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domingo, 19 de setembro de 2010

Meu rugido dominical



"O homem é um animal político, por natureza", afirmou o filósofo grego Aristóteles, pai intelectual de toda a humanidade que veio depois de si. Por homem, entenda-se o ser humano. No entanto, faço um recorte para contextualizar o post e pergunto: também a mulher é um animal político, por natureza?


Em 15 dias, incluso este domingo, acontece o primeiro turno das eleições deste ano que levarão aos respectivos executivos um(a) novo(a) presidente, um(a) novo(a) governador(a), novos(as) senadores(as), deputados(as) federais e estaduais, numa quase completa renovação dos quadros políticos do País.


Muitos(as) dos(as) candidatos(as) devem ser eleitos(as) no primeiro turno, o que nos poupa, a nós, eleitores compulsórios, do evento de votar duas vezes neste ano. Considerado isso, vou ao ponto central deste blog.


Todas as principais pesquisas indicam que teremos uma mulher na presidência: Dilma Rousseff, eleita em primeiro turno. E por isso a questão do primeiro parágrafo. De experiência do poder feminino na política, posso falar da cidade de São Paulo, que foi comandada por Luiza Erundina, entre 1989 e 1993, e por Marta Suplicy, entre 2001 e 2005. Administrações bastante diversas entre si, na minha opinião, nenhuma das duas deixou uma marca apenas por ser mulher. Ao contrário, foram administrações até bastante semelhantes aos antecessores e predecessores, todos homens. Talvez Erundina tenha tido uma atuação mais social, voltada para a periferia e, por esse motivo, foi prontamente descartada pelas elites que dominam essa cidade, o Estado e o País, de maneira geral. Marta, dada a bravatas, nem foi tanto ao subúrbio e nem tampouco ficou com os aristocratas paulistanos, meio do qual faz parte e pelo qual transita com facilidade.


Portanto, apenas o fato isolado de serem mulheres não fez com que a política pelas duas exercida tivesse uma marca, digamos, feminina. Comandaram como políticas, com as consequentes flexibilizações a que são submetidos os políticos que estão no poder. Claro, por interesses de um lado (da oposição) e de outro (da situação).


Agora, no próximo dia 3 de outubro, muito provavelmente teremos a primeira mulher a ocupar a Presidência do Brasil. Dilma Rousseff, com mais de 50% dos votos nas pesquisas, deve comandar o País a partir de 1º. de janeiro de 2011.


Voto na Dilma e em Marta, que é candidata a senadora pelo Estado de São Paulo. Não sou petista. Nunca me filiei a partido algum e também não comungo de ideologias ou quaisquer outros vieses do Partido dos Trabalhadores (PT) ou de qualquer outra agremiação política. Ao contrário do que diz Aristóteles, temo que o animal político que está em mim deve ser uma marmota, daquele tipo que hiberna no inverno. No caso, o meu inverno político é longo, bem longo, e a marmota-política tem dormido suavemente, sem solavancos.


Voto na candidata porque tenho ojeriza ao outro candidato, José Serra. E porque a terceira candidata, Marina Silva, que poderia ser uma alternativa, é por demais submissa a questões religiosas. O que, para mim, que me considero completamente agnóstico, é um comportamento perverso. Voto em Dilma por absoluta falta de opção. Não por convicção. Li que os candidatos, esses três principais candidatos a presidente aqui citados, interpretam papéis, os três. Claro que sim. São atores e a política é um palco.


Mas, alguém sabe efetivamente o que se passa nos bastidores? Seja na política, em Brasília, ou em quaisquer outros panos de fundo, seja na vida pública ou privada? Não. Ninguém sabe de nada.


Voto na Dilma, sobretudo, porque, já que não me é dado o direito de não votar e, sendo o voto obrigatório, considero um desperdício votar em branco ou anular simplesmente o voto e lavar as minhas mãos desse processo, por mais que eu não concorde com a maneira como são feitas as eleições neste País.


Não sei se a mulher é um animal político. Tampouco tenho certeza se o homem é um animal político. O que sei é que homens e mulheres podem ser animais. Ah! Isso sim. E animais, em geral, são irracionais, primitivos, agem por reação, intuição e sobrevivem assim, sob o risco de, se não o fizerem, serem abatidos na extensa cadeia animal. Mas, por outro lado, não tenho certeza de nada ao depositar (melhor dizer, digitar ou, quem sabe, tocar com minha impressão digital na urna) meu voto nessa urna eletrônica em que se converteu aquele velho saco de lona de votos do passado.


O que vejo, historicamente, é que, assim que assumem o poder, homens e mulheres mostram suas verdadeiras faces. Sim, o pano cai e o bastidor fica despojado. Talvez não completamente. Mas, com certeza, alguns pedaços costumam emergir do fosso que separa o palco das coxias. É neste momento que pegamos os atores desnudos, a trocar de figurino, sem maquiagem, sem máscaras, nus, desgraçadamente nus. Por vezes, pode ser bom. Na maior parte do tempo, no entanto, a nudez é feia e mostra corpos decompostos apenas.


Aristóteles disse mais: "O verdadeiro discípulo é aquele que supera o mestre". Dilma não é exatamente discípula de Luiz Inácio Lula da Silva. É uma criatura do atual presidente. Foi forjada nos bastidores (de novo, os bastidores) do poder em Brasília. Foi moldada. Pedaço a pedaço, foi decomposta e composta por uma ostensiva campanha de marketing que a modificou por fora e por dentro.


Mas, e estou cheio das citações hoje, "por fora, bela viola, por dentro, pão bolorento". Tenho algumas certezas (também estou cheio delas hoje). E uma dessas me diz que a criatura volta-se contra o criador em breve, muito em breve. Basta que chegue ao poder.


Dilma assim, me parece, é sim um animal político. De porte avantajado. E rugirá, inclusive contra seu criador. Ninguém me tira essa convicção. Dilma não é doce. Ao contrário, soa-me amarga. Não é carismática. Teve a sorte de ter um padrinho político que é capaz de plasmar sua própria popularidade nela. Ela não terá a conversa popular, a identificação com a massa, o fácil trânsito entre os morros da Rocinha no Rio de Janeiro e as colinas do Morumbi em São Paulo. Não. Não mesmo. Creio que, depois dos seis primeiros meses de governo, se não antes, conheceremos a verdadeira face dessa que será  a primeira presidente do Brasil. Um animal. Em vários sentidos. Em todos os sentidos.

4 Comentários:

Hiroshi disse...

É. A Dilma ganhará na força do padrinho, mas também não acredito em um governo igual, ou nos mesmos moldes...

António Rosa disse...

Red

Nada sei da política brasileira, que imagino seja similar à das maiorias dos países.

A minha surpresa no seu post foi outra:

«sendo o voto obrigatório».

Foi mesmo uma grande surpresa.

Que acontece a quem não votar?

Abraço

António

Redneck disse...

Hiroshi, jamais teremos um outro governante como Lula, jamais. Bem-vindo ao blog. Abraço!

Redneck disse...

António, se não votamos e não justificamos nossa ausência, várias coisas poderão acontecer: paga-se uma multa, alguns documentos não podem ser feitos (como o passaporte) e, inclusive, isso pode ser um impeditivo para trabalhar para o próprio governo. OU você vota ou se ferra. É isso. Abraço!

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Redneck, em inglês, define um homem rude (e nude), grosseiro. Às vezes, posso ser bem bronco. Mas, na maior parte do tempo, sou doce, sensível e rio de tudo, inclusive de mim mesmo. (Redneck is an English expression meaning rude, brute - and nude - man. Those who knows me know that sometimes can be very stupid. But most times, I'm sweet, sensitive and always laugh at everything, including myself.)

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