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domingo, 31 de agosto de 2008

Meu rugido dominical


Li num artigo sobre os conceitos de "fortuna" e de "vìrtu", relacionados por Maquiavel para explicar como a virtú pode dominar a fortuna. Maquiavel parte da figura da deusa mitológica Fortuna (deusa romana da sorte, boa ou má) que detém todos os bens que os homens desejam: honra, riqueza, glória e poder - para demonstrar a necessidade de se ter virtù, que vem a ser a coragem e a virilidade. Para Maquiavel, a virtù pode dominar a fortuna. Dito de forma mais simples, trata-se de explicar como é possível manter o domínio (poder) por meio do amor (virtù).


Claro que essa análise de Maquiavel foi feita num contexto político. Mas, serve bem para nortear as relações humanas porque política, sexo, amor e poder são, todos, intrínsecos às relações entre os homens.

Quando li o artigo que citava a análise de Maquiavel, percebi que tudo se trata de poder (fortuna) e da forma como exercemos esse poder (virtù ou coragem). O poder nos vem de várias formas ou o buscamos para preencher determinadas necessidades (sejam materiais ou não). Agora, ter a coragem ou virilidade para dominar esse poder é o pulo do gato.

São inúmeras as vezes em que me foi concedido o poder, de alguma forma, e iguais incontáveis vezes em que não fui corajoso para exercê-lo. Realizei, então, que a tal busca pelo poder nem precisa tanto assim de energia. Praticamente, se você está predisposto(a) a recebê-lo, o terá. 

Claro que isso não significa ganhar sozinho na loteria. A fortuna extrapola a riqueza material. Quando falo sobre riqueza, é mais abrangente do que o dinheiro em si. É o fato de você atrair o poder para você. Alguns me dizem que tenho esse poder: o poder de atrair para mim coisas positivas. Sempre fui incrédulo quanto a isso. Pura besteira!

O que nunca fui é audacioso o suficiente para aproveitar a fortuna do poder que me foi dado. E quanto mais acontece isso - e mais consigo ver - penso que se trata, afinal, de mudar a postura. A minha atitude. Ser mais  viril no sentido de agarrar o touro à unha e deixar com que a fortuna se materialize, domesticada, enfim.

Tendo sempre a me cercar de desculpas para evitar confrontos. Não sei quais fantasmas me deixaram assim, à mercê da inércia. É mais fácil deixar passar, ainda que o desejo esteja ali, latente, do que parar tudo e envolver-se.

Há uma espécie de gatilho que, ao ser acionado, fica ali, na tensão entre ser disparado e travado. Quase sempre, acabo por travar o gatilho e retirar cuidadosamente a bala. À essa altura, a mira está fora de alcance. Nesse aspecto, sei exatamente porque é assim: uma bala, ao ser disparada, não tem volta. Para o bem ou para o mal, ela fará a trajetória, sem Super-Homem ou Matrix para inverter a linha. 

Assim, me é mais fácil simplesmente não disparar. Por que não atirar simplesmente e ver o que acontece? Por que pensar e raciocinar tanto? Falta-me coragem. É isso. "Se eu atacar, sigam-me; se eu recuar, atirem em mim". Não tenho certeza, mas, creio que foi Napoleão que disse isso. A ele, não faltou coragem.

Agora, ao escrever este texto, acabei de ver que parti para um linguajar belicista (armas, balas, tiros). Você vê que, realmente, eu encaro tudo como uma guerra. Talvez esteja aqui o meu erro. Não se trata de guerra, com táticas e estratégias. É mais fluido que isso, eu sei.

Maquiavel pode ter morrido de forma obscura e os sonhos de grandeza de Napoleão foram exilados numa ilha distante, onde morreu em circunstâncias misteriosas. Mas, ambos não se furtaram a seguir suas fortunas e vìrtu, estivessem certos ou errados a respeito de suas convicções.

Creio que tenho muito a aprender sobre o conceito que Maquiavel usou em toda a sua obra. Mas, acredito também que acabei de descobrir que, em absoluto, trata-se de uma guerra, como acabei de escrever acima. Não sou um exército para cercar e tomar posições. A conquista, nesse caso, é bilateral, e não envolve disputas territoriais ou outras quaisquer. A única disputa que está em jogo é a coragem de permitir que o "inimigo" atravesse minhas fronteiras. Por enquanto, o que tenho feito até aqui é manter uma enorme muralha chinesa de proteção. Está na hora - just in time - de eu colocar abaixo o muro de Berlim que me divide.

P.S. Para ser justo com o mês de agosto, ao contrário do que postei  no blog no primeiro dia deste mês, aconteceu um monte de coisas durante este mês, mas, não enlouqueci (estive perto, por conta do trabalho). Houve uma série de acontecimentos que fizeram com que o mês fosse, em geral, muito bom. OK, OK, teve um ou dois episódios (talvez 3 ou 4) pelos quais passei por louco, mas,  foi tudo. De resto, o mês acaba hoje, sem grandes consequências. Acho!

6 Comentários:

La Voyageuse disse...

Você nao sabe o prazer e a felicidade que me da quando leio sobre suas conclusoes, suas constataçoes a respeito de temas que sempre nos sao valiosos e sobre os quais tanto falamos nesses anos todos.

Beijo.

Anônimo disse...

caríssimo, não posso deixar de comentar, sobretudo sobre a parte inicial de seu texto: não sei se a coragem está, realmente, no USO do PODER, dado ou conquistado, ou se, pelo contrário, na CONTENÇÃO do seu uso. parece-me que é na ponderação do poder que consiste a virtude, portanto, também a sua. falta de virilidade? não creio. Disparar é mais fácil do que conter o gatilho e guardar (descartar-se?) a bala. (pense mais global: a guerra existe no mundo porque não há coragem -há medo- para desarmar o homem... a arma é sinal de cobardia, não de coragem, e a guerra não pode ser sinónimo de virtude). Desconheço os seus "poderes", mas creio que "ganhará" pela atitude que apregoa (pois a mentira nada tem, também, de virtude). De resto, não sei como correu o seu mês. o meu passou e muitas coisas aconteceram nele, aliás, em mim, durante ele. pode ser que escreva lá no meu cortiço qualquer coisa sobre o agosto, ou talvez não. FIGHT THE POwER, neste contexto de relações humanas, é: racionar o poder que exercemos sobre os outros. aprender a exercer poder sobre nós, antes de mais.para começar.

sinónimo (estou pra ver as "consequências" deste comentário. lol!)

Diana disse...

Querido,
Corajoso é esse texto.
É sempre um prazer te ler.

Beijos!

Débora disse...

Unanimidade...
Prazeroso demais ler o que vc escreve.
Espero voltar ao mundo da gastronomia..acabei me frustrando demais devido as circunstanceas...mas isso passa.
Estou pensando em um negócio próprio...apesar de amar alta gastronomia, acho que o meu momento é um lance um pouco mais caseiro.
Me tira uma duvida..os Tcc's de agora, tem de haver um tema...percebi que pode ser até um ingrediente...
Fantástico...fiz o curso muito no começo....fui um rato de laboratório..cobáia mesmo...
Meu Tcc foi a maior loucura de todas...te conto depois se vc quiser.
Mais uma vez...obrigada pela atenção.
Estou sempre por aqui.
Beijos

Redneck disse...

La Voyageuse, espero firmemente não ficar preso apenas à retórica. Temos todos que agir e reagir, não é? Beijo!

Sinônimo, por ora, estou fora de combate. Mas, você quer saber? Estou farto de ser contido. Até aqui, tudo o que fiz foi ser contido e isso realmente não deu em nada. Quero raciocionar menos e ir mais pelo impulso e, se preciso for, disparar mais vezes e reter menos as minhas investidas. Definitivamente, se eu não tenho vocação para um perfil cartesiano, não há porque eu me comportar como um matemático que calcula cada passo a ser dado. Abraço!

Diana, você é que é uma fofa, ainda que eu seja ácido com todas vocês. Beijo!

Débora, como te disse antes, espero que você retorne ao mundo que mais te encanta. Os TCCs na minha faculdade são, todos, acerca de um projeto de abertura e operação de um restaurante. Temos que abrir e colocar para funcionar esse restaurante. O do ingrediente a que você se referiu é de uma amiga, que está em outra faculdade e faz outro tipo de curso. Beijo!

RedHerring disse...

não sei o que o contém nem por que se contém. caso valha a pena e o disparo não machuque inocentes, força nisso. ser contemplativo não é para todos. e cartesiano não é de todo para mim, esses cálculos de que fala. Mas a matemmática aplica-se, também, à balística! mesmo os atiradores profissionais estão sujeitos a imponderáveis!, condicionantes que alteram a trajectória da bala! e deppis faz errar o alvo, pode haver ricochete, sei lá, "mil coisas" né? não se contenha na alma e já não é pouco. mas isso é coisa de besta, feito eu!

RedHerring

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