Mas, como descuidar tanto de pequenos detalhes como esses? De atender o consumidor, simplesmente.

Estiveram comigo, nos últimos três dias, dois amigos que vivem na Bélgica. Quanta diferença! Da compra barata de um notebook da Apple à simples garantia de produtos com qualidade. Porque, se não é assim, não vende. E pronto! No Brasil, as empresas nacionais não se preocupam com isso. Dá a impressão que você é obrigado a comprar aquilo porque não tem opção. Vá ao supermercado e veja: observe as embalagens, a qualidade das frutas, verduras e legumes. Parece que estamos numa feira medieval! O produto, para ter qualidade, deve custar três vezes mais do que o equivalente nacional (caso do azeite, da mostarda Dijon, do vinagre balsâmico). Porque o País não produz azeitona de qualidade, porque a mostarda é falsa e o vinagre é um aditivo de metanol com gosto de maçã.

O problema é que isso não fica restrito aos fabricantes nacionais. Grandes empresas, sobretudo da área de alimentos (Nestlé, Danone, Kraft, Bunge), todas entram nessa ciranda. Se adaptam rapidamente à falta de controle tipicamente nacional.

E essa falta de cuidado com o cliente, a total falta de qualidade, se estende para tudo: dos buracos da calçada, que fazem você tropeçar e se machucar, das ruas que são recapeadas para, um mês depois, apresentarem crateras, dos prédios que são reformados e que, quando a equipe vai embora, longos seis meses depois, começam a apresentar problemas antes nunca vistos. É um conjunto de ruínas. E eu acredito que isso se reflete nas pessoas. Que passam a agir com falta de qualidade entre si. Com falta de educação. Porque são desrespeitadas por empresas públicas e privadas. E não têm a quem recorrer.

É como quando algo quebra em casa: uma luz que queima, um vidro rachado, uma torneira que pinga. Se você não conserta rapidamente, a deterioração se expande, incontrolavelmente, e, de repente, parece que tudo se desmorona à sua volta e dentro de você. Fico feliz - e isso demonstra o quanto somos acomodados - quando um encanador consegue arrumar o chuveiro ou a pia do banheiro. É o mínimo! Eu pago por isso. Pago para ter um elevador que funcione. Uma calçada sem buracos. Uma rua reta. Por uma maldita lata de óleo que abra sem acabar com a minha unha!

É tão simples. Deveria ser. Era tão mais fácil, contudo, colher minha própria alface na horta do quintal. Não havia a competição por alfaces que murcham entre o supermercado e a minha geladeira. Não sei quanto a você, mas, para mim, até a gramatura da alface mudou.

Defendo, sempre, que vivamos com mais simplicidade (não significa deixar de adquirir qualidade). Mas, é quase impossível seguir essa filosofia. Afinal, somos, de um lado, a população que demanda o consumo. De outro, empresas que nos atendem como a porcos no chiqueiro. Não, não quero pérolas. Mas, também não quero ser tratado como porco.

3 Comentários:

marco* disse...

será que alguém precisa completar algo? creio que não. vc disse o suficiente. o bastante diria. abraços.

leve&solto disse...

Ótimo post!

Não sumi não!! Tô aqui pra dar um oi e um beijo!

Mas, mudando de rugido pra miado... Tô precisando de uma receita de bolinho de bacalhau (sem complicações, que não desande e que seja rápida...rsrsr). Sou ótima na bacalhoada, mas no bolinho...
Minha filhota chega sexta e quero agradá-la!! Help me!

beijo

Mara

Redneck disse...

Oi marco*,obrigado. Me lembrei de você: ganhei chocolates belgas e pensei que, se você for bonzinho, pode muito bem me enviar alguns chcolatinhos daí. Brincadeirinha! Abraço!

Mara, sumiu sim. É só a pessoa vir para SP para sair de circulação. É incrível como isso ocorre. Enfim! A sua receita está no seu e-mail. Beijo!

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Redneck, em inglês, define um homem rude (e nude), grosseiro. Às vezes, posso ser bem bronco. Mas, na maior parte do tempo, sou doce, sensível e rio de tudo, inclusive de mim mesmo. (Redneck is an English expression meaning rude, brute - and nude - man. Those who knows me know that sometimes can be very stupid. But most times, I'm sweet, sensitive and always laugh at everything, including myself.)

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