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quinta-feira, 7 de maio de 2009

Felina bota as garras nos dotes dos marmanjos

Imagine que uma gata loura te encontre no Messenger e começa a tirar a roupa, fazer um striptease gratuito para você, dizer o que você quer ouvir e te convide para um sexo virtual, com direito a todo tipo de estripulia sexual. Você aceita sem reservas ou pensa duas vezes? Melhor ler o que se segue antes de cometer algo de que se arrependa depois.



(Nem a Mulher-Gato foi tão ousada)

Não sei ao certo se é um viral ou se tudo não passa de montagem fake, mas um blog, o Blog da Felina, também chamado de Glossx, tem feito algum barulho por afirmar que grava na webcam do Messenger todas as fantasias dos marmanjos.


(Hugh Jackman, o Wolverine, esteve no Brasil mas quem ataca é a Wolverina)

O blog tem acesso restrito, segundo política do Blogspot, por conta do conteúdo. Pelos vídeos, Felina, que deu entrevista recente ao Kibe Loco, conquista os famosos e os grava, sem que eles saibam, totalmente desnudos, com cenas para lá de quentes.


(Suposta foto da Felina publicada pelo Kibe Loco)

Olha só os nomes de alguns caras sobre os quais a Felina teria alcançado com suas garras de Volverine ou de Mulher-Gata.


(Fernando Mesquista, o ex-BBB, com olhos de peixe ante os movimentos da Felina)

- Ronaldo
- Diego Hipólito
- Vanderley Luxemburgo
- Júnior (ex-Sandy)
- Ronaldinho Gaúcho
- Alexandre Pato


(O Gordo aguarda com cara de emburrado)

- Diego Ribas
- Diego Souza
- Fernando Mesquita (ex-BBB)
- Dandan (ex-BBB)
- Elano

E mais uma série de (semi)celebridades e desconhecidos. As fotos que estampam este post foram retiradas diretamente do blog. E mais eu não publico senão teria que tornar o acesso deste blog restrito. 


(O jogador Diego, em momento linguinha de fora)

Não sei qual é o grau de verdade do blog, como disse. O blog da Felina é novo, de abril deste ano. Mas tem tido alguma repercussão. A loura Felina identifica-se, na entrevista ao Kibe Loco, como Fabiane Menezes. Mas é avessa a qualquer tipo de contato.


(Júnior e a falta que a Sandy faz)

Verdadeiro ou não, o blog é polêmico, e a loura se recusa a aparecer para evitar, em suas palavras, ser processada. Meu conselho é que você não se aventure a tirar a roupa e forjar sexo virtual com a primeira gostosa que apareça e acene com as meias finas nas mãos, de top less e sorriso na cara.


(Diego Hipólito: pronto para saltar o duplo mortal carpado?)

Em época de cyberbulling e programas que devassam a vida de todo mundo, não creio que seja uma boa ideia aparecer pelado na tela alheia, disponível para qualquer internauta. Melhor continuar a fazer o velho e seguro sexo apenas entre quatro paredes, sem câmeras ou qualquer outro artifício.


(Ronaldinho Gaúcho em momento Chapeuzinho Vermelho: de quem é essa língua tão grande?)

O próximo pulo do gato da Felina é tentar pegar de jeito o Cristiano Ronaldo. Ela garante que consegue. Dá uma espiadinha lá no Glossx e julgue por si mesmo se é tudo fake, viral ou é verdade. Não vou falar quem, mas tem uns caras que aparecem aqui nesse post que são gays e dificilmente tirariam a roupa e fariam sexo, ainda que virtual, com uma mulher. O que me leva a acreditar que a Felina, na verdade, traveste-se de Felino também para conseguir tudo o que quer. E, se tudo isso aqui for real, consegue.

quarta-feira, 6 de maio de 2009

Ensaio sobre a visão

Quem disse a frase "o que os olhos não veem, o coração não sente" por certo é um ser desalmado, sem filigranas que o apurem para um olhar mais atento sobre as coisas que na alma vão. Os olhos atravessam qualquer barreira e, se não enxergam o que deveriam, veem pelo coração, esse sim dono de um olhar mais acurado. Se digo que estou de olho em você, o que significa? Espionagem? Medo? Desejo? Se digo que sinto o olhar alheio sobre mim, será isto um sinal ancestral, de feromônios a agir por meio das retinas?












Olhar cristalino. Olhos que dizem. Olhos dissimulados de Capitu. Olhar permissivo. Compassivo. Do rosto, o que mais eu gosto nas pessoas são os olhos. Que dizem ou ocultam. De resto, os olhos são janelas, sim. Que, se bem abertos, permitem que se faça a leitura.

Meus olhos podem não ver tudo. Mas precedem o que o coração deseja. Olho com fome, com desdém, com rancor, desprezo. Meu olhar apara e barra. Ou não. Creio que tenho a capacidade de, com o olhar, saber o que se vai na alma alheia. Quase sempre.

Meu coração pouco se equivoca de olhares esguios, vadios, que se movem em rápido movimento, tal qual o REM dos sonhos profundos. Antes que os olhos concluam o clínico exame, o coração já tem o prognóstico pronto. Mas os olhos ... Ah! Os olhos. Os olhos que te decifram e a mim também são, inegavelmente, espelhos do que te(me) vai no coração.

terça-feira, 5 de maio de 2009

Que diferença da mulher o homem tem?

"Que diferença da mulher o homem tem/Espera aí, que eu vou dizer meu bem/É que o homem tem cabelo no peito/Tem o queixo cabeludo, e a mulher não tem ...", canta Gal Costa na música de Durval Vieira.


Mas que diferenças além das óbvias ou nem sempre tão óbvias têm homens e mulheres? Somos tão diferentes mesmo? A ponto de, na diferença, acharmos algum denominador comum?


Listo abaixo quase uma centena de detalhes que nos tornam diferentes. São atitudes, comportamentos, ações, reações e pensamentos que, de forma jocosa ou não, nos transformam, homens e mulheres, em seres diametralmente opostos uns aos outros e, talvez por isso, quase sempre tão síncronos.


1. Verborragia: a mulher fala entre 6 mil a 8 mil palavras por dia e o homem, entre 2 mil e 4 mil.
2. Cores: a mulher entende as cores e, por isso, sabe como usá-las nas roupas sempre. O homem apenas acha que vermelho é bom, que o rosa é bom, que o azul é bom e pensa: por que não usá-las todas juntas?
3. Cortinas: as mulheres as classificam em centenas de categorias segundo milhares de critérios. Os homens não têm opinião formada a respeito de cortinas.
4. Condicional: para tudo, a mulher tem um "se" de prontidão, enquanto o homem apenas diz, sem reservas.
5. CDs/DVDs: o homem gosta de ter os CDs e DVDs à vista para impressionar as pessoas. A mulher gosta de esconder essas coisas dentro da estante.
6. Vícios: pergunte a uma mulher na rua se ela quer ir a algum lugar e ela responderá: às compras. Pergunte ao homem e ele dirá: ao bar.
7. TV LCD/plasma: um homem sabe dar a devida importância a um televisor de plasma ou LCD de 42 polegadas. Uma mulher não.
8. Sexo: a mulher pode usar o sexo para obter coisas que ela deseja. O homem não porque o sexo é exatamente o que ele quer.
9. Discurso: o homem fala em frases. A mulher, em parágrafos.
10. Madrugada: para o homem, 2 da manhã é hora de dormir. Para a mulher, é hora de DR (discutir a relação).
11. Informações inúteis: o homem pode armazenar informações totalmente nonsenses como a velocidade que o carro de Ayrton Senna atingiu na curva do S. A mulher deleta esse tipo de informação.
12. Compreensão: apenas uma mulher entende outra mulher e os homens tentam entender todas sem conseguir jamais.
13. Memória: a mulher tem uma memória diária que é genética. O homem não lembra de trazer a única coisa que ela pediu para ele ir buscar.
14. Viagens: se o homem disser que acabou de voltar de uma viagem à lua, a mulher perguntará, em primeiro lugar, com quem ele foi.
15. Desejos: quando o homem quer alguma coisa, ele pede. Quando a mulher quer alguma coisa, ela pede 77 outras coisas diferentes, não-relacionadas ao que ela quer, e espera pela resposta.
16. Atividades domésticas: o homem acha que merece aplausos quando opera uma máquina de lavar louça. A mulher pensa que as setas de direita e de esquerda no carro são apenas para iluminar as laterais do carro.
17. Emoção: o homem tem um gene que faz com que oculte ímpetos emocionais, mas, às vezes, o fato de escondê-los os transforma em dores físicas e patológicas. A mulher chora.
18. Cabelo: o homem se recusa a pagar mais de R$ 10 por um corte de cabelo. A mulher gasta R$ 200 por semana apenas em lavagem e relaxamento. Por mês, com chapinhas, alisamentos ou escovas, é capaz de deixar R$ 1,2 mil no caixa do salão.
19. Insetos: o homem sabe que as aranhas domésticas que se encontram a toda hora dentro de casa são muito menos perigosas do que escorpiões. A mulher ameaça as aranhas com britadeiras.
20. Casamento 1: a mulher diverte-se ao planejar cada detalhe do casamento. O homem comparece.
21. Curry: a mulher come curry como se gostasse. O homem come curry para provar que ele pode.
22. Armas: a mulher jamais inventaria armas que matam, uma vez que as armas fazem você se sentir realmente mau e culpado até se render por completo. Os homens matam.
23. Filmes: o homem é capaz de assistir um filme inteiro sem perguntar quem é aquele cara e o que ele fez. A mulher sabe quem é o cara, o que ele fez, o que fará, como o fará e para quem fará e conta tudo isso durante o filme.
24. Árvores: a mulher não sobe em árvores. O homem descende do macaco.
25. Sapatos: o homem escolhe e compra um par de sapatos em 90 segundos, pela internet. A mulher manda descer 90 pares de sapato em 90 lojas diferentes e não leva nenhum.
26. Xixi: as mulheres fazem xixi juntas e falam enquanto o fazem. Os homens fazem xixi sozinhos e não falam entre si quando o fazem.
27. Espelho do carro: o homem pode dirigir por horas sem olhar-se no espelho do carro. A mulher se olha no espelho do carro a cada sinal que fecha.
28. Listas: a mulher faz listas sobre listas de coisas que o homem tem que fazer quando sabe muito bem que ele nunca as fará. O homem não as faz.
29. Ônibus: o homem pode pegar 'aquele ônibus lá'. A mulher não tem ideia de que ônibus se trata.
30. Coordenação motora: o homem pode escrever o nome claramente na neve sem escorregar, cair ou fazer hieróglifos. A mulher não.
31. Verbo: o homem pronuncia uma sentença e termina. A mulher pronuncia a sentença, o julgamento, a condenação ...
32. Culpas: o homem se diverte em admitir suas culpas para os amigos. A mulher diverte-se em admitir as culpas do homem para as amigas.
33. Trabalho: o homem ganha para trabalhar. A mulher ganha a metade do que o homem ganha para fazer o mesmo trabalho.
34. Malas: a mulher mantém as malas guardadas nos armários e sempre carrega malas menores dentro das malas grandes. O homem carrega a valise e todas as malas da mulher.
35. Ginástica: para o homem, a ginástica é uma atividade física. Para a mulher, um evento social.
36. Controle remoto: a mulher pensa que um bom lugar para manter o controle remoto é encima da TV. O homem pensa que o melhor lugar é em suas mãos.
37. Coleção: a mulher se satisfaz com 10 ou 20 CDs. O homem precisa de pelo menos uns 200.
38. Comida: a mulher pede arroz e come as batatas fritas do homem. O homem come arroz e fica sem as fritas.
39. Guarda-roupa: a mulher se lembra de cada peça de roupa que usou nas duas últimas décadas. O homem não se lembra do que usava ontem à noite a não ser que olhe para o chão do quarto.
40. Lar: a mulher tem a habilidade de esvaziar o cérebro completamente quando está em casa e relaxar. O homem não entende o que pode haver de bom nisso.
41. Papel higiênico: a mulher, quando percebe que o rolo de papel higiênico está no fim, trata de repô-lo imediatamente. O homem, quando percebe, grita: "Merda, você pode me trazer papel, amor?"
42. Carro novo: quando alguém conta que comprou um carro novo, a mulher pergunta qual é a cor. O homem, qual é o modelo.
43. Bebês: a mulher sabe por instinto o que é perigoso ou não-recomendado para os cuidados com o bebê. O homem não.
44. Datas: a mulher tem um gene-calendário que registra todas as datas - aniversários, celebrações, casamentos, batizados e qualquer outro evento. O homem não tem um gene-calendário.
45. Praticidade: a mulher coloca as coisas perto da escada para aproveitar e levá-las quando subir. O homem passa por cima das coisas até que uma mulher lhe diga para levá-las para cima.
46. Multi-tarefa: a mulher tem a característica de fazer tudo ao mesmo tempo. O homem nunca pode preparar o jantar e deixar tudo o mais pronto simultaneamente.
47. Compreensão: a mulher capta as mensagens nas entrelinhas. O homem precisa que desenhem para que ele entenda a mensagem.
48. Casamento 2: a mulher, nos casamentos, chora e fica bêbada. O homem fica bêbado e depois chora.
49. Manuais: o homem, quando chega algum equipamento ou móvel novo em casa, jamais lê o manual. Mas é capaz de ler manuais de carros ou de bicicletas que nunca terá. A mulher pergunta: que manual?
50. Bugigangas: o homem é capaz de acondicionar uma infinidade de bugigangas em caixas sem nunca reclamar que as caixas estão cheias. A mulher joga tudo fora.
51. Soluções: a mulher sempre sabe quando alguém quer um copo de vinho, sente compaixão pelos safados e ouve atenciosamente as queixas dos outros. O homem resolve.
52. Estacionamento: a mulher não consegue estacionar o carro entre as duas linhas amarelas em um estacionamento vazio. Pede para o homem/manobrista fazê-lo.
53. Objetos: o homem nunca perde tempo para observar onde estão guardadas as coisas. Pergunta para a mulher onde ela guardou.
54. Comando: a mulher tem habilidades especiais para fazer com que os homens pensem que eles estão no comando. Os homens comandam.
55. Eu/nós: o homem usa "eu" ou "meu" quando deveria usar "nós" ou "nosso". A mulher usa "nós" ou "nosso" quando deveria dizer "eu" ou "meu".
56. Sono: o homem tem a capacidade de dormir apesar do som do bebê que chora, do cachorro que late ou da campanhia que toca. A mulher acorda com o ronco do homem.
57. Volante: a mulher dirige na área da estrada que ela enxerga. O homem atravessa a paisagem com o carro.
58. Sim/não: o homem tem o peculiar dom de desatar a falar sobre assuntos os mais complexos como a termodinâmica quando solicitados a responder uma simples questão com "sim" ou "não". A mulher pergunta de novo.
59. Comportamento: o homem costuma sentar-se em lugares públicos com as pernas completamente abertas sem que se reclame o quão isso é desagradável e como ele atrapalha a passagem. A mulher senta-se com as pernas fechadas e não ocupa mais do que 50 cms de espaço.
60. Reclamações: a mulher tem na pele o gene da reclamação: reclama quando alguma coisa está suja, quando está muita próxima, quando está vazia, quando está fora do lugar, tudo isso apenas para arrumar alguma coisa com a qual implicar somente para se ocupar. O homem ouve e vai embora.
61. Choro: a mulher sabe o que fazer quando alguém começa a chorar. O homem tende a sair do lugar em meio a murmúrios incompreensíveis sobre coisas urgentes para fazer.
62. Riscos: o homem faz as coisas sem pensar nos riscos envolvidos e depois se desculpa por eles. A mulher pensa nos riscos e não faz nada.
63. Surdez: o homem tem a habilidade de cantarolar "la, la, la" na cara da mulher para fingir que não a ouve. A mulher chora.
64. Ferramentas: o homem é capaz de ficar em estado de contemplação ante a coleção de ferramentas de carpintaria como se fosse uma espécie de entretenimento estimulante. A mulher usa o martelo para massacrar o dedo quando martela um prego.
65. Onomatopeia: o homem tem a estranha capacidade de responder qualquer pergunta, não importa quão complexa ou importante seja, com "mmmmm". A mulher responde com "blábláblá".
66. Duplas: a mulher não consegue penetrar nas conversas de dois homens juntos. Dois homens não conseguem entender uma mulher sozinha.
67. TV: o homem é capaz de assistir a seis diferentes canais simultaneamente e saber o nome de cada um dos programas que assiste. A mulher só quer ver a novela.
68. Computadores: o homem tem total empatia com os computadores. O que significa que, provavelmente, estará sempre envolvido com um computador ao invés de fazer coisas úteis. A mulher liga o computador, entra no blog e desliga o computador.
69. Arrumação: está no gene da mulher pegar todas as coisas, espalhadas ou não. O homem tem o gene do desapego: pega aqui e deixa ali.
70. Comparações: a mulher compara processos. O homem compara áreas.
71. Descaramento: a mulher olha um homem com discrição. O homem encara uma mulher de cima a baixo.
72. Sofá: o homem tem a faculdade de manter o controle da TV com firmeza entre suas mãos enquanto reclina o sofá e olha para os lados para ver se está tudo sob controle. A mulher se posta na frente da TV.
73. Máquina de lavar: a mulher sabe que a máquina de lavar roupas tem programas diferentes para cada tipo de tecido, cor e quantidade e os usa de forma correta. O homem coloca 8 quilos de roupa no ciclo máximo e esquece todos os demais detalhes.
74. Cerveja: o homem ouve uma cerveja ser aberta a três cômodos de distância. A mulher escuta a garrafa quebrar no chão da cozinha.
75. Crianças: se um amigo do homem convidá-lo para celebrar o aniversário do filho, com sorte, ele saberá o sexo e o nome da criança. Se for uma amiga que convida outra, a mulher se recordará do nome (e sobrenome) da criança, peso, idade, o tempo de duração e o tipo de parto que foi feito.
76. Futebol: o homem não pode assistir a um jogo de futebol e falar ao mesmo tempo com a mulher. A mulher não entende isso.

Claro que essa lista é baseada em situações de humor. Mas, se você analisar, verá que, de formas bastante heterodoxas, tem muito de verdade nesses pontos e que talvez seja por isso que nós, homens e mulheres, nos completemos, no final das contas. Isto é, quase sempre.



segunda-feira, 4 de maio de 2009

Madonna, de US$ 30 a US$ 1 bilhão, 30 anos depois

Pode a Madonna ser vintage? Sim, a ambiciosa e agora loura Madonna foi, um dia, aos 20 anos, uma quase pin-up girl de pele morena e carnes roliças. Uma Madonna aos moldes das legítimas madonas de Caravaggio, enfim.



A cantora tem uma fortuna estimada em mais de US$ 1 bilhão e é considerada a artista mais rica do mundo. O Guiness a alcunhou de "Artista Feminina Mais Bem-sucedida de Todos os Tempos". Isso soa bastante pomposo e é, de fato.


Mas, nos idos de 80, Madonna, antes de construir a imagem de ícone para si, trabalhou como bailarina. Para completar o modesto rendimento da época, enquanto lutava por espaço no show business dos EUA, posou nua para um fotógrafo de Nova York (Martin Schreiber) por apenas US$ 30.


Hoje, Madonna tem 50 anos, três filhos, é uma blond em ambição permanente e comedora. Sim, comedora sim. Faminta. Desde que foi possuída pelo vírus da academia, Madonna tem fome. De roliça, passou a criatura feita de ossos e esquálidos músculos, esculpidos a duras horas no malho ferroso da diária academia.


As fotos vintage de Madonna estão expostas na Impure Arts Gallery, em Brighton, dentro da programação do Fringe Festival ao sul da Inglaterra. A exposição chama-se "Os Nus de Madonna - Aniversário de 30 Anos".


OK, as fotos não são inéditas. Foram publicadas pela Playboy em 1985. Mas agora estão em ambiente de exposição pública, com a diferença de que são as originais feitas por Schreiber em 1979. Também estão na exposição cópias da Playboy, agora histórica, livros, cartões e postais relacionados à nudez de Madonna.


(A filha de 12 anos, Lourdes Maria, em momento Frida Kahlo, quer dizer, de bigodinho)

Schreiber reconhece que fotografar a futura pop star foi o mesmo que ter ganho na loteria: "Madonna estava na capa da revista Time e eu tinha fotos dela nua, de quando era modelo. Depois de negociar com as revistas Playboy e Penthouse, vendi as fotos para a Playboy, que as publicou na edição de setembro de 1985. Com o sucesso de Madonna, ganhei o equivalente a três anos de trabalho", diz o fotógrafo.


Sob o olhar contemporâneo, é surpreendente constatar o quanto Madonna, aos 20 anos, era parecida com a filha Lourdes Maria, que tem 12 anos.

domingo, 3 de maio de 2009

Meu rugido dominical


A 5ª. edição da Virada Cultural acabou agora há pouco. Foram 24 horas - das 18:00 horas de sábado às 18:00 horas deste domingo - que atraíram, segundo estimativa da organização, mais de 4 milhões de pessoas. O município tem quase 11 milhões de habitantes, o que significa dizer que quase 35% das pessoas que moram na cidade mobilizaram-se em função da Virada Cultural.


E isso me faz desejar que São Paulo fosse assim, afável, convidativa 24 horas por dia. Se a cidade tem a (justa) fama de que não para nunca, que se movimenta e faz movimentar as pessoas em cada uma das 24 horas do dia e da noite, por que não fazer da virada uma rotina?

Perde-se o medo. Se vai à rua como se fosse uma pequena cidade do interior. Uma festa junina temporã, com todo mundo presente. Com vontade de se alegrar, fazer festa, sorrir, unir-se à multidão.

Em geral, eu evito aglomerações. A (correta) acepção de que gato escaldado tem medo de água quente se aplica a quem, como eu, já sofreu a violência dessa cidade. Não uma ou duas vezes. Mas em quatro ocasiões. De forma que, se você mora aqui, você assimila o condicionamento, o complexo de Pavlov que te faz se arrepiar e, ao contrário dos cachorros do cientista, seca a tua saliva, apura os sentidos primitivos e você, de imediato, se arvora todo(a) em defesa.

Essa é a cidade de São Paulo nos 365 dias. Minto. Nos 364 dias. Porque no dia da virada, vira-se a cidade do avesso. Não sei porque mecanismo, há um inconsciente coletivo que ajuda a deter a violência cotidiana. Claro que não se estabelece, de fato, uma inocência antiga e secular que dava ares de vila para essa cidade, há uns 50 anos. Essa inocência está irremediavelmente perdida.

Mas é o caso de se admirar que, malfadados os pequenos crimes que, por certo, ocorrem em meio à multidão, é de se admirar que 4 milhões de pessoas criem essa onda gigantesca, esse tsunami de celebração da cidade que a nós pertence.

E talvez pertença apenas nesse dia e por isso se faz tão importante retê-lo, guardá-lo como se acondiciona um raro perfume em um pequeno e seguro frasco. Porque, eu já disse isso neste blog, São Paulo não é fácil. Mundana, faz ares de prostituta da Babilônia, a te envolver em véus e ocultas promessas. De posse de você, te arma ciladas e ai de você.

Comparo a Virada Cultural ao estabelecimento de uma nova cidade, ao menos por um dia. Duas cidades me agradam, sobremaneira: Barcelona e Buenos Aires. Em ambas, se caminha o tempo todo, com a sensação de proteção. Anda-se muito nas duas cidades, que convidam ao passeio. Me lembro de ler em Machado de Assis sobre os passeios públicos do Rio de Janeiro. 

Que agradáveis me soavam os passeios, os parques, as praças. Barcelona, com suas ramblas, e Buenos Aires, com San Telmo a liderar a ronda diuturna, são dois lugares que se oferecem à degustação do pedestre. São, ambas, cidades que se dão generosamente ao morador. São Paulo, em 24 horas de virada, apenas nos dá um vislumbre de pertencimento. De lugar, meu, seu, nosso.

A virada é um evento inspirado nas "Nuits Blanches" (Noites Brancas) de Paris, Madrid e Roma. O nome noite branca me parece bastante apropriado. Soa como uma tela ou cartaz ou mesmo um lençol em branco para ser preenchido pelas pessoas, das mais diversas formas. Aqui em São Paulo, virou virada. OK. Somos mesmos virados, sob todos os aspectos. Que viremos, pois, em maiores e mais duradouras viradas. Sem medo, sem receio da cidade. Com vontade de tomá-la e dizer, finalmente: "essa cidade é minha".

sábado, 2 de maio de 2009

Andar vestido de pelado atenta contra o pudor?

Será que existe sex victim (vítima do sexo) assim como existe fashion victim (vítima da moda)? Não sou vítima da moda, mas, em relação ao sexo, não posso afirmar com segurança a mesma coisa. De forma que posso ser classificado, mais ou menos, como slave (escravo), já que a submissão a um instinto tão primitivo pode ser, sim, chamada de escravidão.


Enfim, são temas muito peculiares e, cada cabeça, uma sentença. As minhas (cabeça e sentença) já foram programada e pronunciada, respectivamente, e não me resta muito além de bater cabeça para a sentença dada. 


Mas, volto à moda, pois é disso que trata o post. É possível se expor sem se mostrar? Mostrar aquilo que todo mundo sabe e finge que não?


E como se faz isso? Você faria? Quer dizer, usaria as roupas que ilustram este post?


Para se mostrar, mostrar que não tem problema algum ou para fazer uma linha fashion e, ao mesmo tempo, slave? Ou, quem sabe, para chocar. Sei lá. Fashion, definitivamente, é que não é. Tem mais um apelo sexual do que fashion, quero dizer. Para uns, soará até mesmo como afronta. Bizarrices, quiçá!


Eu gostaria de sair para a rua assim apenas para registrar as reações. As pessoas andam cobertas com tudo: tecidos, sintéticos, peles naturais. No entanto, resistem a mostrar as próprias peles. É como se fosse um crime. Obsceno. O ato de desnudar em público traduz em atentado violento ao pudor!!!


Violento como??? Eu violo o outro porque exponho o meu corpo? Mas posso expor a pele alheia (de um animal ou seja lá o que for o que compõe a minha vestimenta)? O que é atentar contra o pudor alheio? E despudorar-se acaso significa tornar-se sem vergonha? É. Porque pudor traduz-se em vergonha. Mas vergonha do que mesmo?


Quer dizer, o simples ato de vestir-se ou despir-se - em público - se traveste, literalmente, de tantas conotações que é impossível diferenciar a roupagem que nos cobre da capa que, aparentemente, nos oculta as vergonhas. Não à toa, cobrimos as nossas 'vergonhas' (genitais), cheios(as) de vergonha.


Quem mandou a serpente nos abrir os olhos, não? Que desde tenras eras, a folhinha de parreira tem que cobrir séculos de pudor para que não nos vejamos como somos. Melhor nem insinuar então? E muito menos lembrar que, debaixo das vestes, somos seres completos, sexuais?

sexta-feira, 1 de maio de 2009

A morte não lhe cai bem


Tem gente que estreia em grande estilo. E quando eu digo 'estreia', falo sobre grandes obras, feitos, realizações. Que entram no palco para arrasar. De uma só vez, sem dar tempo ao fôlego. Com 29 anos, Roberto Saviano, o napolitano que escreveu o livro "Gomorra" - Bertrand Brasil - 349 páginas, é uma dessas pessoas que entram triunfalmente na história. Isso não quer dizer, contudo, que está assegurado a essas pessoas o acesso irrestrito. Antes e ao contrário, há os que, como Saviano, mais perdem do que ganham. Volto atrás e reconsidero: não há triunfo algum nisso. Avalie por si mesmo(a).


(A capa do livro, edição Brasil)

Mas, se o triunfo significa alguma coisa além de glória e fama, para Saviano - jornalista que se infiltrou na Camorra, a organização criminosa que opera na região de Nápoles e é tão ou mais influente do que as congêneres Cosa Nostra (da Sicília) e a Ndrangheta (da Calábria) -, talvez, o que houve foi a constatação da perda da vida, em vários e amplos sentidos.


Para um jornalista, transformar-se da noite para o dia em referência mundial, com tanta precisão de dados, fatos, nomes e referências, todos contidos em "Gomorra", seria o ápice. Não é assim para Saviano. "Minha vida está suspensa, cancelada, detida. Lamento ter destruído meu mundo por um livro e ter feito mal a todos que me queriam bem", diz, sobre o peso de ter lançado luzes - e denúncias e documentação - sobre a máfia napolitana.


Gomorra virou filme. A arte que copia a vida. A vida sempre a surpreender e ultrapassar os limites ficcionais da arte. A vida de Saviano daria um filme. Um moderno chefão que voa baixo em carros italianos de luxo pelas ruas de Nápolis. Mas a vida real não tem películas. É crua, sem filtros, sem tratamento de pós-produção. É feita ao vivo. Aqui e agora.


Saviano perdeu tudo: a liberdade, os amigos, a família e a namorada. Quando se locomove, somente o faz escoltado por cinco policiais. São seus únicos amigos. Uma simples ida ao supermercado implica em mobilizar a equipe. Saviano transformou-se em símbolo mundial da liberdade de expressão mas perdeu a própria expressão. Sente-se um morto em vida. E espera. Espera que a morte chegue. Sabe que a morte o encontrará. A Camorra tem 80 clãs e mais de 8 mil filiados. Um dia, o adeus. E tudo acabará para Saviano, que ousou desnudar a Camorra.


(Saviano ao centro, cercado pelos carabinieri)

De resto, não preciso nem recomendar mais o livro. A história do autor pós-publicação já fala por si mesma. Reproduzo abaixo entrevista concedida por Roberto Saviano ao jornal espanhol "El País", reproduzida no Brasil pela Folha de São Paulo:

"PERGUNTA - Quer dizer que é assim sua vida atual?
ROBERTO SAVIANO - É assim. Eles vão aos lugares antes de mim. Chegam primeiro, controlam tudo, e depois eu vou. Para qualquer coisa. Se é preciso comprar uma geladeira, por exemplo, eles vão na frente, depois eu vou, a olho, escolho o modelo, e então vamos a outra loja diferente para comprá-la. Nunca voltamos ao mesmo lugar.

PERGUNTA - O sr. sempre teve cinco guardas?

SAVIAN- Comecei com dois, depois passaram a ser cinco.

PERGUNTA - O sr. muda muito de casa? 
SAVIANO 
- Sempre que observamos algum detalhe diferente. Por exemplo, se há uma obra em andamento num edifício próximo e sabemos que há pessoas de Nápoles trabalhando ali que já foram julgadas, eles me mudam de casa. Basta algo assim.

PERGUNTA - Eles o escoltam também dentro de casa? 
SAVIANO 
- Não, normalmente não entram em casa. Esperam atrás da porta. Vinte e quatro horas por dia.

PERGUNTA - Parecem tranquilos. 
SAVIANO 
- Têm muitos anos de experiência no combate à máfia. Já protegeram personalidades, juízes e "supertestemunhas". Maruccia os escolheu.

PERGUNTA - Com tanto contato, vocês já devem ter virado amigos. 
SAVIANO 
- Claro, são magníficos. E isso me obriga a seguir adiante, a não desistir. Devo isso a eles, que me defendem.

PERGUNTA - O sr. encontra amigos em casa? 
SAVIANO 
- Poucas vezes. Muitos de meus amigos se afastaram desde que o livro saiu. Foi muito doloroso entender isso. É natural, porque você desaparece, vira invisível e se torna outra pessoa. Você fica desconfiado, vive nervoso, com a cabeça em outro lugar, e nada nem ninguém parece estar à altura trágica de sua situação...

PERGUNTA - A normalidade se torna absurda. 
SAVIANO 
- Sim, as propostas das pessoas normais, falar de coisas bobas, sair para tomar uma cerveja, bater papos superficiais, no início eu não suportava. Eu estava mergulhado num turbilhão no qual existia apenas meu trabalho, minha situação, e procurava respostas nos livros. Fiz uma espécie de descida aos infernos literários para entender quem, antes de mim, em situações mais graves, conseguiu sobreviver.

PERGUNTA - E quais autores o ajudaram? 
SAVIANO 
- Os perseguidos pelos soviéticos: Boris Pasternak [1890-1960], Varlam Shalamov [1907-82]... e, mais recentemente, Anna Politkovskaia [1958-2006], que acabou de forma trágica, mas sempre enfrentou as difamações. Não vou esquecê-la. Tampouco me esqueço das cartas e dos diários do juiz Giovanni Falcone [1939-92], o que ele escreveu e publicou, porque resistiu a ataques cotidianos, parecidos com os que eu sofro.

PERGUNTA - E, tantas vezes, com a cumplicidade do governo. 
SAVIANO 
- Sim. Estou convencido de que, na Itália, quando se luta contra determinados poderes, o destino das pessoas está selado. Não necessariamente de forma trágica, embora muitas vezes seja assim.

PERGUNTA - Deixando o sr. fora do circuito? 
SAVIANO 
- Eles o caluniam, dizem que você está se exibindo, que está procurando publicidade. É isso que é incrível, porque se cria um círculo vicioso que impede que você tenha a palavra. E o que as máfias temem é justamente isso: a atenção.

PERGUNTA - Quando o sr. escreveu o livro, imaginou que aconteceria algo assim? 
SAVIANO 
- Eu era um sujeito jovem que lia, discutia e escrevia. De repente me vi no meio desta guerra. Pensava que teria problemas, mas não tão graves. Agora não posso pôr os pés em Nápoles. Esta viagem é a primeira que faço em um mês. Todas as cidades me convidam, menos a minha. Apesar de "Gomorra" ser o livro mais vendido da história da cidade.

PERGUNTA - Soa irônico, é verdade. 
SAVIANO 
- Restam poucos focos de resistência ali, poucas forças sadias. Uma delas é Marotta, o filósofo; outra, o cardeal Sepe. E o bispo Raffaele Nogaro, em Caserta, que leva adiante o trabalho do dom Peppino Diana, o padre de Casal di Principe que foi assassinado. É curioso que as instituições religiosas façam o trabalho do Estado. Esse é o drama do sul da Itália.

PERGUNTA - A crise econômica vai agravar a situação? 
SAVIANO 
- Com certeza. E isso vai permitir ao dinheiro do crime entrar em todo lugar. [Devemos estar por volta do quilômetro 80. Faltam 150 para Nápoles. Não há muito tráfego na estrada e o automóvel voa, como os dos videogames. Os que andam pela esquerda nos acompanham em alta velocidade. "Vamos levar pouco mais de uma hora", informa Saviano. "Se os "carabinieri" nos pararem, vamos sorrir." É a primeira piada da viagem.] [Parece estar de humor melhor do que estava alguns meses atrás, quando disse que deixaria o país. Mas, à medida que nos aproximamos de Nápoles, vai ficando mais tenso]

PERGUNTA - Na realidade, o sr. vive uma espécie de vida virtual. Como um super-herói ao avesso. 
SAVIANO 
- Uma vida virtual e blindada. As pessoas me visitam como se eu fosse um doente, me trazem água e açúcar, como dizemos na Itália. O que me dá satisfação são coisas virtuais, como o Facebook -recebo milhares de mensagens de jovens. Isso é precioso. Neste país ainda há pessoas que têm vontade de se expressar.

PERGUNTA - O sr. sente mais esse apoio que o da classe intelectual? 
SAVIANO 
- O papel do escritor mudou de repente, e alguns se sentiram assediados. Muitas pessoas exigem que os escritores se pronunciem. Antes achavam que os livros não podiam mudar as coisas; hoje já não se pode afirmar isso. Talvez se possa dizer que alguns escrevem palavras que não mudam as coisas e que outros escrevem palavras que permitem que as pessoas tenham instrumentos para mudar as coisas. O poder enorme que tem o leitor que escolhe ler um livro... Talvez ele não se dê conta disso. Eu, sim. Os leitores, e não o livro, são a chave de minha história. Se ninguém tivesse lido meu livro, a Camorra teria se importado muito menos com ele.

PERGUNTA - A jornalista do "Il Mattino" Rosaria Capacchione, autora de "L'Oro della Camorra" [O Ouro da Camorra], também vive sob escolta. 
SAVIANO 
- Sim, é um caso parecido com o meu. A diferença é que ela ainda vive e trabalha em Nápoles. Consideram-me um palhaço porque escrevo fora da cidade. Já ela é respeitada.

PERGUNTA - [O jogador de futebol] Cannavaro já disse que essas coisas da máfia é melhor não espalhar... 
SAVIANO 
- A máfia faz todo mundo sentir-se culpado. Alguns se sentem culpados porque sabem pouco, outros, porque pensam muito. Cannavaro se equivoca em uma coisa. Não é um problema local, é global: eles investem em todo lugar.

PERGUNTA - Muitos napolitanos pensam como ele. 
SAVIANO 
- Sim, um dia um advogado gritou para mim: "Sou eu quem paga sua escolta!". E os vizinhos de um apartamento que tive se organizaram e pagaram vários meses de meu aluguel adiantados, para não me terem ali.
[Nápoles aparece no horizonte, grande e belíssima. "Você vê Nápoles e depois morre", reza o ditado. Uma frase que não parece oportuno citar quando o carro estaciona no quartel da polícia. Por sorte a pizzaria fica perto dali, na rua de Toledo.]
[Os livros são a grande paixão de Saviano, desde pequeno. Seu rosto só se ilumina quando fala de literatura e quando chega a pizza fumegante, verdadeiramente napolitana: mussarela de búfala, tomates cereja, crocante e macia.]
[Saviano a corta em triângulos e sopra por cima, fazendo círculos, como um menino. Então conta que tirou de "Soldados de Salamina", de Javier Cercas, a inspiração para escrever seu "relato real". E que gostaria de encontrar Mario Vargas Llosa.] É um escritor fabuloso, e, como Cervantes, conhece a alma napolitana. Eu o escolheria como padrinho de meu retorno público.
Seria maravilhoso se Marotta organizasse sua vinda aqui no Instituto, porque foi essa grande tradição laica e civil de Nápoles que me ajudou a escrever o livro. Os mestres dos revolucionários franceses eram napolitanos. Aqui nasceram as ideias de liberdade na Europa.
E não foi por acaso que Giordano Bruno morreu na fogueira, e sim porque tentou retornar a Nápoles. Tinha a hospitalidade do mundo inteiro, mas preferiu voltar. Foi detido em Veneza e o queimaram.
Alguns me dizem: "Fale da grande cultura, e não da vida ruim". Caravaggio é a beleza, e essa beleza me dá forças para relatar o mal. Se não existisse essa beleza, não haveria esperança de sair. Mas, se usamos a beleza para encobrir o mal, ela se converte em disfarce.
Estive com Salman Rushdie em Nova York. Cheguei com a escolta, ele se aproximou com Ian McEwan, cada um me pegou por um braço e eles me levaram ao carro. Eu mal conseguia acreditar.
Salman me disse o que eu sinto. Que muitas pessoas pensam que, para um escritor, viver ameaçado é algo glamouroso. Que ninguém vai me entender, exceto algum político (ele diz que apenas Margaret Thatcher o entendia). Que ninguém vai acreditar que o que você mais deseja é tomar um café num bar. Que a única forma de reconquistar sua liberdade é decidir fazê-lo. Que o importante é manter sua cabeça livre e saber quando você quer voltar a ser livre. Que eu devo procurar um bom exílio...
Mas isso é algo que preciso pensar bem, porque começar do zero é difícil.
[Estamos de volta a Roma. Saviano escapuliu na metade da tarde de sexta-feira para passar o fim de semana com sua "mamma" (versão oficial) e hoje ficamos na sede de sua editora, a Mondadori. Finalmente, a boa notícia: Saviano está escrevendo outra vez. Tem dois projetos em andamento. Um é um relato verídico sobre o crime organizado internacional. O outro falará dele próprio, do homem solitário. Será quase uma vendeta.]
["Tenho que canalizar de alguma maneira o rancor que sinto pelos amigos que me abandonaram quando escrevi "Gomorra". Sinto ódio por eles. Entendo que a vendeta não é uma arte nobre, mas me deixaram no chão quando eu mais precisava deles. E a amizade é o contrário disso, não?"

PERGUNTA - Com sua família as coisas vão melhor? 
SAVIANO 
- Quando meus pais se separaram, meu irmão e eu ficamos com nossa mãe, que é química e vivia viajando a congressos. Estudamos num colégio de Caserta. Víamos meu pai, que é o médico da cidade, nos finais de semana.
Arruinei a vida de todos que me eram próximos. Meu irmão foi trabalhar no norte. E não tenho relações com meu pai.

PERGUNTA - Dizem que tudo vem da infância. O que o sr. se recorda da Camorra daquela época? 
SAVIANO 
- Meu pai me levava para visitar doentes nos povoados rurais de Caserta. Muitas vezes víamos cenas apocalípticas. Eu me lembro das búfalas mortas boiando no rio Volturno. Quando ficavam velhas, jogavam-nas na água, para economizar balas.
Lembro que pescávamos percas marinhas no rio, porque, de tanto a Camorra roubar a areia do rio para fazer cimento, em vez de o rio desembocar no mar, a água salgada penetrava em seu leito.
Meu pai sempre teve medo da Camorra, mas nunca se rebelou. Via os carros luxuosos deles e sentia raiva. Mas não dizia nada, nunca.
Sempre senti essa asfixia. Tudo ia mal, mas ninguém podia fazer nada. Sempre foi assim. "Se você é "furbo" (malandro), pode aproveitar", diziam. Se você pensa que pode mudar alguma coisa, é um louco.
A Camorra sabe que só tem problemas quando mata demais. Ela ajuda as famílias com filhos deficientes.

PERGUNTA - Quer dizer que não é apenas um Estado, mas um Estado de Bem-Estar Social. 
SAVIANO 
- Mas o bem-estar social da Camorra não é um direito, é um privilégio. Eles podem tirá-lo de você.

PERGUNTA - Quando decidiu ser escritor? 
SAVIANO 
- Aos 14 ou 15 anos. Eu sempre lia; adorava os clássicos. Nascer na terra da Camorra não supõe apenas viver entre morte e sangue -você também vive rodeado das melhores ruínas da Antiguidade. Aníbal e Espártaco eram os personagens de minha infância. Meu avô e meu tio sempre me contavam histórias de Espártaco.
A cultura é o que realmente salva nossa vida; minha terra me deu isso de presente. A "Anábasis" de Xenofonte se parece comigo.
Para escrevê-la, ele se tornou mercenário. Xenofonte era tatuado, e eu também. Ele se fez tatuar com a figura de um javali. Consideravam-no um reacionário. Mas no livro, dizia: "Não confia em quem escreve sobre coisas não vividas".

PERGUNTA - Mas, para o sr., esse livro apenas estragou sua vida. 
SAVIANO 
- Agora vivo encerrado em ambientes fechados; ando de um cômodo a outro, às vezes dou socos nas paredes. É uma meia morte, ou uma meia vida.

PERGUNTA - Ela acabará um dia... 
SAVIANO 
- Quem sabe minha libertação chegue e eu possa passear novamente na praça do Plebiscito quando eu for velho, ou usando uma peruca loira.
Mas não acredito. Nápoles não só não esquece como sente rancor. "Gomorra" arrancou a tampa que fechava tantos silêncios. Não me perdoarão nunca. Dizem: "Você está ganhando dinheiro com a "monnezza" (o lixo), hein?", ou "pare de escrever porcaria, 'buffone'".
Os guarda-costas se indignam mais do que eu, e tenho que dizer a eles que têm que me defender dos ataques físicos, não dos espirituais.

PERGUNTA - Orhan Pamuk deixou a Turquia. 
SAVIANO 
- A Europa e o México são hoje os lugares onde os escritores correm mais risco. Mataram com um tiro na cabeça o autor [Georgi Stoev] de "BG Godfather" [Chefão Búlgaro]. Também mataram Politkovskaia e a jornalista que retomou seu trabalho... Dá medo neles o autor que consegue fazer sua mensagem extrapolar seu território.

PERGUNTA - O sr. pensa muito em sua própria morte? 
SAVIANO 
- Bastante. Me dizem que o TNT é o pior, mas eu sinto mais medo de balas. Sei que me farão pagar -está escrito.
Convivo tanto com isso que já não me assusta mais. Quando chegarem, porque chegarão, será dentro de algum tempo. A tensão me defenderá por alguns anos. Enquanto isso, eles, seus 200 mil seguidores e tantos políticos que tentam minimizar o que acontece, dizendo que é exagero, continuarão com a difamação. Dirão que copiei, que sou um palhaço.
Diziam isso a Falcone. E ele disse uma coisa muito importante a sua irmã. Disse que não se defendia das calúnias porque elas se defendem sozinhas, e que a máfia lhe faria um favor matando-o, porque assim ficaria claro que não era arrivista e que dizia a verdade.

PERGUNTA - Não podemos terminar assim. Suas armas são a palavra e a verdade, e são mais poderosas que as balas. 
SAVIANO 
- Contar a verdade me ajudou a afastar as sombras que eu carregava por dentro e que se projetavam sobre mim. Eles venceram em parte, por me fazerem viver assim.
Mas, por outro lado, perderam. Hoje no Facebook há milhares de jovens discutindo a Camorra. Destruíram minha vida, mas, quanto a mim, o que fiz já não é meu. É das crianças.
"

Roberto Saviano, como citado na entrevista acima, está conectado à internet:

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(Excepcionalmente, publico este post fora da seção The Book Is On The Table, voltada para os livros que leio e comento. O assunto, o autor e as consequências de um escritor por publicar uma obra merecem este destaque.)

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