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terça-feira, 10 de agosto de 2010

O reino da pequena literatura

Era uma vez um planeta. Azul. Habitavam lá alguns bilhões de seres. Que, se bem contados, chegavam, certamente, a trilhões. Viviam em desordeira harmonia ou desarmoniosa ordem. Ora a cair, ora a levantar, os seres juntavam-se, dispersavam-se, acorriam quando um deles morria subitamente e acorriam também quando um deles nascia. A eles, se lhes parecia que tanto a morte quanto a vida eram surpresas. Não haviam dominado, portanto, a técnica da frieza e da vã filosofia de ver e crer. Ver a vida e crer que aquilo era convencional. Assistir a morte e lhe avaliar como um fim justo. Era sempre a mesma coisa: vida! Ohhh!!! Morte! Huuuuhhh!!!


Esses seres, certamente, tinham um problema. Sério, na minha prosaica avaliação. Avaliação essa, por decerto, contaminada, visto que eu mesmo estava entre aqueles seres. Portanto, assim, qualquer ato julgatório deixa de ser fiel se participo da trama e tramo contra ela.




Mas isso é uma avaliação minha e eu a faço como bem desejar. E quem quiser que conte outra. O Google contou. Maldito Google. Num futuro antevisto por um escritor do naipe de Will Self (google, by the way). Ah! Uma pausa: Will Self, numa tradição liberal (a faço como desejar, sem usar Google Translate), seria algo como por si mesmo se fará. Combina com ele. Reward and play: num futuro antevisto por um escritor do naipe de Will Self (google, by the way), o Google será deus. Tenho certeza. Ao buscador e empresa de software serão atribuídos poderes de vida e morte, a propósito do estranho estranhamento humano ante nascimentos e falecimentos. O Google terá poderes inimagináveis por ora. Se não for o Google, outra empresa com tendências equivalentes o fará.


Pois que o Google contou. Uma conta mundial. Cheia de tabulações, contas de reduzir, adicionar, variantes, raízes quadradas, noves fora e chegou a um número: 129.864.880. Até o último domingo, dia 8, era esse, de acordo com o modo google de calcular, o número de livros existentes no mundo. Livros, aqui, quer dizer títulos diferentes. Portanto, existem quase 130 milhões de livros diferentes publicados em todo o planeta que, visto de cima, parece, é azul.


Numa Terra que tem 6.861.601.621 (pouco antes da meia-noite desta terça-feira, 10 de agosto), há um livro para cada 0,0189 habitante. Colocado de outra forma, não chegam a 2% o total de livros em relação aos habitantes desse planeta em que os seres são bilhões - se bem contados os considerados 'burros' como animais, vegetais, eis que se chega aos trilhões referidos acima.


Portanto, grassa a estupidez. Não é coincidência. É fato. Leio de 5 a 6 livros por mês e mesmo que lesse de 500 a 600 ou 5.000 a 6.000 a cada semana, não daria conta de reduzir a montanha dos 'sem-literatura' que forma a estranha Babel deste mundo que, se diz, é azul.


Eu o diria, esse mundo, translúcido. Transparente. Falto de impressão, de letras, palavras, orações, frases inteiras. Impressas. Portanto, falta impressão no mundo. E dada a falta de impressão, a impressão que se tem é que nada se expressa. Tudo se exprime, se espreme. E o único caldo que resulta disso é uma tinta que vai rio abaixo, sem a menor possibilidade de preencher brancas páginas, translúcidas mentes de bilhões. O mundo, meu(minha) caro(a), não é azul. É zebrado. De tanta inconsistência e de tanta falta de literatura. Se as pessoas lessem, o mundo seria branco no preto, tinta na página. Consistência. O mundo é um breu!

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Je t'aime moi non plus



by Placebo



by Kylie Minogue



by Sven Väth feat Miss Kittin



domingo, 8 de agosto de 2010

Meu rugido dominical



Em abril deste ano, o ator norte-americano Sylvester Stallone esteve no Brasil para as filmagens de "The Expendables" (Os Mercenários). Durante a feira de cultura pop Comic-Con 2010, na Califórnia, ao lançar o filme nos EUA, Stallone fez uma piada grosseira e uma crítica para o Batalhão de Operações Especiais (BOPE): "Filmamos no Brasil porque lá você pode machucar as pessoas enquanto filma. Você pode explodir o país inteiro e eles ainda dizem para você 'obrigado e tome aqui um macaco para você levar para casa'", disse. Até agora eu não entendi essa história de levar um macaco para casa.


Sobre o BOPE, o Rambo em músculos e cérebro afirmou: "Os policiais de lá usam camisetas com uma caveira, duas armas e uma adaga cravada ao centro. Já imaginou se os policiais de Los Angeles usassem isso? Já mostra o quão problemático é aquele lugar (Rio de Janeiro)". Engraçado é que foi justamente a polícia de Los Angeles que desenvolveu o Special Weapons Attack Team (Grupo de Ataque com Armas Especiais), mais conhecido pela sigla SWAT.


Em dezembro do ano passado, assim que o Rio de Janeiro foi anunciado como cidade-sede das Olimpíadas de 2016, o ator (também norte-americano) Robin Williams concedeu entrevista ao programa de David Letterman, nos EUA, e soltou: "Chicago enviou a Oprah (Winfrey) e a Michele (Obama). O Brasil mandou 50 strippers e meio quilo de pó (cocaína). Não foi uma competição justa". Robin Williams é exatamente conhecido por seus problemas contínuos com o uso de drogas.


No desenho animado "Os Simpsons", em episódio passado no Rio de Janeiro, a cidade é vista como perigosa para os turistas, com macacos na rua e o sequestro de Homer Simpson por um taxista. Em outro desenho, "South Park", o presidente Lula teve participação especial, com Nicolas Sarkozy (França) e Gordon Brown (Grã-Bretanha), ao resolver dividir dinheiro de alienígenas entre si ao invés de devolvê-lo.


Em 2007, um integrante da delegação norte-americana, durante os Jogos Panamericanos no Rio de Janeiro, escreveu em uma das sedes do Pan: "Bem-vindo ao Congo". O integrante era gerente de relações com a imprensa e foi enviado de volta aos EUA.


Na TV e no cinema, a história se repete e a origem sempre são os EUA. No seriado norte-americano "Law and Order", uma empresa multinacional, que tinha a promessa de assinar um contrato para fazer a segurança dos Jogos Olímpicos de 2016 no Rio de Janeiro, tenta corromper um integrante do Comitê Olímpico Internacional (COI) na Bélgica para votar no Rio como cidade-sede e garantir a assinatura do contrato.


No filme "Turistas", de 2006, o Brasil é retratado como um lugar perigoso. De novo, norte-americanos visitam o País e são roubados, apanham, são drogados e torturados para a retirada dos órgãos para transplante. Em "Anaconda", de 1997, a bola da vez é Manaus, no Amazonas, em que uma cobra gigante atormenta a vida de norte-americanos. Liderado pelo pai da Angelina Jolie, Jon Voight (putz! que decadência!), o filme é do tipo horror show barato. O presidente Lula, em comentário sobre a Copa do Mundo de 2014, em que Manaus será uma das cidades-sede, pediu em discurso para que os turistas tomem cuidado com a "sucuri destreinada" da Amazônia. Por certo, em referência a "Anaconda".


Antes desses episódios todos, no entanto, os EUA e, particularmente, os estúdios de Hollywood, sempre foram pródigos em fazer fugir para o Brasil os bandidos de seus filmes. Durante toda a minha vida, sempre assisti a filmes com essa referência.


"Os estereótipos são duros de matar. As coisas mudam, o país é visto de forma mais séria, mas os estereótipos não deixam de existir. O estereótipo ainda é o mesmo, de futebol, carnaval, festa. Mas acho que o mais forte é a praia mesmo, pois as pessoas não entendem nem o que é carnaval", discorre o brasilianista Joseph A. Page, da Universidade Georgetown, de Washington, EUA.


O pesquisador diz que esse tipo de desconhecimento - emitido por pessoas públicas, mídia estrangeira, TV e cinema - em relação ao Brasil é uma frustração porque ele mesmo sempre trabalhou para divulgar a cultura e realidade brasileiras. O fato de o Brasil ter aparecido cada vez mais na mídia internacional faz com que as pessoas saibam sobre a existência do País mas, ainda assim, as nuances sobre o Brasil ficam na superfície. Page, que é autor do livro "The Brazilians" (Os Brasileiros), de 1990, morou muitos anos no Brasil e assegura que esse tipo de comentário e opinião, considerados ofensivos pelos brasileiros, não refletem, de fato, preconceito contra o Brasil. "Acho que nunca houve preconceito contra o Brasil. As pessoas sempre são muito atraídas pelos brasileiros e pelo país", afirma.


Concordo e discordo com Page. Concordo quando ele afirma que os estereótipos são difíceis de serem enterrados. Isso vale para o Brasil e para uma centena de outros países, nos mais diversos matizes que podem ter os estereótipos - "os árabes são perigosos", "os chineses são sujos", "os franceses não tomam banho", "os ingleses são homossexuais enrustidos", "os russos são bêbados" etc. etc. Há uma lista imensa de clichês, de conhecimento público, sobre cada um dos povos.


Discordo quando o escritor afirma que as opiniões emitidas por personalidades que têm ressonância pública não têm cunho preconceituoso. Claro que têm! É a mesma coisa que Pelé, Lula, Paulo Coelho e Gisele Bündchem passarem a afirmar, a cada vez que abrem suas bocas, que os EUA, por exemplo, é um país burro, que não conhece nada além do próprio umbigo. Que confunde Buenos Aires e Brasília e que acha que tudo o que está abaixo da linha do Hemisfério Norte resume-se a florestas, macacos, índios, pobreza, fome e África.


Sim, há um crescente interesse dos países estrangeiros sobre o Brasil. O fato do País estar prestes a tornar-se um gigante produtor de petróleo, de sediar em dois anos dois grandes eventos mundiais - Copa do Mundo e Olimpíadas, de exportar modelos de inclusão social e de distribuição de renda criados e desenvolvidos durante o governo Lula, de provocar polêmicas ao se aproximar de países considerados "perigosos", sobretudo pelos EUA, como Irã e Venezuela e de se ver como um tijolo vigoroso dos Brics tem provocado todas as reações - preconceituosas e maldosas. Também não sou nenhum ingênuo que, feito molequinho de curso primário, chora porque o coleguinha do lado me xingou e tentou me bater.


O que nos faz, aos brasileiros, sermos o que somos, primeiro, é o nosso jeito de ser e viver. Somos otimistas por natureza. Somos passionais em algumas coisas (como o futebol) e completamente suíços (nulos, olha o estereótipo) em outras (corrupção do governo). Somos ótimos anfitriões. Somos festeiros e barulhentos e, por isso, muitas vezes odiados em terras estrangeiras (sim, já fui testemunha disso). Por outro lado, somos, sim, queridos. Nas poucas viagens internacionais que fiz, bastou me identificar como brasileiro para angariar o carinho do estrangeiro, fosse na China, na Finlândia ou na Argentina. Portanto, além de botar a boca no trombone e berrar contra o desconhecimento e preconceito contra o Brasil - via Twitter e na internet, de forma geral -, temos é mais que nos orgulharmos desse imenso e lindo País que nunca registrou uma guerra de grandes proporções, não tem pena de morte, não sofre com terremotos e não precisa mostrar força bélica e invadir países do outro lado do mundo para provar que tem poder. Amo o Brasil!

sábado, 7 de agosto de 2010

Peixe, peixinho, peixa, peixinha

Filho e filha de peixe, peixinhos são. Nesse caso, é fato.


A filha é a capa (dupla) da revista Playboy. Cleo Pires, atriz, gostosa e linda.




O filho tem provocado frisson no coração e em outras partes do público feminino (e em parte do masculino também). Fiuk (Filipe Galvão), cantor, ator, lindo e gostoso.




A mãe é, por excelência, a grande atriz da TV brasileira (aka TV Globo). Glória Pires, atriz e linda.




O pai está na estrada da música há décadas, com canções de amor romântico. Fábio Jr., cantor, ator e, bem, a foto é antiga. Hoje, é apenas o pai do Fiuk.




(*) Cleo é filha de Glória Pires e Fábio Jr. e irmã, por parte de pai, de Fiuk, que é filho de Fábio Jr. com Cristina Kartalian.

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Dia ou noite, noite ou dia, dia ou noite...

Que somos fascinados por uma certa instabilidade, todos, humanos ou não (sim, os há), é um fato. Os seres humanos (e os não-seres) somos, por natureza, instáveis: ora preferimos o dia, ora a noite. Se temos cabelos lisos, os queremos cacheados. Se os temos crespos, os queremos lisos. Se nosso nariz é aquilino, reclamamos porque certamente ficaríamos melhor se fosse arrebitado. Se é achatado, ficamos chateados porque não é aquilino. Se temos pelos no corpo, fazemos depilação. Se não os temos, reclamamos que queríamos ser recobertos feito gorilas. É assim a insatisfação do ser humano. Sempre a olhar com laivos de inveja e luxúria para o gramado alheio enquanto o próprio padece com ervas daninhas.


O filme abaixo trata exatamente dessa dicotomia.

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

3 x 4 | Three Years (blog anniversary)

Três centímetros por quatro centímetros (3 x 4) é o tamanho oficial das fotos de documentos no Brasil. A maior parte dos nossos documentos pede fotos das pessoas nesse tamanho.




Ontem, dia 4, eu estava exausto. Desde segunda-feira tenho andado bastante ocupado, com eventos externos. E, à noite, chego em casa e literalmente desabo. Tento com grande esforço postar continuamente no blog.




E fiz isso ontem ao postar tarde, já de madrugada, o aniversário do blog. E cometi um grande equívoco que somente percebi bem depois. Como já havia passado o dia todo com a postagem equivocada, deixei por isso mesmo.




O blog, de fato, fez três anos. Foi criado no dia 04 de agosto de 2007. Quanto ao quatro, na minha cabeça, eu queria dizer que entrava, a partir de hoje, no ano 4. Como de fato entrou. Mas isso não significa que tem quatro anos. Ou seja, uma grande confusão agravada pelo fato de eu realmente ter achado que o blog tinha quatro anos, e não três. Portanto, tomei o 3 pelo quatro (3 x 4) e inverti as bolas, os quadrados, os triângulos e toda e qualquer aritmética, geometria e mais algum dado matemático.


Para recolocar as coisas em perspectivas, portanto, deixo claro que o blog tem 3 anos de existência, completados ontem, 4 de agosto, e entrou hoje, 5 de agosto, no 4º. ano. É isso (parece que ficou ainda mais confuso mas, definitivamente, não me dou bem com números).

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

4 4nos | Four years





Hoje é 4. E 4 são os anos que completa este blog hoje. Leonino como o proprietário, é temperamental e faz graça, muita graça. E tem graça fazer graça? Acho que tem. Porque sem humor esse mundo é muito chato. Este blog gosta de gente pelada (eu também). Gosta de música (eu também). De literatura (eu também). De gente (eu não! rsrsrsrs).


Quatro anos é um tempo legal mas não é nada. O blog é apenas um cristal de areia nessa praia monstruosa da blogosfera. É o meu cantinho. Não é onde eu vou para me esconder. É onde eu me exponho. Timidamente ou corajosamente. Tem sido assim nos quatro anos. E pode continuar mais ou menos assim. Depende do meu humor. Mas o blog tem vida própria e às vezes se rebela. Fazer o quê? Criaturas nem sempre obedecem o criador. E o criador nem sempre dimensiona a criação. Vamos em frente, de quatro ou com quatro, para outros quatro e mais!

terça-feira, 3 de agosto de 2010

Nude do dia

O que era para ser uma cálida pescaria acabou num festival de pelados. O flagra foi feito por um helicóptero da RAF - Força Aérea do Reino Unido (ah! o humor britânico!) que foi chamado para investigar um barco suspeito na Baía de Swansea, no País de Gales. De suspeito, apenas dez homens pelados em pleno barco de pescaria.


Uma festinha naturista gay, of course, ocorria no barco. O capitão da embarcação disse que o objetivo inicial era levar os meninos para um passeio de verão. De repente (sei!), o capitão viu todo mundo pelado (sei 2!). Os 'pescadores' com suas respectivas 'varas' não foram detidos e até acenaram para os ocupantes do helicóptero da RAF. Ah! Esses britânicos sabem se divertir, né! (reduzi as dimensões do vídeo para melhorar a resolução mas se você conseguir visualizar algum 'peixe' me avise. eu não pesquei nada!)



segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Se você for, diga que é!

Vi no blog do Eros e reposto aqui para aumentar essa corrente. A campanha é da Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais (ABGLT) e defende a contagem de todas as formas de ser um ser humano. O Censo Demográfico 2010 começou neste domingo, 1º. de agosto. Abaixo, reproduzo o conteúdo da campanha da ABGLT:




"No Censo Demográfico 2010 o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) vai contar também casais homossexuais.


Neste sentido, a ABGLT – Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais – estará recomendando a todas as 237 afiliadas que incentive através das Paradas LGBT, das redes sociais da Internet, e em todos os eventos, a divulgação da seguinte frase "IBGE ... SE VOCÊ FOR LGBT, DIGA QUE É !"


Pela primeira vez em todo o Brasil, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) vai contabilizar casais homossexuais no Censo Demográfico 2010. A proposta do instituto é trazer informações atualizadas de acordo com as mudanças da sociedade brasileira nos últimos anos.


“No passado nós só perguntávamos se eram cônjuges. Hoje nós abrimos para cônjuge do mesmo sexo e cônjuge de sexo diferente”, explica o presidente do IBGE, Eduardo Pereira Nunes.


Só vão ser contabilizados os casais homossexuais que declararem, no questionário de perguntas, que moram no mesmo domicílio em união estável. O IBGE já utilizou questionários com questões sobre a união estável homossexual em alguns municípios, mas esta será a primeira vez que a pesquisa envolve todas as cidades brasileiras.


Mas para o coordenador técnico do censo do IBGE, Marco Antônio Alexandre, a mudança não foi feita com o objetivo de revelar o percentual homossexual da população brasileira, até porque nem todos vivem em união estável.


O Instituto vai visitar 58 milhões de domicílios em 5.565 municípios. “Quando os(as) recenseadores(as) baterem em sua porta e você for “casado(a)” com uma pessoa do mesmo sexo, diga que é. É importante que nós ativistas e governo tenhamos dados concretos para construirmos políticas públicas”, disse Toni Reis, presidente da ABGLT.


A Contagem da População pelo IBGE em 2007, realizada em cidades pequenas, identificou, pela primeira vez, 17.560 pessoas que declararam ter companheiros do mesmo sexo. Desse total, 9.586 homens se declararam cônjuges de companheiros do mesmo sexo, o mesmo ocorrendo em relação a 7.974 mulheres."


domingo, 1 de agosto de 2010

Meu rugido dominical



Há um projeto de lei do presidente Lula em andamento, enviado ao Congresso Federal em julho, cuja proposta, basicamente, "estabelece o direito da criança e adolescente de serem educados e cuidados sem o uso de castigos corporais ou de tratamento cruel ou degradante." Em resumo, é a lei da Palmada, que proíbe os pais de punir os filhos com palmadas, beliscões e castigos físicos.


Pesquisa do Instituto Datafolha feita com 10.905 pessoas revelou que 54% dos entrevistas são contra esse projeto e 36% são a favor. Outros dados da pesquisa mostram que os meninos apanham mais e as mães (69%) batem mais do que os pais (44%). Dos entrevistados, 72% sofreram, quando crianças e adolescentes, castigos físicos e 16% apontaram que essas punições aconteciam continuamente.


Não sou pai. Não sei dizer se puniria meus filhos com castigos físicos. Eu mesmo apanhei na infância. Bastante. Hoje, não tenho elementos para afirmar que apanhei necessária ou desnecessariamente. Me lembro de algumas surras mais doloridas do que outras e me recordo também de que o castigo físico era uma incógnita: quando achava que estava a salvo, apanhava. E quando havia cometido algo muito grave, tremia feito vara verde de medo da própria que se converteria em objeto da surra e, alívio, o castigo não acontecia. Portanto, era como um mercado de risco: ora em alta, ora em baixa, as ações que levavam ao ganho equivalente em punição física eram muito instáveis e nunca estavam ancoradas em um determinado padrão.


O projeto de lei, evidentemente, é polêmico: envolve o poder pátrio que dá aos pais encargos de vida (concepção) e morte (em casos de agressão extrema que levam filhos ao falecimento) sobre a prole. Sempre haverá os dois lados: um, de filhos rebeldes que, a determinado momento, podem lançar a indefectível bravata "eu não pedi para nascer" (eu mesmo fiz uso dessa frase algumas vezes, ora com algum efeito, ora como apenas mais um resmungo no colar de adolescentes que se acham espertos). O outro lado é o dos pais, que, atualmente, tenho para mim, estão perdidos entre dois extremos: ser pais e profissionais e conciliarem as duas atividades e ser pais pela metade ao franquear aos filhos uma série de liberdades numa espécie de "moeda de troca" da afetividade ausente pela liberalidade compensadora do dinheiro, dos limites (esgarçados a se perder de vista) e até mesmo do sexo (fazer sexo no quarto de casa, com a mais completa aquiescência dos pais).


Venho de uma geração a meio do caminho entre a zona rural e a zona urbana. Fui criado numa área rural onde os valores são, sim, mais brutos. Por tudo: pela falta de informação, pela ascendência dos mais velhos, pela rotina dura do labor da roça. Ao mesmo tempo, a transição para a cidade, se trouxe mais acesso à informação, perdeu, no meio do caminho, uma pureza que havia no meio rural. Alguns valores, na minha casa, independentemente se rural ou urbana, permaneceram os mesmos até os dias de hoje. Outros tiveram que ser revistos e absorvidos por influência da própria sociedade, dos tempos e das novas gerações que chegam.


Ainda não sei se sou a favor ou contra as palmadas mas posso afirmar, pela minha própria experiência, que não carrego, ao menos conscientemente, quaisquer traumas que sejam por ter sofrido punições físicas na infância e adolescência. Também não sei, por não ter tido a experiência, de como seria a minha vida se não tivesse levado palmadas e outros castigos físicos. Portanto, qualquer avaliação de minha parte carece de fundamento.


Por enquanto, minha rejeição vai mais além. Sou contra a ampla e irrestrita interferência do Estado dentro do âmbito familiar. Ao Estado cabem exceções, e não regra. Portanto, não cabe uma lei que diz ao cidadão como conduzir cada fiapo da vida privada. Isso muito nos aproxima da supressão das liberdades individuais que se abateram sobre as pessoas nos EUA depois do 11 de Setembro. Uma série de proibições e novas obrigações (como a horripilante revista nos aeroportos mundiais em que temos que nos quedar quase nus no portão de embarque) cerceou como nunca antes (talvez apenas na Idade Média) as liberdades e garantias individuais. Essa intromissão do Estado na vida privada me preocupa e a vejo em fase expansionista, no Brasil e no mundo.


O que sei é que vejo pais da minha geração num constante conflito em prender (limites) ou soltar (liberdades) o cabresto e, conforme a prole, sofrer mais ou menos com isso. Posso dizer que há pais que conseguem se equilibrar na tênue linha que separa os dois mundos - do limite e da liberdade - e apenas afrouxam ou apertam mais os freios conforme o momento. Outro os há que pendem por completo de um lado (limite) ou de outro (liberdade) e perdem o controle nos dois casos.


Vejo casos de pais que algemam os filhos em casa por causa dos vícios, drogas, sobretudo. Há extremos em que a mãe matou o filho porque estava na iminência de ser morta por ele. De novo as drogas. Em outros casos, a história se repete: filha de 13, 14, 15 anos fica grávida, não obstante o acesso à informação e à proteção. No caso, isso ocorre independentemente de classe social. Acontece em todas. Em outros, filhos de 16, 14 anos transam na frente das câmeras na internet para atrair seguidores no Twitter. E há casos, ainda, de adolescentes que se valem do Estatuto da Criança e do Adolescente (que é genérico sobre o tema 'castigo físico') para enquadrar os pais quando se sentem ameaçados. Conheço um caso particular de um adolescente de 16 anos que processa o pai por omissão (de presença).


Já sob o risco de ficar sobre o muro nessa questão, ao invés de "Filhos, melhor não tê-los. Mas, se não os temos, como sabê-los?", prefiro "Não tive filhos, não transmiti a nenhuma criatura o legado de nossa (humanidade) miséria". As citações são, respectivamente, do poeta Vinícius de Moraes (em 'Poema Enjoadinho') e do escritor Machado de Assis (em 'Memórias Póstumas de Brás Cubas'). E você, é Vinícius ou Machado?

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Redneck, em inglês, define um homem rude (e nude), grosseiro. Às vezes, posso ser bem bronco. Mas, na maior parte do tempo, sou doce, sensível e rio de tudo, inclusive de mim mesmo. (Redneck is an English expression meaning rude, brute - and nude - man. Those who knows me know that sometimes can be very stupid. But most times, I'm sweet, sensitive and always laugh at everything, including myself.)

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