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quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008

A dança das iguanas

Olha só a legítima chefe das iguanas. No Brasil, a fofíssima cobra (cobra do verbo cobrar, não do réptil, que é mais nobre) para posar em camarote de cervejaria. Depois, fica louca, dá piti, beija "empresário ilustre". Tudo isso no sábado. No domingo, a iguana-mor volta para beijar o sapo e, surpresa!, o príncipe já está com outra iguana. Amargurada, Naomi Iguana Campbell se manda para NY e vai ensaiar a nova geração de iguanas que, felizes, atacarão as frágeis vítimas. É o círculo da vida!

Ordinariazinhas

Gente, o mundo é insano e as piadas nascem prontas. Tenho uma listinha porque estou envenenado. Não, não é rancor, é ternura:

1. Um operário abriu um processo contra um hospital de Nova York por ter feito um exame de próstata “sem permissão”. Uma viga de madeira bateu na testa do infeliz durante o trabalho e a equipe médica jurou de pés juntos que o exame era uma necessidade para saber se o pobre havia sofrido danos na coluna vertebral por conta do acidente. Pelo acidente com a viga de madeira, o camarada levou oito pontos na testa. Pelo trauma com o dedo alheio, levou questões do tipo: "Por que vocês não me ligam, não me procuram, não me chamam de volta, não reconstituem, enfim, a cena?" (Em geral, sou comedido e nada dado a piadas rudes como essa; mas, como estou desenfreado, vou seguir adiante).

2. Um alemão obeso de 50 anos foi condenado a cinco anos de prisão por sentar sobre sua mulher e matá-la por esmagamento. A audiência de Hildesheim, ao sudoeste da Alemanha, considerou o homem culpado de graves lesões físicas com conseqüência de morte. O acusado, que no momento do crime pesava 128 quilos, reconheceu durante o processo que tinha tido uma forte discussão com sua esposa e que se sentou em cima da coitada quando ela estava caída no solo, embora tenha negado qualquer intenção homicida. A mulher fraturou 18 costelas ao ser esmagada pelo marido e morreu em decorrência dos graves ferimentos internos sofridos poucas semanas depois, após uma dolorosa agonia, do tipo expiação da Via Sacra. Como tudo ocorreu na Alemanha, mais que perfeitamente, um perito certificou, no entanto, que o marido precisou ficar no mínimo dois minutos sentado em cima da mulher, que pesava 63 quilos, para causar lesões tão graves.

3. Uma russa, proprietária de um imóvel, foi ao campo. Quando voltou à cidade, era uma sem-teto. Sua casa foi demolida por engano pelos funcionários de uma construtora. Enquanto tenta se proteger do frio no meio de um terreno coberto de neve no centro da cidade, a homeless processa a construtora e se alterna entre a casa da filha e a da irmã, para o desespero de ambas.

4. Um homem foi preso depois de tentar invadir a delegacia com o carro na cidade de São João Batista, em Santa Catarina. Sequestro? Tentativa de resgatar presos? Bebedeira? Não!!! Era para fugir da mulher. Segundo as informações divulgadas pela Polícia Civil, o meliante queria ser preso para não voltar para casa. Eu escutava sempre no interior, quando passava uma menina bonita: "Isso sim que é uma flor, não é aquela moita de arranha-gato que tem lá em casa!". Arranha-gato, para quem não sabe, é uma planta com galhos cheios de espinhos que se fecham sobre você feito arame farpado.

5. Na Inglaterra, uma pobre criança (estou sendo cínico; por dentro, morro de rir), precisou ser libertada pelos bombeiros após ficar presa em um par de algemas que encontrou no quarto da mãe. O menininho foi aos bombeiros acompanhado de sua avó para se livrar das algemas. Os bombeiros perguntaram se o fedelho fugia da polícia, mas, a avó, bocuda, entregou que as algemas estavam no quarto da filha depravada, mãe do garotinho. O bombeiro, mais inocente do que o pequerrucho e mais falador do que a avó, não se conteve e disse que não imaginava porque uma pessoa manteria um par de algemas em seu próprio quarto. Oras!!! Logo um bombeiro, que é alvo de tudo quanto é tipo de fetiche!!!!! Me poupe, mangueirudo!!!

6. De novo, na Alemanha. Um rapaz, quer dizer, um safado de 21 anos foi multado por enviar SMS (torpedo, mensagem pelo celular, short message, entendeu?) com uma imagem de seus órgãos genitais (pinto e saco; droga, tudo tem que ser traduzido). Por conta disso, o malandro terá que pagar uma multa de 150 euros. O crime de lesa-vossa-majestade-dona-de-casa-casta-e-santa, foi cometido no ano passado, quando o cafajeste enviou o MMS (se é foto, é MMS, e não SMS, como andaram a traduzir; em tempo: MMS = multimedia message) do pênis e dos testículos para um número escolhido aleatoriamente. O azar é que a destinatária era uma dona-de-casa, virgem, infeliz e mal-amada. E ela pôs a boca no trombone!!!!! No trombone, eu disse. Arrependido, o cachorro afirmou que tudo não passou de uma brincadeira e prometeu não enviar mais mensagens do tipo para ninguém. Pena!

Acabou porque não estou podendo com tanta desfaçatez por parte da humanidade a qual eu pertenço. Acho que pertenço. Vocês se lembram de ter visto aquela foto de Marte que parecia um ser humano (quer dizer, um andrógino, porque não deu para ver se era homem ou mulher)? Era eu, numa tentativa de me isolar um pouquinho no Carnaval que esse mundo promove o ano inteiro.


Observação: as fotos não têm nada a ver com as postagens, mas, isso não interessa. Como estou mais encharcado de maldades do que uma esponja oceânica letal, eu posso colocar o que eu quiser. Revolta? Imagine! Você não viu quando eu tentei derrubar a Muralha da China para que os monges do Tibete pudessem escapar com vida?

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008

Dica do Chef: não matarás!

O chef de cozinha Mark Dixie, acusado de assassinar uma modelo na Grã-Bretanha, confessou ter mantido relações sexuais com a vítima depois que ela já estava morta (necrofilia). Sally Anne Bowman, de 18 anos, foi esfaqueada e mordida repetidas vezes, em Croydon, ao sul de Londres, em setembro de 2005.


Dixie, de 35 anos, nega o assassinato de Bowman, mas, na audiência desta semana em Londres, confessou que manteve relações sexuais com o corpo da modelo quando ela se encontrava em uma poça de sangue na entrada da garagem de sua casa. De acordo com o depoimento que prestou ontem, Dixie havia bebido, tomado drogas e "se aproveitado da situação".

Traços do DNA de Dixie foram encontrados no corpo de Bowman, uma digital do acusado foi identificada no sapato da modelo e o corpo da vítima tinha marcas de mordidas do suspeito no rosto, no pescoço e nos seios. "O réu confessa que fez sexo com Sally Anne e que também teve relações sexuais com ela depois de sua morte", disse o promotor. Bem, eu sei que a informação é algo hard, mas, já que estamos em cinzas, como futuro chef de cozinha, tenho que encarar os fatos.

A violência nas cozinhas dos restaurantes - sejam eles estrelados, de hotéis ou de beira de estrada - é um fato concreto. Tenho referências, inclusive, de colegas de faculdade que relatam as histórias mais absurdas em restaurantes bastante conhecidos em São Paulo, com cenas de violência com armas brancas - a faca do chef é o instrumento de violência por excelência - e alto consumo de drogas, cocaína à frente.

Não há dados conhecidos sobre a violência na alta gastronomia. Porém, à medida em que se conhece os bastidores dos locais, fica claro que as quentes e engorduradas cozinhas são uma verdadeira panela de pressão. Um dos motivos que explica a efervescência desse caldeirão é a falta de qualificação da mão-de-obra no setor.

No Brasil, a profissionalização da gastronomia é recente, com menos de 15 anos de história. Em 1994, o Senac criou o curso de cozinheiro chefe internacional, em Águas de São Pedro, interior de São Paulo. Em 2001, abriu também a carreira de tecnólogo em gastronomia, que dura dois anos e garante diploma universitário. A Anhembi Morumbi investe em gastronomia desde 1999. Ainda há a FMU (desde 2001) e a Hotec (onde eu estudo), Unip, Unicsul e Metodista (todas abriram cursos a partir de 2002).

Uma coisa é certa: há vários mandamentos na cozinha e, entre eles, o mais importante é a sincronia da equipe. Se o colega levanta a faca para você, é sinal de que foi quebrada a unidade e o respeito. De qualquer forma, historicamente, o ambiente da gastronomia, egocêntrico ao máximo, sempre foi dado a explosões de cólera (veja o programa "Hells Kitchen", do famigerado chef Gordon Ramsay, de quem eu não gosto; prefiro o outro britânico, o fofo Jamie Oliver) e de virulência. A própria dinâmica do setor favorece o comportamento agressivo e de extrema competitividade. Mas, não é o caso para apontar a faca, não é? Se bem que, às vezes, eu tenho vontade de picar algo a mais do que cebolinha e alho.

Ana Sardinha

Em outubro do ano passado, rolou na blogosfera (e inclusive neste blog) uma blogagem coletiva de apoio à brasileira Ana Virgínia Moraes Sardinha, presa em Portugal por suspeita de ter matado o filho de seis anos. Agora, a brasileira acaba de ser formalmente acusada de homicídio qualificado e deve enfrentar um longo julgamento.

Ana foi presa no dia 6 de julho do ano passado, um dia após a morte de seu filho, mas o caso ganhou maior notoriedade cerca de um mês após sua prisão, no dia 4 de agosto, quando Ana Virgínia foi encontrada em coma no Estabelecimento Prisional de Tires. O caso gerou grande repercussão em Portugal e no Brasil (e daí a blogagem coletiva).

A irmã, Ana Rosa, afirma que a família continua convencida de que sua irmã é inocente e sofreu abusos na prisão. Segundo Ana Rosa, Ana Virgínia sofreu sérias lesões na prisão, com marcas de queimadura, paralisia no braço esquerdo e dormência permanente no joelho direito. A Direção Geral dos Serviços Prisionais de Portugal abriu uma investigação para determinar o que ocorreu e afirma que a brasileira não foi vítima de maus-tratos. Veja mais na BBC Brasil.

No site oficial sobre o caso, mantido por Ana Rosa, há um pedido de petição para libertar a irmã. Até às 11:15 horas de hoje, não havia atualização no site sobre a formalização da acusação e o julgamento.

terça-feira, 5 de fevereiro de 2008

O tsunami que abalou a internet

Ontem, 04/02/2008, fez exatos seis meses que estou aqui, com este blog no ar.


Tudo começou numa tarde regada a chop no Consulado Mineiro, na praça Benedito Calixto (para os íntimos, Calixta), em Pinheiros, São Paulo.

Tendo à minha frente Patty, algo Diphusa com o movimento no entorno da praça, eis que a dita cuja me atira a palavra: "blog". Me perguntou, diphusamente: "Por que não fazemos um blog?".

Assim, do nada. Respondi que não tinha interesse, não ia ficar grudado no computador além do que eu já ficava por obrigação. La Diphusa insistiu. Disse que ia pensar. Depois de horas, devidamente tombados por alguns chops, nos despedimos. Patty me ligou mais tarde e disse que já havia criado seu próprio blog, então blig (do iG, lembra, Patty?). Eu fiquei atiçado e já fui direto para o Blogger.

E o Por uma Second Life menos ordinária começou a tomar forma. Gostei. Quis mais e mais. Era só uma brincadeira. Um messenger mais sofisticado. A minha única leitora era Patty. Depois, tive arroubos de leonino: quis extrapolar e propagandear meu blog. Avisei primeiro os amigos. Mais tarde, enviei para alguns e-mails. Depois, me inscrevi em serviços específicos de blog: searches, links, contadores etc.

Agora, seis meses depois, ainda não tenho um formato definido para o blog. O blog é para ser livre, de acordo com o meu pensamento e a minha vontade. Não é para ter uma linha editorial, posto que esta eu já tenho que seguir nos meus jobs. É para ser mesmo do jeitinho que é. Às vezes, penso em segmentar. Mas, está bem assim.

Abordo tudo. Não tenho limites. Me coloco muito aqui. É intencional. Nesses seis meses, deixei de postar apenas durante exatos onze dias. Um dia especificamente eu estava na minha cidade, quer dizer, no sítio, zona rural, sem wireless ou wiriline, e me esqueci completamente. Isso ocorreu em novembro (dia 17). Em dezembro, foi intencional: fiquei do dia 23 até o dia 1º. de janeiro (dez dias) deste ano sem publicar nada. Me desconectei do mundo.

Ainda no início, cheguei a postar diretamente do iPhone para não perder o hábito de colocar ao menos um post por dia no blog. Há diversas orientações de blogueiros profissionais: uma postagem por dia, de 3 a 4 por semana etc. Eu prefiro colocar pelo menos algum post novo no dia. Eu, como leitor, gosto de acessar um site ou um blog e encontrar novidades.

Não sei quantos blogs foram criados do dia 4 de agosto do ano passado para cá. Segundo as últimas informações estatísticas que eu encontrei, no Technorati (que monitora blogs no mundo todo), o último estudo "State of Blogosphere" data de abril do ano passado e contabilizava, até aquele mês, mais de 70 milhões de blogs no mundo. Conforme os dados, são criados mais de 120 mil blogs por dia e mais de 11 mil spam blogs diariamente.

Os spam blogs são aqueles que não têm nome e, em geral, têm conteúdo pornô. O Japão é o país número 1 na criação e no domínio de blogs, com 37% do total, seguido pelos países de língua inglesa, com 33%. Os blogs publicaram 1,4 milhão de posts por dia, o que equivale a 58 mil posts por hora. Bem, esta estatística está com uma defasagem de quase um ano, o que permite supor que os números estão bem diferentes. Este post é ilustrado por dois gráficos do Technorati, defasados, mas, ainda assim, representativos da expansão dessa nova mídia que somos nós, blogueiros.

No imenso mundo da blogosfera, me ocorreu uma feliz coincidência: uma blogueira me visitou, me deixou um comentário e eu fui ao seu blog, Pitacos da Naninha. De link em link, descobri que o primeiro post da colega data de 4 de agosto de 2007, ou seja, exatamente a mesma data em que Patty e eu começamos a surfar (ou seria surtar?) nos nossos blogs.

Dias desses, recebi um e-mail que comunica a realização da Proxxima 2008, que é um encontro internacional de comunicação digital promovido pelo jornal Meio & Mensagem e pela A5 (assessoria especializada em mídia, entre outras), que será realizado nos dias 11 e 12 de março. Um dos seminários é "O fenômeno dos blogs. Já chegou a hora de virar mídia?" e terá a participação dos seguintes colegas: Alexandre Fugita, do TechBits; Carlos Cardoso, do Problogger; Cláudio Roca, do BlogTV; Edney Souza, do Interney; Fabio Seixas, do Camiseteria; e Renato Shirakashi, do Via6.

E alguém aí duvida que já somos uma mídia mais poderosa que nunca? Eu não. Parabéns a toda a comunidade blogueira. Ao contrário do tsunami que destrói, a onda blogueira já cobriu a web e promete continuar a provocar abalos sísmicos na rede. Ao futuro!!!



segunda-feira, 4 de fevereiro de 2008

Ninguém

Ordinariazinhas

E a vaca foi para o brejo, literalmente. Na Malásia, uma inocente vaca foi roubada e colocada no banco de trás de um carro. Como fizeram isso, não sei. O carro, no caso, deve ser conversível. A certa altura, o veículo bateu numa árvore e os ladrões fugiram e deixaram a vaca. Ferido, o animal foi atacado pelas pessoas do local do acidente, que a mataram e dividiram sua carne. Lamento a má sorte da vaquinha. Em tempo: a foto abaixo não é da vaca em questão.

domingo, 3 de fevereiro de 2008

Meu rugido dominical

Bobby Henderson tinha 24 anos em 2005 e estudava física quando teve o estalo: criou a Igreja do Monstro de Espaguete Voador (FSM, nas siglas em inglês). Obviamente, era uma piada. Mas, em apenas um ano, a brincadeira ficou séria: foram mais de 20 milhões de acessos no site.

O objetivo de Henderson era protestar contra a teoria do criacionismo, nas escolas do Kansas, segundo a qual todas as coisas, inclusive animais e homens (redundante!), foram criadas por um Grande Arquiteto Inteligente (aka Deus).

Por meio do site da Church of The Flying Spaghetti Monster, Henderson publicou carta aberta aos dez conselhos escolares dos EUA, na qual defendia que o “Monstro de Espaguete Voador” deveria ser igualmente reconhecido como um Ser Supremo que criou o mundo. Henderson alega que a sua religião partilha dos mesmos pressupostos do criacionismo bíblico e que ambas as crenças são baseadas na fé.

Os seguidores de sua doutrina são chamados "pastafáris" ou "pastafarianos" (junção do rastafári e da pasta/macarrão italiano). Alguns ícones da nova religião são baseados na obra-prima de Michelângelo, no teto da Capela Sistina. E as crenças parodiam argumentos usados pelos criadores e defensores do design inteligente (intelligent design - ID, outra asneira - veja mais aqui).

Conforme os cânones da FSM, um invisível e indefectível Monstro de Espaguete Voador criou o universo. O início se deu com uma montanha, árvores e um anão (ãhnn???). A FSM estabelece que o aquecimento global, os terremotos, furacões e outros desastres naturais são uma consequência direta do declínio no número de piratas desde o século XIX. Todas as evidências a favor da evolução foram intencionalmente plantadas pelo Monstro de Espaguete Voador.

Criada por um físico, a FSM força a mão nas teorias. Em outra vertente, a igreja testa a fé dos pastafarianos ao fazer com que as coisas pareçam ser mais velhas do que realmente são. Assim: "Aproximadamente, 75% do Carbono-14 decaiu por emissão de elétrons para Nitrogênio-14, o que significa que este objeto (em estudo) tem cerca de 10 mil anos de idade, pois a meia vida do Carbono-14 é de 5.730 anos. Mas, o que nossos cientistas não percebem é que toda vez que eles fazem uma medição, o Monstro de Espaguete Voador está lá para mudar os resultados com seu "Apêndice Macarrônico". Nós temos vários textos que descrevem detalhadamente como isso é possível e as razões por que Ele (sic) faz isso. Obviamente, Ele (sic) é invisível e pode passar através de matéria ordinária com facilidade."

O pastafariano acredita num paraíso que inclui "vulcões de cerveja até onde a vista alcançar" e uma fábrica de strippers. O fiel pastafári também acredita num inferno, que é igual ao paraíso, com a exceção de que a cerveja está "choca" e as strippers têm DSTs. Para finalizar, "RAmén" é a conclusão oficial para as preces e leituras do Evangelho de Monstro de Espaguete Voador e é uma combinação do termo hebreu "Amém" (também usado no cristianismo) e Ramen, um tipo de macarrão japonês (Lámen, Miojo).

A idéia da FSM me remete imediatamente à adoração dos bezerros de ouro, numa outra era, antiga, no Êxodo bíblico. E de como as pessoas se apegam rapidamente a crenças, sejam quais forem. Quando eu estava nos bancos da faculdade, uma professora de antropologia me disse que o homem recorre ao místico porque a vida real é muito árida.

Sendo assim, o homem precisa crer que há algo depois, precisa temer, da mesma forma que temia o fogo antes de dominá-lo. À medida que o homem ficou cético - caíram os bezerros de ouro, o politeísmo do deuses do Olimpo, os profetas, os milagres e até mesmo os santos dependem de uma série de processos draconianos (by Vaticano) para serem eleitos -, perdeu o apelo do divino (eu me encaixo exatamente nesse perfil).

Se a aridez terrena é só isso mesmo, por que vou crer que há algo depois, se quando o que eu preciso é que seja já, que haja uma divinização do humano, aqui e agora? Então, é legítimo criar qualquer coisa para tentar explicar a rotina insalubre da vida real, seja o criacionismo ou o monstro de espaguete voador. O sucesso e a adesão à FSM evidenciam que as pessoas estão mesmo a vagar pelo universo, terrestre ou virtual, à procura de algo que faça sentido.

Claro que a FSM é uma grande piada. Mas, convenhamos, é uma piada autenticada por milhões de internautas que, se, a princípio, riem da teoria, por outro lado, buscam algum significado, nem que seja em absurdos surreais como este. Os altares são outros, o sagrado profanou-se e não há nada para adorar ou temer. Dá uma sensação de vazio, não é?

sábado, 2 de fevereiro de 2008

Fábula anfíbia

Cheguei todo animado, assanhado até. Com uma visão particular do mundo que sempre fez com que eu não quisesse ficar acomodado no meu galhinho. Queria explorar o mundo, sob o risco de despencar das alturas. Me disseram para eu não arriscar. Que havia o desconhecido, o perigo. Ao aviso, precedeu o desejo: "perigo!". Como uma luz vermelha, o perigo embutido na exploração me soou mais como atração do que repulsa.

Mas, os instintos são primitivos e as ventosas nunca me deixaram cair. Sob o risco de o meu mundo despencar, sempre houve um ou mais suportes para que eu não desabasse.

Confesso que estive em lugares os mais estranhos, sob o pretexto de desbravar fronteiras.

Atraído pelo desejo, me aferrei às aparências.

Me atirei em territórios sensoriais.


Fui tratado com delicadeza.


Mas, sempre estive de olhos bem abertos.


Por vezes, me dissecaram e me desnudaram.


No entanto, sempre consegui voltar e perscrutar o mundo com olhos agigantados pela curiosidade.


Por outras, recusei propostas indecentes.


Houve ocasiões em que me acomodei no calor do momento, fora do habitat.


Alguns puxões de orelha depois, ouvi, em silêncio, pequenos sinos de razão.


Achei por bem caminhar junto, e não mais sozinho.


Às vezes, eu tenho recaídas e parece que me desmancho.

Me sinto minúsculo diante de tanta imensidão a ser vencida.


Porém, são fases passageiras. Estou atento, contudo. Sempre. Pronto para o mundo.



Agradecimento especial a Patty, que de Diphusa não tem nada, por tamanha sensibilidade.

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008

Homens que dizem não

É apenas um ruído, ainda. Mas, como os caras têm retorno de mídia, a repercussão é grande. Vamos lá: dois homens - o zagueiro do Juventus (Itália), Nicola Legrottaglie, afirmou que está há dois anos sem fazer sexo; e o cantor Lenny Kravitz está há três anos em jejum.

Ambos explicam o fato de terem aberto mão (e não fechado as mãos sobre os respectivos, como é de praxe quando não há parceira/o) espontaneamente do sexo porque não encontraram a mulher certa. Ainda há um terceiro nesta lista, o jogador Kaká, que afirma ter casado aos 31 anos, virgem. "Uma coisa linda", segundo Legrottaglie.

São estes os novos homens que dizem não? Há algum processo revolucionário em curso que desconheço, animal sexual que sou? Me digam, leitoras (ou leitores, que não sou fundamentalista), se isso ocorre mesmo na vida real? Vocês já tentaram fazer sexo com algum macho e eles negaram? Porque, até onde eu sei, a humanidade continua igualzinha: homens que dizem sim e mulheres que dizem não. Ou será que o bonde, digo, TGV evolutivo passou por mim e eu o perdi?

Com a minha intenção de ser um cachorro perdido em mudança, posso muito bem ter caído do caminhão, batido a cabeça e estar em um mundo que mudou e eu estou aqui, a cacarejar em vão neste poleiro. A confusão é tanta que de cão passei a galo e não sei se devo uivar ou cantar na madrugada. Não sei, I´m lost (não in translation, Amélie, mas lost).

Devo seguir esses caras e acreditar que há alguém nesta vida insana para quem eu deva me guardar, feito um virgem seminal, a despeito de eu preferir, mil vezes sim, aguardar seminu? Como uma bola puxa outra (???), me lembrei do Pelé: ele adora falar, até hoje, que nunca se masturbou na vida. Quer dizer, sem a pessoa certa, não podemos fazer nada, seja com as próprias ou terceiras mãos? E pés, cabeça, braços, cotovelos, tornozelos e tudo o mais que vem no pacote???? Cruzes!!!! Esses caras - o jogador do Juventus, o Lenny, Kaká e Pelé (incrível que, exceto o Lenny, que também gosta do esporte, são todos do futebol!!!), estão a inventar alguma roda nova para o mundo ou isso tudo tem a ver com aquele velho dogma da concentração do futebol, sob o qual aos jogadores é interditado o sexo? Será?

Mas, o que tem a ver? Você pode ver que estou muito do confuso. É porque funciona mais ou menos assim: primeiro, pregaram uma liberação total, sem qualquer pudor ou proibição. Odes à lascívia, ao barbarismo. Orgias mil! Tudo pode com todos. Agora, e isso não é recente - veja os EUA, com o governo Bush que prega a abstinência sexual dos adolescentes como o novo way of life norte-americano -, parece que há um curva descendente, que defende a castidade como virtude.

Bem, essa grita toda aqui também é algo ilógica (surrealismo, lembra-se?). Aos olhos do(a) leitor(a), é como se eu fosse um fauno endiabrado que não vive seis horas sem que o sexo esteja presente. De fato, não se passam 60 minutos sem que algo me atraia para isso. Mas, apenas mentalmente. A coisa física mesmo, ah!! Você se lembra da minha voz? Mas, o sexo ... Ah! O sexo, quanta distância!!! Dizem que é como andar de bicicleta e toda aquela lenga lenga. Alguém viu alguma bicicleta por aí?

Uma amiga que está assim, tipo "minha vida sem sexo" (estou a me repetir: minha vida sem isso, minha vida sem aquilo ..... blábláblá ....), me disse outro dia que preferia ser "donzela, virgem, menina-moça" (palavras dela). Porque, emendou, se assim fosse, não saberia o que era sexo e, logo, não teria vontade de praticá-lo, o que lhe daria tranquilidade para o corpo (não para o espírito, que esse é indomável) porque a memória da carne não cobraria o prazer do ato.

É, gente, não é fácil. Se você faz, quer mais. Mas, se não fazê-lo, como sabê-lo? E se o sabe, como estancá-lo? Alguns, como os bofes aqui do post, decidiram parar por conta própria. Quando até um Lenny Kravitz, que já foi de Madonna a Nicole Kidman, diz que está à espera, é porque algum sinal ou está muito invertido ou, em definitivo, os tempos exigem uma nova atitude. Posto isto, vou me confessar e me preparar para o celibato que vem por aí. Não consentido, mas, praticamente, involuntário. Bem, quer dizer, uma extensão do celibato porque, de resto, estou mais casto do que Vênus de Milo.

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Redneck, em inglês, define um homem rude (e nude), grosseiro. Às vezes, posso ser bem bronco. Mas, na maior parte do tempo, sou doce, sensível e rio de tudo, inclusive de mim mesmo. (Redneck is an English expression meaning rude, brute - and nude - man. Those who knows me know that sometimes can be very stupid. But most times, I'm sweet, sensitive and always laugh at everything, including myself.)

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