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domingo, 27 de julho de 2008

Meu rugido dominical


Amanhã, segunda-feira, 28, faço aniversário. Nem vou cobrar de você, leitor(a), as respectivas mesuras porque seria redundância. Quero comentar aqui os ciclos de vida, ou de passagem, ou, ainda, de uma forma mais arcaica, os ritos de passagem.


Me lembro que, quando eu tinha 16 anos, eu estudava na cidade de Santa Cruz do Rio Pardo. Fiz o curso técnico de comércio (sou contador também, acredita?). Na ocasião, a cidade ainda tinha cinema. Eventualmente, passo por Santa Cruz (estive lá agora em julho), mas, não sei se a cidade dispõe de alguma sala de cinema ainda.

Sei que, na ocasião, estreou no cinema o filme "O Império dos Sentidos". Na época - e agora - tudo o que era proibido atraía mais. Fui ao cinema, na esperança de ver o tão comentado filme. Claro que fui barrado. Fiquei possesso. Prometi a mim mesmo que teria 18 anos o mais rápido possível só para poder entrar em qualquer cinema e assistir a qualquer filme que eu bem desejasse. Também na época estreou "E.T.". Nesse eu entrei, seguido por um bando de adolescentes dos quais eu (ainda) fazia parte. Bãhn!

Hoje, em retrospecto, queria voltar, claro, sem as limitações bobas. Não mais para assistir um determinado filme, mas, voltar àquela vida mais ingênua. Daqui, dos meus não-tão verdes anos, vejo que muita água rolou sobre as pontes que construí entre o adolescente que queria ver "O Império" e o adulto que anda relapso com o cinema, com um monte de salas à disposição.

Quando adolescente, claro que eu tinha aspirações, algumas perspectivas e muita dúvida. As perspectivas, com o passar dos anos, ficam mais reduzidas, na verdade. Ou, melhor dizê-lo, mais realistas. Ou você pode ou não. Não tem mais aquele clichê bobo "querer é poder".

De lá para cá, mudei. Mudei de cidade, de vida, de mundo. Sou eu e não sou eu mais. Sou muito mais auto-crítico, até demais. Sei mais do que gostaria, talvez. Não tenho complexo de Peter Pan, mas, às vezes, um pouquinho, queria não ter crescido tanto (por dentro e por fora, pode crer!). Prefiro-me atual, o que sou, ao adolescente confuso. No entanto, lamento a perda de uma pureza que nunca mais a terei. Com toda a confusão daquela época, eu estava intocado pelo mundo, até então.

Mas, insatisfeito, busquei o mundo. Não sei dizer se transgredi. Na minha essência, o que vejo, de fato, é que me encontrei. Ainda não por inteiro, mas, uns 80% estão sob meu controle. Os ciclos se sucederam nestes anos e me reinventei de várias maneiras, profissional e pessoalmente. De bancário passei a jornalista e, da minha condição de jornalista, talvez eu migre para ser um cozinheiro em abafadas cozinhas. Não sei. O que sei é que sou um insatisfeito atualmente.

Neste exato momento em que escrevo, por exemplo, penso nas matérias que tenho que fechar ainda hoje. Domingo, sol lá fora, às vésperas do meu aniversário e a minha única expectativa é a de escrever cinco ou seis matérias ainda hoje e entregá-las. Certamente, não estou nada satisfeito.

Não creio que nada de especial marque uma passagem como o dia do aniversário. Já passei da euforia ao desprendimento nesta data, da surpresa à decepção para esperar que uma megasena emocional me surpreenda. Claro que, como leonino, adoro ser paparicado e receber as homenagens. Mas, o que importa, mesmo, é que o tempo trata de suavizar as cobranças e demandas e tudo o que diz respeito a demandas emocionais começa a se cristalizar em pequenos momentos.

O aniversário me soa muito como um final de ano. Inevitavelmente, a despeito de eu rebater o jargão, faço um balanço. Ao meu aniversário atrelo a minha migração para São Paulo, que ocorreu poucos dias depois de eu fazer 19 anos. Dessa forma, sempre ligo uma data à outra. E, também em retrospectiva, avalio o que significa, de fato, eu morar aqui.

Creio que, pessoalmente, realizei muito ao vir para cá. Mas, ao mesmo tempo, em um pequeno lapso de sentimento bovariano, lamento o que perdi, se é que eu os teria, aqueles momentos perdidos.

Se há uma ponte que me liga, o eu atual ao eu adolescente, o nome dessa ponte é interrogação. Sou o mesmo, nesse contexto. Aumentaram em mim algumas percepções, antes apenas vislumbradas. Reduziram-se outras ilusões. Atrelei-me a um modo de ser que, visto em lupa, tem uma série de fissuras que podem corromper a armadura duramente forjada.

Assim como estou em constante mutação de direções para a minha vida profissional, quero também me despir dessa armadura na minha vida pessoal. Se tem alguma coisa que a idade traz, além dos acessórios físicos dispensáveis, é a percepção cada vez mais crítica de mim mesmo. E, da pessoa que vejo, neste momento, eu não gosto.

O que me cria, mais uma vez, o ensejo de buscar um outro. Que me satisfaça até os próximos meses ou anos, quem sabe? Mas, que preciso de novas pontes a me ligarem a outros continentes, preciso. Sair do casulo, mais uma vez, e ver o mundo. Que não nasci para ser um carmelito descalço e passar a vida enclausurado!

5 Comentários:

Ana disse...

Meu caro, você pode ter mudado de vida, de cidade, mas, o mais importante é que não perdeu, a tua essência, o teu coração. Este que possues dentro de ti, é imenso de uma tal maneira que, consegue levar vida a um menino do interior ao mesmo tempo que a um homem culto, inteligente e maravilhoso.

La Voyageuse disse...

Red,

E seja la onde vc estiver, quero mais uma vez compartilhar essa aventura contigo, dividir novos horizontes!

Beijo

andarilha disse...

Red,

essa é a estréia dos nossos parabéns.

Estou por Belém, curtindo a cidade, o calor, as frutas. as pessoas. Acho que você ia gostar demais ficar zanzando pelo Ver-o-peso e se refrescar do calor nas docas onde tem uma cervejaria de primeira.



bjs.

Patty Diphusa disse...

Happy New Year!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

Querido, se concentre sim nessa data e comece a mentalizar o que realmente quer. Chama que virá...

Enquanto isso, deixo todos os meus desejos de que esse novo ano traga mais e mais realizações para vc. Em todos os sentidos.


Mil bjs

leve&solto disse...

Parabéns vou deixar no outro post...rsrs

Aqui digo que: eu assisti Império dos Sentidos... ou seja, me respeite pois sou beeeem mais velha que vc!!! rs
Lembro-me que na época eu trabalhava na Al. Santos e fui com uma amiga num cinema na Augusta (não lembro o nome, não adianta..). Entramos olhando pros lados, morrendo de vergonha, pois já sabíamos algumas historinhas do filme... Ai meus deuses... saimos de lá quase mortas com tanta novidade sexual...rssr

bjs

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Redneck, em inglês, define um homem rude (e nude), grosseiro. Às vezes, posso ser bem bronco. Mas, na maior parte do tempo, sou doce, sensível e rio de tudo, inclusive de mim mesmo. (Redneck is an English expression meaning rude, brute - and nude - man. Those who knows me know that sometimes can be very stupid. But most times, I'm sweet, sensitive and always laugh at everything, including myself.)

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