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quinta-feira, 24 de abril de 2008

Rastreio de cozinha - 41

O que o mercado de luxo tem a ver com a Parada Gay de São Paulo? No ano passado, a 11ª. Parada do Orgulho GLBT, que ocorreu em São Paulo em 11 de junho, impulsionou o mercado de luxo e as vendas de grifes famosas, localizadas principalmente no bairro dos Jardins, e em shoppings de luxo da capital paulista. Os jeans da grife Diesel (que custam em média R$ 1 mil) esgotaram. O shopping Iguatemi, com grifes como Louis Vuitton, Tiffany e Emporio Armani, encheu de turistas por causa da parada. O salão Studio W, localizado no shopping, lotou a agenda para cortes de cabelo com preços entre R$ 130 a R$ 350.


Este ano, a 12ª. Parada Gay acontece no dia 25 de maio e não deve ser diferente. Estima-se que o mercado de luxo em São Paulo gere uma movimentação de R$ 2 bilhões por ano. Entre as grifes, não é difícil reconhecer um objeto Philipe Starck, um sapato Prada, uma bolsa Louis Vuitton e o basiquinho Dolce & Gabbana. São Paulo é a cidade com o maior número de famílias ricas do país: são 443,5 mil.

A cidade tem a segunda maior frota de helicópteros e jatinhos particulares do mundo. Perde apenas para Nova York. Ocupa a quarta posição no ranking internacional de venda de Ferraris (cerca de 30 por ano) e tem a única loja da joalheria Chopard na América Latina. Tem cinco lojas da Mont Blanc (Nova York tem apenas uma). O metro quadrado do shopping Iguatemi está na lista dos dez mais caros do mundo. Temos um curso universitário especialmente dirigido a este mercado: o MBA em gestão do luxo da Fundação Armando Álvares Penteado (Faap).

Você se pergunta: e o que tem a ver isso com a faculdade de gastronomia? Sim, tem tudo a ver. Na aula de hoje, quinta-feira, 24, de Tentativa de Cabar Comigo (TCC), o exercício consistia em descrever a região da instalação dos nossos restaurantes virtuais e toda a infra-estrutura que serve essa região. Como, no projeto, o nosso restaurante está encravado no coração dos Jardins (no lugar do D.O.M. porque, de modesto, eu não tenho nada), descrevi alguns dos motivos que fazem com que os Jardins sejam mais do que potenciais público-alvo de um restaurante top de linha.

E a isso se junta, novamente, a geografia. Não tivemos aula de geografia. Acho que estamos tão perdidos, com os abalos sísmicos (eu sobrevivi) que balançaram a cidade (e continuam a tremer dentro de mim) que a professora achou por bem ignorar que as placas tectônicas possam querer causar algum mal ao pobre Brasil.

E aí imaginei que, se, de repente, um abalo sísmico separasse o Brasil do continente (ler "A Jangada de Pedra", de Saramago), o que seria de nós! Vagaríamos, ermos, a pedir para ancorar nos outros continentes. Ninguém ia querer. Imagine! Que transtorno! Um país desse tamanho e querer se juntar a nós, diria a Europa, completamente cônscia de seu próprio umbigo. Tenho certeza quem, entre moderés franceses e conservatives britânicos, ficaríamos à deriva.

Assim, veríamos de relance a Europa, a acenar com lenços brancos, mas, sem nos acolher. Eu lamentaria a falta de sorte por roçar a França e não poder lançar âncoras no sul do país, em Strasbourg especificamente, onde um marinheiro de uma terra onde mar não há está. Mas, o navio Brasil singraria, impávido como se não estivesse pálido de medo.

E seguiríamos, entre Europa e Ásia, imensos, elefantérrimos. A Índia nos olharia como se fossemos vacas sagradas e mergulharia no Ganges para purificar os seus e os nossos pecados. Índia, irmã de desatinos, compreenderia que estávamos mais perdidos do que a ilha de Lost. Simplesmente declinaria das tentativas de aproximação de uma nova casta.

Próximos do Oriente Médio, seríamos vistos sob suspeita. Israel e Palestina mirariam na imensa faixa gaseificada brasileira e avaliaria que era muita faixa, fértil, para ser disputada em briga de obuses e modernos foguetes de artilharia. Gaza era pedregosa, pedra apenas, mas, era somente uma faixa. Nós seríamos, para ambos, banda larga, faixa desmedida.

Continuaríamos, rumo à China. Os chineses, desde a construção das muralhas, nunca haviam visto tamanha invasão. Tanta terra. Tanta gente. Dava para nos ver dos satélites. Seríamos, enfim, a nona maravilha da idade moderna? Bãh! diriam. Em mandarim, nos mandariam à Sibéria. Atrapalharíamos suas grandiosidades: O Firewall (digo, Muralha), a usina de Três Gargantas (Chángjiāng Sānxiá Dà Bà é melhor, afirmariam) e continuaríamos, contritos e afeitos à submissão perante o mundo.

Na Sibéria, gélidos de tanta frieza, tentaríamos, enfim, aportar. Eis que Novosibirskiye Ostrova é um arquipélago. E, confrontado com outro, nós, achou por bem reagir. Venceram Napoleão, não? Vá-te! Brasil, vá-te daqui! Vodke-se que é melhor! Bébados, giraríamos. E cavaríamos, enfim, nosso próprio redemoinho no Pacífico para morrer, bovinos e pacificamente.

(A primeira parte foi séria e a segunda, porque não houve aula, transformou-se em ficção, com citações de locais que foram tema da prova de Geografia. By the way, tirei dez em geografia. E ainda fiz a prova para mais duas colegas: 10 e 10. Tirei 30! Sou muito do metido mesmo. Gastronomia também é ficção, por que não? Nada a ver, mas quero falar: fiquei ao telefone esta noite por 3 horas seguidas, com duas amigas. Com a segunda chamada, junto com a ligação, bebi 2/3 da garrafa de Lemoncello - e ela bebeu o equivalente do outro lado da linha. Neste exato momento - 3:44 horas - estou mais para lá do que para cá e, se estivesse ainda um pouquinho para cá, cairia na balada de sexta-feira de madrugada, que é a melhor de São Paulo. Contudo, sou moderé o bastante para me segurar na cadeira e ficar por isso mesmo.)

2 Comentários:

marco* disse...

nossa, fiquei pasmo com os dados, ja sabia que a parada era em todos os aspectos rentável, mas não desse modo...muito interessante! bju

Redneck disse...

marco*, você sabe que eu gosto dos números. Olha só o tamanho do pink market brasileiro: 18 milhões de brasileiros são gays, ou 10% da população; 30% é o quanto os gays gastam a mais do que os héteros; 40% dos gays estão em SP, 14% no RJ, 8% em MG e 8% no RS; 36% são da classe A, 47% são da B e 16%, da C; 57% têm nível superior, 40% médio e 3% ensino fundamental. Dá para não apostar nesse público? Beijo!

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Redneck, em inglês, define um homem rude (e nude), grosseiro. Às vezes, posso ser bem bronco. Mas, na maior parte do tempo, sou doce, sensível e rio de tudo, inclusive de mim mesmo. (Redneck is an English expression meaning rude, brute - and nude - man. Those who knows me know that sometimes can be very stupid. But most times, I'm sweet, sensitive and always laugh at everything, including myself.)

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