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quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

Você é digital ou analógico(a)?


Você sonha, certo? Sim, você sonha. Pode não se lembrar, mas, que sonha, sonha. Isso é fato. A partir desse pressuposto - e se você se recordar -, você sonha em preto e branco ou colorido?

Uma pesquisa realizada nos EUA indicou que 88% das pessoas sonham colorido e apenas 12% sonham em preto e branco. A explicação está na exposição das pessoas à TV e ao cinema. Os pesquisados com menos de 25 anos nunca ou quase nunca sonham em preto e branco. Logo, são pessoas digitais, 100% HD (high definition ou alta definição), completamente integradas à digitalização da vida.


Mas, a faixa etária que se encontra com mais de 55 anos sonha 25% das vezes em preto e branco. São pessoas que tiveram pouco acesso ao colorido da TV e do cinema. Os 12% que sonham em preto e branco devem ter mais de 80 anos e o cérebro não permitiu que assimilassem o mundo colorido (conclusão minha). Logo, os acima de 55 anos são análogo-digitais e os acima de 80 são completamente analógicos.


O fato da televisão e do cinema influenciarem na cor dos sonhos esclarece-se quando se confronta o estudo atual com outras pesquisas realizadas na década de 40 nos EUA, pelas quais 75% das pessoas, de qualquer faixa etária, nunca ou raramente sonhavam colorido. Eram completamente analógicas, digitalmente toscas.


Agora, tenho explicações particulares entre sonhos coloridos e monocromáticos. Creio que sonhos digitais (coloridos) são aqueles que expressam nossos desejos mais prementes, sejam os materiais, sexuais ou rotineiros mesmo, de preocupações rasteiras.


Os pesadelos, imagino, são sempre coloridos, dado que a cor ativa o cérebro e ajuda a elaborar todo o cenário. Assim, não tem porque ver sangue em preto e branco no pesadelo. Os sonhos estão, na maior parte das vezes, relacionados aos acontecimentos do dia-a-dia das pessoas e também aos temores mais comuns: ficar nu diante da multidão (devo ter esse sonho recorrente de tanto que falo sobre ficar nu), perder a memória, morrer, sofrer algum tipo de violência etc.


Claro que há sonhos que precisam ser interpretados por pitonisas, tal o grau de dificuldade de traduzi-los para a realidade. Como não dispomos mais de pitonisas, recorremos mesmo é aos videntes de plantão e, algo forçosamente, interpretamos esses sonhos como bem nos apetece.


Agora, os sonhos em preto e branco, esses eu reservo para uma categoria especial: são como os filmes noir, cheios de mistério, de névoas e véus. Ocorrem no entorno do período de maior produção de sonhos, durante o sono REM (Rapid Eye Movement ou Movimento Rápido dos Olhos), que é a fase do sono na qual ocorrem os sonhos mais reais, se é que posso classificar assim.


Na fase REM, a atividade cerebral é equivalente àquela quando se está acordado(a). O sono REM ocorre entre quatro e cinco vezes durante um sono considerado normal (de 8 horas). Pode-se acordar repentinamente após um sono REM que, somado, dura entre 90 minutos e 120 minutos por noite para adultos. Mas, de novo a idade: um bebê tem 80% do sono total formado por sono REM. Uma pessoa de 70 anos tem apenas 10% de sono REM. Para os jovens, categoria flexível o bastante para comportar quem não é bebê e tampouco ancião(ã), o sono REM dura 20% do sono total.


Dado que, de volta ao sonho preto e branco, é só somar dois mais dois. Sonha-se em P&B fora das horas de sono REM. Afirmo isso porque se o sono REM gera os sonhos mais vívidos, logo, esses sonhos são coloridos e de fácil recordação quando acordamos. De tal forma que a maior parte do sono convencional, por assim dizer, é tomada por sonhos P&B sobre o qual não temos a menor lembrança.


Se dado nos fosse armazenar sonhos em discos rígidos (ou mesmo em drives USB, a depender da qualidade do sonho de cada um, com mais ou menos gigabytes), o espaço de tal disco seria tomado por imagens analógicas. O que, numa evidente contradição, nos faria regredir ao tempo da câmera P&B com rolos e mais rolos de filmes a serem revelados para que os sonhos fossem, enfim, interpretados.


Olha só a dificuldade. Afora que se coloca uma questão importantíssima, concluída essa argumentação: se a maior parte de nós tem sonhos digitais, o que é dos sonhos analógicos, que perfazem quase que a totalidade do total do sono? Quer dizer que somos, no fundo, apenas periféricos. A era digital dos sonhos relegou as revelações mais interessantes àqueles pontos inatingíveis do disco rígido que nem um hacker é capaz de resgatar, ainda que se rezem terços e novenas para o santo do cérebro, aka santo Isidoro de Sevilha (considerado pelo Vaticano para proteger os usuários da internet e os programadores de computador).


Percebe que a era digital dos sonhos, ao invés de nos aproximar dos nossos próprios sonhos, tende a nos afastar ainda mais de qualquer elucidação que possa vir por meio de símbolos?


Posso parecer analógico ao declarar isso, mas, no tempo em que se processavam os sonhos apenas em P&B, havia mais possibilidade de rebobinar o filme e rever o passo-a-passo. Tudo era preto e branco, preto no branco. Sem firulas ou filigranas coloridas, com milhões de linhas de resolução que, num contraste absurdo, tornam insolúveis sonhos P&B agora perdidos para milhares de sinapses cérebro adentro.


Dou por encerrado o assunto, vasto e infinito. Me é impossível elaborar alguma resposta a esse tipo de questionamento. Até aqui, concluo que a digitalização do sonho me penalizou com a perda de memória. Não há cookies para rastrear o que quer que seja. Perdem-se, todas as noites, terabytes de sonhos analógicos. Lamento.


Em tempo, enquanto eu escrevia doidamente esse post, sem nenhum fundamento científico (algumas partes são reais, outras, imaginárias), li que há uma psicologia própria que ocorre durante o sono REM (gostei desse assunto!).


Assim, durante o sono REM, há uma série de acontecimentos que, sobremaneira, me interessam: as batidas do coração e os intervalos entre a respiração tornam-se irregulares, como se estivéssemos acordados e assustados. A temperatura do corpo é extremamente irregular. Para os homens, as ereções do pênis (chamadas de Nocturnal Penile Tumescence - NPT ou Tumescência Peniana Noturna) frequentemente acompanham o sono REM.


Sintomaticamente, há, para as mulheres, um alargamento do clitóris com consequente aumento do fluxo de sangue e lubrificação da vagina. Ou seja, somos todos uns tarados em pleno sono REM e nem sabemos de nada disso. Isso é um castigo????

2 Comentários:

Luciana G. disse...

E eu, que li tudinho??? rsrsrs

Creio que as partes imaginárias são mais consistentes do que as baseadas em dados verdadeiros.

Estamos nos perdendo de nós mesmos no excesso de informações de um mundo multicolorido, cheio de luzes, neons e mensagens?

Não sou nostálgica, esta época pra mim tá bom. Melhor ainda sabendo que nossa animalidade tarada permanece. rsrs

Abraço!

Redneck disse...

Oi Luciana, tudo bem? Sim, eu às vezes viajo nos posts, admito. Mas, é melhor assim, não é? Também sou mais a minha própria contemporaneidade, claro. É só uma constatação de quanto a tecnologia, de forma geral, nos afeta. E mais do que imaginamos. O bom de tudo isso, como você disse, é que o instinto primitivo está, preservado. Beijo!

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Redneck, em inglês, define um homem rude (e nude), grosseiro. Às vezes, posso ser bem bronco. Mas, na maior parte do tempo, sou doce, sensível e rio de tudo, inclusive de mim mesmo. (Redneck is an English expression meaning rude, brute - and nude - man. Those who knows me know that sometimes can be very stupid. But most times, I'm sweet, sensitive and always laugh at everything, including myself.)

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