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quinta-feira, 9 de abril de 2009

O homem é o animal do homem?

Em jornalismo, há um conceito bastante usado para definir se determinado assunto é ou não notícia: se um cão morde uma pessoa, não é notícia. Se o homem morde o cachorro, é notícia, já que isso não é usual. Ou seja, a notícia somente vale a pena ser mencionada se causa estranheza ou se foge aos padrões rotineiros de comportamento.

Bem, uma notícia que envolve homem e cachorro vale a pena ser mencionada, bem como as consequências disso, de resto, para todas as pessoas. O coordenador do Centro de Controle de Zoonoses de Americana (SP), Fernando Vicente Ferreira, colocou no próprio corpo um microchip de cães e gatos. O dispositivo foi inserido na nuca para, segundo Fernando, convencer os donos de cães e gatos da cidade a fazerem o mesmo com seus próprios pets (animais de estimação).


O microchip de cães e gatos serve para armazenar dados sobre os animais que possibilitem a eventual identificação em casos de sumiço ou abandono dos bichos. O microchip pode ser lido por um equipamento próprio e é capaz de fornecer informações como raça, cor, peso, nome do proprietário e endereço.

A iniciativa do coordenador de Americana surgiu a partir da constatação de que as pessoas tinham receio de implantar o microchip em seus pets. Logo, Fernando imaginou que, ao implantar o dispositivo em si mesmo, provaria para as pessoas que o microchip não causa nenhum desconforto nos animais.


O microchip para pets é minúsculo (11,5 mm X 2 mm) e corresponde à proporção de um grão de arroz. Para facilitar a identificação do chip em si mesmo, Fernando tatuou um código de barras no local. O coordenador estima que cerca de 1,2 mil animais de Americana portam o microchip. O custo de implantação fica entre R$ 50 e R$ 70. A implantação do dispositivo é feita por meio de uma injeção, com uma seringa, da mesma forma que se faz com as vacinas.

O microchip foi instalado em Fernando por um amigo que trabalha com piercing. "É como um brinco, não influencia o comportamento, não provoca dor e não atrapalha", diz Fernando. Não há legislação sobre o assunto no Brasil, ou seja, não é proibido fazer a implantação subcutânea.

José Carlos Padovani é dono de uma empresa que fabrica e vende microchips e tem dois dispositivos desses inseridos no próprio corpo há 17 anos. O microchip, na verdade, já é uma realidade para rebanhos bovinos, caprinos e suínos (veja detalhes no site da Embrapa), e é capaz de armazenar dados como os tipos de vacinas que os animais tomaram, as datas e eventuais substâncias que provocam alergia a cada animal.


Por enquanto, os raros casos de humanos que implantam microchips em seus próprios corpos servem mais ao propósito de demonstrar que os dispositivos não causam mal nenhum. Mas, é claro, já existem estudos que investigam o uso de chips em humanos para a armazenagem de dados como identificação (RG, CPF e outros documentos), de saúde (vacinas, doenças) e segurança (histórico de antecedentes criminais).

Em fase posterior, os microchips humanos poderiam ser carregados com outros dados como cartões de bancos, com possibilidade, inclusive, de abastecer o personal microchip com créditos, usá-lo como débito, para recarregar celulares, pagar pedágios e mais uma infinidade de usos. O tema é controverso e nunca evoluiu porque trata-se de uma intervenção literal e também de uma interação considerada agressiva entre homens e máquinas (chips).

Particularmente, não vejo nenhum problema. Mas, é só começar a pensar no assunto que surgem uma série de dúvidas: em eventuais assaltos, poderíamos sofrer verdadeiras incisões a seco para que nos roubassem os microchips. Em situações limites, perderíamos nossas identidades e todos os dados e, talvez, um pedaço do corpo.


Eu tinha um primo que, por conta de sua orientação religiosa, creditava aos códigos de barra uma conotação diabólica. Dizia que era um sinal da besta, assim como o microchip que, na época, ainda nem existia.

Não sei o que dizer sobre tão polêmico tema. Mas, na medida em que pessoas como Fernando e José Carlos implantam em si mesmo o microchip, claro está que a distância que nos separa entre o mundo virtual do Robocop e o mundo real está mais reduzida. É exatamente o contexto do post de ontem neste blog, cuja premissa é, basicamente, a mesma. Qual seja o fato de estarmos, de alguma forma, cada vez mais emulados com máquinas.

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Redneck, em inglês, define um homem rude (e nude), grosseiro. Às vezes, posso ser bem bronco. Mas, na maior parte do tempo, sou doce, sensível e rio de tudo, inclusive de mim mesmo. (Redneck is an English expression meaning rude, brute - and nude - man. Those who knows me know that sometimes can be very stupid. But most times, I'm sweet, sensitive and always laugh at everything, including myself.)

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