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domingo, 12 de setembro de 2010

Meu rugido dominical



Ouço muito as pessoas, de forma geral, afirmarem com convicção sobre como a sociedade (formada por elas próprias, também, essas mesmas pessoas) tem reduzido o olhar preconceituoso sobre os comportamentos diversos aos seus e como, aqui mesmo, na cidade de São Paulo, temos uma atitude tolerante para com as diversidades.


Particularmente, não acredito nisso. Sou bastante cético quanto a progressos culturais e acho, mesmo, que o ser humano se atém a alguns dogmas, ranços mesmo, porque precisa acreditar que, no fundamento, o mundo é sempre o mesmo, tal qual o universo construído pelos mais diferentes pensamentos, sejam religiosos, culturais, políticos (de Estado) ou até mesmo do que se convenciona como "costume popular".


O jornal Folha de S.Paulo, baseado no livro "História da Sexualidade" - Peter N. Stearns - editora Contexto - 288 páginas, trouxe neste domingo uma reportagem sobre a evolução (e involução) sexual do ser humano nos últimos 10 mil anos. E é engraçado constatar que o mundo, dividido, no livro, entre Ocidente (nós, capitalistas, católicos e protestantes) e Oriente (os outros, notadamente islâmicos), um e outro bloco se alternam nas referidas evoluções/involuções.


Por isso reafirmo minha inexistente fé nas digressões que professam uma modernização do pensamento médio da sociedade. Não creio nisso. Para cada passo à frente, dois outros são dados para trás. A sociedade, no conjunto que reúne crenças, valores (morais e materiais), razão e emoção, jamais será libertária o suficiente para que cada qual aja conforme lhe apetece. Nisso eu acredito. E não num utópico mundo em que você e eu podemos agir livremente, de forma radicalmente livre (guardadas as interdições minimamente legais entre as pessoas), sem que sejamos punidos por isso.


Reproduzo a linha histórica que a matéria do jornal trouxe ao longo dos últimos 10 mil anos para reafirmar minha incredulidade em eventuais comportamentos. No caso, neste post, esses comportamentos são avaliados sob o ângulo sexual. Mas, poderiam ser analisados à luz de qualquer outro tema e, tenho certeza, o resultado, no final das contas, seria bastante semelhante. Recorde-se que esse cronograma é baseado no livro, bem como as conclusões sobre cada período/sociedade.


1. Pré-história (há 10 mil anos): o comportamento sexual era liberal. Em tribos que caçavam e coletavam (frutas e vegetais disponíveis), a bissexualidade era comum. A virgindade feminina era pouco valorizada. As pessoas tinha liberdade para escolher seus parceiros.


2. Surgimento da agricultura: o comportamento sexual torna-se relativamente restritivo. Com a agricultura, surge o acúmulo de riqueza (especialmente em terras) e a herança. Os pais passam a controlar a vida sexual dos filhos e especialmente as mulheres viram moeda de troca econômica entre famílias. Diminui a liberdade para escolher parceiros(as) e surge a valorização da virgindade feminina.


2.1. 2.400 a.C.: a palavra suméria para prostituta aparece na primeira lista conhecida de profissões humanas. Com as trocas econômicas, torna-se mais viável a venda de sexo.


3. Antiguidade Clássica (de 800 a.C. até 476 d.C.): o comportamento sexual continua a ser relativamente restritivo. A virgindade continua valorizada e os pais influem nos casamentos, mas há grande tolerância com a homossexualidade, especialmente na Grécia (e também em Roma) e com as representações sexuais.


3.1. 500 a.C.: surge na região de Mileto, no continente grego, uma fábrica de pênis artificiais de madeira e couro almofadado.


3.2. 100 d.C.: no auge do Império Romano, era comum que as famílias tivessem, nas suas casas, representações sexuais explícitas.


3.3. 138 d.C.: morre o imperador Adriano que, mesmo casado, tinha um caso amoroso homossexual com um adolescente.


4. Idade Média (de 476 d.C. até 1453 d.C.): o comportamento sexual passa a ser diversificado. Se o fortalecimento do cristianismo aumenta a quantidade de tabus sexuais na Europa, no mundo islâmico, mais urbanizado, o sexo era visto com mais naturalidade.


a) Mundo cristão


a.1) Século 6: ganham força as concepções de santo Agostinho de que sexo era fruto do pecado humano. É reforçado que Jesus nasceu de uma virgem.


a.2) Século 7: as atividades homossexuais caem na clandestinidade. Cresce a repressão à atividade sexual pelo prazer.


a.3) Século 11: timidamente, cidades começam a ressurgir na Europa, o que gera um gradativo aumento na tolerância com relação ao sexo.


b) Mundo islâmico


b.1) Século 7: o islamismo se espalha rapidamente. Mesmo com regras para restringir o comportamento sexual das mulheres e com a valorização da virgindade, os tabus com relação ao sexo são bem menores do que os cristãos.


b.2) Século 9: são escritas histórias das "Mil e Uma Noites", com contos de infidelidade e sexo. A homossexualidade não é condenada. É vista até como maneira de combater o tédio.


b.3) Ano 1.111: morre o teólogo islâmico Al-Gazhali, que defendia que as mulheres tinham direito à satisfação sexual. Antes de ejacular, o marido deveria aguardar que a esposa chegasse ao orgasmo.


5. Idade Moderna e Contemporânea (de 1453 d.C. até a atualidade): o comportamento sexual é de crescente liberalização. Com a exceção de um soluço conservador no século 19, o Ocidente passa a lidar melhor com o sexo. Os países islâmicos caminham na direção contrária.


5.1. Século 16: os colonizadores das Américas se relacionam com as nativas. Os hábitos se misturam e nascem muitos mestiços.


5.2. Século 18: com o começo da industrialização, a urbanização cresce com velocidade. Os filhos não dependem mais da terra dos pais, e isso diminui o controle paterno sobre a sexualidade.


5.3. Ano 1800: exagerado, um documento oficial alemão critica que "sempre que moços e moças solteiras saem para dançar, acabam na cama".


5.4. Ano 1850: a quantidade de crianças que não são filhas de pais casados já é mais de três vezes maior do que cem anos antes e a instituição do dote começa a sumir.


5.5. Século 19: surgem as primeiras comunidades de amor livre nos EUA, mas a maioria fracassa após crises de ciúmes. Ganham força os vitorianos, que reagem à liberalidade e defendem os perigos do excesso de sexo. Isso funciona e diminui, na Europa, o número de filhos fora do casamento.


5.6. Década de 1910: começa, nos EUA, o "dating" - moças e rapazes que saem juntos. O namoro sai de dentro das casas e fora do olhar atento dos pais.


5.7. Década de 1920: com os primeiros concursos de beleza, o corpo feminino começa a ser mais exibido. Cresce novamente o número de filhos fora do casamento.


5.8. Década de 1930: métodos anticoncepcionais pré-pílula como o espermicida e o diafragma, junto com a crescente urbanização, fortalecem o sexo pelo prazer.


5.9. Década de 1960: a pílula separa definitivamente sexo de reprodução, a minissaia se populariza, as mulheres já saem para trabalhar e a cultura abraça o sexo.


5.10. Década de 1980: países ocidentais de importam pouco com a virgindade feminina. O mercado de trabalho está repleto de mulheres. Surge a AIDS. E crescem os ataques contra homossexuais.


5.11. Século 21: países como Espanha, Argentina e Canadá aprovam o casamento homossexual. Enquanto isso, países islâmicos como o Irã e o Egito perseguem gays e grupos radicais como o Talibã, no Afeganistão, se propõem a controlar a sexualidade feminina.

2 Comentários:

Marcio Nicolau disse...

tenho uma teoria (pessoal e não científica) a respeito da sexualidade humana. Em particular, da homossexualidade. Entendo ser a homossexualidade feminina um avanço. A mulher homossexual é livre de tabus como a masturbação e a penetração, por exemplo. Costumo dizer que a mulher moderna é aquela que não precisa de homem pra nada e é bem sucedida, inclusive sexualmente (pois, ao contrário da maioria das heterossexuais, conhece o orgasmo). O gay, homossexual masculino, está presente ao longo da História, na Grécia, entre os índio brasileiros, em tribos africanas..., em toda parte. Com maior ou menor grau de aceitação, em cada momento, em função do falocentrismo. Entendo ser hoje maior a visibilidade destas condições afetivas. O que não significa avanço no quesito aceitação. No entanto, outra teoria defendo (esta é de domínio público): os cães ladram e a caravana passa.

Respeito as diferenças e ponto.

"nosso desejo não tem lei
e o resto é pura ilusão"
(Marina Lima)

Redneck disse...

Oi Márcio, valeu a visita e o comentário. Aliás, sua teoria pessoal é bastante interessante e extrapola a média das teorias. A visibilidade a que você se refere, aliás, é bem um sintoma da contemporaneidade: tudo é exposto e, portanto, fica visível. Mas nem por isso aceito, como você concorda. Quanto à segunda teoria, é irrefutável e serve para todas as ocasiões. E grato pela citação de Marina, que adoro. Abraço!

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Redneck, em inglês, define um homem rude (e nude), grosseiro. Às vezes, posso ser bem bronco. Mas, na maior parte do tempo, sou doce, sensível e rio de tudo, inclusive de mim mesmo. (Redneck is an English expression meaning rude, brute - and nude - man. Those who knows me know that sometimes can be very stupid. But most times, I'm sweet, sensitive and always laugh at everything, including myself.)

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