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sexta-feira, 19 de março de 2010

O peso do mundo

Há dias que parece que o mundo desaba sobre nós. Hoje estou assim. Não, não aconteceu nada de extraordinário e nem catastrófico. É que depois de duas semanas numa nova casa, tenho a sensação de que as coisas para fazer, arrumar, resolver, pagar, ajustar etc. etc. etc. não acabam nunca.




E hoje, particularmente, acho que cheguei ao máximo das minhas forças. Estou num estado de exaustão que não tenho forças nem para pensar. Me sinto cansado física e mentalmente. Sim, mudar é bom. Mas são tantas e tão simultâneas coisas a resolver que me sinto em frangalhos. Parece que levei uma surra de cinco lutadores de sumô.


E ainda não acabou. O que me leva a pensar no acúmulo de coisas, de objetos, de desejos e de aspirações que fazemos ao longo da vida. Como se fosse um tesouro pirata que enterramos para depois resgatá-lo. Por que será que nos cercamos de tantas coisas? Por que queremos, queremos e queremos cada vez mais?


Ainda que eu tenho conseguido me desfazer de, calculo, um décimo das minhas coisas nessa mudança, estou pronto para comprar mais dois décimos. Acúmulo.


E talvez por isso o cansaço. Porque nunca paramos. Nunca que nos esvaziamos. E nem digo do supérfluo porque esse, por si só, some do nosso horizonte em dois segundos. Falo mesmo é daquilo que consideramos essencial. Hoje ainda precisei de um determinado documento e, mais ou menos aleatoriamente, realizei que joguei fora meu diploma de jornalista junto com alguns livros imensos que não serviam para nada além de serem usados como aparadores de poeira e, possivelmente, viveiro de traças. Bem, o fato é que não punha os olhos sobre esse diploma desde o momento em que o retirei na faculdade.


Simbolicamente, joguei minha carreira fora? Se assim foi, nem doeu. E agora vou descansar porque preciso. Preciso dormir. Ficar em silêncio. Me desligar do excesso. E sonhar que, junto com o meu diploma que foi ao lixo, foram também alguns sonhos. Não tem importância. Que fique a realidade. E vou sonhar com outras coisas. Menos burocráticas do que uma carreira. Mais prazerosas. Sonhar é preciso.

2 Comentários:

pinguim disse...

Quantas coisas guardamos e não servem para nada? E adiamos e continuamos a adiar a separação desses objectos.
Uma mudança de casa, em geral, proporciona algum descongestionamento nesses objectos, mas nem sempre conseguimos...
O que nos faz hesitar tanto em separar-nos de coisas que nada nos servem?
Ando há anos a prometer a mim mesmo em fazer uma "arrumação" na minha arrecadação: só cassetes de VHS, tenho cerca de 800, e algumas delas estragadas; masquem me convence a desfazer-me da filmografia completa de realizadores como Fellini, Bergman ou Truffaut?
Beijo.

Redneck disse...

João, acredito que guardamos tanto as coisas materiais quanto as do coração dessa forma e ficamos a adiar o nosso descolamento dessas coisas como se elas fossem, de fato, importantes. Depois, você acorda um dia e, zapt!, lá se vai, sem o menor pudor, aquilo que você guardou por tanto tempo. Tenho uma amiga que, uma vez perdido aquilo que mais lhe importava, decidiu que viveria sob o signo da simplicidade, despojada do supérfluo, a sobreviver apenas do essencial. Mas volta e meia a confronto com o apego ao complicado da vida. Assim como nós outros que não conseguimos nos desfazer de livros (meu caso) e de filmes (seu caso). Não sei o porquê desse acúmulo. Também não sei a fórmula da simplicidade. Sei que chega uma hora que você simplesmente coloca para fora, objetos e sentimentos. Assim, naturalmente. Beijo!

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Redneck, em inglês, define um homem rude (e nude), grosseiro. Às vezes, posso ser bem bronco. Mas, na maior parte do tempo, sou doce, sensível e rio de tudo, inclusive de mim mesmo. (Redneck is an English expression meaning rude, brute - and nude - man. Those who knows me know that sometimes can be very stupid. But most times, I'm sweet, sensitive and always laugh at everything, including myself.)

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