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sábado, 16 de fevereiro de 2008

Como cozinhar um lobo

- Como ser sábio sem cicuta

- Como capturar o lobo

- Como distribuir sua virtude

- Como ferver água

- Como saudar a primavera

- Como não ferver um ovo

- Como se manter vivo

- Como levantar como pão fresco

- Como ficar bem-disposto, embora faminto

- Como trinchar o lobo

- Como fazer um pombo gritar

- Como rezar pela paz

- Como ficar contente com um amor vegetal

- Como fazer uma grande exibição

- Como ter um pêlo macio

- Como se consolar no sofrimento

- Como ser um homem sábio

- Como seduzir o lobo

- Como beber à saúde do lobo

- Como não ser uma minhoca

- Como praticar a verdadeira economia

"Durante muito tempo, acreditei que as primeiras pontadas de felicidade matrimonial traziam com elas uma nova sabedoria, uma espécie de conhecimento místico que entrava junto com a aliança, de tal maneira que, de repente e completamente, a noiva sabia como ferver água. Agora, creio no oposto. Poucas mulheres chegam a perceber os limites vastos de pôr água na panela e fervê-la. Quando é que a água está fervendo? Quando, na verdade, a água é água? Água é água, o dicionário diz, quando é um líquido incolor, inodoro e transparente, consistindo em dois volumes de hidrogênio para um de oxigênio. Pode também ser chuva, mar ou um brilho de diamantes. A água a que me refiro, porém, é a clara e boa água que sai de uma torneira ou, se você tem sorte, de um poço ou de uma fonte. É a melhor para cozinhar lobos."

O trecho acima e os "comos" são do livro "Como Cozinhar um Lobo" (MFK Fisher, Companhia das Letras) que acabei de descobrir nas prateleiras de gastronomia da FNAC. Creio que, de gastronomia, há muito pouco na obra. À medida em que ler o livro, pretendo destrinchar, não o lobo, mas, sim, os capítulos. Eu sempre tenho a sorte (ou é instintivo) de achar livros interessantes e é esse o caso. Pretendo, ainda, relacionar no blog todos os livros relacionados à gastronomia que adquiri ao longo do ano passado. Não foram poucos. Darei notícias sobre lobos e também sobre mulheres que correm com lobos e que os cozinham, quando não há nada mais a se fazer senão uivar para luas cheias.

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008

Carga pesada

Peço arrego! Sucumbo diante de tanto peso. Em dois dias - ontem e hoje - digitei quase 50 mil toques para um job. Dezenas de entrevistas, explicações, telefonemas desencontrados, cobrança de fotos, produção de fotos, trocas de e-mail sem fim. Quando tudo acaba, fica a exaustão. Sensação de trabalho feito, sim. Mas, que dá uma certa tristeza, um cansaço infinito, ah! isso dá.


Me transformei em gerador de caracteres. Os dedos adivinham o teclado antes que se ponham a dedilhar ávidos por acabar a próxima frase. O cérebro dá sinais de ruínas. As palavras me escapam. Recorro ao dicionário. Termos técnicos, de monte. E eu lá sei o que é guidance para o mercado financeiro? O que são placas de gesso cartonadas? Tenho que saber isso? Que entender as metáforas pobres que as fontes, crentes que abafam, me atiram como se pérolas fossem e eu, o porco a recebê-las?

Que eu, se tivesse que rebater essas bolinhas todas no tênis, atira-la-ias pelo esgoto. Que são muitas as arestas aparadas por dia. Ao final, sucumbo e a carga prevalece, pesada e amorfa. Sou apenas um produto no meio de tanta informação. Filtro vazio de significado. Tanta informação que não me diz nada. É isso o jornalismo?

Um jornalismo industrial, sincopado com o teclado, música sórdida para palavras ao léu. A ira que as linhas de telefone transmitem de um ponto a outro. Quase a posso pegar na mão, de tão evidente. Um mundo raivoso se apresenta na tela, nos cabos de cobre. Nas palavras não ditas ou truncadas. Que sentido há nisso?

A cada vez que eu concluo um trabalho de grande porte, se me forma no estômago uma bola, imensa, peluda. Como se eu fosse um gato que me lambesse e engolisse, no processo, a pelagem. Revolve-me o estômago sem fim. Quero acreditar que é só o cansaço. Dizer não à decepção. Porque, então, seria uma bola de ferro presa ao tornozelo, e não apenas a rolar dentro de mim.

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008

Memento

Você já quis lembrar de detalhes de algo e não conseguiu? Ou, pior, já tentou camuflar memórias que não te interessam, mas, que insistem em vir à tona? A revista norte-americana New Scientist desta semana destaca o estranho caso de uma americana de 42 anos que se lembra com detalhes de todos os dias de sua vida desde a adolescência. A mulher é capaz de se lembrar das datas de todas as Páscoas durante os últimos 24 anos e ainda recorda o que vestia, onde estava e o que fazia naquele dia. É capaz também de lembrar-se de todos os fatos históricos e principais acontecimentos das últimas décadas. Ela é poderosa, com um HD de 300 Terabytes.


Intrigados, cientistas da Universidade da Califórnia começaram a pesquisar sobre a habilidade da memória dessa mulher há sete anos, quando ela os procurou para reclamar que se sentia exausta e que as lembranças eram como um fardo a ser carregado. Nas suas palavras, as lembranças são como "um filme que nunca pára".

A partir dos relatos da paciente, a equipe do neuropsicólogo James McGaugh realizou testes e identificou uma nova síndrome de supermemória, batizada de hyperthymestic (nome em inglês, baseado no grego, thymesis, que significa lembrar). Os cientistas ainda não conseguiram identificar a causa da habilidade extraordinária da memória da mulher. No entanto, a capacidade de recordar memórias autobiográficas pode estar relacionada com uma falha nas atividades cerebrais, o que faz com que as pessoas esqueçam fatos supérfluos.

"O esquecimento funcional é crucial para o bom funcionamento da memória. Um sistema que recorda todos os detalhes e torna esta informação disponível com freqüência irá resultar em uma confusão em massa", diz o cientista Dan Schacter, da Universidade de Harvard. Para McGaugh, que investiga o caso, a paciente tem "qualidades obsessivas". Ele sugere que, assim como os autistas, ela é interessada em datas e no calendário. Além disso, há 32 anos ela mantém um diário, guarda os guias de televisão de vários anos e diz que "sempre precisou de organização". Segundo o cientista, os comportamentos compulsivos podem reforçar a memória, ao invés de incentivar o arquivamento e o esquecimento das informações pelo cérebro.

Só para ficar na seara do cinema, eu me recordo (sou péssimo de memória) de três filmes que abordam a estranheza dos cérebros. Um deles é "Como se fosse a primeira vez", com Adam Sandler e Drew Barrymore. São um casal normal. Mas, todos os dias, a personagem de Drew sofre de perda de memória temporária e nunca se recorda do dia anterior. Assim, o personagem de Sandler precisa descobrir no dia seguinte uma nova maneira de conquistá-la. É uma historinha açucarada, mas, dá conta de como cérebro é um universo desconhecido.

Outro filme é "Amnésia" ou "Memento". Leonard Shelby, vivido por Guy Pearce, era um investigador de uma companhia de seguros. Certo dia, ele e sua esposa tiveram a casa invadida por um bandido enquanto ele dormia. O bandido estuprou e matou (supostamente) a esposa de Leonard. Na tentativa de impedir o bandido, Leonard levou uma forte pancada na cabeça, que o fez adquirir o problema de perda de memória recente. Tudo que acontece na vida de Leonard desde então é esquecido poucos instantes depois. Ele passa a usar artifícios como a tatuagem de recados no corpo, fotos com inscrições no verso e até mesmo post-its. Leonard passa a realizar uma busca insana pelo assassino de sua mulher e, quando ele finalmente descobre a verdade, sua devastada memória não permite que ele a lembre, e ele se mantém na mesma insana busca. O legal do filme é que a história é contada de traz para frente, numa brincadeira com a nossa própria memória, que tem que montar o filme de forma a entendê-lo. Memento, em latim, significa "lembra-te".

Finalmente, há "Brilho Eterno de uma Mente Sem Lembranças", com Jim Carrey e Kate Winslet. Joel (Jim Carrey), é um homem ordinário que fica surpreso ao descobrir que a sua namorada, Clementine (Kate Winslet), apagou as lembranças do tumultuado relacionamento que tiveram. Desesperado, ele contata o inventor desse processo para também remover Clementine de suas lembranças. Porém, à medida em que as lembranças de Joel desaparecem, ele começa a redescobrir o seu amor por Clementine. A uma certa altura, fica claro que Joel não consegue tirar Clementine da cabeça.

Os três filmes são, cada um à sua maneira, três belas versões do estranho mundo do cérebro. É uma das áreas do corpo humano menos devastadas. E costuma-se afirmar que o homem conhece mais o universo do que o próprio cérebro. "Conhece-te a ti mesmo", disse Sócrates. Se eu desconheço o ser que habita meu corpo e cérebro, como conhecer o outro?

E como remover da memória lembranças nefastas? Ou resgatar dos escombros do velho arquivo lembranças preciosas que me escapam? Como selecionar a memória de forma a esquecer cheiros, sorrisos, dentes, expressões, um cabelo solto, uma pequena espinha? Se você procurar na memória, certamente resgatará detalhes das pessoas. Pequenos flashes que incendeiam a imaginação e que há muito pensávamos enterrados no peso dos anos. Não é assim? É como os sonhos: há os que lembram de cada detalhe (eu, sempre) e os que juram que nem sonham. De repente, alguma palavra ou gesto traz, num piscar de olhos, memórias tão fortes que fica difícil respirar. Chegamos a corar com algumas lembranças, não é? Ou ficar com os olhos marejados por outras. Ou sentimos aflorar a raiva, a paixão, a saudade e mais uma série de sentimentos.

Já disse neste espaço que gostaria de deletar muitos arquivos do meu disco rígido. Que houvesse uma flash memory, um pen drive, que eu pudesse desconectar da porta USB e deixar em casa, guardada. Porque há, de monte, arquivos corrompidos. Arquivos com vírus, bichados. Mas, isso não é possível. E, como aquela velha fotografia amarelada, de repente, nos confrontamos com o passado que, embolarado, insiste em se contrapor às maravilhosas fotografias de milhões de pixels do presente. Ora! É tudo uma ilusão! O cérebro age por conta própria. Desencava. Trabalha, incansável. É um exército inteiro a revolver as terras férteis que fazem germinar velhas sementes, esquecidas. Ah! Memória, memorável, memorabilia, memento, enigma. Que quero ter amnésia, por vezes. Por outras, lembrar até do grão de poeira que naquele dia exato pairou no ar e desmanchou-se. Só para te ter, memória, à mão, como se uma casca de noz fosse e coubesse o universo inteiro dentro.

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008

Telefonia celular 2.0

Nem só de trivialidades vive este blog. Como cubro o setor de telecomunicações profissionalmente, acho que tenho a obrigação de informar, de vez em quando, alguma coisa que não envolva o meu próprio ego. Quer dizer, mais ou menos. Se você, como eu, se sente como uma múmia ante o olhar de desprezo (e ouvidos moucos) dos atendentes, está na hora de reagir.

Hoje, 13, começam a valer as novas regras para a telefonia móvel, que têm o objetivo principal de diminuir as queixas contra as operadoras junto aos Procons de todo o Brasil. O setor de telefonia - fixa e móvel - está no topo das reclamações. Com 122 milhões de assinantes móveis e mais 39 milhões fixos, a telefonia, desde a privatização, em 1998, não saiu mais da lista dos setores mais odiados pelos consumidores (disputa e ganha até mesmo do setor financeiro e dos planos de saúde). No ano passado, foram contabilizadas 3.437 queixas relacionadas à telefonia fixa - com a primeira posição e 21,6% do total. Em segundo lugar, estavam os aparelhos de telefone - destes, aproximadamente 90% são celulares -, com 10,9% das reclamações e 1.758 registros. A categoria telefonia celular ficou na quinta posição, com 735 queixas.

Para tentar amenizar essa situação, o governo, por meio da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), criou uma série de novas regras para adequar o atendimento das operadoras de telefonia ao Código de Defesa do Consumidor e reduzir o número de reclamações do setor. O objetivo é facilitar para o assinante o cancelamento da linha do celular, dar maior proteção contra cobranças indevidas e mais prazo para usar créditos em aparelhos pré-pagos. Abaixo, as principais mudanças:

- Cancelamento da linha: uma das principais reclamações é a dificuldade em cancelar uma linha. Pelas novas regras, as empresas terão 24 horas para cancelar o serviço após o pedido do usuário, o que poderá ser feito em qualquer loja autorizada, e não apenas pelo atendimento telefônico. Aumentou também a punição para as operadoras que cobrarem valores a mais dos usuários. Essa é a principal reclamação registrada em 2007 pelo Procon de São Paulo.


- Portabilidade: permite que o cliente troque de plano e operadora sem perder o número do telefone. Essa funcionalidade começa a valer, no entanto, apenas a partir de agosto deste ano (nas maiores cidades, somente em março de 2009). Na telefonia fixa, o consumidor poderá trocar de empresa dentro do seu município (ou localidade com continuidade urbana, quer dizer, o mesmo prefixo como a Grande São Paulo, com 39 municípios com prefixo 11) sem perder o número do telefone. Não será permitido, no entanto, levar o mesmo número para outra cidade (por exemplo, pessoas que estão de mudança para São Paulo, vindas dos cafundó). No caso do celular, é possível manter o número dentro da área de mesmo DDD, que pode incluir mais de uma cidade. Para fazer a mudança, o usuário terá de pagar uma taxa, mas, se a operadora nova quiser, poderá facilitar e não cobrar essa taxa do assinante.


- Atendimento pessoal: chega de esperar horas no call center (eu vou estar passando, eu vou estar informando, eu poderia estar matando etc. etc). As operadoras terão que melhorar o atendimento pessoal ao usuário. Claro que isso demora e deve se tornar realidade, de fato, apenas a partir de 2010.

- Pré-pago: mais de 80% dos usuários usam a telefonia pré-paga. As operadoras serão obrigadas a oferecer créditos pré-pagos com validade de até 180 dias. Hoje, o prazo máximo é de 90 dias. Além disso, as empresas terão de revalidar os créditos antigos toda vez em que o celular for recarregado. Quem ficar sem créditos, poderá continuar com o celular pai de santo (que só recebe) ou realizar ligações a cobrar por um prazo de 30 dias. Depois desse prazo, todos os serviços serão bloqueados, com exceção das ligações gratuitas de emergência (polícia e bombeiro, por exemplo. Graças a Deus! Sem bombeiros, o que seria da vida!!!). Somente depois de mais 30 dias o cliente poderá perder o número do telefone, mas terá de ser comunicado com antecedência pela operadora.

- Pagamento da conta: para os clientes de telefones pós-pagos haverá aumento nos prazos para contagem da inadimplência. O usuário ficará impedido de realizar chamadas 15 dias após o vencimento. Após 45 dias, também deixa de receber chamadas. Depois de 90 dias, a operadora poderá rescindir o contrato. Depois disso, a empresa terá de notificar o consumidor e esperar mais 15 dias antes de encaminhar o nome do devedor ao serviço de proteção ao crédito.

- Cobrança: a operadora somente poderá cobrar chamadas realizadas há mais de 60 dias após negociação com o usuário. O prazo anterior era 90 dias. O cliente do pós-pago também poderá solicitar, a cada seis meses, uma simulação para comparar o seu plano com os outros oferecidos pela operadora. A comparação será feita com base nas ligações feitas nos últimos três meses. Dessa forma, ele poderá saber se escolheu o melhor plano para suas necessidades.

Vai, não torce o nariz. De vez em quando, eu tenho que fazer alguma coisa séria. E depois, a minha porção de samaritano é tão rara que eu tenho que aproveitar quando recebo de frente - e rapidamente - uma Madre Tereza de Oh! Calcultá! OK, OK, já fui!!!

terça-feira, 12 de fevereiro de 2008

E o resto é history!

"Thriller", de Michael Jackson, o álbum mais vendido de todos os tempos, com 750 milhões de cópias, completa hoje 25 anos de lançamento. Para celebrar, foi lançada uma nova versão, chamada "Thriller 25", já disponível para compra. Ontem, Michael Jackson lançou um vídeo de agradecimento aos fãs pelo sucesso do álbum.

O cantor é controverso e goste-se ou não do seu estilo, Michael Jackson é, para a música, o correspondente a Elvis Presley e aos Beatles, pois revolucionou a música com seus já clássicos clips. Eu gostava do Michael Jackson de "Thriller". Depois, o cantor ficou cheio de idéias e comportamentos estranhos e perdeu-se em Neverland, com aquele monte de crianças e uma concepção equivocada do significado de "Mamãe, quero ser Branca de Neve".

De tanto tentar ser Diana Ross, em versão white, virou uma esfinge que a ninguém interessa decifrar. Posto aqui dois vídeos: "Thriller", para comemorar os 25 anos, e "Black or White", que deveria ser apenas uma música, e não a metamorfose real do cantor, que virou um pesadelo de Kafka, no final das contas.

Thriller (é a versão completa, com a historinha, uma coisa assim bem kitsch)







Black or White (também é a versão completa, já com o Michael transformado em Diana Ross, com o Mccauley Culkin, em versão menininho mimado, e alguns leões, o que muito me agrada)




segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008

Gordon e a antropofagia

"De cada encontro e desencontro, sairemos marcados, assim como deixaremos os vestígios de nossos dentes na personalidade daqueles que se aventurarem dentro de nós. E vice-versa." Querida Amélie, tomei a liberdade de copiar o trecho do seu post para reafirmar a validade do que você escreveu.


Acabei, esses dias, a leitura do livro "Gordon" (Rocco, Edith Templeton). A história está centralizada em Louisa, uma jovem que acabou de se divorciar. Uma noite, ela conhece Gordon num bar e, uma hora depois, ambos se entregam ao sexo selvagem em um banco de praça. A partir desse ato, iniciam um relacionamento de domínio/submissão. Gordon é psiquiatra e se aproveita do seu conhecimento para submeter por completo Louisa, em todos os sentidos.

O livro foi publicado no fim dos anos 60, sob pseudônimo, e foi comparado imediatamente com o clássico "A História de O", de Pauline Reage. Somente em 2002, a autora republicou "Gordon" com seu nome e assumiu publicamente que a obra é autobiográfica.

Para mim, "Gordon", autobiográfico ou não, é alta literatura. E verdadeira. Porque desconstrói uma série de alicerces dados como certos para manter um relacionamento e envereda por outros caminhos, tão válidos quanto quaisquer outros.

A relação entre Gordon e Louisa é tão forte e profunda que, inevitavelmente, marca a ambos com dentadas cravadas na carne, que perfuram a epiderme para atingir os ossos. É a antropofagia consentida. E algumas pessoas, na nossa vida, têm esse poder, não é? Não sei dizer se concedido por nós ou se é apenas uma ilusão. Mas, às vezes, me sinto tomado. Sem controle. Metaforicamente, submetido. E feliz.

Por que mesmo que a razão prevalece?

domingo, 10 de fevereiro de 2008

Meu rugido dominical

Você habita a internet? A interrogação me surge do fato de ter, às vezes, a sensação de que o mundo virtual é mais interessante do que o mundo real. Quem já não sonhou um dia ser invisível? Para poder ir aos lugares, ouvir as conversas, ter acesso a segredos, tudo de forma anônima e segura. Pois é!

E aí você passa a se sentir invisível, em determinadas fases. Parece que ninguém te vê. Que você cruza com as pessoas nas ruas e elas olham através de você. Te atravessam. Sem saber quando e como, você tem a impressão de que adquiriu o status de invisibilidade pelo qual tanto almejou.

Daí que o mundo virtual vem a calhar para tanta cegueira ante o mundo real. Você se traveste de um personagem, por meio do seu nick, e passa a habitar esse mundo de uma forma que você escolhe, de acordo com padrões que você constrói. Você não é mais um visitante da internet. Passa a ser um habitante. Vive-se mais aqui, no mundo cibernético, do que lá fora, no mundo real.

Eu me dei conta disso desde que criei uma certa dependência do ambiente blogueiro. De ter que acessá-lo diariamente. De ver como estão os vizinhos. É fato! Você começa a construir uma sociedade aqui nos moldes e estereótipos do mundo de fora. Só que este aqui você controla e o outro, não.

Amanhã, dia 11, começa a Campus Party Brasil, que é a maior festa mundial da internet e aborda temas como astronomia, games, robótica, software livre e música. Tem muito a ver com a Web 2.0 e o nosso mundo, o dos blogs. Durante uma semana, quase 20 mil internautas acamparão na Bienal do Ibirapuera em São Paulo para acompanhar todo tipo de atividade do evento, chamado pelo criador Paco Ragageles de "a universidade da internet que dura uma semana". O evento nasceu em 1997, na Espanha, e é a primeira vez que ocorre fora daquele país. O Brasil foi escolhido porque o país está entre os maiores usuários de internet do mundo em tempos de navegação. E, claro, porque o partner principal do evento é a Telefônica, grupo espanhol bastante forte lá na Espanha e aqui, no Brasil.

Mas, o que tem a ver isso com a (in)visibilidade? Eu acredito que o grande sucesso da internet se deve, sobretudo, à liberdade que se desfruta no ambiente virtual. Conforme a Web 2.o se desenvolve, a possibilidade de interatividade aumenta também. Por isso, eventos como a Campus Party atraem tanta atenção. Você, antes invisível no mundo virtual, é investido de um rosto e torna-se, novamente, real, físico. É um processo semelhante ao que ocorre nos chats, nas comunidades virtuais e nos blogs. A maior parte de nós não conhece o outro e, no entanto, podemos até mesmo sentir como é o outro ao ler suas postagens, ao fazer comentários e conversar virtualmente.

Eventos deste tipo permitem que você desabite a internet e volte a se conectar ao mundo real. Torna-se visível. Ontem, recebi a revista Época. De tempos em tempos, recebo gratuitamente uma das duas - a Veja ou a Época. E a edição da Época me soou bastante triste, de uma forma geral. Há várias matérias sobre o mundo virtual na revista - a Campus Party, a tentativa da Microsoft de comprar o Yahoo!, a censura da China aos blogueiros, às vésperas das Olimpíadas e um artigo que é um primor de delicadeza, "Suicídio.com". Nessa matéria, é retratado como o adolescente gaúcho, Vinícius, de 16 anos, preparou e executou seu suicídio, transmitido pela internet em tempo real. O garoto participava de fóruns de suicídio e foi aconselhado por outros internautas sobre qual a melhor forma de morrer. Apenas uma garota, do Canadá, tentou alertar a polícia de Porto Alegre sobre o ato, a fim de impedi-lo. Mas, foi tarde demais. O artigo é complementado por uma entrevista com o psiquiatra do garoto, que tenta explicar os motivos do acontecimento e o papel da internet nisso tudo.

A minha tristeza com a edição da revista vem dessa história (e outras, fora do contexto aqui) e de como o mundo virtual tragou esse menino. Definitivamente, ele habitava a internet e, no mundo real, ele se sentia invisível. Mas, ao contrário, o mundo virtual somente o soterrou ainda mais, com a fatalidade do próprio fim. Não quero dizer que a internet é culpada. Não, não é. Assim como não o é quando um terrorista acessa a web para fabricar explosivos.

A internet existe e é alimentada por nós. Todo o conteúdo sai de nossas cabeças. O que eu quero dizer é que transferimos as angústias do mundo real para esse mundo virtual. Assim como o mundo real pode fazer com que nos sintamos invisíveis, o mundo virtual dá uma visibilidade a ações - suicídio, terrorismo - com platéia, com pessoas que, virtualmente, são capazes de torcer e animar um suicida para cometer o ato como se estivéssemos no Coliseu, a assistir uma luta de gladiadores.

Esse mundo me assusta, assim como já o faz o mundo real.

sábado, 9 de fevereiro de 2008

Santo, santo, santo

Para toda causa, há um efeito, conforme a lei da física. Para todo efeito, há um santo, eu digo. No México, o santo Jesus Malverde é reverenciado há quase um século. Como há um afluxo mexicano intenso para os EUA, o país acolheu também o santo (não reconhecido pela igreja). Popularmente, Malverde é considerado o santo padroeiro dos traficantes de drogas e um santuário foi erguido sobre seu túmulo na cidade de Culiacán, que há muito é associada ao tráfico de ópio e maconha.

Há outros casos interessantes de santos (estes, devidamente credenciados pela igreja). Você pode rezar para qualquer um. Depende do que precisa, do dia do ano e da urgência. Eu passei muitos anos a rezar por Santo Antônio para ver se eu desencalhava um monte de amigas. Elas continuam tudo por aí, às moscas, no caridó. Não pedi para mim mesmo porque, ao que parece, o santo só atende o público feminino. No caso, não atendeu foi ninguém. Eu gosto é de São Sebastião. Por que? E aquelas flechas todas? Sabe, uma coisa meio sado-masô ... Olha só a listinha que preparei preocupado com o seu infortúnio:

1. Para ações judiciais: procure Santa Agia. Serve para acabar com as pendengas com aquele canalha que você odeia, com aquela empresa que te explorou durante 17 anos e com aquela operadora de telefone que nunca te atende.

2. Adolescente: reze muito, mais muito mesmo, para Santa Maria Goretti, que é para essa fase da vida passar logo. Porque, vos digo, êta periodozinho aborrecido!

3. Alcoólatras: se você conseguir juntar tico e teco, apele para Santo Martinho. Cura ressaca, aqueles brancos (mas não aquele falso branco, que você fez tudo o que podia e agora finge que é santo, yourself) e te prepara o fígado para o próximo basfond. E o bafão também, claro.

4. Alfaiates: é que gostei do nome, São Homobonus. É um bônus para os gays?

5. Alpinistas: São Bernardo de Montjoix. A Narcisa Tamborindeguy ajoelha para ele todo dia porque pensa que ele é francês ou suíço. E olha aqui neste vídeo o que acontece com a criatura.

6. Animais Selvagens: nós (eu, leão; outras, iguanas) devemos orar para São Braz. Os demais animais (vocês) devem agradecer e pedir para São Francisco de Assis.

7. Arqueiros (e adeptos do sado-masoquismo e fetiches em geral): erguei suas mãos para São Sebastião. Somente as mãos, abusados!

8. Bebês: rezai, bebezinhos, em sua rebuscada linguagem tatibitate, para São Zeno, que cura cólicas e ajuda vocês na busca de uma vida gloriosa que o futuro vos reserva, por certo.

9. Caçadores: porque os há mais do que caça disponível, oremos todos para São Eustáquio.

10. Cães: seja você um vira-lata ou um labrador, São Roque intercederá ao seu primeiro latido.

11. Castidade: se você quer manter a sua, é problema seu e de São Tomas de Aquino.

12. Causas Urgentes: pensei, pensei e não consegui imaginar porque alguém teria algo tão urgente a ponto de enviar sinais para o espaço na esperança de que, anos-luz depois, o santo respondesse. Como não encontrei resposta adequada, não divulgarei o nome do santo.

13. Colecionadores: esse é para mim mesmo desde o dia em que descobri que o colecionismo é um dos indicadores de que a pessoa sofre de Transtorno Obsessivo Compulsivo (TOC). Se é o seu caso, implore para tudo quanto é santo e, principalmente, para São Benedict Biscop (se você conseguir se recordar desse nome pomposo). Eu disse para mim mesmo porque, numa rápida associação de idéias (2+2), concluí que sou colecionista (até onde eu me lembro, tenho umas 11 ou 12 coleções). Logo, tenho TOC.

14. Funeral: aqui, tenho que ser delicado. É claro que você não rezará no seu próprio serviço mortuário, né!!! É para rezar nos funerais de terceiros. O santo? Ah! É São Tiago.

15. Garotas: interrompidas ou não, a santa de vocês é Santa Agnes. Agora, não vai você, minha cara, que tem 28 anos ou mais achar que é uma garota. Acorda, fia!!!

16. Imprensa: para gente estranha que mete o bedelho (e a colher e o teclado) onde não é chamada, São Edmundo Campion é a solução. Com a certeza, definitiva, que campion é o santo, e não você.

17. Internet: porque, sem a qual, não seria possível postar tanta asneira de uma só vez e para tanta gente ao mesmo tempo. São Gabriel, acuda-nos, internautas e blogueiros.

18. Jornalistas: não tenho lead. Apele veementemente para São Francisco de Sales.

19. Míopes: se você conseguiu ler até aqui, passe uma casa para frente porque São Clarus iluminou tudo.

20. Meninas adolescentes: agora, estou ferrado. E as garotas? Como ninguém falou nada, eu mesmo determino: seres do sexo feminino, dos 9 aos 11 anos, consultem e orem para Santa Inês.

21. Moças: agora sim, defino outra faixa. Dos 28 para cima, as moças (não se alegrem porque é apenas retórico) devem recorrer a Santa Úrsula.

22. Moços: nós, que não temos essa frescura de garotos, meninos adolescentes e outros troços (quer dizer, troços temos), devemos rezar para São John Berchmans (não, não é Beckham, é Berchmans).

23. Namorados: Ué! Não era apenas para as meninas/garotas/moças/senhoras/velhas/passadas/pé na cova e lavadeiras do Santo Sudário???? Enfim, vocês todas já sabem. É Santo Antônio de Pádua.

24. Namorados: sangue de Jesus tem poder. Jesus, Maria e José. São Longuinho, São Longuinho! São Jorge, São Judas, Sagrado Coração. Invoco essa fila imensa porque quero garantir o meu lado, OK? Mas, no fim das contas, é apenas São Valentino que decide, o egoísta.

25. Pássaros: que devem ter rezado muito para São Francisco de Assis para que a Patty deixasse de importuná-los com sua extrema implicância.

26. Seqüestro (contra): adorei o "contra". E alguém aí rezará a favor do seqüestro? Tudo bem que, depois de sofrer um seqüestro, algumas vítimas desenvolvem a Síndrome de Estocolmo, que é aquela que cria dependência da vítima em relação ao agressor. Em alguns casos (comprovados), a vítima apaixonou-se perdidamente pelo seqüestrador e não queria mais voltar para casa. E o sequestrador teve que rezar, lógico, porque ninguém é obrigado a aguentar um enrosco. Para que o seqüestro não ocorra e, se acontecer, para que você não desenvolva a síndrome, implore para São Arthelius.

27. Solteiros: apenas diga que é convicto porque São Theobaldo não é obrigado a escutar você a desfiar um rosário o dia todo.

28. Teenagers (?????????): deve ser apenas para os adolescentes dos países de língua inglesa. Mas, o nome do santo - São Aloysius Gonzaga - não tem muita relação. Estranho!!!!

29. Tradutores: para todos que estão lost in translation, parece que São Jerônimo dá uma mãozinha (mas não o dicionário).

30. Vesícula pedras: juro de pés juntos que eu não inventei, Patty. Procure urgente São Albinus porque, segundo meu conhecimento hagiológico, ele já está pronto para ouvir seus pedidos.

Em verdade, vos digo, há muito mais santos entre o céu e a terra do que permite supor minha vã filosofia. Sei que sofrerei condenações e que haverá choro e ranger de dentes. Serei considerado fariseu pelos templários e atirado às covas, sem que Daniel comigo esteja para me proteger. Suportarei as privações como Jó e não me virarei para virar estátua de sal como a esposa de Lot. Tudo o que fiz foi tentar ir ao auxílio dos desvalidos, rasos e comprimidos. Porque deles (e não meu) será o reino dos céus!

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008

A rotina das iguanas

Querido(a) bleader, me perdoe se estou repetitivo. É que a situação se me apresenta assim, espontaneamente, e, para que eu não morra de combustão instantânea, preciso liberar o gás sarin de alguma forma. Henri Lizardlover é um norte-americano apaixonado pelas iguanas (OK, OK, forço um pouco a barra; são lagartos, mas, também há iguanas).

O cara é tão fissurado pelos doces animais que mudou o sobrenome Schifberg para Lizardlover (amante de lagartos). Em 1988, Lizardlover teve a idéia de fotografar as iguanas em posições humanas. Para mim e para outras pessoas, é um aparente paradoxo, já que as iguanas são humanas e nunca duvidei disso (veja aqui o histórico delas neste blog).
Segundo o amante, as iguanas são bastante colaborativas e permanecem estáticas, em pose total, como algumas top models que eu conheço. No entanto, apesar da aparente meiguice, as criaturas têm um poderosa mordida, capaz de deixar marcas definitivas como tatuagens no couro de quem ousar se envolver com elas.

O lover tem 50 iguanas em casa. Harém, né! Há uma série de coincidências entre as iguanas de Lizardlover e aquelas que eu conheço nas ruas: o fotógrafo acredita que as iguanas têm personalidades diferentes e que seus comportamentos variam assim como o dos humanos. Concordo.

Em 1992, para formalizar de vez o amor à espécie, o norte-americano lançou o livro "Manual para os Donos de Iguana". Quem disse que iguana não tem manual de usuário? Para não encher mais a sua paciência com assunto tão sub-reptício, darei uma folga para as iguanas. Mas, não sem antes presentear vocês com cenas do cotidiano das fofas:


Filhos: há que se tratá-los com carinho, levá-los ao parque para tomar banho de sol, fazer a linha "mãe zelosa" e criar o rebento para que o bebê-iguana não tenha, na idade adulta, traumas de infância com imagens de uma progenitora histérica. De fato, você está cansada de ter que bancar a ama-seca do rebento, mas, apesar de você trabalhar o dia todo, ainda dá conta de chegar em casa, ver se o herdeiro fez as tarefas de escola, colocá-lo para dormir e levantar no dia seguinte, às 5:30 horas da manhã, para garantir que a mamadeira, a mochila e, enfim, o baby, estão todos nos devidos lugares. Sábado, você tem que pedalar por dois. O marido? Está bêbado, na padaria da esquina.

Apesar de todo o seu esforço, você admite, no seu íntimo, que a fome nunca passa. Academia, trabalho, sexo com o marido: nada é suficiente para te deixar magra feito aquelas malditas modelos da São Paulo Fashion Week. Às escondidas, às 3 da manhã, você toma de assalto a cozinha e come todo o estoque de carboidratos. E depois se lamenta porque a barriga, o quadril e as coxas não servem naquelas roupas que você insiste em comprar dois números abaixo do seu.


Tem horas que você se cansa da rotina e resolve sair com as amigas. É claro que a competitividade entre vocês - fêmeas - nunca cessou, de fato. Desde pequenas que brigavam para garantir que as respectivas maria-chiquinhas eram mais bonitas do que as da amiguinha. Agora, adultas, vocês fingem entre si. Você, que é uma mulher realizada: tem marido, filho e um emprego de sucesso. Elas, solteiras, fingem que dão para um macho diferente a cada noite e que têm vidas orgiásticas, com o mundo pela frente. Na verdade, você tem vontade de despachar sua vida para o Afeganistão e elas ficam sozinhas toda noite, com um garrafa de vinho (do chileno bem barato), um cigarro e choram por tudo e por nada, inclusive quando assistem o BBB.


Como se não bastasse a chateação que é cuidar da própria prole, sua melhor amiga jura que você adora o filhote dela. Então, tá! Apesar do ódio que nutre o seu coraçãozinho, você desencana e diz sim, posso cuidar da criança. Você sabe que se não o fizer, seu círculo de amizades não existirá mais. É a sua melhor amiga e, de fato, a única em que você pode confiar. Menos daquela vez que ela, bêbada, beijou seu marido. Mas, são águas passadas. E esse bebê tem a cara do meu marido, pensa você, distraída.


Tem dia que o maridão jura que é Bob Dylan e ataca de roqueiro. Coitado. Não percebe que o Serguei e ele, juntos, fazem uma triste figura. Você sente que, no íntimo, ele te olha com desdém porque, na cabecinha dele, tudo se resume a Woodstock, quando ele lá esteve e trepou pelado na lama com um monte de sirigaitas drogadas. Agora, visto dos anos 00 (2000, ok?), ele não tem nada a ver com Hair, inclusive não tem mais hair. A guitarra dele é uma piada que você e os amigos suportam. No fundo, você sabe que também não é nenhuma Luciana Gimenez para topar com um Mick Jagger que te engravide e te dê outra vida. O bom é que ele, depois de alguns acordes, fica violento com a falta de perspectiva, grita com todos e acaba indo para o quarto, deprimido. As visitas, finalmente, vão embora.

A despeito de todas as suas contradições, nada como o ombro do macho - amado ou odiado é o único que você tem (quando tem). Assim, de tempos em tempos - uma vez por mês - você não se faz de rogada e atua como aquela mulherzinha que conta com o suporte do provedor, segura e satisfeita. Nessa hora, tudo o que você tem que fazer é esquecer que o cafajeste não trabalha, não cuida do filho, belisca a bunda da empregada - na sua frente!!! - e vive feito um sultão. Mas, quando ele não tem nada melhor para fazer - futebol, bar, futebol, bar -, ele ainda é capaz de uma pegada. E você ainda sente aquele frio na espinha que te fez ficar verde na primeira vez. E o infeliz é louco para ter mais filhos e disseminar "a semente", como ele diz, bem ao estilo cafa. Só não sabe que você já fez laqueadura de trompas e isso está fora de cogitação. Mas, intimamente, você fica feliz porque seu homem quer ter mais filhos com você. Você é, definitivamente, uma iguana.

Big Blog Brasil

Num giro pela blogosfera, que chamarei de Big Blog Brasil, eis alguns dos destaques de ontem, 07/02/2008:


- Blog.MacMagazine: o blog retira a candidatura do Prêmio iBest 2008 por considerá-lo uma fraude. Leia mais aqui.

- Jesus, me chicoteia: fez seis anos ontem.

- Clic Grátis: oferece o download do livro do Kama Sutra.

- Somos Todas umas Vacas: também fez aniversário ontem. Um aninho de avacalhações.

- Te Dou Um Dado?: avisa que tem mais uma na longa fila da rehab, a atriz Kirsten Dunst, uma das virgens suicidas.

- Perez Hilton: tem Angelina e Brad e também Britney. E que dia não tem os três?

- Blogatadas: comprova que o tamanho do documento define se você é muito macho ou gay.

- Big Bosta Brasil: para quem não tira o BBB da cabeça, numa versão venenosa.

- Jezebel: um monte de fofocas fresquinhas das celebridades norte-americanas. Exemplo: Mais rehab: de uma lutadora, da Amy Winehouse e por aí vai.

- Livros e Afins: resgate das primeiras leituras, deliciosas.

- Digital Drops: comenta sobre o Kindo, para você montar sua árvore genealógica. Eu já tenho o Heritage, que é bem legal também.

Não é por nada não, mas, deu vontade de compartilhar com os leitores os blogs e sites legais que eu visito. É para reafirmar a blogosfera como mídia, sim, e poderosa, que cobre de tudo, com um olhar peculiar. Eu gosto é da liberdade dos blogs, de se falar o quê e como se quer. Como jornalista, me sinto liberto, enfim, de linhas editoriais restritivas. Divirtam-se!

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Redneck, em inglês, define um homem rude (e nude), grosseiro. Às vezes, posso ser bem bronco. Mas, na maior parte do tempo, sou doce, sensível e rio de tudo, inclusive de mim mesmo. (Redneck is an English expression meaning rude, brute - and nude - man. Those who knows me know that sometimes can be very stupid. But most times, I'm sweet, sensitive and always laugh at everything, including myself.)

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