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terça-feira, 2 de março de 2010

Mister Brasil Mundo 2010

Acontece nesta quinta-feira, 4, em São Paulo, a disputa pelo título de Mister Brasil Mundo 2010. São, ao todo, 33 candidatos do Brasil: de 22 estados, dez ilhas e arquipélagos e do Distrito Federal. O vencedor representará o Brasil no concurso Mister World, cuja final acontecerá no dia 27 de março na Coreia do Sul.


Ao contrário do que se afirma sobre as pessoas - "ninguém é uma ilha" -, aqui, neste concurso, ao menos dez ragazzos são ilhas. Ilhas daquele tipo que sustentariam um náufrago, por exemplo. E de tal forma que representam muito bem as respectivas ilhas e arquipélagos, sob a alegação de que esses candidatos foram escolhidos para chamar a atenção sobre os projetos ambientais desenvolvidos por cada uma dessas ilhas ou arquipélagos. Então, tá! Pelo que entendi, trata-se de um projeto ambiental, sim, mas daquele modo que usamos para nos sentirmos mais confortáveis em um ambiente do que em outro. A minha veia verde limita-se a essa interpretação (e à cor do texto deste post, já que é para ser verde) e mais não digo.


Para dar uma dimensão dessas pequenas ilhas que avançam além-mar, repare nos nomes (das ilhas, e não 'dos' ilhas): Fernando de Noronha, Ilha do Mel, Ilha dos Lobos, Ilha dos Marinheiros, Ilha Grande, Ilhabela, Arquipélago de São Pedro e São Paulo, Arquipélago de Alcatrazes, Atol das Rocas e Trindade e Martin Vaz.


O júri será composto somente por mulheres e os candidatos serão avaliados em trajes casuais e de praia. Dos 33, apenas 12 serão selecionados para a final e, dentre esses, sairá o vencedor.


Resolvi postar esse concurso para não ser acusado de heterofóbico porque, no passado, fiz post semelhante sobre o Mister Gay Brasil. E para tampouco ser classificado de misógino, me comprometo a fazer, igualmente, o post sobre a Miss Brasil 2010, que também acontece este mês e cujas eliminatórias estaduais já acontecem desde o ano passado.


E, claro, a seguir, o mais importante: as fotos dos candidatos e respectivas identificações e locais de origem. Assim como fiz quando da postagem do Miss Gay Brasil, publicarei na abertura deste blog a pesquisa de opinião sobre o Mister Brasil Mundo 2010. Mas calma! Antes que você se estresse, a pesquisa ficará no ar hoje, dia 2, amanhã, dia 3 e quinta-feira, dia 4, até que saia o resultado final. Vote (aí acima), portanto, para saber se a sua escolha coincide com o vencedor.


(Fábio Cimi, 30 anos, Alcatrazes)

(Rafael Ortiz, 21 anos, Amapá)

(Guilherme Cruz, 23 anos, Atol das Rocas)

(Felipe Louback, 20 anos, Acre)

(Levy Justino dos Santos, 28 anos, Alagoas)

(Carlos de Lima, 27 anos, Bahia)

(Marcos Lusardo, 26 anos, Distrito Federal)

(Jhony Monhol, 19 anos, Espírito Santo)

Leonardo Romanzeira, 28 anos, Fernando de Noronha)

(Cícero da Fonseca, 21 anos, Ilha do Mel)

(Jonas Sulzbach, 23 anos, Ilha dos Lobos)

(Marlon de Gregori, 23 anos, Ilha dos Marinheiros)

(Rafael Porphirio, 27 anos, Ilha Grande)

(Rafael Moretti, 19 anos, Ilhabela)

(Érico Moucherek, 18 anos, Maranhão)

(Gabriel Guimarães, 23 anos, Mato Grosso do Sul)

(Isac Fioravante, 27 anos, Mato Grosso)

(Diego de Oliveira, 22 anos, Minas Gerais)

(Nicholas Jhansen, 21 anos, Paraíba)

(Rodrigo Simoni, 21 anos, Paraná)

(Alcir de Paula, 27 anos, Pernambuco)

(Ygor Siliati, 25 anos, Piauí)

(Anton Vasconcellos, 20 anos, Rio de Janeiro)

(Jussié Dantas, 22 anos, Rio Grande do Norte)

(Luciano Devitt, 24 anos, Rio Grande do Sul)

(Fábio Vaz, 25 anos, Rondônia)

(Allan Maiate, 21 anos, Roraima)

(Bruno Faria, 25 anos, Santa Catarina)

(Caio Ribeiro, 19 anos, São Paulo)

(Roberto França, 27 anos, Arquipélago de São Pedro e São Paulo)

(Bruno Damasceno, 21 anos, Sergipe)

(Marcos de Lara, 26 anos, Tocantins)

(West Gave dos Santos, 27 anos, Ilha de Trindade e Martin Vaz)

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Do caos calmo ao caos. Ponto!

Nem bem cheguei e sou devidamente abalroado pelos ruídos da cidade que não cessa o burburinho jamais, faça chuva (e quanta chuva tem feito!) ou faça sol. Agora mesmo são 23 horas e uma equipe da prefeitura insiste em contribuir para o aumento de decibéis com a potência da britadeira no asfalto aqui da rua. Mal se ouve a TV!


Passei a tarde e parte da noite com uma amiga a quem não via há quase um ano e meio. Ela vive em Montreal e, de passagem por São Paulo, me disse estranhar a multidão nas ruas. Montreal tem cerca de 1,7 milhão de habitantes. São Paulo contabiliza mais de 11 milhões de moradores. Somente na festa da virada do ano, a Avenida Paulista concentrou estimadas 2,5 milhões de pessoas, ou seja, uma Montreal e meia em pouco mais de 3 Km de extensão!


Não é à toa que ao passar pelas calçadas da Paulista a minha amiga tenha estranhado a movimentação. Um ano e meio fora de São Paulo e dentro de Montreal, onde não é preciso brigar por espaço nas calçadas, deve mesmo provocar calafrios. A minha amiga também estranhou o aumento de carros na rua e isso é um fato: 2009 bateu o recorde de vendas de veículos.


Segundo dados do Departamento Estadual de Trânsito de São Paulo (Detran), a cidade fechou novembro do ano passado com 6.698.004 veículos. Esse amontado de gente e de carros faz com que a poluição sonora e o estresse auditivo sejam a terceira causa de maior incidência de doenças do trabalho, atrás apenas de agrotóxicos e de doenças articulares. 


Isso porque somente refere-se a doenças do trabalho. Imagine o que todo esse ruído faz a cada um de nós que aqui vivemos e somos acordados por saltos altos no apartamento de cima, por alarmes que disparam às 4 horas da manhã, por helicópteros que sobrevoam a cidade a qualquer hora do dia e, por vezes, da noite. Ainda agora ouço gritos de vizinhos na rua de baixo (ontem presenciei uma briga que envolveu pelo menos três casas!).





(Foto feita a partir da janela do meu apartamento agora há pouco)


Minha amiga falou de uma placidez e da ausência desse amontoado de pessoas e barulho de Montreal e eu me recordei de quando estive na Finlândia e tive a mesma sensação: ruas estranhamente desertas, estações do metrô amplas para pouca ocupação (aqui, driblamos a lei da física e ocupamos, no metrô, o mesmo espaço em três ou quatro corpos onde deveria haver apenas um corpo).


Mas, você quer saber? Quando lá estive, senti falta justamente dessa aglomeração, dessa justaposição de camadas e camadas de gente que, afinal, fazem dessa cidade o que é: urbe, tão generosa quanto o úbere de uma vaca holandesa. Uma cidade que, como Roma, decerto que é uma loba que amamenta filhotes sem fim. Com força. Como diria meu irmão, "aqui (lá em São Pedro do Turvo), a gente vive no sistema bruto".


Bem, devo dizer que aqui (em São Paulo), vive-se no sistema bruto também. A diferença é que a brutalidade referida pelo meu irmão deve-se à rudeza da natureza e ao natural trabalho braçal que o campo enseja no interior. Em São Paulo, a brutalidade é de outra coloração. É formada por vigas de aço e vidro que faz com que o homem que permeia o meio torne-se quase que de aço também.


Somente para registrar, fui devidamente enxotado do longo corredor entre a Paulista e a entrada da FNAC por um nada simpático segurança que insistiu em dizer que aquele espaço era privado e que eu não podia fumar ali. Como se sabe, a lei antifumo permite que se fume em espaços não-cobertos (públicos ou privados). Como de onde eu estava eu avistava largamente o céu, deduzi que era espaço aberto.


Não sei se os arquitetos mudaram a definição de espaço aberto, mas fui intimidado o suficiente pelo segurança para sair do local. O prédio abriga a FNAC mas também, na maior parte, a Petrobras e outros órgãos federais. Como eu discuti um pouco antes de ceder, o segurança apenas argumentava que o espaço era privado. OK, estava no papel dele. Mas o espaço é público.


Contei a história para exemplificar a brutalidade a que me referi. O sistema bruto de São Paulo é esse: desinformação, intimidação, barulho. Caos, pois. Somente me questiono que efeitos - além dos óbvios - têm essa passagem do caos calmo para o caos. Estamos apenas no sexto dia do ano, o Dia de Reis, e, ao menos hoje, fui plebeu mais que tudo. OK, sou urbe. Então, está tudo certo.

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Uma escolha para a história (editorial coletivo do 'The Guardian' sobre a Conferência de Copenhague)

Reproduzo abaixo o editorial do jornal britânico "The Guardian" que, numa iniciativa inédita, publicou nesta segunda-feira, 7, um editorial coletivo em 56 jornais de 44 países sobre a Cop15 - Conferência de Copenhague, que acontece entre hoje, 7, e vai até o dia 18, em Copenhague, Dinamarca. No Brasil, são dois os jornais que replicaram o editorial: o "Zero Hora", de Porto Alegre (RS) e o "Diário Catarinense", de Florianópolis (SC), ambos do grupo RBS:



"Hoje, 56 jornais de 44 países dão o passo inédito de falar com uma só voz, por meio do mesmo editorial. Tomamos essa atitude porque a humanidade enfrenta uma séria emergência.

Se não nos unirmos para tomar uma ação decisiva, as mudanças climáticas devastarão nosso planeta, acabando também com nossa prosperidade e nossa segurança. Os perigos têm se tornado evidentes há uma geração. Agora, os fatos começaram a falar por si: 11 dos últimos 14 anos foram os mais quentes já registrados, o gelo do Ártico está derretendo e a alta nos preços do petróleo e dos alimentos no ano passado é um exemplo do caos que pode estar por vir. Nas publicações científicas, a questão não é mais se os seres humanos devem levar a culpa pelo que está acontecendo, mas quão curto é o tempo que temos para reduzir os danos. Até aqui, a resposta mundial tem sido fraca e sem entusiasmo.

As mudanças climáticas foram causadas ao longo de séculos e têm consequências que durarão para sempre. As nossas chances de frear o problema serão determinadas nos próximos 14 dias. Apelamos aos representantes dos 192 países reunidos em Copenhague a não hesitar, não entrar em disputas, não culpar uns aos outros, mas aproveitar a oportunidade advinda deste que é o maior fracasso político moderno. Esta não deve ser uma luta entre ricos e pobres ou entre Ocidente e Oriente. As mudanças climáticas afetam a todos e devem ser resolvidas por todos.

A ciência envolvida é complexa, mas os fatos são claros. O mundo precisa agir para limitar a 2ºC o aumento da temperatura global, um objetivo que exigirá que as emissões mundiais de gases-estufa alcancem um teto e comecem a cair nos próximos cinco a 10 anos. Um aquecimento maior, de 3ºC a 4ºC – o menor aumento que podemos esperar se continuarmos sem fazer nada –, poderá levar seca aos continentes, transformando áreas agrícolas em desertos. Metade das espécies poderá ser extinta, milhões de pessoas poderão ser desalojadas, nações inteiras inundadas pelo mar.

Poucos acreditam que Copenhague ainda possa produzir um tratado definitivo; progresso real nessa direção só pôde surgir com a chegada do presidente Barack Obama à Casa Branca e com a reversão de anos de obstrucionismo americano. Mesmo agora, o mundo se encontra dependente da política interna americana, pois o presidente não pode se comprometer completamente com as ações até que o Congresso americano o faça.

Mas os políticos em Copenhague podem e devem definir os pontos essenciais de um acordo justo e efetivo e, especialmente, estabelecer um cronograma para transformá-lo em um tratado. O encontro sobre o clima das Nações Unidas em junho próximo, em Bonn (Alemanha), deveria ser o prazo final. Como um negociador colocou: “Nós podemos ir para a prorrogação, mas não podemos bancar uma nova partida”.

No coração do acordo, deve estar um acerto entre os países desenvolvidos e os em desenvolvimento, determinando como o fardo do combate às mudanças climáticas será dividido – e como partilharemos um novo e precioso recurso: os trilhões de toneladas de carbono que poderemos emitir antes que o mercúrio do termômetro atinja níveis perigosos.

As nações ricas gostam de citar a verdade matemática de que não pode haver solução até que gigantes em desenvolvimento como a China tomem atitudes mais radicais do que as adotadas até agora. Mas o mundo desenvolvido é responsável pela maior parte do carbono acumulado na atmosfera – três quartos de todo o dióxido de carbono (CO2) emitido desde 1850. Por isso, precisa tomar a liderança: todos os países desenvolvidos devem se comprometer a fazer cortes profundos, reduzindo suas emissões dentro de uma década a níveis muito mais baixos do que os de 1990.

Os países em desenvolvimento podem argumentar que não causaram a maior parte do problema e também que as regiões mais pobres do mundo serão atingidas com mais força. Mas passarão a contribuir cada vez mais para o aquecimento global, e, deste modo, devem se comprometer a agir de forma significativa e quantificável por conta própria. Apesar de ficar aquém do que muitos esperavam, o recente comprometimento dos maiores poluidores do mundo, Estados Unidos e China, com metas para redução de emissões foi um importante passo na direção certa.

A justiça social exige que o mundo industrializado coloque a mão no fundo do bolso e reserve dinheiro para ajudar os países mais pobres a se adaptar às mudanças climáticas, assim como a investir em tecnologias limpas que permitam seu crescimento sem aumentar as emissões. Um futuro tratado também deve ser muito bem esboçado – com rigoroso monitoramento multilateral, compensações justas para a proteção de florestas e avaliações confiáveis de “emissões exportadas”,

para que o custo possa, com o tempo, ser dividido de forma mais equilibrada entre os que elaboram produtos poluentes e aqueles que os consomem. E a justiça requer que o peso com o qual cada país desenvolvido deve arcar individualmente leve em conta sua capacidade de suportá-lo; novos membros da União Europeia, por exemplo, normalmente muito mais pobres do que os antigos, não devem sofrer mais do que seus parceiros ricos.

A transformação custará caro, mas muito menos do que a conta paga para salvar o sistema financeiro mundial – e imensamente menos do que as consequências de não se fazer nada.

Muitos de nós, particularmente no mundo desenvolvido, terão de mudar seus estilos de vida. A era de voos que custam menos do que a corrida de táxi até o aeroporto está chegando ao fim. Teremos que comprar, comer e viajar de forma mais inteligente. Teremos de pagar mais pela nossa energia e usá-la menos.

Mas a mudança para uma sociedade de baixo carbono traz a perspectiva de mais oportunidades do que sacrifícios. Alguns países já descobriram que adotar a transformação pode trazer crescimento, empregos e uma melhor qualidade de vida. O fluxo de capital conta a sua própria história: no ano passado, pela primeira vez, o investimento em fontes renováveis de energia foi maior do que na produção de eletricidade a partir de combustíveis fósseis.

Abandonar nossa dependência do carbono dentro de poucas décadas requererá uma façanha de engenharia e inovação sem precedentes na história. Porém, enquanto a ida do homem à Lua e a fissão do átomo nasceram do conflito e da competição, a corrida do carbono que vem por aí deve ser liderada por um esforço conjunto para atingir a salvação coletiva.

A vitória sobre as mudanças climáticas exigirá o triunfo do otimismo sobre o pessimismo, da visão sobre a miopia, o êxito do que Abraham Lincoln chamou de “os melhores anjos da nossa natureza”.

É nesse espírito que 56 jornais de todo o mundo se uniram por meio deste editorial. Se nós, com tantas diferenças de perspectiva nacional e política, podemos concordar sobre o que deve ser feito, então certamente nossos líderes também poderão.

Os políticos em Copenhague têm o poder de moldar o julgamento da História sobre esta geração: uma geração que viu um desafio e o encarou, ou uma geração tão estúpida, que viu o desastre chegando mas não fez nada para evitá-lo. Imploramos que façam a escolha certa.
"

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Redneck, em inglês, define um homem rude (e nude), grosseiro. Às vezes, posso ser bem bronco. Mas, na maior parte do tempo, sou doce, sensível e rio de tudo, inclusive de mim mesmo. (Redneck is an English expression meaning rude, brute - and nude - man. Those who knows me know that sometimes can be very stupid. But most times, I'm sweet, sensitive and always laugh at everything, including myself.)

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