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quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Jesus and Madonna in celebration

Ela pode, sim! Depois de ser fotografada em momento romance com o modelo Jesus Luz, Madonna divulgou um teaser de apenas 15 segundos do clip de "Celebration". No clip, Jesus aparece de jaqueta, com o peito à mostra e banca o DJ. Em viagem romântica pela costa italiana, na comemoração dos 51 anos de Madonna, o casal não se fez de rogado.



Antes mesmo de ir ao ar, o clip, como é do estilo de Madonna, deve causar frisson: há especulações de que a cantora deverá despir o modelo brasileiro no clip. Não é a primeira vez que Jesus Luz ataca de DJ: em algumas apresentações de Madonna na turnê "Sticky and Sweet", o modelo tocou ao lado do DJ Paulo Oakenfold. No clip "Celebration", Jesus paquera e é paquerado por Paul Oakenfold. Jesus, apaga a luz!


quarta-feira, 26 de agosto de 2009

50 clichês para usar quando não há o que se dizer


Você tem problemas de comunicação? Lhe ocorre de ficar aflito(a) à mesa ou em qualquer ambiente social, principalmente com estranhos, por não ter o que falar? E quando acontecem os brancos, longos silêncios constrangedores? Tranquilize-se. Seus problemas acabaram.


Acabou de ser lançado o livro "O Pai dos Burros - Dicionário de Lugares-Comuns e Frases Feitas" - Humberto Werneck - editora Arquipélago - 208 páginas. São, ao todo, 4,5 mil clichês, divididos em 2 mil verbetes. As palavras que mais se prestam a clichês, conforme o dicionário, são: 'tempo' (com 30 frases feitas), 'vida' (35 citações) e 'mão' (47 registros).

Quando eu era analista de OeM e trabalhava em banco, um dos meus chefes, assim que o dicionário Aurélio novinho chegou, fez uma caprichada capa para proteger a edição e não hesitou: colocou em letras garrafais - "Pai dos Burro!". 





Abaixo, uma relação de frases feitas para usar no dia-a-dia quando não há mais nada a dizer. Tudo bem que seria melhor entra mudo e sair pelado, como gosto de dizer, ou considerar ao menos o batido "a palavra é de prata e o silêncio é de ouro". Mas, para que permanecer em silêncio se as palavras estão aí, à mão, prontas para serem expelidas em frases de gosto duvidoso?

- É uma mão na roda
- É de tirar o chapéu
- Cairá como uma bomba
- Não brinca em serviço
- Tal pessoa fala bonito
- As palavras lhe saíram da boca para fora
- É uma ideia luminosa
- Meteu os pés pelas mãos
- Saiu com uma mão na frente e outra atrás
- Lavo as minhas mãos
- Você sempre passa a mão nele(a)
- O tiro saiu pela culatra
- Todos deram com os burros n'água
- Jurar de pés juntos
- Num futuro próximo
- O futebol é uma caixinha de surpresas
- Ter um grande futuro pela frente
- Aproveitar o ensejo
- Com a voz embargada pela emoção
- Por 'n' motivos

A seguir, apenas com a palavra 'vida'

- A vida começa aos quarenta
- A vida é um livro aberto
- A vida é feita de pequenas coisas
- A vida está por um fio
- A vida imita a arte
- Agruras da vida
- Armadilhas que a vida nos reserva
- Batalha pela vida
- Celebração da vida
- Com a vida que pediu a Deus
- Dar sinal de vida
- De bem com a vida
- Despedir-se da vida
- Estar com a vida ganha
- Fazer a vida
- Ganhar a vida
- Levar vida doméstica
- Luta pela vida
- Outono da vida
- Primavera da vida
- Progredir na vida
- Projeto de vida
- Que fizemos nós de nossas vidas?
- São coisas da vida
- Subir na vida
- Ter a vida ceifada
- Ter toda uma vida pela frente
- Tirar a vida
- Um sopro de vida
- Uma vida devotada aos outros
- Vida airada
- Vida fácil
- Vida pacata
- Vida pregressa
- Vida que daria um romance
-
Por uma Second Life vida menos ordinária (acréscimo meu)

Basta que você coloque a frase no contexto certo e já pode dizer que tem conteúdo. Afinal, o mundo é dos espertos e quem cala, consente. Por outro lado, quem tem boca vai a Roma e, talvez, seja melhor falar do que calar. Ainda que sejam apenas asneiras.

Abraço-te!

Vi no Abraço-te (um lindo blog) e não resisti. Já a tinha ouvido antes nesse mesmo blog e fiquei com a música na cabeça. Não a conhecia, à música e tampouco à cantora. Sempre há tempo, porém.






"You", by Schiller Ft. Colbie Caillat

Turn down the silence
Inside my head
Bring back the colours
Were you insane?
Further from where I've started
Further to go
Keeping my heart under control
Why do I still feel you? Feel you?
And all you've got
I still feel you, feel you
All I need is you
All I need is to feel you, feel you
Why did you change your mind and run away?
Thoughts of you by my side
Are starting to fade
I know that you should be mine
So I won't let go
Everyday I'm trying to get close
Why do I still feel you? Feel you?
And all you got
I still feel you, feel you?
All I need is you
All I need is to feel you, feel you
Stop running all the time
Don't fight the feeling inside
Cause when you try it hard
Don't matter where you go it's deep in your soul


terça-feira, 25 de agosto de 2009

O governo quer me preservar a saúde para me aplicar eutanásia

Protesto! GRITO! Esperneio! Quero falar em megafone: O GOVERNO SOMENTE QUER PRESERVAR A MINHA SAÚDE COM O FIM ÚNICO E ESCUSO DE, POSTERIORMENTE, ME APLICAR EUTANÁSIA!!!

O governo, essa entidade magna nas três esferas - federal, estadual e municipal -, vilipendia pessoas como você e eu, adota posturas claramente ditatoriais e de restrições individuais e, quando demandado, não existe. Onipresente e onipotente na fiscalização da minha e da sua vida, torna-se invisível quando às suas cortes somos obrigados a ir.


(Equipamento para a prática de eutanásia)

Há poucos meses, constatei que o meu Cadastro de Pessoa Física (CPF), documento que sou obrigado a ter por exigência federal, estava 'pendente de regularização', conforme a mensagem curta e grossa da excelsa Secretaria da Receita Federal, órgão tão vestuto quanto o eram as ordens religiosas espanholas do passado que promoviam as santas inquisições.

Diligentemente, eu, pessoa física, faço a declaração anual do imposto de renda, ainda que seja, para efeitos fiscais, declarado isento de fazê-lo. Porque, por outras circunstâncias, também sou, em simultâneo, pessoa jurídica (empresa, da qual sou, igualmente, empregador e empregado, de forma cômica), e pela qual já pagos os impostos (in)devidos.

Também mantenho duas contas correntes em banco - uma pessoa física, desse sujeito Redneck, e outra da empresa minha, de mim mesmo e de mais ninguém.

Por esses dois fatos - declaração de imposto de renda e manutenção de conta corrente ativa -, pela lógica, eu deveria estar automaticamente classificado como um cidadão - perante as tantas esferas governamentais -, contribuinte - que o sou - e em dia com os respectivos documentos. Pois que tanto o imposto de renda quanto a conta em banco requerem que eu exista, de fato, e que me movimente sem que eu levante suspeitas de fraude, tentativa de falsidade ideológica ou qualquer outra coisa que o valha.

Para o brasileiro, ficar sem o CPF (ou com o documento pendente) significa, entre outras coisas, a negação de emissão de passaporte, problemas com créditos financeiros e, de forma mais grave, bloqueio de conta corrente e até mesmo de outras ações inquisitórias da (santa madre) Receita Federal.

Para corrigir esse erro que não é meu, resolvi regularizar a situação. Paguei uma taxa e recebi em casa a convocação para ir à Receita e resolver o meu CPF pendente. Fui a uma unidade que o Estado de São Paulo criou para reduzir e concentrar nossos entreveros (deles): o chamado Poupatempo. São unidades nas quais, na teoria, tudo o que é legal, de âmbito federal, estadual e municipal, pode ser resolvido de forma mais rápida e simples.

Não é assim. Fui hoje ao Poupatempo, distante de casa 40 minutos (de ônibus), e, ao chegar ao local, me solicitaram dois documentos: o registro geral (RG), estadual e obrigatório, e o título de eleitor, federal e obrigatório. O RG, sempre o porto. O título, nunca, a não ser nas eleições, às quais somos, os brasileiros, obrigados a comparecer sob pena de pagarmos multa e sofrermos outras penalidades.

Como não estava com o título, a atendente me encaminhou para a estação Sé do metrô (distante 10 minutos) e me informou que lá eu encontraria um posto do governo (estadual) que me daria o meu número do título de eleitor. Ao chegar à estação, perguntei a dois Men in Black (MIB, polícia do metrô) onde ficava tal posto. Entreolharam-se e a mim e disseram que desconheciam a existência do posto.

Momentos antes, eu havia passado por um outro posto chamado "Acessa São Paulo" (estadual), que oferece internet gratuita ao cidadão. Voltei lá e questionei a viabilidade de consultar o meu título. Sim, é possível, me responderam. Me cadastrei, acessei o sistema, consultei meu título e obtive, enfim, o número de inscrição.

Retornei ao Poupatempo feliz, embora questionasse a inexistência de tal posto dentro dos limites do próprio Poupatempo. Voltei à recepção, falei com a mesma atendente e ela: mas você não imprimiu a consulta? Eu: não, eles não me liberam a impressora. Ela: sim, eles fazem isso. Eu: bem, para mim não fizeram. Pausa. Eu: mas estou com o número aqui. Ela: não, você tem que dar impresso. Eu: mas hoje se encerra o prazo. Ela: você paga de novo e volta aqui em dois dias, com o título original. Eu: mas... Ela: é assim.

Saí do Poupatempo combalido, totalmente cônscio que nada me havia sido poupado. Nem tempo e muito menos dignidade como cidadão. De volta para casa (de metrô), observei nos vagões do trem cartazes que alardeam números vistosos do governo estadual sobre segurança, transporte, educação e saúde. Me vi ante a propaganda eleitoral gratuita.

Certamente, o governo estadual começou a preparar a plataforma marqueteira para a candidatura presidencial que se avizinha. Esse mesmo governo que, lá no interior do Poupatempo, quer que eu o alimente de documentos os quais, provavelmente, tem arquivado nos inúmeros computadores. Não achei graça.

Tanto na ida quanto na volta, meu iPhone estava conectado na música "Teardrop", do Massive Attack. Eu havia optado por essa música porque, ao saber que ficaria no trânsito (municipal), precisava de algo que me isolasse da sujeira e barulho da cidade (municipal). "Teardrop" (lágrima) é perfeita porque me remete ao vídeo, que é lindo.

Mas, repito. Não achei graça e a música começou a me aborrecer. Na verdade, quanto mais eu a ouvia, menos eu achava graça. #EuNãoRi! De fato, uma teardrop quis rolar, sorrateira, e eu a retive por recato. Me senti humilhado pelas indiferentes instâncias - federal, estadual e municipal - que me reduziram a uma teardrop seca.

O governo, esse ente que, ganancioso, me cobra insistentemente de tudo e que tem restringido minhas individualidades, trabalha, a meu ver, para me deixar saudável (ao me proibir de fumar onde eu bem entender, conforme a deliberação do local) com o firme propósito de aplicar em mim a eutanásia. Por definição, a eutanásia é a prática pela qual se abrevia a vida de um doente incurável (eu, fumante) de forma controlada (pelo governo) e assistida (por outros cidadãos como eu que lá estavam presentes). Nesta terça-feira, dia 25, me foi aplicada a eutanásia moral.

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Minotauros, lobisomens e vampiros

De repente, uma conjunção, astral por certo, reuniu minotauros, lobisomens e vampiros de uma só vez, tal qual um festival de criaturas mitológicas que, volta e meia, povoam nossas mentes. Talvez por ser agosto, se me permite, que é o mês mais propício para a abertura do selo às bestas-feras ou sei lá por que outros mecanismos, o fato é que esses seres estão por aí, juntos.


(Brad Pitt é 'Louis' e Tom Cruise é 'Lestat' em 'Entrevista com o Vampiro', ambos em modelitos vitorianos; Brad está algo afetado; talvez sejam os caninos)

Os primeiros são os minotauros. Em roupagem moderna, são touros. Mais especificamente, são Toros. Na verdade, Del Toro. O primeiro é Guillermo Del Toro, autor (em parceria com Chuck Hogan) de "Noturno", primeiro livro da "Trilogia da Escuridão", que traz os terceiros referidos na segunda linha do post, os vampiros, à tona. Para quem não se recorda, Guillermo é o diretor do filme "O Labirinto do Fauno" (mais um ser mitológico, portanto). Daí que não precisei de muito esforço para juntar minotauros (e labirintos) aos vampiros e lobisomens.


(Robert Pattinson é "Edward" e Taylor Lauther é 'Jacob" em 'Crepúsculo'; o primeiro, um queer vamp, digamos; o segundo, um muscle vamp)

Esqueça "Twilight" (Crepúsculo). Esqueça "Lestat" ("Entrevista com o Vampiro", "O Vampiro Lestat", "A Rainha dos Condenados"). Esqueça até mesmo "True Blood". Em "Noturno", o vampiro é criminoso, não é atraente e muito menos o ser sexual vivido por Brad Pitt, Tom Cruise ("Entrevista"), Robert Pattinson, Taylor Lautner ("Crepúsculo") e Stephen Moyer e Alexander Skarsgård ("True Blood"). No livro de Del Toro, os caninos são outros. E letais. Ahh! Repare que no cinema, na literatura e na TV, sempre são dois os vampiros. Humm...


(Stephen Moyer é 'Bill", o vampiro-mocinho; Alexander Skarsgård é 'Eric', o vampiro-loura má; o segundo é o chefe-criador do primeiro em 'True Blood')

O segundo minotauro é outro Toro. Benicio Del Toro será protagonista na refilmagem de "O Lobisomem" (o original é de 1941), que tem também Anthony Hopkins e Emile Blunt.

Os touros, ops, os Toro não têm parentesco, como eu já disse antes neste blog. Guillermo Del Porto é natural de Porto Rico e Benicio Del Toro é natural do México. Em entrevista ao jornal Estado de São Paulo, inclusive, Benicio Del Toro disse que não apenas não era parente de Guillermo como, inclusive, era mais bonito do que ele. Se bem que, mesmo sob os pelos de um lobisomem, Benicio ainda leva vantagem sobre Guillermo, me parece. O filme deve estrear em fevereiro do ano que vem.


(Benicio Del Toro em refilmagem de 'O Lobisomem')

O certo é que, com todas essas feras à solta, alguma coisa está fora da ordem. Por enquanto, garanto que não sou eu. Que as minhas feras estão presas. E contidas. Ainda.

Aproveito para postar um vídeo de outro lobisomem cuja morte foi atribuída, nesta segunda-feira, a uma dose letal de anestésicos. E lá se vão dois meses da morte de Michael Jackson. Na verdade, a única besta-fera real é o tempo, pois!



domingo, 23 de agosto de 2009

Meu rugido dominical


Um artigo bastante interessante publicado pela revista alemã Der Spiegel foi reproduzido pelo portal UOL neste domingo: "Os dias de almoço gratuito na internet estão contados", é o nome da reportagem (o UOL não franqueia o conteúdo a não-assinantes, infelizmente).


Mas extraio algumas partes do artigo que, na minha opinião, merecem ser evidenciados, pois trata-se de duas áreas que confluem: o jornalismo (meio do qual faço parte) e a internet. Debate-se, no artigo da Der Spiegel, um tema espinhoso: a gratuitade do conteúdo gerado pela internet e pelas mídias tradicionais que o fazem.

A questão - e sempre é essa a questão - é como ganhar dinheiro na plataforma internet. Por mais que eu converse com fontes dos meios jornalísticos e de internet, estou para ver, ainda, desde 2000 (a bolha da internet) algum mecanismo que assegure que a web seja completamente viável para alguns segmentos.

Claro que não falo aqui do e-commerce (comércio eletrônico), cujas empresas, vindas do mundo real para o mundo pontocom fazem o que sempre fizeram: vendem. No caso, a internet é apenas mais um canal de vendas.

O debate está na mídia, na oferta imensa de conteúdo gratuito sem que se tenha o devido retorno financeiro, necessário para garantir a manutenção dos veículos. Sejam jornais, revistas ou outras ferramentas midiáticas. Para se manter uma redação, numa infraestrutura do mundo real, os meios impressos dependem ostensivamente de publicidade.

O mercado publicitário, como de resto todos os segmentos, sofre, este ano, uma grande redução em aportes financeiros, chamuscado pela crise internacional. O bilionário australiano-norte-americano Rupert Murdoch - proprietário, entre outros, do jornal "Wall Street Journal, da agência Dow Jones, da Fox, dos jornais britânicos "The Sun" e "The Times", da Sky (e da DirecTV, incorporada pela Sky), do MySpace, do jornal "New York Post", todos sob o conglomerado da News Corporation, do alto de seus bilhões de dólares (está classificado, pela Forbes, como a 132ª. pessoa mais rica do mundo), disse recentemente: "Jornalismo de qualidade não é barato".

Murdoch tem 78 anos e cansou de declarar que não gosta de e-mail, evita a internet e, inclusive, acha complicado usar o telefone celular. Ou seja, a princípio, o bilionário é avesso às modernas plataformas digitais. Mas isso não quer dizer muita coisa. O que realmente conta é que Murdoch decidiu que seus principais jornais começarão a cobrar pelo uso online em todo o mundo nos próximos meses. Isso significa que, se Murdoch, que é um dos papas (em termos de posse) da mídia mundial, acredita nisso, os demais bispos (em termos de posse), hierarquicamente e sem conclaves, deverão fazer o mesmo.

Até agora, a maior parte dos proprietários de mídia fornece conteúdo gratuito em larga escala na internet e almejam ganhar com a publicidade. Mas a publicidade, seja nos meios tradicionais ou virtuais, está claudicante. Cobrar pelo conteúdo, hoje, é afastar de si o(a) leitor(a). O "The New York Times", principal jornal ocidental, quis fazer isso e teve que recuar.

Walter Issacson, ex-editor gerente da revista "Time" resume assim a questão: "A cultura da web gratuita representa tanto futuro para o jornalismo quanto um despenhadeiro íngreme para uma manada de lêmingues". Os lêmingues são pequenos roedores que vivem em regiões como a Escandinávia e a Rússia Setentrional aos quais é atribuído o mito de que, quando migram em bando, por vezes cometem suicídio em massa ao saltar de penhascos. Na verdade, ocorre que apenas alguns membros do bando são empurrados pelos demais e caem, acidentalmente.

Contudo, Issacson recorre à imagem para questionar se a instituição do conteúdo gratuito significa cometer suicídio devido ao medo de morrer. É mais ou menos como se matar para se precaver ante a morte iminente.

Mas, quem está disposto a pagar por conteúdo? E que conteúdo é tão bom a ponto de convencer o(a) leitor(a) a pagar para ter acesso? Esse é um debate recorrente no meio jornalístico e não é de hoje que eu ouço, leio ou assisto seminários, eventos e longos artigos a proporem alternativas.

O problema, assim como para outras mídias - TV aberta, rádio - é que há uma fragmentação da audiência. Você e eu somos bombardeados por informações vindas de todos os lados e, inconscientemente (ou não), acreditamos que não há porque pagar quando a temos, a informação, de forma tão fácil e gratuita.

Claro que não tenho a resposta. Se a tivesse, não estaria aqui a acrescentar ainda mais conteúdo a esse debate. Para mim, como profissional de imprensa - recentemente igualado a todo e qualquer brasileiro que queira se declarar jornalista, por força da queda da exigência do diploma -, essa discussão interessa sob dois aspectos.

O primeiro é o óbvio: tenho, assim como os veículos, que ganhar dinheiro para sobreviver. E muito do meu conteúdo, produzido pelo meu trabalho, está disponível de forma totalmente gratuita na internet, replicado sem que eu tenha controle e muito menos sem ganhar por isso.

O segundo aspecto consiste na democratização do meio internet: eu mesmo, simultaneamente, produzo conteúdo gratuito (os meus dois blogs) e, claro, não cobro pelo conteúdo. Assim como o fazem milhões de blogueiros(as) pelo mundo afora.

Para encerrar, por ora, minha opinião, quero afirmar que, qualquer meio em transição está em busca de um modelo que se viabilize. Tanto financeiramente quanto pessoalmente. A internet é um meio relativamente novo e ainda se testam os modelos possíveis. O que será do conteúdo e da mídia, portanto, é apenas um grande ponto de interrogação. Por enquanto, nesse cenário, eu mal garanto o pão do dia.

sábado, 22 de agosto de 2009

Ida e uma ida ao salão de cabelereiro

De tempos em tempos, os palenteologistas encontram algum artefato ou, mais importante, um fóssil humano a que denominam como o mais recente "elo perdido". Há vários, os elos perdidos, entre nós e nossos presumíveis ancestrais. Não conseguimos explicar exatamente a nossa origem. Quando começamos, qual foi o momento mágico (ou, conforme a perspectiva, trágico) que nos originou e ao que somos hoje como (in)civilização.

Melhor, como legado do processo evolutivo, posto que somos como Vinícius Moraes declamou: 'eterno enquanto dure'. Porque acredito que, posto que chamas, seremos eternos somente enquanto durarmos como linhagem. Depois, algum outro ser mais preparado para a(s) próxima(s) etapa(s) ocupará nosso lugar neste (Terra) ou em outros mundos.


Ida é uma senhora idosa. Talvez seja, até agora, a senhora mais idosa sobre a qual ouvi falar. Para ser exato, há 95% de chance de Ida ter 47 milhões de anos. Ida é um fóssil. Depois de dois anos de estudos, uma equipe internacional de cientistas a revelou ao mundo. A diferença entre este elo e outros é que o notável estado de preservação de Ida permite uma visão sem precedentes sobre a evolução humana.

Ida foi encontrada em Messel Pit (lago), na Alemanha, e situa-se no período de primatas antropóides - o grupo que, mais tarde, evoluiria para os seres humanos e macacos, segundo a tese de Darwin. A descoberta, como outras anteriores, preenche uma lacuna de extrema importância no estudo da evolução humana e de primatas. Os cientistas falam extasiados sobre Ida, conforme este link (em inglês).


O primata Ida foi descoberto por acaso, em um encontro casual com traficantes de fósseis (sim os há, assim como os há também de órgãos humanos - não há paz para vivos e tampouco para os mortos). Ida estava escondida do mundo há 25 anos em uma coleção particular.

A análise do fóssil pelos modernos meios de que dispõem os cientistas confirma que o primata tem 47 milhões de anos. Viveu no início do Eoceno Médio, após a extinção dos dinossauros, o que possibilitou a expansão dos mamíferos. Datam desse período, por exemplo, o início da formação do Himalaia, e o aparecimento de animais como cavalos, morcegos e baleias.

A importância de Ida, além de ser encontrada no território da Europa (e não na África), está no fato de o fóssil ser um dos mais completos primatas já encontrados. Outras descobertas anteriores encontraram apenas fragmentos: pedaços de dentes e da mandíbula. "Lucy", por exemplo, de 3,2 milhões de anos, tem apenas 40% do esqueleto original.


Ida, ao contrário, tem uma marca de tecido mole e contorno de peles, além de vestígios da última refeição. Originalmente, pensou-se que Ida era um lêmure primitivo. Mas testes comparativos revelam que o fóssil tem características antropóides (humanos e primatas). Ou seja, Ida é uma espécie de transição entre os primatas primitivos e a linhagem humana.

A face tem os olhos virados para a frente (ao contrário do rosto longo do lêmur), unhas (e não garras) e dentes similares aos dos macacos. As mãos têm cinco dedos, com aparência humana e polegares opositores. Exames com raios-X e tomografia computadorizada revelaram a idade, sexo e dieta de Ida. A identificação do fóssil como sexo feminino deve-se à ausência do báculo, que é um osso do pênis.

Os raios-X e tomografias mostraram também que Ida tinha o pulso esquerdo fraturado, o que pode ter contribuído para a sua morte. Ela teria morrido (são conjecturas) inconsciente (por conta da fratura) e teria escorregado para o fundo do Lago Messel, cujas condições (dióxido de carbono) permitiram a sua fossilização por 47 milhões de anos.


No Brasil, o canal de TV pago History Channel deve apresentar o documentário "Ida" no dia 31 deste mês, conforme consta na grade de programação no site do canal.

Agora, o inusitado, se é que um ancestral de 47 milhões de anos não tenha lhe causado espanto. Você conhece algo mais prosaico e sem profundidade que conversas de salão de cabelereiro?

Em geral, no salão, ficamos mais abertos, completamente à vontade, em estado de graça mesmo porque há outras pessoas que ali estão para cuidar de nós. Tem coisa mais prazerosa do que cuidar de si mesmo? Melhor, do que cuidar de si mesmo e fazê-lo por meio de terceiros? Pois foi no salão que uma cliente me falou de tudo isso, do nada. Justamente para mim, que estou a ler um livro extremamente envolvente sobre a evolução humana.

O que me remeteu ao inusitado da situação é que Ida jamais imaginou que, 47 milhões de anos depois, a evolução consistiria em uma ida ao salão para queimar nossos pelos sobreviventes (cabelos) com escovas, secadores e produtos químicos de toda a espécie para que nossa auto-estima receba um pequeno upgrade. Ida fez por bem mergulhar nas profundezas do lago e por lá permanecer, não é?

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

As mensagens digitais colocadas em garrafas virtuais

Duas informações, colhidas diretamente na fonte ou em blogs, me incentivaram a fazer este post: a primeira diz respeito ao que vai dentro da garrafa, ou seja, a mensagem, o conteúdo. A segunda é sobre a própria garrafa, ou a forma, a plataforma.

A informação de conteúdo diz respeito ao anúncio de dois blogueiros, das antigas, sendo um deles o meu iniciador na blogosfera: comecei a ler blogs exatamente por linkar as indicações de Pedro Dória na coluna do NO., sucedido pelo NoMínimo e, depois, fragmentado em ex-nomínimos por diversos weblogs, blogs ou sites.

O NO. (no ponto) era um portal de jornalismo. Foi lançado em abril de 2000 e encerrado em maio de 2002. Portanto, eu comecei a consumir blogs nessa época. Depois, com o patrocínio da operadora Brasil Telecom (e do iBest), migrou para o NoMínimo. O portal tinha, entre outros nomes, a colaboração de Ancelmo Gois, Tutty Vasques, Flávio Pinheiro, Zuenir Ventura, Xico Vargas, Marcos Sá Corrêa, Paulo Roberto Pires, Villas-Bôas Corrêa, Carla Rodrigues, Pedro Doria e Arthur Dapieve. Foi encerrado em junho de 2007, por falta de patrocínio.

Os colunistas espalharam-se mas, ao mesmo tempo, estão aglutinados sob o site As Últimas que, sob a inspiração dos sites Alltop.com e PopURLs.com, é um agregador de conteúdo.


(Pedro Dória, o primeiro blogueiro a gente nunca esquece)

Pedro Dória postou no domingo, 16, o fatídico "Hora da despedida". A despeito dos motivos que o levaram a isso, lamento, dado que conteúdo relevante que é carregado pelas garrafas virtuais nesse imenso oceano de bits é raro. Ainda mais que, pela lei das estatísticas, poucas são as garrafas que chegam. E, das que chegam, mais raras ainda são as que entregam a mensagem.

Não bastasse a despedida algo melancólica de Pedro Dória, eis que outro adeus surge na praia, e, ao contrário do que seria de se esperar nessas ocasiões, não se trata de um sobrevivente de naufrágio. Não! Porque, de alguma forma, naufraga e afunda ao deixar de existir: Idelber Avelar nos comunica, em prosa suave, que O Biscoito Fino e a Massa entram, ambos, biscoito e massa de que é feito, em hibernação por tempo indeterminado. Converte biscoito e massa em marmotas, daquelas que passam longos invernos em hibernação, ou em ursos polares que sobrevivem soterrados por si mesmos nas agruras geladas do pólo.

Idelber está, como ele mesmo diz, na rede desde outubro de 2004. Talvez eu tenha entendido errado e ele estivesse, na verdade, hibernado na própria rede, no mar virtual que cerca a todos nós, e agora emerge para superfícies menos áridas. Não sei. Não me cabe sabê-lo também. São só conjecturas de um urso que, de polar, tem uma certa rudeza no trato com aqueles que voam, de repente, e nos deixam mancos, faltos de algum pedaço.


(Idelber Avelar, que colocou a mão na massa e assou finos biscoitos)

Não quero soar dramático mas enceno, sim, um pequeno manifesto pela partida, abrupta como há de ser, neste e no outro universo, o real, a partida de dois blogueiros que admiro há alguns anos. Lhes desejo, a ambos, a Pedro e Idelber, boa sorte em outras garrafas. Que essas os conduzam para outras praias com mensagens intactas. E que, rompidas as rolhas, reverberem.

Por fim, a segunda informação - a primeira, claro está, trata-se da despedida (vá que seja provisória, mas não o creio!) de ambos -, trata especificamente do invólucro, da garrafa mesmo.

A plataforma que suporta este blog e a muitos outros, o Blogspot, que pertence ao Blogger e, mais acima, ao Google, completa, no próximo domingo, 23, dez anos de existência. Segundo leio no blog da Luma (sim, festa sim, sempre!), algumas mudanças deverão chegar junto com essa primeira década. O Dicas Blogger, ao qual este meu blog deve a nova template, e o Ice Breaker sinalizam algumas funções que deverão entrar no ar:

- Novo sistema de comentários baseado no Google Friend Connect (aproveite e me siga!)
- Novos widgets sociais compatíveis com o Google Friend Connect (follow me, now!)
- Nova aba de estatísticas dentro do próprio Blogger, o que dispensa o uso do (ou integra-se ao) Google Analytics
- Melhor integração com outros serviços do Google como o FeedBurner, AdWords, YouTube e Reader
- Novo sistema de templates (passou da hora, o atual é limitado e pobre em estética e opções)
- Suporte a páginas estáticas e ao "Leia Mais" nativamente
- Contagem de visualizações nas postagens
- Perfis do Blogger serão atualizados para os Google Profiles


Além dessas novidades, que muito me agradam, ao pular de galho em galho, no meio do cipoal de informações, me deparei com o seguinte texto no blog oficial do Blogger:

"Alguns meses atrás, mencionou-se que o Blogger faria dez anos este ano. Esse dia está aí - faltam apenas dois dias - e nós trabalhamos arduamente para pensar o que poderia ser feito para comemorar essa data.

O quê? O que poderia ser dado? É o nosso aniversário mas celebramos as suas (blogueiros/as) contribuições ao longo dos anos. Nos últimos dez anos, milhões de pessoas ao redor do mundo fizeram do Blogger o que é hoje: uma vibrante comunidade de pessoas reais que contam suas histórias. Quando lhes pedimos para contar sua história no Blogger, você responde: você que postou longe da família, você que compartilhou sua arte, que cresceu, que demonstrou conhecimentos de uma área emergente de pesquisa, que superou adversidades, que reuniu autores e poetas que admira, que lidou com doenças, tornou-se pai (e mãe), aprendeu uma nova cultura, lutou com o divórcio de seus pais, colocou mensagens digitais em garrafas virtuais, ajudou as pessoas a consertar (ou desbloquear) celulares, que escreveu um romance. Você mesmo fez a postagem em tempo real da escola enquanto não desenvolve o próprio doutorado sobre as tendências de consumo para blogs. Existem milhões de histórias desse tipo, que crescem a cada dia.

Nós voltamos dez anos e quisemos dar-lhe alguns presente para celebrar este marco histórico.

Muito obrigado por fazer parte da nossa história. Ao longo das próximas semanas, lançaremos uma série de novas funcionalidades no Blogger. Alguns presentes são porque você pediu. E outros porque nossos amigos (dentro e fora do Google) simplesmente quiseram dar-lhe algo. Em resumo, é como um aniversário verdadeiro: você não quer ou não precisa, necessariamente, de todos os presentes que recebe, mas, o que vale é a intenção!

Estamos animados em compartilhar este marco com você. Fique ligado! Nas próximas semanas, será muito divertido."

Posso parecer, aos olhos do(a) leitor(a), algo nerd ou geek. Não me importo. Em pouco mais de dois anos de blogagem, quero dizer que aprendi muito sobre blogs. Por iniciativa própria ou com terceiros. Aprendi, sobretudo, que, tão importante quanto o conteúdo (mensagem), é a forma (garrafa), e que se garrafas atravessam oceanos - e as virtuais atravessam, sim, comprovadamente -, já me dou por satisfeito por não mais ficar à deriva entre ilhas. Quero dizer, entre continentes.

De modo que fico aqui, entre a partida de uns, os blogueiros, e a chegada de outras, as novidades. Que assim é a blogosfera, fértil em aparições e sumiços. Que não só no mundo virtual, mas também no real, acendemos e apagamos de quando em quando e, em alguns momentos, paramos tudo para nos celebrar ou a outrem. Ai que mundos, esses!

Mister Gay Brasil 2009 (update)

Está no ar o novo formato da pesquisa e votação para o "Mister Gay Brasil 2009". Tive que recorrer a outro serviço de pesquisa porque o anterior não permitia a contabilização dos votos nos candidatos acrescentados depois da primeira publicação.


No caso, foram adicionados, na ocasião, os concorrentes de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul e, se você votasse neles, o voto apareceria, mas não a correspondente imagem.

Pelo novo método, é possível adicionar facilmente os novos candidatos. Até agora, foram selecionados candidatos de 18 estados e do Distrito Federal. Falta definir os finalistas do Amapá, Bahia, Pará, Paraíba, Piauí, Roraima, Santa Catarina e Sergipe. As votações anteriores não foram afetadas pela troca de serviço.

A atual pesquisa, já disponível para votação, traz as seguintes novidades:

- Foram atualizadas as fotos dos candidatos do Mato Grosso e Mato Grosso do Sul.
- Foi incluído o candidato de São Paulo.
- É possível ampliar as fotos. Basta apenas clicar sobre a foto e se abrirá uma nova janela, com mais definição.

Continue a participar da pesquisa e veja se o seu candidato é o eleito. O resultado final será conhecido no dia 7 de setembro.

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Extraditem o Hosmany e também o Sigur Rós

Num momento em que, de repente, a Islândia torna-se parte do noticiário em função da extradição de Hosmany Ramos, posto este vídeo daquela que é a minha banda favorita de todos os tempos. Aproveito para solicitar ao governo islandês que nos enviem, por favor, o acompanhamento musical junto, feito uma trilha.


Do glacial e, simultaneamente, terno, com vocês, Sigur Rós - Glósóli.


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Redneck, em inglês, define um homem rude (e nude), grosseiro. Às vezes, posso ser bem bronco. Mas, na maior parte do tempo, sou doce, sensível e rio de tudo, inclusive de mim mesmo. (Redneck is an English expression meaning rude, brute - and nude - man. Those who knows me know that sometimes can be very stupid. But most times, I'm sweet, sensitive and always laugh at everything, including myself.)

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