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sábado, 5 de julho de 2008

The book is on the table

Meu primeiro contato com Inês Pedrosa aconteceu exatamente no dia 21.06.2003, há pouco mais de cinco anos. Antes, creio que li na Folha algo sobre a escritora.

(Inês Pedrosa durante o chat do UOL)

Dei plantão na Livraria Cultura do Conjunto Nacional até encontrar o livro "Nas Tuas Mãos", em edição da editora portuguesa Publicações Dom Quixote (Inês ainda não tinha contrato com a Planeta).

"Nas Tuas Mãos" é o segundo livro da autora, publicado em 1997. O primeiro foi "A Instrução dos Amantes", de 1992. Pois que quando eu encontrei e comprei o livro, comi as palavras como traça, assombrado com uma identificação que nunca acabou. O livro era, sobretudo, muito de mim. Foi um dos poucos livros sobre o qual afirmei que poderia tê-lo escrito, com certeza. É, desde então, o meu livro favorito, entre centenas de outros.

Cronologicamente, acabei por me entregar à leitora. Adquiri, ao longo destes anos:

1. Nas Tuas Mãos, Publicações Dom Quixote (em 21.06.2003)

2. Fazes-me Falta, lançado em 2003, pela Planeta. Este se complementa àquele, ao "Nas Tuas Mãos", em profundidade e ao me atingir em cheio, de novo. Tenho por hábito, antigo, apontar a data de aquisição de cada livro que compro ou ganho. Também mantenho registros que, espero, sejam hieróglifos para outras pessoas, em cada contracapa dos meus livros. É para me recordar do exato momento em que adquiri o livro e o meu estado de espírito naquele dia. Por conta da minha arrumação desorganizada dos livros em casa, que os há, os livros, mais do que ácaros por aqui, não encontrei a edição e, portanto, não posso precisar a data de aquisição. Sei que foi logo no lançamento, também em 2003.

3. A Instrução dos Amantes, Planeta (em 15.05.2006)

4. Fica Comigo Esta Noite, Planeta (em 19.12.2007)

5. A Eternidade e o Desejo, Alfaguara/Objetiva (adquirido em 21.06.2008, coincidentemente, e somente agora o vejo, exatos cinco anos após o "Nas Tuas Mãos")

No mesmo ano de 2003, tive o prazer de encontrar um outro livro, "Quando Teresa Brigou com Deus", de Alejandro Jodorowsky, Planeta (adquirido em 13.09.2003), que me diz muito de mim mesmo também.

Todo esse prefácio sobre Inês e seus livros é para dizer que, na última quinta-feira, 3, conversei online com a autora, em chat do UOL. Inês participa da FLIP (Festa Literária Internacional de Paraty), cuja 6ª. edição corre por esses dias - 2 a 6 de julho - na adorável cidade de Paraty, lugar que conheço e na qual ocorreram bons e maus momentos. De repente, só consigo me lembrar dos bons!

Abaixo, alguns excertos do chat:

(04:34:10) Sergio fala para Inês Pedrosa: Cara, sou leitor assiduo (entre 3 a 4 livros mensais) e o meu livro favorito de todos os tempos é Nas Tuas Mãos. De onde veio a inspiração para a estória?

(04:37:53) Inês Pedrosa: Sérgio, nem sei como responder a um homem TÃO inteligente e sensível... ( Estou corando e rindo...) Bem, a inspiração foi uma história que me contaram de uma senhora que, aos oitenta anos, pediu autorização aos sobrinhos para se casar com aquele que vivera sempre na sua mansão como o maior amigo do marido... e que na verdade, como ela contou, era o amante dele. O casamento dela tinha sido totalmente branco, e ela mantivera esse segredo a vida inteira. Deram-na como louca e proibiram-na de casar, e ela morreu de facto só e...louca. Essa mulher que nunca vi começou a invadir-me os sonhos, pedindo-me que a compreendesse. A sério. Eu acordava a meio da noite sobressaltada com essa mulher dizendo: tens de me compreender

(04:38:05) Sergio fala para Inês Pedrosa: Estou lendo A Eternidade e o Desejo. Você não acha que assimilar o padre Vieira é difícil para um povo que lê muito pouco?

(04:38:53) Inês Pedrosa: Dois povos que lêem muito pouco... ( o português também). Pois será, mas por algum lado temos de começar...

(04:39:35) Inês Pedrosa: E de qualquer modo, Sérgio, eu não pensei na incultura do povo. Nunca penso nisso...

(04:40:25) Inês Pedrosa: As minhas vendas são boas na Alemanha - país que lê muitíssimo. Mas na verdade onde são excelentes é em Portugal...

(04:40:25) Inês Pedrosa: As minhas vendas são boas na Alemanha - país que lê muitíssimo. Mas na verdade onde são excelentes é em Portugal...

(04:50:50) Sergio fala para Inês Pedrosa: Inês, há uma série de novos autores europeus: italianos, franceses, ingleses e alemães que, a meu ver, têm inovado. Para mim, você se junta a essa geração. Como está a nova literatura de Portugal atualmente?

(04:52:13) Inês Pedrosa: Parece-me que a literatura de expressão portuguesa está, toda ela, num momento de particular criatividade. Tenho dificuldade em separar literaturas por regiões geográficas, a língua é o nosso sangue...

(04:52:19) Sergio fala para Inês Pedrosa: Ah! sim! O sangiovanni falou em tradição poética e eu costumo te associar ao extinto Madredeus que, na música, a mim me assemelha a você na literatura.

(04:53:30) Inês Pedrosa: Obrigada, gosto dessa aproximação musical

 

 
Lamento não poder ter ido à FLIP, mais uma vez. Mas, fico feliz de ter falado com a autora e saber um pouco mais de onde vem uma história que me tocou (e toca) tão profundamente como a que está na trama central de "Nas Tuas Mãos".

2 Comentários:

BEATRIZ disse...

Sérgio, adorei essa entrevista com a Inês Pedrosa. Mais curioso é descobrir numa amizade de tantos anos empatias que nunca foram ditas como as sensações - e identificações - por um determinado autor ou o hábito de escrever na contracapa de um livro para saber o contexto no qual foi lido. Parabéns pela conversa com a escritora e pela beleza da sua alma....
Bjos

Redneck disse...

Bia, entrevista? Ficou com cara de, não é? Foi só uma conversa rápida no chat. Parabéns para você, cujo cumpleaños fue ayer, no? E que hábito é esse de anotar as coisas nos livros? Que feio! Para já com isso que é exclusividade minha!

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Redneck, em inglês, define um homem rude (e nude), grosseiro. Às vezes, posso ser bem bronco. Mas, na maior parte do tempo, sou doce, sensível e rio de tudo, inclusive de mim mesmo. (Redneck is an English expression meaning rude, brute - and nude - man. Those who knows me know that sometimes can be very stupid. But most times, I'm sweet, sensitive and always laugh at everything, including myself.)

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