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quinta-feira, 31 de julho de 2008

Eu sei o que vocês fizeram a noite passada


Patty e eu nos encontramos ontem, depois de um breve interlúdio marcado pela: a) Minha transformação física que, de humano, passei a dragão e, mais tarde, a Quasímodo; b) Pela aventura de Patty em Buenos Aires que, miraculosamente, saiu ilesa na ponte aérea São Paulo-Buenos Aires, com alguns toques surreais que soam acontecer especificamente com ela.

Ontem, resolvemos nos encontrar para nos vermos e também para eu celebrar com a amiga, tardiamente, o meu aniversário. Fomos ao Veloso, para uma rodada de chopp e das maravilhosas coxinhas-creme do lugar, que estampam este post e das quais eu trouxe uma porção adicional para casa.


Como sou, antes de tudo, um observador curioso e abelhudo (né, Man in the Box?) da vida alheia, resolvi ir até lá de metrô porque:


2. Porque era meu rodízio.

Cheguei lá antes da Patty, que mora nas proximidades, mas, que tem o pendor de me deixar na espera (sorry, Patty, mas, é verdade). Enquanto esperei, comecei a estudar (dissimuladamente, creio, porque estava ainda no primeiro copo) os frequentadores. Claro que fingi que mexia no iPhone - no intervalo, acessei o blog, procurei músicas e enviei um SMS para Patty.

Mas, em simultâneo, observei, observei e observei. Tenho ao menos três histórias para contar, resultado de tanta observação. Mesmo após a chegada de Patty (e conversamos muito a despeito da teoria defendida por ela de que à medida que escrevemos mais, falamos menos), continuei no exercício (doce) de registrar os companheiros de boteco. O que vi:

História 1 - Um casal feiíssimo cuja libido era tão grande quanto o teor de fealdade que somavam os dois que, em alguns momentos, uniam-se num só bloco. Ele, de bigode, ela, magra. Ambos, feios, bonitos se lhes pareciam reciprocamente. Comeram-se e aos quitutes e se foram, com toda a feiúra, bonitos no apelo sexual que emanava de ambos.

História 2 - O casal gay chegou com todo o estereótipo possível - bem-vestidos, com tênis originais, cabelos bem cortados e completamente absortos um no outro (se bem que houve olhares sorrateiros de ambos para as mesas vizinhas). Um deles tinha tatuagens simétricas nos dois braços, o que denota, mais uma vez, um princípio estético inerente aos gays, em geral. De forma bastante discreta, conversaram pouco, pediram os pratos, comeram - sem muita movimentação, inclusive com os pés em posição pas de deux (um deles, o tempo todo), pediram a conta e saíram. Em oposição ao ardor que emanava do feio casal, eles exalaram perfumes conhecidos e também um certo constrangimento que me pareceu algo meio mal-resolvido. Parecia que estavam ali mais por obrigação do que por vontade.


História 3 - Havia uma grande mesa, para uns dez ou 12 lugares, reservada. Quando cheguei, não havia ninguém à mesa. Pouco depois, chegaram duas meninas. No balcão, ao meu lado, havia um cara sozinho. Houve uma troca de olhares que ligou o balcão à mesa. E só. Conforme o tempo avançou, a mesa começou a ser povoada. Chegaram cerca de umas sete ou oito mulheres e uns três caras. Uma das meninas que chegou acenou para o cara do balcão e o levou até à mesa. Pelo menos umas três, nitidamente, se voltaram para ele. Por algum tempo, calculei que ele imediatamente ficaria com uma delas. Não foi o que ocorreu. Ao contrário, e para a minha surpresa, aos poucos ele e o outro cara que estava ao lado começaram a conversar e desprezaram as mulheres. E, para falar a verdade, acho que houve mais que integração: chegou 
um determinado momento em que eles estavam frente à frente, com uma linguagem corporal bastante explícita - pernas e tronco completamente voltados um para o outro. Não sei se Patty viu tudo isso. Ela estava de costas para a mesa. O ápice foi quando um deles tocou o rosto do outro uma, duas e três vezes. Quando se levantaram, sorriam um para o outro. Ainda comentei com Patty sobre porque os dois haviam se entrosado, e não com as meninas da mesa. "Porque eles têm mais em comum entre eles e, para ficar com as mulheres, não é preciso conversar tanto. Eles sabem que ficarão e pronto", me disse Patty, sem dó nem piedade. Foi mais ou menos isso que ela me disse e creio que tinha razão. O que eu não supunha era que o "em comum" fosse tanto em comum.


Voltei para casa de táxi (cujo taxista acabara de ser multado e, claro, estava possesso) e repassei mentalmente o que havia visto. É o moto-contínuo, não é? Se ontem Quasímodo, e anteontem dragão, hoje estou reflexivo e também quero ser observado e que contem histórias sobre mim.

Para que eu seja protagonista de um post num blog, vou agora mesmo para a rua. Nem Quasímodo nem dragão, apenas eu mesmo. Que gosto das pessoas. Se escrevi sobre elas nas histórias acima, é porque gosto delas. Feias, caladas, surpreendentes, somos, todos, assim, não é? É o "meu outro olhar", Patty.

4 Comentários:

Patty Diphusa disse...

Um outro olhar e uma nova barba. Digamos, irresistível.

Essas fotos me deram uma vontade de comer coxinha de novo. E olha que comi agora há pouco no Sabiá. Que, por sinal, cada vez se torna um dos pássaros mais barulhentos.

Bjs

gil disse...

eu adoro toda vida que venhoa aqui!
isso tudo ralmente torna a vida menos ordinária!
bjx!

Luísa disse...

será que um diáfano asceta encarna no fatigado corpo do quasímodo? beijo.

Redneck disse...

Patty, os pássaros, de novo, não é? A revoada não tem hora - de madrugada, durante o dia ou à noite - é uma passarinha em vôo rasante que não tem fim, eu incluso. Beijo!

Gil, e eu adoro a vida toda que você goste assim. Me diga se a minha teoria do vento não tem lógica, você que vive nessa cidade dos ventos!!! Beijo!

Luísa, tudo encarna nesse corpo que não mais me pertence. Beijo!

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Redneck, em inglês, define um homem rude (e nude), grosseiro. Às vezes, posso ser bem bronco. Mas, na maior parte do tempo, sou doce, sensível e rio de tudo, inclusive de mim mesmo. (Redneck is an English expression meaning rude, brute - and nude - man. Those who knows me know that sometimes can be very stupid. But most times, I'm sweet, sensitive and always laugh at everything, including myself.)

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