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domingo, 23 de agosto de 2009

Meu rugido dominical


Um artigo bastante interessante publicado pela revista alemã Der Spiegel foi reproduzido pelo portal UOL neste domingo: "Os dias de almoço gratuito na internet estão contados", é o nome da reportagem (o UOL não franqueia o conteúdo a não-assinantes, infelizmente).


Mas extraio algumas partes do artigo que, na minha opinião, merecem ser evidenciados, pois trata-se de duas áreas que confluem: o jornalismo (meio do qual faço parte) e a internet. Debate-se, no artigo da Der Spiegel, um tema espinhoso: a gratuitade do conteúdo gerado pela internet e pelas mídias tradicionais que o fazem.

A questão - e sempre é essa a questão - é como ganhar dinheiro na plataforma internet. Por mais que eu converse com fontes dos meios jornalísticos e de internet, estou para ver, ainda, desde 2000 (a bolha da internet) algum mecanismo que assegure que a web seja completamente viável para alguns segmentos.

Claro que não falo aqui do e-commerce (comércio eletrônico), cujas empresas, vindas do mundo real para o mundo pontocom fazem o que sempre fizeram: vendem. No caso, a internet é apenas mais um canal de vendas.

O debate está na mídia, na oferta imensa de conteúdo gratuito sem que se tenha o devido retorno financeiro, necessário para garantir a manutenção dos veículos. Sejam jornais, revistas ou outras ferramentas midiáticas. Para se manter uma redação, numa infraestrutura do mundo real, os meios impressos dependem ostensivamente de publicidade.

O mercado publicitário, como de resto todos os segmentos, sofre, este ano, uma grande redução em aportes financeiros, chamuscado pela crise internacional. O bilionário australiano-norte-americano Rupert Murdoch - proprietário, entre outros, do jornal "Wall Street Journal, da agência Dow Jones, da Fox, dos jornais britânicos "The Sun" e "The Times", da Sky (e da DirecTV, incorporada pela Sky), do MySpace, do jornal "New York Post", todos sob o conglomerado da News Corporation, do alto de seus bilhões de dólares (está classificado, pela Forbes, como a 132ª. pessoa mais rica do mundo), disse recentemente: "Jornalismo de qualidade não é barato".

Murdoch tem 78 anos e cansou de declarar que não gosta de e-mail, evita a internet e, inclusive, acha complicado usar o telefone celular. Ou seja, a princípio, o bilionário é avesso às modernas plataformas digitais. Mas isso não quer dizer muita coisa. O que realmente conta é que Murdoch decidiu que seus principais jornais começarão a cobrar pelo uso online em todo o mundo nos próximos meses. Isso significa que, se Murdoch, que é um dos papas (em termos de posse) da mídia mundial, acredita nisso, os demais bispos (em termos de posse), hierarquicamente e sem conclaves, deverão fazer o mesmo.

Até agora, a maior parte dos proprietários de mídia fornece conteúdo gratuito em larga escala na internet e almejam ganhar com a publicidade. Mas a publicidade, seja nos meios tradicionais ou virtuais, está claudicante. Cobrar pelo conteúdo, hoje, é afastar de si o(a) leitor(a). O "The New York Times", principal jornal ocidental, quis fazer isso e teve que recuar.

Walter Issacson, ex-editor gerente da revista "Time" resume assim a questão: "A cultura da web gratuita representa tanto futuro para o jornalismo quanto um despenhadeiro íngreme para uma manada de lêmingues". Os lêmingues são pequenos roedores que vivem em regiões como a Escandinávia e a Rússia Setentrional aos quais é atribuído o mito de que, quando migram em bando, por vezes cometem suicídio em massa ao saltar de penhascos. Na verdade, ocorre que apenas alguns membros do bando são empurrados pelos demais e caem, acidentalmente.

Contudo, Issacson recorre à imagem para questionar se a instituição do conteúdo gratuito significa cometer suicídio devido ao medo de morrer. É mais ou menos como se matar para se precaver ante a morte iminente.

Mas, quem está disposto a pagar por conteúdo? E que conteúdo é tão bom a ponto de convencer o(a) leitor(a) a pagar para ter acesso? Esse é um debate recorrente no meio jornalístico e não é de hoje que eu ouço, leio ou assisto seminários, eventos e longos artigos a proporem alternativas.

O problema, assim como para outras mídias - TV aberta, rádio - é que há uma fragmentação da audiência. Você e eu somos bombardeados por informações vindas de todos os lados e, inconscientemente (ou não), acreditamos que não há porque pagar quando a temos, a informação, de forma tão fácil e gratuita.

Claro que não tenho a resposta. Se a tivesse, não estaria aqui a acrescentar ainda mais conteúdo a esse debate. Para mim, como profissional de imprensa - recentemente igualado a todo e qualquer brasileiro que queira se declarar jornalista, por força da queda da exigência do diploma -, essa discussão interessa sob dois aspectos.

O primeiro é o óbvio: tenho, assim como os veículos, que ganhar dinheiro para sobreviver. E muito do meu conteúdo, produzido pelo meu trabalho, está disponível de forma totalmente gratuita na internet, replicado sem que eu tenha controle e muito menos sem ganhar por isso.

O segundo aspecto consiste na democratização do meio internet: eu mesmo, simultaneamente, produzo conteúdo gratuito (os meus dois blogs) e, claro, não cobro pelo conteúdo. Assim como o fazem milhões de blogueiros(as) pelo mundo afora.

Para encerrar, por ora, minha opinião, quero afirmar que, qualquer meio em transição está em busca de um modelo que se viabilize. Tanto financeiramente quanto pessoalmente. A internet é um meio relativamente novo e ainda se testam os modelos possíveis. O que será do conteúdo e da mídia, portanto, é apenas um grande ponto de interrogação. Por enquanto, nesse cenário, eu mal garanto o pão do dia.

5 Comentários:

News Blog disse...

Nice Post
Gay

UFMing disse...

oi. voltei há poucos dias mas exuaurida... zerei as baterias, que "carregadas" andavam elas... voltei mais muda, por isso ainda não comentei. Por outro lado, essa enquete pra mistergay é um bocado chata como post fixo, pois é muito longo e tenho que fazer uma viagem e tanto pra checar se tem conteúdo novo... (e nem tenho "como" votar, né? pra gay(homem)não dou e como mulher não tenho critérios para avaliar MisterGays, tão pouco outros quaisquer, que meus padrões não são lá muito convencionais... rsss...

e olha, como rir continua sendo remédio, te deixo esta:

http://www.youtube.com/watch?v=plB3Z537A_Y&feature=PlayList&p=EFB433FBBADD419F&index=1&playnext=2&playnext_from=PL

UFMing disse...

era este
http://www.youtube.com/watch?v=6wUb0EFzQuo&feature=PlayList&p=EFB433FBBADD419F&index=9

Redneck disse...

News, OK.

Redneck disse...

UFMing, primeiro, bem-vinda de volta. Quanto ao Mister Gay, não se exaspere. É por pouco tempo que a votação se encerra agora no início de setembro. E, depois, que mal há de ver os meninos aqui na cabeça do blog? Lhe garanto que, pelos votos dados, tem muita gente que gosta. E a viagem nem é tão longa, vai! É só dar uns pinotes e pronto, está cá abaixo o post. Quanto aos vídeos, não os conhecia, ao casal Nelo e Idália. Engraçadíssimo! Rir, portanto, depois de pular esse tanto a que você se referiu, continua sim, a ser, a pílula da felicidade. Beijo!

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Redneck, em inglês, define um homem rude (e nude), grosseiro. Às vezes, posso ser bem bronco. Mas, na maior parte do tempo, sou doce, sensível e rio de tudo, inclusive de mim mesmo. (Redneck is an English expression meaning rude, brute - and nude - man. Those who knows me know that sometimes can be very stupid. But most times, I'm sweet, sensitive and always laugh at everything, including myself.)

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