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quinta-feira, 6 de dezembro de 2007

O meu mundo perdeu continentes

"Tinha perdido Clarisse. E não escondia de si mesmo: seu mundo tinha perdido um continente. Claro, Clarisse não era bem um continente; na verdade, na maior parte do tempo, fora a sua Atlântida. Só a conhecia através de miragens. Dali a alguns meses, não seria mais do que uma lembrança, sem cheiro nem espinhos. E outra mulher se transformaria, então, em sua Atlântida. Enquanto esperava, podia repousar nos quatro continentes de suas amizades. Zoé, Darius, Victor e Caldeira formavam a sua geografia íntima. Zoé era a Europa, tão próxima e familiar. Darius, a Ásia. Victor, a América industrializada e triunfante. Caldeira, a África. Seu mapa-múndi não desapareceria...'Clarisse não tem nada a ver com isso. Você salvou a vida dela. Durante seis anos você foi, mais do que enfermeiro, o próprio remédio dela. Agora que se curou, você não serve para mais nada. Acho totalmente compreensível que ela tenha ido embora'. Há uma diferença entre conhecer a verdade e ouvi-la da boca de alguém. Quando a conhecemos interiormente, damos carinho e a corrompemos com todas essas guloseimas produzidas dentro de nossas cabeças. Também a cantarolamos, pois ela não passa de uma canção que nos ajuda a lamentar o nosso próprio destino. Mas o melhor serviço que os nossos conhecidos podem nos prestar é mostrar-nos aquilo de que já sabemos."

"Elias acreditava que aquilo era amor, pois ninguém nunca lhe dissera que aquilo não era amor."
"Não vertia lágrimas por causa da ausência de Clarisse, mas porque se dava conta de que, na verdade, ela nunca estivera lá."
"O bicho não estava na maçã. Nunca houve maçã nenhuma no Paraíso, somente a casa do bicho."
"Não se vive no presente... Vivemos, na maior parte do tempo, em alguma saliência do passado. O hoje não existe na realidade. E o amanhã desaparece antes mesmo de nascer."
"O maior dos luxos não é o dinheiro ou o poder, são os meios que permitem conferir inocência a si próprio."
"Era uma hipocondríaca do amor."
"Nada melhor do que uma infecção para acalmar os golpes do coração ..."
"... o tempo é uma droga da qual só nos libertamos com a morte."
"É uma injustiça que as pessoas que nos fazem bem não sejam as mesmas que amamos e que nos amam."
"Os doentes é que deveriam fazer visitas aos sãos."
"A infidelidade é o melhor meio de salvar um casamento."

Os trechos e frases e pensamentos e conceitos são todos do escritor Martin Page e estão no maravilhoso livro "A gente se acostuma com o fim do mundo". Page também é autor de "Como me tornei estúpido", ótimo livro também. A reprodução de tudo isso aqui é porque é surpreendente constatar que um cara (Martin Page) feio, míope, de apenas 30 anos, tenha tanto a dizer e com tanta intensidade. Eu reproduzi trechos e frases porque Page foi muito feliz na definição de perda: "seu mundo tinha perdido um continente". Eu já perdi alguns continentes. Quer dizer, acho que países, pois continentes são somente cinco e eu tenho mais que isso de países na minha geografia (o plágio é inevitável). Sim, perdi países que, como a Portugal de Saramago em "A Jangada de Pedra", devem estar por aí, a vagar no meio dos oceanos. Minha amiga Patty fez um post sobre catarse e é isso que acabei de fazer aqui: tentei sedimentar a perda de alguns países. O livro somente veio a calhar (e agradeço ao In Sônia, porque foi lá que li sobre o livro - não sabia que havia sido lançado: comprei no sábado e terminei na terça-feira: devorei-o!). O sentimento estava em mim, não com estas palavras que, por mais suficientes do que as minhas, espremem-se entre as aspas deste post. Leia o livro. Eu amei. O último livro que me tirou do sério foram dois, na verdade: "Nas Tuas Mãos", de Inês Pedrosa, e "Quando Teresa Brigou com Deus", de Alejandro Jodorowsky. E mais não tenho a dizer porque não preciso.

2 Comentários:

Patty Diphusa disse...

E não precisa dizer mais, porque vc e o menino Martin já falaram tudo. Países perdidos, perdidos. Vamos construir outros, do nosso jeito, com a nossa cara. Podemos, não? Tenho certeza que sim, não é por acaso que vamos nos agrupando, tribando. Bom, amigo, fique bem com seus continentes e países pque só volto na segunda. Qualquer coisa, mande-me uma message in a bottle. rs

Luciana G. disse...

Ei,

somos continentes perdidos, mas às vezes conseguimos nos encontrar, navegando, né?

Navega daqui, linka de lá, clica acolá e, quase por acaso, vamos nos encontrando...

Mas você chegou ao Verbo em plena bagunça geral! rsrsrsrs

Tem dois dias que resolvi embarcar no puro humor, escracho mesmo, que é pra descansar a mente, chacoalhar o corpo e lembrar a todos que não devemos nos levar tão a sério...

Volte mais, em tempos de mais "normalidade", pra conhecer melhor os malucos da "confraria" - em que, aliás, você será muitíssimo bem-vindo!

Sendo amigo da Difusa, pra mim já está em alta conta! rsrsrs

Beijo!

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Redneck, em inglês, define um homem rude (e nude), grosseiro. Às vezes, posso ser bem bronco. Mas, na maior parte do tempo, sou doce, sensível e rio de tudo, inclusive de mim mesmo. (Redneck is an English expression meaning rude, brute - and nude - man. Those who knows me know that sometimes can be very stupid. But most times, I'm sweet, sensitive and always laugh at everything, including myself.)

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