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domingo, 6 de abril de 2008

Meu rugido dominical

Esta semana, uma amiga me enviou uma notícia, dada pela BBC, sobre uma empresa britânica que proibiu pedreiros de "cantar" as mulheres com assobio. De acordo com a empresa, a tradicional "cantada" dos pedreiros que assobiam para mulheres que passam pelas obras pode afastar um tipo sofisticado de compradoras de imóveis que se sentem incomodadas com a atitude. Inicialmente, a proibição será direcionada apenas aos pedreiros que trabalham em obras na região próxima de Bristol, no oeste da Inglaterra, mas a medida poderá ser ampliada para todas as obras da empresa no país. Para garantir que os pedreiros cumpram com a proibição, um diretor da empresa foi enviado a todas as obras da região para verificar o comportamento dos empregados.

De acordo com o diretor, o assobio está fora de moda. "No século 21, o assobio não cabe mais", disse o executivo. "As mulheres não iriam aturar receber um assobio e não esperam ouvir nada parecido quando estão em um local comercial." O diretor da construtora afirma ainda que os pedreiros concordaram com a proibição. "Na opinião deles, o fim dos assobios encoraja mais mulheres a visitar as obras e, para eles, isso só pode ser uma coisa boa", afirmou. Em 2007, a empresa já havia determinado uma proibição similar aos pedreiros que trabalhavam em obras na região sul do País de Gales.

Vou tentar ser delicado na abordagem disso. Às mulheres que me lêem pergunto até que ponto o assobio ou o uso de palavras chulas de pedreiros as incomodam. Eu não sabia que a classe de pedreiros tem comportamento similar em todo o mundo.

Já há algum tempo, muitas amigas (e alguns amigos) têm direcionado o foco para a classe operária: pedreiros, encanadores, porteiros, seguranças, frentistas, taxistas, manobristas, garçons e prestadores de serviços de todos os tipos (instaladores de TV paga, de gás, de energia elétrica). O argumento central desse reposicionamento é: esses homens, em geral mais abrutalhados, intelectualmente, são mais simples e vão direto ao ponto. Não usam de firulas para chegar na mulher. Simplesmente escancaram, de uma forma que pode soar meio rude, o desejo do macho pela fêmea (pode ser do macho pelo macho também) e não escondem isso sob uma tonelada de, digamos, "preliminares".

São pessoas mais acessíveis, abertas, pura e simplesmente, ao intercâmbio entre duas pessoas. Não há aqueles níveis que, sob as atuais convenções, estão delimitados. Não existem fronteiras. Há apenas um homem e uma mulher e, talvez, a reciprocidade de atração entre ambos. Simples assim.

Tal simplicidade, a princípio atraente, pode implicar numa série de conflitos posteriores, se o relacionamento, finalmente, se estabelecer. No geral, as posições de ambos os envolvidos são de "patrão" e "empregado". Quase sempre, o "outro", desejado, está numa posição subalterna, na prestação de algum tipo de serviço. Tenho cá comigo que é justamente essa hierarquia que funciona como o animus e o anima que põem a engrenagem desse tipo de relacionamento para funcionar.

Tal divisão de classes, sim, porque existe a divisão, e bem delimitada, tem que ser rompida para que aconteça o encontro. As castas estão bem definidas: uma mulher (ou homem) que detém o poder econômico (patrão, dono do dinheiro que pagará o serviço) e um homem (ou mulher) que prestará o serviço. Instala-se, no primeiro contato, uma regra contratual não-verbalizada: sou o cliente e você me atenderá.

Quando ocorre de você enxergar o outro (sulbalterno) além do que ele é e vê a pessoa, você sente que quebrou a primeira barreira da casta social do contrato de trabalho. E, quando o outro devolve seu olhar e, mais, o(a) intimida com esse olhar porque compreendeu, é a segunda barreira que cai. A partir daí, os dois são situados num mesmo patamar - dois humanos, apenas - e tudo é possível.

Claro que não estou aqui a falar de casamentos e amores à primeira vista (se bem que possíveis, dado que conheço casais que ultrapassaram a tênue linha que separa as castas e estão juntos). Não é isso. Quero dizer que, movidas pela força de qualquer motor que seja (solidão, necessidades emocionais, sexuais, risco embutido, vontade de arriscar), essas relações podem, sim, avançar.

Conheço muitas pessoas que se liberaram desses pretensos círculos sociais que separam uma classe da outra e fizeram a intersecção de ambientes completamente diferentes.

Conflitos? Sim, existem. Mais até com pessoas de posições equivalentes. Então, por que não arriscar? Não procurar, na suposta simplicidade, a resposta para os anseios?

A Inglaterra proibe o assobio dos pedreiros. Estou para ver ainda alguma mulher que, por um minuto sequer, num dia em que estava com a auto-estima em baixa, não se sentir um pouquinho mais poderosa ao ouvir um assobio ou um palavrão impregnado de conotações sexuais vindo de um bando de pedreiros empoeirados ou de qualquer outro aglomerado masculino equivalente.

Não é chauvinismo ou machismo da minha parte. E, sim, apenas uma constatação, de fato, de atitudes reais de mulheres (e homens) que conheço.

Declaro, enfim, que sou contra a proibição de manifestações espontâneas como o assobio. Que assobiem, sugiram, grunham, babem feito bichos. Que bichos todos somos, ao contrário do que insistimos em desdizer. Se você estiver com a pá virada, é só xingar de volta. Se não, terá um prazer secreto em ouvir meia dúzia de impropérios.

Ora, vá até uma construção e atire a primeira pedra se você não fantasiou com o cara da britadeira, com o segurança da festa, com o porteiro do prédio, o frentista que põe a mangueira no seu carro, o encanador que, inevitavelmente, expõe o traseiro para você na sua cozinha. Posso estar redondamente enganado, mas, em algum momento, asseguro que isso passou, sim, na sua cabeça. E mais: que você foi até o fim.

Ou vai me dizer que, quando o pedreiro perguntou se você tinha silicone e você respondeu que não, que era natural mesmo, você havia, em algum momento, parado para pensar que silicone é um produto industrial usado em obras civis, e não tão-somente para aumentar os seios? Entre você e o pedreiro, te dou um doce para me dizer quem estava com a sacanagem na cabeça!

3 Comentários:

Patty Diphusa disse...

Quando eu trabalhei na Economia do Estadão lembro que a gente ficava muito triste quando diminuía o índice de emprego na construção civil. Essas obras tinham uma função, passar por uma delas e não receber nenhum assovio era sinal de voltar para casa e trocar de roupa.

Ceila Santos disse...

Meu amado leonino poderoso e carente que não me perdoa pq não faço comentários aqui, adorei o post ainda mais pq vc é contra a regra de não-assobiar... Opa! Essa galera é extremamente importante para mostrar a mulherada qual a roupa ideal para ir na reunião corporativa. muito assobio mostra que é melhor voltar pq a roupa continua bastante sedutora. Se houver um assobio e baixo pode ter certeza que o terninho está ideal e sua bunda não está tão gostosa como deveria estar...bjkas. saudades imensas e que tal vc aparecer no newscamp no sabadão? prometo que não vou roubar cigarro seu, please! apareça! cadê seu fone. vou te ligar pra pedir desculpas pela falta de comentários

Redneck disse...

Patty, uma coisa é certa: esse índice (de assobio) deve ser incluído na relação de índices relevantes (assim como o IPC) para medir a inflação do humor feminino, o sobe e desce das bolsas (nos braços de vocês). Beijo!

Ceila! Ceila! Você apareceu!!!! Achei que você existia somente como uma memória! Adorei o seu comentário. E não vou passar o meu telefone. Detalhe: sempre que vou à FNAC, me lembro de você. Beijo!

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Redneck, em inglês, define um homem rude (e nude), grosseiro. Às vezes, posso ser bem bronco. Mas, na maior parte do tempo, sou doce, sensível e rio de tudo, inclusive de mim mesmo. (Redneck is an English expression meaning rude, brute - and nude - man. Those who knows me know that sometimes can be very stupid. But most times, I'm sweet, sensitive and always laugh at everything, including myself.)

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