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domingo, 4 de maio de 2008

Meu rugido dominical

Daniel Gilbert é um psicólogo social que trabalha na Universidade Harvard (EUA). O apelido dele é Professor Alegria. O pesquisador comanda, em Harvard, um laboratório que estuda a natureza da felicidade humana. É autor de “Stumbling on Happiness” ("Tropeçando na Felicidade"), que ficou 23 semanas na lista do "The New York Times" e venceu o Royal Society Prize for Science Books de 2007.

Gilbert afirma que, como espécie, nós, humanos, temos a tendência de sermos moderadamente felizes. "Em uma escala de zero a 100, as pessoas geralmente classificam sua felicidade como 75. Tentamos chegar a 100. Às vezes, conseguimos. Mas, não dura muito. Certamente, temos medo das coisas que nos levariam a 20 ou 10 - a morte de uma pessoa querida, o fim de um relacionamento, um desafio sério para a nossa saúde. Porém, quando essas coisas acontecem, a maioria de nós vai retornar às bases emocionais mais rápido do que imaginamos."

O pesquisador diz que, em dado momento, esperamos nos sentir devastados se nossa esposa nos deixar ou se não ganharmos uma boa promoção no trabalho. Mas, quando coisas assim acontecem, logo dizemos: “Ela não era para mim” ou “Eu precisava de mais tempo com a minha família”. "As pessoas têm um talento incrível para encontrar formas de suavizar o impacto de eventos negativos. Assim, elas estão enganadas quando imaginam que golpes como esses sejam mais devastadores do que são. Pessoas clinicamente depressivas muitas vezes parecem não ter a capacidade de se recompor. Isso sugere que, se o resto de nós também não tivesse essa capacidade, estaríamos todos depressivos também", explica Gilbert.

É claro que Daniel Gilbert não detém a patente da felicidade. É um pesquisador e, como tal, coleta dados e os compila, numa leitura da média dos pesquisados. Concordo e discordo com o pesquisador.

Sim, eventos emocionais marcantes costumam deixar rastros atrás de si que o tempo, por bem ou por mal, tende a amenizar. O tempo, esse incrível mecanismo de defesa, pode agir a favor ou contra você. Mas, que se encarrega de esmaecer as memórias, notadamente as ruins, não tenha dúvidas!

A idéia de felicidade é subjetiva, inexprimível. Cada um de nós a tem própria, delimitada por parâmetros construídos dentro de casa, com interferências externas e com tudo aquilo que construímos para nós mesmos. A felicidade, para você, pode estar em adquirir um bem (material). Para mim, uma boa noite de sono pode me deixar feliz no dia seguinte (físico). Para você, pode ser uma caminhada ao sol (sensorial). Para mim, uma gravata nova (material). Não há uma medida, efetivamente. E tanto faz se a felicidade vem em pequenas ou grandes proporções. Não é a quantidade, em si, que importa. É apenas o fato de senti-la.

Outro dia, por exemplo, vi uma lagartixa minúscula na casa de uma amiga que está fora do País. Estava na pia, pequeniníssima, e a mim me pareceu que estava com sede. Adoro lagartixas, por natureza. Coloquei água na pia. Me senti feliz com o gesto em si e com o fato de haver uma lagartixa ali.

No outro extremo, me senti triste, de repente, neste domingo, por ter tido quatro dias neste feriado e não ter feito nada de útil ou que, na minha cabeça, me seria útil ou me faria sentir melhor (exceto o memorável dia de ontem, sobre o qual falarei no post seguinte).

Portanto, é lógico supor que entre a felicidade e a tristeza, basta um passo. Um olhar, uma ação. Não há uma regra de conduta que me deixe feliz ou triste. É muito tênue a linha que divide uma sensação e outra.

Fico feliz por ser reconhecido. Por ser perdoado. Por ser amado (e ouvir, literalmente, "eu amo você"). É tão raro. Fico triste porque o telefone não toca. E, quando toca, pode vir mais tristeza do outro lado. Pode parecer uma fuga da realidade. Mas, quem é que gosta de lidar com a dureza da vida? Posso ser um monte de coisas, mas, masoquista, certamente, não sou.

Na escala traçada por Gilbert, de zero a 100, não creio, absolutamente, ficar na média por ele citada: 75. Ah! Seria muito bom ser um 75 na maior parte do tempo. Temo que minha calibragem não suporta essa pressão. No máximo, vario entre uns 40 e 60.

Atingir os 100? Não, não acredito nisso. Dizem que os escandinavos (Finlândia, Suécia, Dinamarca e Noruega) cometem suicídio porque não têm perspectivas, já que está tudo tão evoluído que não há nada mais para se fazer em termos de desafios sociais, pessoais e outros. Ao contrário, o suicídio não é uma constante em países como o nosso, com milhões de problemas básicos a serem resolvidos.

Isso não é um dado científico e tenho minhas dúvidas quanto à validade dessa informação. Por que então as pessoas se matam no Brasil? Por que em algumas aldeias indígenas o índice de suicídio é tão alto quanto na Escandinávia?

A felicidade, se existe, e nisso acredito, está em pequenos momentos. O pesquisador norte-americano diz que a felicidade está em compartilhar momentos com a família e com os amigos. Com isso estou de acordo. O contato com as pessoas próximas nos assegura algum conforto, sim. E conviver com os amigos, nem que for para discordar, faz você se sentir vivo. Além do que os amigos são dos poucos seres que conseguem te entender, às vezes, em dimensões tão amplas que chega a ser assustador.

A felicidade não se compra, dita a regra. OK. Ser feliz, então, é uma utopia ou é um mecanismo de defesa? Não sei. Não tenho respostas, assim como não as tem, efetivamente, o pesquisador Gilbert. Posso ficar feliz ao comprar um livro novo ou pelo fato de encontrar uma pessoa que conheço na rua, do nada. Posso, no oposto, me fechar em conchas se encontrar uma pessoa que não quero ver ou ficar triste porque comi demais no almoço. De fato, creio que somos todos flutuantes, ora em direção ao norte, ora voltados para o sul. Desorientados, talvez, mas, sempre com uma bússola intermitente para nos readequar se a direção está muito imprecisa.

Afinal, como diz o próprio Gilbert, é preciso levantar no dia seguinte e continuar, ainda que isso pareça impossível.

4 Comentários:

Amèlie disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Amèlie disse...

Bom, o meu rugido dominical chegou atrasado, mas chegou.

Puxa vida, que saudade de vocêêêê!


Sobre o tema, às vezes, penso que é um demônio que tem me velado o sono!

Beijo apertado em ti!

Roney disse...

A felicidade, prezado... Não sei (o que não vem a ser grande vantagem, já que não sei praticamente nada do que realmente interessa).

Mas já dizia o poeta que ela "é como a gota de orvalho numa pétala de flor/Brilha tranquila, depois de leve oscila e cai como uma lágrima de amor."

Vou sumir uns tempos...

Felicidades, meu caro.

Redneck disse...

amèlie, e esse demônio cutuca a gente com aquele tridente dele que vou te falar! Pois não é que de vez em quando solto fogo pelas ventas e, até então, não sabia por que? Beijo!

roney, obrigado. Nem que for para você ter essa leve oscilação que se diz felicidade, já vale a pena. Abraço.

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Redneck, em inglês, define um homem rude (e nude), grosseiro. Às vezes, posso ser bem bronco. Mas, na maior parte do tempo, sou doce, sensível e rio de tudo, inclusive de mim mesmo. (Redneck is an English expression meaning rude, brute - and nude - man. Those who knows me know that sometimes can be very stupid. But most times, I'm sweet, sensitive and always laugh at everything, including myself.)

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