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quinta-feira, 30 de agosto de 2007

Amor imenso e polígamo

Dá para amar, casar e ter filhos com mais de uma pessoa por vez? De acordo com a série "Big Love (Amor Imenso, no Brasil)", sim. A segunda temporada da série estréia no próximo dia 9 de setembro, às 23 horas, na HBO. O tema central é a poligamia e o cotidiano de um empresário norte-americano que tem três esposas. A série provocou polêmica por ser ambientada em Salt Lake City, EUA, cidade sede da Igreja de Jesus Cristo dos Últimos Dias (mórmons). A comunidade mórmon, claro, não gostou. A igreja, no passado, admitia a poligamia e seu fundador, Joseph Smith Jr., chegou a ter 27 esposas. Os protagonistas são Bill Paxton (de Aliens - O Resgate e Twister), Jeanne Tripplehorn (Instinto Selvagem), Chloë Sevigny (Melinda e Melinda) e Ginnifer Goodwin (Ed). A série é produzida pela Playtone Productions, de Tom Hanks. Como vocês já devem ter percebido, sou bastante fã de seriados da TV paga. Antes mesmo da TV paga, eu gostava de "Arquivo X", que a Record transmitia. Depois, quando me tornei um assinante, sempre há, em um ou em alguns canais, séries que me agradam bastante. É o caso de "Big Love", que retrata a dificuldade do protagonista de viver casado com três mulheres e ter que driblar essa condição o tempo todo diante da sociedade. Como se sabe, a poligamia é proibida por lei. O engraçado é que as casas das três esposas ficam uma ao lado da outra e há um imenso (ou big?) quintal que as une. Claro que há ciúmes, há a primeira esposa, que tem direitos sobre as demais, e há também a vergonha dos filhos em admitir para os amigos que o pai tem mais de uma esposa. Cada esposa é um estereótipo: a mais velha é a mais centrada; a segunda, filha do líder dos mórmons, é consumista e meio doida; e a terceira é bastante insegura. Recomendo, a despeito de não acreditar em compartilhar o amor. Sou egoísta mesmo e o nome da minha série particular seria "Prison Break", em que o meu respectivo amor ficaria preso do jeito que eu bem entendesse.

sábado, 3 de maio de 2008

Esnoba

Você já viu o personagem Rakelli da novela das 7? Vai me dizer que nunca fez uma Rakelli rapidinha? Então, tá! Adoro ela! Burrinha (isso deve ser genese, disse a gracinha, ao invés de dizer genético), lindinha. De vez em quando, alguém se revela. A atriz é Isis Valverde, que já foi a Ana do Véu, lembra?

Por que tudo isso? Porque estou com frio, tipo frio, friozão, de vontade. Olha a quantidade de carência ...

Mais? Sim, o vídeo e a letra, claro.


Esnoba


Só porque tenho por ela
Um apreço imenso
Só porque tenho por ela
Um apreço imenso
Só porque tenho por ela
Um apreço imenso
Só porque tenho por ela
Um apreço imenso

Ah! Não tem nada não
Eu bem que me conheço
Eu sei que um dia vira mesmo
Mudo de endereço
E essa criatura
Por quem eu tenho apreço
Vai ficar cheia de culpa
Por me dar desprezo...

Só porque tenho por ela
Um apreço imenso
Ela me esnoba
Me esnoba!
Me esnoba!...

A minha vida é dura
E duro é o meu cabelo
É black power
Todo mundo quer ter meu cabelo
E essa criatura
Por quem eu tenho apreço
Fala da minha conduta
Prá eu raspar o cabelo...

Dei meu amor
Você bem maltratou
Sorriu dele
Pisou, machucou
Não quis mais conversa
Hum!
Disse que a vida mudara
E que eu não tinha nada haver
Com as pessoas
Que hoje lhe cercam
É! Ai eu disse:
Que ele não sou nenhum mito
Me calo, não grito
Mas fico aflito
Pois nunca complico
Que é muito normal
Sou desligado como uma tomada
E o amor que eu sentira
Não valeu de nada
Pois tudo se acaba
Como num seriado banal...

Tenho por ela
Um apreço imenso!

Só porque tenho por ela
Um apreço imenso
Ela me esnoba
Me esnoba!
Me esnoba!...

Ah! Não tem nada não
Eu bem que me conheço
Eu sei que um dia vira mesmo
Mudo de endereço
E essa criatura
Por quem eu tenho apreço
Vai ficar cheia de culpa
Por me dar desprezo...

Só porque tenho por ela
Um apreço imenso
Ela me esnoba
Me esnoba!
Me esnoba!

Só porque tenho por ela
Um apreço imenso
Ela me esnoba
Me esnoba!

Só porque tenho por ela
Um apreço imenso
Ela me esnoba
Me esnoba!
Me esnoba!

Só porque tenho por ela
Um apreço
Ela me esnoba
Me esnoba!

segunda-feira, 8 de junho de 2009

Sangue verdadeiro de vampiro volta com amor imenso

Pela primeira vez na história das séries norte-americanas, a segunda temporada de um seriado volta ao ar menos de seis meses depois da estreia, em janeiro deste ano. É "True Blood", cuja segunda temporada acabou em abril, aqui no Brasil, pela HBO e, menos de três meses depois, volta cheia de novidades.

A HBO Latin America confirmou que a segunda temporada recomeça no dia 19 de julho. "True Blood" foi criada por Alan Ball (de "Six Feet Under") e o argumento central baseia-se na fabricação do sangue sintético por japoneses, o que permite com que os vampiros possam conviver com seres humanos sem os atacá-los para sobreviver. Isto é, teoricamente.


Os protagonistas são Sookie (Anna Paquin) e o vampiro Bill (Stephen Moyeres) que lutam para ficar juntos. A despeito dos vampiros conviverem com os humanos, o relacionamento sexual entre ambos é visto com preconceito pela sociedade. A segunda temporada tem o mesmo formato da primeira: 12 capítulos de 30 minutos cada. Agende-se: HBO, 22 horas, a partir do dia 19 de julho.


Outra badalada série que volta, um dia antes de "True Blood" - 18 de julho - é "Big Love" (Amor Imenso), cujo protagonista, Bill (Bill Paxton), segue os preceitos dos mórmons, inclusive o mais polêmico de todos: a poligamia. Bill é casado com três mulheres - Barb (Jeanne Triplehorn), Nicki (Chloë Sevigny) e Margene (Ginnifer Goodwin).

Nessa terceira temporada, Bill e as esposas lidam com a possibilidade de uma quarta esposa aparecer na trama. O protagonista ainda terá que administrar conflitos com o pai, a mãe, o irmão problemático e, afff!, com as três sogras. Serão dez capítulos de uma hora cada, na HBO, 22 horas, a partir do dia 18 de julho.


Com o final de "Fringe" e de "Epitáfios", minhas atuais séries queridinhas, ainda bem que voltam as duas acima. E ainda tem "Mental", na Fox, cujo primeiro episódio foi ao ar semana passada. Em posts anteriores, comentei sobre "True Blood", "Big Love" e "Fringe".

sexta-feira, 3 de abril de 2009

Gonorreia, gays e putas: a evolução da humanidade

[Antes que alguém me acuse de, ao associar gonorreia, gays e putas no título, fazer apologia ao preconceito, deixo claro que é uma mensagem apenas para chamar a atenção do eventual leitor. Gays e putas somos todos um bocadinho, se não por completo. E há gonorreias mentais mais fatais do que as físicas.]

O que significa evolução? Para Charles Darwin, evoluímos pela seleção natural - a lei do mais forte sobre o mais fraco. Como aglomerações humanas, a evolução nos abriga, necessariamente, sob a estrutura social que subordina-se a padrões de comportamento geralmente aceitos pela maioria e que, por isso, são convertidos, pelo estado de direito, em direitos e deveres. Em suma, é a civilização, com todo seu poder de afrouxar, esgarçar ou puxar o nó que controla o rebanho.


Pela estrutura social, entenda-se que cada um de nós, teoricamente, veja algum sentido em pertencer a determinado lugar, em fazer qualquer coisa, em pensar e agir. Porque, ao olhar pela janela nesta sexta-feira de sol bom de outono, é incrível constatar que haja tanto movimento e tanto propósito de todos lá embaixo, a pé ou nos carros, incessantemente, sem que isso tudo não desencadeie uma gigantesca barbárie.

Na realidade, é uma colmeia em movimento, com zangões e rainhas-mães que disputam palmo-a-palmo um espaço para chamar de seu e que se organizam em rotas para desorganizá-las logo à frente. Que se comunicam por invisíveis antenas que, de alguma forma, dão sentido amplo ao aparente caos que me parece ser.

Essas questões me surgiram quando li sobre o sexo na antiguidade. Descontados os milhares de anos que se colocam entre nós e eles, os antigos, pouca coisa mudou. Veja como era e como está:


- Gonorreia: identificada e nomeada por Galeno, no século II, ainda é a doença sexualmente transmissível (DST) mais comum em todo o mundo. Por obra e graça da Igreja Católica, que abomina o uso da camisinha (desde o início dos tempos), a gonorreia ataca as pessoas da mesma forma que o fazia há mais de 2 mil anos. Não existe cura para ignorância. Na antiguidade, era perdoável. Agora, é estupidez.


- Gays: de ontem (antiguidade) a agora (mais conhecido como hoje), nada mudou a não ser a música que embala as baladas dos meninos (e, em menor, proporção das meninas). Na Grécia antiga, o som vinha de harpas e outros instrumentos que dissolveram-se no tempo. Agora, o som também foi dissolvido: ruídos eletrônicos, agrupados no que se convenciona chamar de 'tecno', desconstruíram as notas musicais e tudo o que se faz é se balançar em estado de transe. Diz a lenda que tudo começou porque Orfeu, ao ficar viúvo de Eurídice, começou a se apaixonar por adolescentes (sim, no plural). Outra versão, que tem mais a ver com a musicalidade do tema, afirma que o músico Tamíris (ô nome de trava!) foi seduzido pelo belo Jacinto. Humm!


- Putas: a prostituição era regulamentada, com regras claras e diferentes para a Grécia e para Roma. Na Grécia, havia uma estrutura hierárquica rígida, verdadeiras castas. A mão-de-obra era formada por escravas e por mulheres vendidas por pais ou irmãos. Na classe alta, as prostitutas tinham treinamento intelectual e cultural. Na média, eram dançarinas, quase sempre imigrantes. Na baixa, eram vendidas pela família e tinham poucos direitos. Em Roma, as putas eram registradas e recolhiam impostos, além de outras coisas. Tinham que se vestir com tecidos floridos ou transparentes para se destacar das mulheres livres e não podiam usar a cor violeta. Os cabelos deveriam ser amarelos ou vermelhos e o ponto mais comum era sob os arcos arquitetônicos (aqueodutos). Arco, em latim, é fornice. Portanto, daí a origem da palavra 'fornicação'.

No mundo mudérno, as castas para o setor permanecem: as de classe alta são universitárias, aspirantes a modelos e atrizes que, ao ganhar os primeiros milhares, compram o carro do ano e apartamento nos Jardins, em São Paulo; as de classe média são aquelas que confundem lazer com trabalho e fazem do primeiro o segundo e vice-versa; as de classe baixa são as mulheres traficadas para a Europa, pela família ou 'amigos' - passaram de imigrantes a emigrantes. Quanto à comparação com as putas romanas, a grife delas - Daspu - recolhe impostos regularmente e o trabalho cotidiano continua a ser feito sob os arcos das fachadas horrorosas da Rua Augusta.

Além desses temas, outros continuam a lograr a humanidade desde priscas eras:

- Posições: antes mesmo do Kama Sutra ou de poses exibicionistas de pole dance (no poste, na coluna, na cadeira, na garrafa ou em qualquer outro objeto roliço), rotineiras em casas noturnas (e praticada por homens e mulheres indiscriminadamente), haviam moedas com posições numa face e números na outra. Quanto maior o número, tanto mais original a posição.

- Masturbação: o ato de amor imenso por si mesmo, vulgarmente denominado 'punheta' ou 'siririca', não era condenado. Ao contrário, era visto como algo natural. Um dos mitos diz que Aton, deus do sol do Egito, teria criado o deus Shu e a deusa Tefnut ao se masturbar. Pelo mito moderno, em que cada um fica cada vez mais sozinho consigo mesmo, temo que a masturbação é tão recorrente que condenar o ato beira a heresia.

Como se pode ver, a evolução da espécie nada mais é do que colocar uma nova roupagem no velho depositório. Os cabides continuam os mesmos e, quando muito, apenas o figurino mudou para se adaptar a este tempo moderno sobre o qual é incrível constatar que haja tanto movimento e tanto propósito o tempo todo sem que isso desencadeie uma catástrofe de proporções gigantescas.

terça-feira, 15 de abril de 2008

Rastreio de cozinha - 35

La dolce vita! Reprimido como se em Cuba estivesse, mas, com direito a comprar celulares de US$ 120 para um salário mensal de US$ 19, vou me dedicar exclusivamente ao ato de postar sobre gastronomia, já que não posso comentar sobre fusos, rocas, dedos furados e príncipes cujos cavalos brancos estão a galope, mas em direção contrária do que eu poderia supor. Enfim, ces´t la vie. E la vie en rose é só um filme, a despeito de le fabuleux destin d'Amélie Poulain querer provar o contrário.

Teoricamente, me considero informado. Profissional e pessoalmente, devo sê-lo, até porque vivo da informação. Mas, no roldão das provas, eis que me confundo aqui e ali, e tinha certeza de que teria prova prática nesta terça-feira, 15, quando, de fato, a prova prática da disciplina de Confeitaria já ocorreu há duas semanas, exatamente no dia 1º. de abril e, exatamente talvez por conta disso, por tão desacreditado ser este dia (não por mim), não registrei, ou melhor, releguei a informação a regiões remotas do cérebro, chamadas de células piramidais, que constituem-se na maior parte da terceira e quinta camadas do córtex cerebral.


Quer dizer, mais um pouco e estariam lá pelo sétimo inferno de Dante e sua trupe. Como não sou Beatriz, objeto de amor platônico de Dante, mas, ao contrário, por assim dizer, e tristemente, continuo vítima de experiências dantescas como se Dante fosse, sigo por aí, a misturar Dante com Dom Quixote e, às vezes, me bater com moinhos de vento e, simultaneamente, rodopiar pelos círculos infernais. Vida dura essa, de personagem que foge do autor e confunde os livros.

Você viu como demora para engrenar? Estou quase no final do 1º. ato e não consigo entrar na cena! É o mal que acomete dez em cada dez jornalistas: a prolixia. Pensava que, ao encarnar um aprendiz de cozinha, teria superado esse mau jeito com as palavras. Isso não ocorreu e tampouco consegui estabelecer uma relação de camaradagem com a minha faca.


Mas, a vida pode ser doce, sim. Como parte da prova prática, de duas semanas atrás, tivemos um trabalho de pesquisa a ser entregue: "Mudanças de Hábitos Alimentares na Sociedade Brasileira com Relação à Sobremesa". A confeitaria, como tudo neste País, é recente (contamos os anos às centenas, não em milhares, como o Velho Mundo). E essa pesquisa me fez constatar que a indústria da confeitaria é novíssima: começou, efetivamente, apenas após a Segunda Guerra Mundial, o que significa meados da década de 40. Nossa doçura, espalhada em balcões atraentes com chamativos cremes, cores, tipos e variedades, não tem nem 80 anos.

Então, por favor, não me cobre doçura que não a tenho em larga escala. E agora que sei porque, vou usar isso como um ardil para, volta e meia, ser mais amargo do que chocolate amargo. Se estamos na adolescência da confeitaria brasileira, por que logo eu tenho que puxar o carro e ser doce? Fora!


Hoje fizemos uma linda, cremosa e engordativa produção: a Torta Moderna. Não vou dividir com você a receita porque é bastante longa e a explicação seria por demais açucarada e, se você leu até aqui, sabe bem que não é esse o caso. Não neste momento. Só quero comentar que a Torta Moderna é feita à base de massa Joconda (fizemos no ano passado) e patê à Cigarrete.


A montagem da Torta Moderna, para você ter uma idéia, é composta por 7 camadas (de novo, os círculos de Dante!): o fundo, ou base, é de biscoito triturado com manteiga; a camada que circunda a torta é de massa Joconda com chocolate; depois, há uma camada de mousse de manga; uma outra camada de manga caramelada; mais mousse de manga; chantilly; espelho (frutas decorativas); e acabamento final com decorações de chocolate e caramelo. Ficou tudo muito lindo e gostoso, como você pode ver nas fotos. E o dia ficou, sim, mais doce. Agora, passadas algumas horas, já começo a repensar se deveria ter me fartado na cremosidade de tanto doce.

(Revisite: os filmes La Vie en Rose e O Fabuloso Destino de Amèlie Poulain. Para sonhar e acreditar, ainda que o coração de Amèlie, imenso, não seja suficiente para conter o meu próprio fel. Assista também, já que é para ser over, Loucos de Amor.)

sexta-feira, 6 de março de 2009

Vie de merde!

Há situações na vida em que levamos porrada de todos os lados e, por uma série de circunstâncias, somos os últimos elos da cadeia. Aí, há que se encontrar um cachorro para chutar ou ficar com o sapo entalado na garganta.

Se você se sente assim, engasgado(a) e atrofiado(a) pela ausência de um cão para segurar pelo rabo e impotente diante da premente necessidade de botar a boca no trombone, preparar a chuteira e disparar seu próprio torpedo envenenado, sossega leão(leoa)!


Já existem sites os mais diversos para que a sua frustração e indignação diante da opressão diária possam ser diretamente canalizadas e enviadas para a humanidade. São verdadeiros condutores de raiva, ódio e impotência que podem ser transportados pelas artérias virtuais da web sem que se entre em guerras particulares ou públicas que não levam a nada.


Nada contra as pessoas que falam o que se lhes vai na telha. Mas, calma! Nem tudo pode ser dito: as palavras são metade de quem as fala e metade de quem as ouve. Portanto, se você se classifica como uma pessoa que não leva desaforos para casa e é conhecido(a) pelo temperamento de pavio curto que explode ao menor sinal de combustão, esteja proporcionalmente preparado(a) para o fogo de retorno.


Uma prova de que a angústia não pode ser contida e deve ser exposta para a respectiva elaboração são os sites de relatos, de segredos e de reclamações contra a vida que fazem sucesso no mundo todo. São verdadeiros confessionários. Bit torrentes de compartilhamento de fatos que, de fato, não significam nada para o outro. Contudo, pode dizer muito de você mesmo(a). Nesses sites, você pode fazer uploads (carregamentos) de toda a sua frustração e, carga efetuada, despejá-la no imenso lixão que vaga na internet.


Na França, precursora desse tipo de descarrego, o site viedemerde.fr (Vida de Merda) registra situações cotidianas de azar e pequenas tragédias do usuário. É um dos dez sites mais acessados do país. A versão norte-americana - fmylife.com - (Fudeu Minha Vida) do site francês também repete a trajetória bensucedida do original.  A regra do fmylife.com é que todas as histórias - verídicas ou não - comecem com a palavra "hoje" e terminem com a a sigla "FML" (Fuck My Life).

Olha um exemplo do FML: "Hoje recebi meu passaporte pelo correio. Eles erraram minha data de aniversário. Peguei minha certidão de nascimento que mandei junto com o pedido e descobri que meus pais comemoram o meu aniversário no dia errado há 16 anos. FML". No fmylife.com, as categorias são "amor", "dinheiro", "crianças", "trabalho", "sexo", "saúde" e "diversos". Os(as) leitores(as) podem opinar sobre os relatos por meio de duas opções: "Concordo, sua vida é foda!" ou "Você mereceu!".


E a França tem outras alternativas como o site ratersavie.com (Fracasse em Sua Vida). É mais um site especializado em fazer humor sobre tragédias pessoais. O nome do site é uma alusão ao publicitário francés Jacques Seguela que disse que qualquer um que não conseguisse comprar um relógio Rolex até os 50 anos teria fracassado na vida. Haja fracassados pelo mundo! Outros sites, também franceses, que seguem a mesma linha do Vie de Merde são o jaipasdechance.com (Eu Não Tenho Sorte) e jobdemerde.com (Trabalho de Merda).

No Brasil, entre outros, há o correspondente vidademerda.com, com algumas reclamações de usuários. Há um outro, o Reclame Aqui, mais voltado para relações entre empresas e consumidores. A não ser fóruns e comunidades do Orkut, não encontrei outros sites diretamente voltados ao registro sobre o quanto a vida, o trabalho e a falta de sorte podem afetar as pessoas.


Para aqueles(las) que se frustam na impossibilidade de expressar mágoas ou xingar, a internet continua a ser uma fonte contínua de alternativas. O blog dos EUA postsecret.blogspot.com, que tem versões em francês e espanhol e registra a impressionante marca de mais de 220 milhões de visitantes, é especializado na postagem de segredinhos do tipo "acidentalmente, eu vi a minha avó pelada" ou "eu trabalho em uma clínica médica e eu gosto quando eu posso ver o pênis de um homem pelo raio-X". Hilário e bizarro, não é?

Outro site, também norte-americano, é o mysecret.tv, com confissões literais relacionadas a sexo, pornografia e adultério. O site pertence à LifeChurch.tv, um consórcio de igrejas evangélicas protestantes e luteranas. O ivescrewedup.com, também ligado a igrejas, é outro confessionário virtual.


Portanto, você não precisa conter as erupções que insistem em arremeter dos pequenos vulcões que ameaçam a sua saúde. Se você é do tipo que solta fogo pelas ventas em particular e costuma aparentar cara de paisagem para consumo externo, solte-se. La vie pode ser une merde, mas, se você conseguir dar descarga de tudo para as tubulações do mar sem fim virtual, o esgoto pode muito bem dar cabo da produção diária de excrementos próprios e alheios. Credo! Que escatológico!

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Redneck, em inglês, define um homem rude (e nude), grosseiro. Às vezes, posso ser bem bronco. Mas, na maior parte do tempo, sou doce, sensível e rio de tudo, inclusive de mim mesmo. (Redneck is an English expression meaning rude, brute - and nude - man. Those who knows me know that sometimes can be very stupid. But most times, I'm sweet, sensitive and always laugh at everything, including myself.)

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