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domingo, 3 de maio de 2009

Meu rugido dominical


A 5ª. edição da Virada Cultural acabou agora há pouco. Foram 24 horas - das 18:00 horas de sábado às 18:00 horas deste domingo - que atraíram, segundo estimativa da organização, mais de 4 milhões de pessoas. O município tem quase 11 milhões de habitantes, o que significa dizer que quase 35% das pessoas que moram na cidade mobilizaram-se em função da Virada Cultural.


E isso me faz desejar que São Paulo fosse assim, afável, convidativa 24 horas por dia. Se a cidade tem a (justa) fama de que não para nunca, que se movimenta e faz movimentar as pessoas em cada uma das 24 horas do dia e da noite, por que não fazer da virada uma rotina?

Perde-se o medo. Se vai à rua como se fosse uma pequena cidade do interior. Uma festa junina temporã, com todo mundo presente. Com vontade de se alegrar, fazer festa, sorrir, unir-se à multidão.

Em geral, eu evito aglomerações. A (correta) acepção de que gato escaldado tem medo de água quente se aplica a quem, como eu, já sofreu a violência dessa cidade. Não uma ou duas vezes. Mas em quatro ocasiões. De forma que, se você mora aqui, você assimila o condicionamento, o complexo de Pavlov que te faz se arrepiar e, ao contrário dos cachorros do cientista, seca a tua saliva, apura os sentidos primitivos e você, de imediato, se arvora todo(a) em defesa.

Essa é a cidade de São Paulo nos 365 dias. Minto. Nos 364 dias. Porque no dia da virada, vira-se a cidade do avesso. Não sei porque mecanismo, há um inconsciente coletivo que ajuda a deter a violência cotidiana. Claro que não se estabelece, de fato, uma inocência antiga e secular que dava ares de vila para essa cidade, há uns 50 anos. Essa inocência está irremediavelmente perdida.

Mas é o caso de se admirar que, malfadados os pequenos crimes que, por certo, ocorrem em meio à multidão, é de se admirar que 4 milhões de pessoas criem essa onda gigantesca, esse tsunami de celebração da cidade que a nós pertence.

E talvez pertença apenas nesse dia e por isso se faz tão importante retê-lo, guardá-lo como se acondiciona um raro perfume em um pequeno e seguro frasco. Porque, eu já disse isso neste blog, São Paulo não é fácil. Mundana, faz ares de prostituta da Babilônia, a te envolver em véus e ocultas promessas. De posse de você, te arma ciladas e ai de você.

Comparo a Virada Cultural ao estabelecimento de uma nova cidade, ao menos por um dia. Duas cidades me agradam, sobremaneira: Barcelona e Buenos Aires. Em ambas, se caminha o tempo todo, com a sensação de proteção. Anda-se muito nas duas cidades, que convidam ao passeio. Me lembro de ler em Machado de Assis sobre os passeios públicos do Rio de Janeiro. 

Que agradáveis me soavam os passeios, os parques, as praças. Barcelona, com suas ramblas, e Buenos Aires, com San Telmo a liderar a ronda diuturna, são dois lugares que se oferecem à degustação do pedestre. São, ambas, cidades que se dão generosamente ao morador. São Paulo, em 24 horas de virada, apenas nos dá um vislumbre de pertencimento. De lugar, meu, seu, nosso.

A virada é um evento inspirado nas "Nuits Blanches" (Noites Brancas) de Paris, Madrid e Roma. O nome noite branca me parece bastante apropriado. Soa como uma tela ou cartaz ou mesmo um lençol em branco para ser preenchido pelas pessoas, das mais diversas formas. Aqui em São Paulo, virou virada. OK. Somos mesmos virados, sob todos os aspectos. Que viremos, pois, em maiores e mais duradouras viradas. Sem medo, sem receio da cidade. Com vontade de tomá-la e dizer, finalmente: "essa cidade é minha".

2 Comentários:

Emerson disse...

Concordo contigo! Estive lá e adorei, quiçá Sampa se torne assim todos os dias. Mas, é um começo. Também não gosto de multidões, mas não vi uma confusão, adorei a diversidade cultural e de pessoas, muito legal mesmo todos convivendo numa boa. Vou escrever sobre isto também, só me tá faltando vontade, pois me marcou muito o dia ontem.
Abraços anômicos.

Redneck disse...

Oi Emerson, e hoje li sobre o lixo gerado por essa multidão. Quer dizer, as pessoas querem a cidade mas não a respeitam. Se queremos tomar posse da cidade, devemos fazê-lo de forma decente, você não acha? Abraço!

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Redneck, em inglês, define um homem rude (e nude), grosseiro. Às vezes, posso ser bem bronco. Mas, na maior parte do tempo, sou doce, sensível e rio de tudo, inclusive de mim mesmo. (Redneck is an English expression meaning rude, brute - and nude - man. Those who knows me know that sometimes can be very stupid. But most times, I'm sweet, sensitive and always laugh at everything, including myself.)

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