É apenas um ruído, ainda. Mas, como os caras têm retorno de mídia, a repercussão é grande. Vamos lá: dois homens - o zagueiro do Juventus (Itália), Nicola Legrottaglie, afirmou que está há dois anos sem fazer sexo; e o cantor Lenny Kravitz está há três anos em jejum.
Ambos explicam o fato de terem aberto mão (e não fechado as mãos sobre os respectivos, como é de praxe quando não há parceira/o) espontaneamente do sexo porque não encontraram a mulher certa. Ainda há um terceiro nesta lista, o jogador Kaká, que afirma ter casado aos 31 anos, virgem. "Uma coisa linda", segundo Legrottaglie.
São estes os novos homens que dizem não? Há algum processo revolucionário em curso que desconheço, animal sexual que sou? Me digam, leitoras (ou leitores, que não sou fundamentalista), se isso ocorre mesmo na vida real? Vocês já tentaram fazer sexo com algum macho e eles negaram? Porque, até onde eu sei, a humanidade continua igualzinha: homens que dizem sim e mulheres que dizem não. Ou será que o bonde, digo, TGV evolutivo passou por mim e eu o perdi?
Com a minha intenção de ser um cachorro perdido em mudança, posso muito bem ter caído do caminhão, batido a cabeça e estar em um mundo que mudou e eu estou aqui, a cacarejar em vão neste poleiro. A confusão é tanta que de cão passei a galo e não sei se devo uivar ou cantar na madrugada. Não sei, I´m lost (não in translation, Amélie, mas lost).
Devo seguir esses caras e acreditar que há alguém nesta vida insana para quem eu deva me guardar, feito um virgem seminal, a despeito de eu preferir, mil vezes sim, aguardar seminu? Como uma bola puxa outra (???), me lembrei do Pelé: ele adora falar, até hoje, que nunca se masturbou na vida. Quer dizer, sem a pessoa certa, não podemos fazer nada, seja com as próprias ou terceiras mãos? E pés, cabeça, braços, cotovelos, tornozelos e tudo o mais que vem no pacote???? Cruzes!!!! Esses caras - o jogador do Juventus, o Lenny, Kaká e Pelé (incrível que, exceto o Lenny, que também gosta do esporte, são todos do futebol!!!), estão a inventar alguma roda nova para o mundo ou isso tudo tem a ver com aquele velho dogma da concentração do futebol, sob o qual aos jogadores é interditado o sexo? Será?
Mas, o que tem a ver? Você pode ver que estou muito do confuso. É porque funciona mais ou menos assim: primeiro, pregaram uma liberação total, sem qualquer pudor ou proibição. Odes à lascívia, ao barbarismo. Orgias mil! Tudo pode com todos. Agora, e isso não é recente - veja os EUA, com o governo Bush que prega a abstinência sexual dos adolescentes como o novo way of life norte-americano -, parece que há um curva descendente, que defende a castidade como virtude.
Bem, essa grita toda aqui também é algo ilógica (surrealismo, lembra-se?). Aos olhos do(a) leitor(a), é como se eu fosse um fauno endiabrado que não vive seis horas sem que o sexo esteja presente. De fato, não se passam 60 minutos sem que algo me atraia para isso. Mas, apenas mentalmente. A coisa física mesmo, ah!! Você se lembra da minha voz? Mas, o sexo ... Ah! O sexo, quanta distância!!! Dizem que é como andar de bicicleta e toda aquela lenga lenga. Alguém viu alguma bicicleta por aí?
Uma amiga que está assim, tipo "minha vida sem sexo" (estou a me repetir: minha vida sem isso, minha vida sem aquilo ..... blábláblá ....), me disse outro dia que preferia ser "donzela, virgem, menina-moça" (palavras dela). Porque, emendou, se assim fosse, não saberia o que era sexo e, logo, não teria vontade de praticá-lo, o que lhe daria tranquilidade para o corpo (não para o espírito, que esse é indomável) porque a memória da carne não cobraria o prazer do ato.
É, gente, não é fácil. Se você faz, quer mais. Mas, se não fazê-lo, como sabê-lo? E se o sabe, como estancá-lo? Alguns, como os bofes aqui do post, decidiram parar por conta própria. Quando até um Lenny Kravitz, que já foi de Madonna a Nicole Kidman, diz que está à espera, é porque algum sinal ou está muito invertido ou, em definitivo, os tempos exigem uma nova atitude. Posto isto, vou me confessar e me preparar para o celibato que vem por aí. Não consentido, mas, praticamente, involuntário. Bem, quer dizer, uma extensão do celibato porque, de resto, estou mais casto do que Vênus de Milo.