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quinta-feira, 20 de março de 2008

Dia do Blogueiro

Hoje, 20 de março, é Dia do Blogueiro. Em passeio rápido pelos blogs, achei o selo celebrativo no Blog do The Best. E dia 14 de junho é Dia Internacional do Blogueiro. Não sei porque a distinção. Mas, está aí. Comemoro e passo adiante a campanha pelo nosso dia. Em tempo: fui avisado pelo Oscar Luiz. Feliz dia do blogueiro! (ainda mais na véspera do feriado!). Ainda em tempo também, dou um copy & paste rápido do Oscar na oração do blogueiro:

Blog Nosso
Blog nosso que estais no ar
Muito visitado seja esse site
Venha a nós novos visitantes
Esteja no ar o editor do blog
Assim de manhã como de noite
A criatividade de cada dia nos dai hoje
Perdoai a nossa preguiça
Assim quando nós copiamos
a quem nos têm copiado
E não nos deixei desanimar de ser blogueiro
Mas livrai-nos dos vírus.
Comente!

quarta-feira, 19 de março de 2008

Rastreio de Cozinha - 18

Você já comeu em Paris, Lyon, Nice, Cannes, Limoges, Le Mans, Orleans, Nantes ou Bordeaux? Eu não. Mas, é inacreditável como os franceses souberam desenvolver e cultivar os produtos de cada pedacinho da França e transformá-los, no mínimo, em referência mundial.

É assim com a vaca de Charolais (Bourgogne), que recebe o Label Rouge, selo de terroir que garante a qualidade desse produto em qualquer lugar do mundo. Com a mostarda Dijon, feita de mosto de uvas verdes e que só é possível em Dijon. Ou o queijo Époisses e os vinhos à base de uvas Pinot Noir e Chardonay. Em nenhum outro lugar do planeta você encontrará as características desses produtos a não ser nas respectivas regiões francesas.

Jura (Franche-Comté) é famosa por ter criado o absinto. A região de Rhône-Alpes é abundante em fontes das águas mineiras mais puras do mundo. A capital, Lyon, compete com Paris pela primazia da melhor gastronomia francesa.

Desde 1900, Lyon ostenta o título de capital do chocolate. E, incrível, a região não produz sequer um único pé de cacau. Mas, foi em Lyon que surgiram as primeiras seleções e misturas de diferentes grãos de cacau que dariam origem a um dos melhores chocolates do mundo. Em Bayonne, foi fundada a primeira fábrica de chocolate da região, em 1776 (que ainda existe, agora sob uma empresa gigantesca). Não confundir com os cafés que se apropriaram do nome. A partir daí, surgiriam as grandes fábricas mundiais, na região dos Alpes: Van Houten (Holanda), Meunier (França), Suchard, Nestlé e Lindt (Suíça) e Fry, Rowntree e Cadbuty (Inglaterra).

A região de Rhône-Alpes produz as aves de Bresse, as mais nobres de toda a França, e também o licor Chartreuse, que é feito sob segredo pelos monges cartuchos (ordem de São Bruno, a quem interessar possa), e leva 130 plantas na sua composição.

Bordeaux (ou Aquitaine-Bordeaux) já leva no próprio nome a fama do local: os vinhos, os mais caros do mundo. São seis famílias de vinhos: Médoc, Graves, Blayais, Bourgeauis, Libournais e Entre Deux-Mers. E também produz uma guloseima nobre: Caviar d Aquitaine, do esturjões dos rios da região.

Finalmente, Périgord, que se subdivide em quatro regiões: Périgord Vert, Périgord Blanc, Périgord Rouge e Périgord Noir. Essa região centraliza as jóias de qualquer cozinha mundial: o foie gras (fígado de ganso) e as truffes noire (trufas negras). Já abordei aqui o que penso a respeito de como se obtém o foie gras que, a depender do tamanho do ganso, pode chegar a 1 Kg.

A maior parte dos nomes das regiões e dos produtos são sinônimos de excelência em qualquer local do mundo que você os cite. Esses produtos têm a Denominação de Origem Controlada (DOC) ou Appelation d Origine Controlée que, severamente, determina a procedência, as condições de produção e a qualidade de cada um dos produtos - queijos, vinhos, carnes. O Chartreuse, feito pelos monges, tem um selo exclusivo: Viellissement Exceptionallement Prolongé (VEP) ou Envelhecimento Excepcionalmente Prolongado. Isso é a França, ciosa de suas tradições, de seu terroir e que, com todo esse cuidado, espalhou para o mundo o refinamento da gastronomia. Que me corrija o meu leitor francês se estou errado em qualquer informação aqui (aliás, aproveito e peço sugestões desse caro leitor para o caso de haver informações que interessem a este blog).

Com todas essas referências na cabeça e o gosto dessas maravilhas na saliva, tivemos nesta quarta-feira, antevéspera do feriado, mais uma aula francesa da disciplina de Cozinha Internacional. Foram quatro as produções, todas dignas de apreço, preço e salivação: Pave de Loup de Mer Rôti em Peau Épicée - La Corse (Pavê de Robalo do Mar com Rôti de Especiarias), Suprême de Poluet de Bresse Farci à la Juliene de Légumes (Supremo de Peito de Frango Recheado com Legumes), Papillote de Turbot avéc as Sauce de Champignons - Alsace (Papillote de Linguado com Molho de Champignon) e Côtelettes D Agneau à la Sauce Paloise et Pommes au Romarin (Costeletas de Cordeiro ao Molho Paloise e Batatas ao Alecrim). Divinos, garanto-lhes!

O que eu mais gostei, e por isso a receita, foi do Pavê de Robalo do Mar com Rôti de Especiarias.

Ingredientes

- 400 gr de filé/postas de robalo com pele
- 10 gr de Cinq Épices (cinco especiarias): canela, cravo, pimenta branca, cardamomo e gengibre
- 1 cebola picada em brunoise
- 100 gr de cogumelos Portobello frescos, fatiados
- 10 gr de manteiga
- 2 laranjas (suco)
- 1 grapefruit (suco)
- 1 limão (suco)
- 1 colher de sopa de mostarda Dijon (na verdade, apenas a pontinha da colher)
- 50 ml de azeite extravirgem
- 3 gr de sal e pimenta branca moída
- 6 unidades de aspargos (cortar da metade para cima, é a parte mais macia)

Modo de preparo

1. Tempere os dois lados dos filés/postas de peixe com um pouco de sal e com as cinq épices. Reserve sob refrigeração.

2. Pré-aqueça o forno a 200 graus.

3. Refogue a cebola picada em manteiga e azeite até ficar macia. Adicione os cogumelos fatiados.

4. Remova e reserve. Na mesma frigideira, salteie as pontas de aspargos. Tempere com sal e pimenta branca.

5. Junte os sucos de laranja e de grapefruit, leve ao fogo e reduza (ficará com aspecto e espessura de caramelo).

6. Acrescente à redução de laranja e de grapefruit a mostarda Dijon e azeite de oliva.

7. Adicione o suco de limão e corrija o tempero com sal e pimenta branca moída.

8. Retire do fogo e reserve.

9. Frite os filés/postas de peixe em azeite. Comece pela parte que contém a pele.

10. Leve o peixe ao forno por mais 3 ou 4 minutos para terminar o cozimento interno.

11. Prepare a montagem: coloque, num prato fundo, como se fosse um leito, os cogumelos, a redução cítrica (de laranja, grapefruit, limão e mostarda) e as pontas de aspargo.

12. Coloque sobre o leito o filé ou posta de peixe, com a pele virada para o lado de cima.

Você sabe que há dias que estou particularmente inspirado ao passar a receita. Hoje, não. Sei lá. Se existisse para homens, diria que é culpa da TPM. Como não há, digo que a culpa é do vento, de uma estrela que piscou e sumiu, da fome, do calor, do barulho, de Desperate Housewives, de qualquer coisa, entende! Só para dizer que há dias que você está in e outros out. E eu sempre quero estar in naquilo e out naquilo outro e é frustrante ficar nessa dicotomia. Dentro, fora, fora, dentro. E tudo pode estar entre um ponto e outro, feito o aclamado e fugidío ponto G, que ninguém sabe se é lenda ou um pedacinho de osso, uma nervura ou um rabicho deixado pela evolução.

Eu tenho tese própria a respeito e digo que o ponto G, na verdade, é o amigo gay. Toda mulher que tem um amigo gay (e está cada vez mais raro não o tê-lo), saberá sobre o que falo. O amigo G é aquele velho e familiar ponto de apoio e, daí, o ponto G. Que, diga-se, a conhece melhor do que qualquer homem. Você não gostou da minha teoria? Problema seu! Invente uma. Ah! E você, mulher, ainda não tem um amigo G? Sorry, você está out. Ou, melhor, espere um pouquinho porque talvez o seu melhor amigo esteja para fazer o outing. Achou horrível o trocadilho? De novo, problema seu! Depois de quatro horas de cozinha, é tudo o que tenho para oferecer. E, como estamos na França, se não gostou, coma brioches.

(Rebole: Nesta quinta-feira (20) e sexta-feira (21), não teremos aula. Sexta-feira é dia da Paixão (a católica, não a outra). Sexta-feira santa (ou profana, se assim o quiser). Na sexta, eu entendo que não tenhamos aula. Mas, na quinta, é bem coisa de brasileiro, louquinho para emendar feriado. Então, se vira e rebole porque você não terá nada gustativo por aqui. A não ser que me convide para algo comestível. P.S. Eu, ao contrário do que me foi ensinado, como carne na sexta-feira santa sem nenhum remorso. Entenda como quiser!)

Os 50 blogs mais poderosos do mundo (volume 1)

Os jornais britânicos Guardian e The Observer compilaram uma lista dos 50 blogs mais importantes (e acessados) de todo o mundo. De fofocas de celebridades, política e libertação da Birmânia, todos têm algo a dizer sobre o mundo. Eu, desse cantinho aqui, também dou meus pitacos. Abaixo, a lista e um conteúdo resumido de cada blog:

1. The Huffington Post: a blogosfera pode ser dividida antes e depois deste blog. Criado pela socialite milionária Arianna Huffington, é um blog noticioso, que compartilha com a mídia tradicional a audiência do usuário. Para ler na primeira hora do dia.

2. Boing Boing: lançado em 2000, esse blog trata da política (e de uma infinidade de outros temas) de forma divertida e leve. De vez em quando, passe por aqui para conferir.

3. TechCrunch: poderoso blog sobre tecnologia. Atualize-se.

4. Kottke: é um dos pioneiros da onda blogueira, iniciado em 1998. O criador é casado com uma das fundadoras do Blogger. O Kottke permanece fiel à velha escola de bloggers: faz apenas a seleção de links para sites e artigos de opiniões pessoais sobre filmes, ciência, design gráfico e esporte. Para você, que chegou agora - 2006, 2007 ou este ano - à blogosfera, resgate o passado (longo, de dez anos, na internet) dos blogs.

5. Dooce: é um dos mais antigos diários pessoais no mundo dos blogs. A criadora, Heather Armstrong, escreve online desde 2001, sobre trabalho, família, depressão pós-parto, maternidade e outros assuntos. Desde 2005, as receitas geradas pelo blog possibilitam que Heather sustente sua família.

6. Perez Hilton: desde 2005, Mario Lavanderia é o autor das fofocas sobre celebridades. O blog baseia-se em fatos cruéis (como o abuso de drogas), notadamente sobre fotos descaradas e famosos que "saem do armário", por conta própria ou não. Quando a atriz Lindsay Lohan (Meninas Malvadas) foi presa por dirigir embriagada, o autor publicou 60 posts, lidos por mais de 8 milhões de usuários. No mundo e no Brasil, há uma centena de cópias deste modelo de blog. Eu mesmo já citei o Perez Hilton aqui no blog. E já falei mal de gente bêbada e drogada. Falar mal dos outros é um esporte mundial e é uma delícia.

7. TPM (Talking Points Memo): blog político que já rendeu escândalos e renúncias. Atualíssimo nas eleições norte-americanas.

8. I Canhas Cheez Burger: blog para ver, criar, submeter e votar em Lolcats (fotos de gatos - e outros bichos - captadas em diferentes situações). O blog tem uma linguagem particular, Lolspeak (ou Kitty Pidgin). Assim, humans são "hoomam", Sunday é "bunday", exactly é "xackly" e asthma é "azma". Engraçadinho.

9. Beppe Grillo: há vida blogueira fora dos EUA. Esse blog é da Itália e é administrado por Beppe Grillo, um comediante e comentarista italiano popular, persona non grata na TV pública, que, diariamente, clama contra a corrupção e os escândalos financeiros da Itália. Interessante.

10. Gawker: é um blog de Nova York com fofocas e comentários sobre a indústria da mídia. Foi fundado em 2002 pelo jornalista Nick Denton e, no princípio, o foco eram as fofocas sobre a editora Anna O Diabo Veste Prada Wintour, da Vogue. Atualmente, o blog conta 11 milhões de visitantes, dois quais 8 milhões são creditados ao vídeo em que Tom Cruise fez - "Indoctrination Video" - numa apologia à Cientologia. Os cientologistas queriam que o YouTube retirasse o vídeo do ar. Jornalista + fofoca: visite!

Eu paro a lista por aqui senão fica exaustivo. Depois, continuarei este post. Acho interessante a diversidade de assuntos que rolam. Mas, política, tecnologia e fofocas são, realmente, os temas que mais atraem o público. Eu prefiro sexo, gastronomia e falar de mim mesmo, que sou egocêntrico. E você reparou onde eu guardo a caranguejeira para usar o veneno em caso de emergência? Então, fica esperto(a)! Beijo!

Estilo

Recebi do amigo Oscar Luiz, do By Oscar Luiz, o selo "Esse Blog Tem Seu Estilo de Ser". Não sei se tenho realmente estilo. Sou mais um estivador de palavras do que estilista de frases. Ao receber um prêmio ou selo, tenho a premissa de repassar para outros blogs. Já fiz isso em ocasiões anteriores e, na maior parte das vezes, os blogs citados nem ao menos se deram o trabalho de me responder. Então, para não me aborrecer, repasso este selo de forma genérica, para todos os colegas blogueiros que estão na minha blogroll. Obrigado, Oscar.

terça-feira, 18 de março de 2008

Rastreio de Cozinha - 17

Sabe aqueles dias (ou noites) que têm tudo para ser doces e se quebram como um frágil ovo? Hoje foi um desses. Não o dia. E sim a aula de hoje. Foi de Confeitaria, sobre decorações para bolos e doces com chocolate e com caldas de açúcar. Sim. Tudo muito doce.

Todo dia nós temos que nos trocar e entrar na cozinha de uniforme (dólmã, avental, calça, sapatos e bandana). Há uma chapelaria para guardar a mochila. Hoje, esqueci a máquina fotográfica dentro da mochila e, quando terminou a parte teórica da aula, desci para pegar a máquina. Antes não o tivesse feito.

As minhas coisas - tábua, facas, caderno e máquina - ficam sob a bancada. Enquanto eu estava no fogão, no processo de derretimento do chocolate branco (que, na verdade, é gordura hidrogenada, sem cacau e, portanto, tecnicamente, não é chocolate), algum colega quebrou um ovo sob a minha bancada em cima do meu caderno e da máquina. Quando voltei à bancada, constatei o acidente. É claro que ninguém se responsabilizou. Meu caderno e a máquina estavam ensopados de gema e clara. Havia ovo até dentro da máquina (razão pela qual não há fotos originais neste post)!

O problema não é o acidente - porque, inevitavelmente, acontece - mas, sim, o fato de quem o provocou não ter feito nada: não limpou, não falou comigo e muito menos se responsabilizou. Tem uma palavrinha chamada "ética" que está bem fora de moda, na cabeça de algumas pessoas. O resultado é que o meu caderno está umedecido de ovo e a máquina está com um lamentável cheiro de ovo. Não vou me atrever a passar nada na câmera.

Enfim, alguns dias se quebram feito ovos e deixam você, assim, meio cansado. Depois disso, realmente, a minha disposição mudou. E tudo o que fiz foi dar um banho-maria no chocolate restante para lavar o bowl. E assistir o processo de como se fazer calda.

Carême, citado várias vezes neste blog, foi o senhor da confeitaria, com arranjos suntuosos até hoje celebrados. Era um arquiteto da confeitaria. Não sei se você conhece alguma coisa sobre Antoni Gaudí, o arquiteto catalão que projetou a Igreja da Sagrada Família e a Casa Batlló, em Barcelona, Espanha, entre outras obras.

A construção da Igreja da Sagrada Família começou em 1883 e prevê-se que será encerrada em 2025. A idéia, no entanto, é que a construção seja eterna, que não tenha fim. Quando eu estive em Barcelona, fiz o obrigatório passeio à Sagrada Família. Lá dentro, é possível ver como Gaudí desenhou o projeto. As torres da igreja apontam para o céu (como todas as igrejas góticas). Os tetos suspensos dão a impressão de que vão cair. Mas, Gaudí era um gênio, e, como todos os gênios, inovou. No projeto (há uma maquete dentro da igreja), Gaudí fez uma maquete, como se fosse um imenso lustre, desses que estão nas grandes catedrais, de cabeça para baixo. Segundo cálculos intrincados, que até mesmo os arquitetos modernos não conseguem reproduzir, ainda que com a ajuda de supercomputadores, Gaudí demonstrou que a igreja não desabaria.

Contei tudo isso para dizer que, na confeitaria, o uso de filigranas de chocolate e de calda de açúcar é equivalente. Um bolo de cinco andares não pode desmoronar momentos antes de ser apresentado aos convidados. Seria um acidente - para a noiva, uma catástrofe. Então, há um processo na elaboração de enfeites de chocolate e de açúcar que cobram do cozinheiro muita paciência e técnica.

Carême, como Gaudí, era um arquiteto de formas, desenhos e grandes concepções. Ambos passaram à história porque provaram estar além do ordinário. Carême não tinha várias tecnologias disponíveis atualmente para todos nós. Assim como não as tinha Gaudí. O que ambos tiveram foram sonhos, concretizados porque tão sonhados, foram transformados por seus criadores em realidade. São concretos até hoje, tão duráveis quanto podem ser, dado que é da condição humana ser provisório.

Na aula desta terça-feira, não obstante contratempos me desviarem dos meus objetivos, aprendi, ao menos, uma lição: a de que um ovo pode quebrar e encerrar abruptamente uma festa doce. Mas, o verdadeiro doce não foi quebrado: a cada vez que sento aqui para escrever, a uma referência se junta outra e construo meus próprios castelos, que me são mais doces do que os filigranas de açúcar e chocolate. Porque, ao me sentar aqui para escrever, me lembrei de Gaudí e de como me senti bem - na Igreja da Sagrada Família (que está no filme "Tudo Sobre Mí Madre", de Pedro Almodovar) e na Casa Batlló, onde jantei. Sentei nos bancos construídos por Gaudí e tive a sensação de que o tempo, sim, é doce, capaz de nos transportar para outras eras, dentro do sonho de um outro homem. Que, ao fazer ninhos de açúcar, estarei numa reprodução que eterniza o francês Carême. Logo, reviverei seu sonho. Que um ovo, às vezes, é somente um ovo. Quebrado ou não.

Hoje não há receita. Não houve exatamente produções em aula. O que tivemos foram experimentos com os arranjos de chocolate e de caldas de açúcar. De qualquer forma, vou passar os tipos de pontos de calda de açúcar, de acordo com a temperatura. Uma dica: sempre que for fazer uma calda, tenha em mãos um pincel (específico para cozinha) e um potinho de água. Quando estiver com a panela da calda no fogo, de tempos em tempos, passe o pincel na borda da panela, por dentro e acima da calda, para que a calda não grude e fique queimada nessa parte da panela. E nunca - NUNCA! - mexa na calda. Deixe a calda em paz porque, lá consigo, ela já está mais do que resolvida. Está, literalmente, num processo de evolução. E a mão humana, nesse processo, só tende a atrapalhar.

Os tipos de caldas são (é bom ter um termômetro de cozinha):

- Calda Fina: para saladas de frutas e frutas cozidas. São 250 gr de açúcar para 500 ml de água. A temperatura vai até uns 80 ºC.
- Calda Média: para compotas de frutas. São 250 gr de açúcar para 250 ml de água. Temperatura até 100 ºC.
- Calda Grossa: são 250 gr de açúcar para 225 ml de água. Temperatura a 105 ºC.
- Bala Mole: 250 gr de açúcar para 225 ml de água. Para merengue italiano e glacê de manteiga. Temperatura entre 116 ºC a 118 ºC.
- Bala Dura: 250 gr de açúcar para 225 ml de água. Para marzipã e fondant. Temperatura de 125 ºC.
- Crosta Mole: 250 gr de açúcar para 225 ml de água. Usada para confeitaria. Temperatura de 134 ºC.
- Crosta Dura: 250 gr de açúcar para 225 ml de água. Para caramelar frutas e fazer algodão-doce. Temperatura de 145 ºC.
- Caramelo Decorativo: 250 gr de açúcar para 225 ml de água. Para fios de açúcar e arabescos. Temperatura de 156 ºC.
- Caramelo: 250 gr de açúcar para 225 ml de água. Para forrar formas de pudim. Temperatura de 170 ºC.

À calda que permite com que se faça belíssimos ninhos de fios de açúcar é adicionado o glucose (xarope de milho), o que permite sua durabilidade por até 10 horas e é bastante utilizada em confeitaria. Do contrário, as caldas acima descritas, sem o uso de glucose, devem ser consumidas até duas horas após produzidas, sob o risco de voltar a ser apenas uma calda qualquer.

(Rastreie: Quando for a Barcelona, vá ver os prédios de Gaudí. E ande pelas Ramblas. Me leve junto porque eu adoro fazer comprinhas no La Boqueria, um dos mais antigos mercados do mundo, em funcionamento desde 1217.)

segunda-feira, 17 de março de 2008

Rastreio de Cozinha - 16

Cinco obras de José Lins do Rego compõem o ciclo da cana-de-açúcar: "Menino de Engenho" (1932), "Doidinho" (1933), "Bangüê" (1934), "O Moleque Ricardo" (1935) e "Usina" (1936). Li todos esses livros entre os 14 e 15 anos (sempre fui precoce, ao menos, na literatura).

É claro que não sou do tempo da casa-grande e senzala (velho é o vovozinho!), mas, com esses livros, tive referências suficientes para entender todo o contexto da cana, dos coronéis nordestinos (cujos sucedâneos se alternam no poder político até hoje), das sinhás, iáiás, escravos, capitães do mato e toda a massa histórica que constitui a cultura do Nordeste, principalmente, Pernambuco e Alagoas. Mais tarde, entendi o contexto específico da cana no sentido etílico. Mas, aí, já era tarde demais e continuo na tentativa de desvendar o que há dentro de uma garrafa até hoje, sem respostas plausíveis.

Uma outra obra, fundamental para entender as castas sociais que predominam no Brasil, é o clássico "Casa-Grande e Senzala", de Gilberto Freyre. A partir desse livro, você entenderá, inclusive, porque os apartamentos no Brasil têm dependências de empregada. É uma outra coisa tipicamente brasileira. Apenas recentemente, com a elevação do custo das moradias, os apartamentos (menores) deixaram de ter a senzala, digo, quarto de empregada, ao lado da área de serviço. Os mais luxuosos ainda mantêm esse discrepante degrau social que insiste em colocar em lados distintos patrões e empregados e marcar ostensivamente a separação. Também dá para entender porque há resistência em acabar com as entradas e os elevadores de serviço. Essa é a sociedade brasileira, seja a de 1540 ou a de 2008.

O Brasil teve vários ciclos econômicos: ciclo do pau-brasil (século XVI), da cana-de-açúcar (séculos XVI-XVIII), da mineração (1709-1789), do café (1800-1930), da borracha (1866-1913) e da soja (1970). A cultura do açúcar surgiu pela necessidade de colonizar a terra, para defendê-la e para explorar suas riquezas. E foi tão importante que a Holanda tentou invadir Pernambuco, à época o maior produtor de açúcar. Foram os holandeses que levaram a cana para as Antilhas que, ao lado do Brasil, dominou o comércio de açúcar na Europa nos séculos XVII e XVIII. Esse ciclo somente se rompeu quando o açúcar perdeu importância no mercado europeu em decorrência do surgimento do açúcar de beterraba.

Porque havia abundância de açúçar, foi em Pernambuco que surgiu a doçaria brasileira. Foi nas cozinhas das casas-grandes que as sinhás fizeram com que suas cozinheiras negras misturassem os ovos (também abundantes), o açúcar e as técnicas portuguesas para dar origem a receitas típicas como o Bolo-de-Rolo, o bolo Souza Leão e o bolo Luiz Felipe. Esses bolos conservam, até hoje, os nomes dos senhores de engenho, porque as famílias passaram as receitas de boca em boca até que ocorresse a alguém registrá-las em livros. O ciclo da cana-de-açúcar foi responsável por duas grandes mudanças no Brasil: deu origem aos primeiros doces nativos e inaugurou a civilização brasileira, com a construção das primeiras cidades na então colônia de Portugal.

Hoje, segunda-feira, 17, tivemos a disciplina de Cozinha Brasileira. Nossas produções foram de doceria e foram cinco os pratos: Ambrosia, Pudim de Tapioca, Bolo Cuca, Cartola Mineira e Doce de Abóbora na Cal (não é o cal, é a cal porque é a substância). Reparou que tenho que ensinar português também? Haja paciência!

Me recordei, durante a aula, que a minha avó materna sempre usou cal para fazer doce de abóbora e doce de mamão verde. Por fora, uma casquinha crocante. Por dentro, o melzinho. Ela faz até hoje e, no caso do doce de mamão, ainda que ela corte fatias quase transparentes, mesmo assim o doce fica com uma película por fora e o melzinho por dento. Para quem não entendeu ou nunca experimentou, vou usar de um exemplo besta: é o princípio da goma de mascar Babaloo (uma casca por fora e o liquidozinho por dentro). E chega porque esse negócio de melzinho, caldinho e liquidozinho já me remete a outros fluidos e estamos a falar apenas de comida, por enquanto.

Vamos à receita. Vou passar a do Pudim de Tapioca, bem típico e fácil de fazer. E a maioria das pessoas gosta de pudim. E, para quem não gosta, problema! Terá que se contentar com isso mesmo. Ou com as fotos do que fizemos e comemos!!!

Ingredientes

- 300 ml de leite
- 50 gr de tapioca (industrial, em farinha)
- 90 gr de açúcar
- 50 gr de coco ralado (pedem que seja fresco, mas, você tem um personal cortador de coco na sua casa? Eu não tenho)
- 2 ovos
- 10 gr de manteiga
- açúcar para caramelizar

Modo de preparo

1. Caramelize uma forma para pudim. A calda deve ser feita do jeito que você domina, com ou sem técnica, na forma do pudim ou em outro recipiente. O importante é que seja uma calda. Não um grude que dá para fazer cola ou um líquido que pareça água suja.

2. Ferva o leite e coloque a tapioca. Mexa para não formar grumos (pelotas feias iguais a palavra grumo).

3. Deixe de molho até esfriar.

4. Adicione os demais ingredientes e misture bem. Sem violência, porém, faça com que tudo fique homogêneo porque o mundo carece de simetria e coisas bem-feitas.

5. Asse em forno pré-aquecido a 180 C durante 45 minutos. Se você estiver incerto(a) sobre o ponto do pudim, enfie um garfo (ou qualquer outro objeto perfuro-Daniela Perez-cortante). Se sair do corpo sem sangue, digo, sem massa, está bom.

6. Polvilhe com coco previamente salteado com açúcar, meio moreninho (porque é uma receita histórica e tem a ver com miscigenação).

7. Sirva frio.

(Rastreie: "Sem açúcar, não se compreende o homem do Nordeste", foi o que escreveu Gilberto Freyre no excelente livro "Açúcar - Uma Sociologia do Doce", Companhia das Letras, 215 páginas, R$ 45,00. Além do conteúdo sociológico, a obra traz excelentes receitas citadas neste post. Aprenda mais sobre o País em que você vive e ganhe adiposidades ao fazer em casa os doces maravilhosos. Se você não aprender história do Brasil, pelo menos engordará, feliz e docemente.)

domingo, 16 de março de 2008

Meu rugido dominical

De uns dias para cá, a minha conexão de banda larga tem falhado em alguns momentos. No contrato, prevê-se que, teoricamente, eu tenho direito a 2 Mbps de taxa de transmissão (nem sei, tecnicamente, quanto é para upload e quanto é para download). Nunca medi a taxa real, mas, tenho quase certeza que, na média, fica nos 100 Kbps. Ou seja, eu pago R$ 79,90 mensais para ter uma taxa levemente superior aos 56 Kbps de uma conexão discada.

Li neste domingo sobre a expansão dos acessos de banda larga no Brasil (mais de 5 milhões), que têm crescido mais do que as conexões discadas. Também nesses últimos dias, recebi minha última conta de luz: de 190 kWh foi para 280 kWh no mês (em dinheiro, de R$ 55,00 para pouco mais de R$ 99,00). Tentei ligar na ouvidoria da empresa e enviei e-mail. Claro que não tive resposta.

Tenho uma certa ojeriza, em geral, às embalagens de produtos, quaisquer que sejam eles. De uma lata a uma caixa de sabão em pó, todos os produtos, sejam de empresas nacionais ou multinacionais, sempre têm algum inconveniente para ser abertos. Não sei se você concorda comigo, mas, é quase certo que um simples pacote de biscoito ou a caixa de filtros de café nunca abrirá conforme as instruções.

Não se trata aqui de expor um painel de reclamações que deveriam figurar em quadros do Procon. Não é isso. É sobre a qualidade de serviços e produtos pelos quais pagamos, deliberamente, e não temos retorno. As concessionárias de telefonia e de luz são públicas. São administradas por empresas privadas que pagam pela concessão durante longos prazos. São, ou deveriam ser, regidas e fiscalizadas pelas agências regulatórias.

Quando você se confronta com algum problema - TV fora do ar, telefone mudo, internet que não conecta, aumentos inexplicáveis no consumo de energia elétrica, embalagens que machucam seus dedos - não há a quem recorrer. Já passei mais de 1 hora ao telefone (móvel) para reclamar com a central de atendimento sobre o telefone fixo. Quem paga essa conta? Eu mesmo. Já perdi a conta de ligações feitas e e-mails enviados às empresas.

Constantemente, fala-se que o Brasil bateu record de PIB, de inflação baixa, de produtividade, alta nas exportações. Que somos os potenciais donos do mundo de amanhã, com China, Rússia e Índia. Mas, como descuidar tanto de pequenos detalhes como esses? De atender o consumidor, simplesmente.

Estiveram comigo, nos últimos três dias, dois amigos que vivem na Bélgica. Quanta diferença! Da compra barata de um notebook da Apple à simples garantia de produtos com qualidade. Porque, se não é assim, não vende. E pronto! No Brasil, as empresas nacionais não se preocupam com isso. Dá a impressão que você é obrigado a comprar aquilo porque não tem opção. Vá ao supermercado e veja: observe as embalagens, a qualidade das frutas, verduras e legumes. Parece que estamos numa feira medieval! O produto, para ter qualidade, deve custar três vezes mais do que o equivalente nacional (caso do azeite, da mostarda Dijon, do vinagre balsâmico). Porque o País não produz azeitona de qualidade, porque a mostarda é falsa e o vinagre é um aditivo de metanol com gosto de maçã.

O problema é que isso não fica restrito aos fabricantes nacionais. Grandes empresas, sobretudo da área de alimentos (Nestlé, Danone, Kraft, Bunge), todas entram nessa ciranda. Se adaptam rapidamente à falta de controle tipicamente nacional.

E essa falta de cuidado com o cliente, a total falta de qualidade, se estende para tudo: dos buracos da calçada, que fazem você tropeçar e se machucar, das ruas que são recapeadas para, um mês depois, apresentarem crateras, dos prédios que são reformados e que, quando a equipe vai embora, longos seis meses depois, começam a apresentar problemas antes nunca vistos. É um conjunto de ruínas. E eu acredito que isso se reflete nas pessoas. Que passam a agir com falta de qualidade entre si. Com falta de educação. Porque são desrespeitadas por empresas públicas e privadas. E não têm a quem recorrer.

É como quando algo quebra em casa: uma luz que queima, um vidro rachado, uma torneira que pinga. Se você não conserta rapidamente, a deterioração se expande, incontrolavelmente, e, de repente, parece que tudo se desmorona à sua volta e dentro de você. Fico feliz - e isso demonstra o quanto somos acomodados - quando um encanador consegue arrumar o chuveiro ou a pia do banheiro. É o mínimo! Eu pago por isso. Pago para ter um elevador que funcione. Uma calçada sem buracos. Uma rua reta. Por uma maldita lata de óleo que abra sem acabar com a minha unha!

É tão simples. Deveria ser. Era tão mais fácil, contudo, colher minha própria alface na horta do quintal. Não havia a competição por alfaces que murcham entre o supermercado e a minha geladeira. Não sei quanto a você, mas, para mim, até a gramatura da alface mudou.

Defendo, sempre, que vivamos com mais simplicidade (não significa deixar de adquirir qualidade). Mas, é quase impossível seguir essa filosofia. Afinal, somos, de um lado, a população que demanda o consumo. De outro, empresas que nos atendem como a porcos no chiqueiro. Não, não quero pérolas. Mas, também não quero ser tratado como porco.

Bebeu e foi dar uma voltinha de tanque

Um soldado russo bebeu um pouquinho demais e resolveu dar uma voltinha com o tanque de guerra, na região dos Urais, Rússia. Dou graças ao fato do casal Sigmundi estar bem longe de lá. A brincadeira foi longe: o tanque destruiu parte de uma casa, depois de fazer manobras desastradas. No vídeo, algumas pessoas cercam o tanque e gritam para o soldado parar.

O Exército russo prometeu pagar pelos danos, mas, levianamente, disse que o tanque devia estar quebrado e perdeu o controle quando se dirigia para um terreno de exercícios de testes. Antes, o Exército havia dito que o veículo tinha escorregado em gelo derretido. O proprietário da casa ainda se deu por feliz por conta de não levar tiros do tanque.

OK. Eu também gosto de vodka. E OK. Eu também gostaria de pegar um tanque e sair nas ruas de São Paulo. Mas, para tudo há um limite. O meu é tomar vodka e pegar meu próprio carro. De preferência, sem bater em casa nenhuma. Apenas em algum poste que se coloque na minha frente.

Bombou em New York

Esta é a garota de programa Ashley Alexandra Dupré que foi aos EUA para ser uma estrela do mundo pop. Depois de resolver colaborar com a polícia nas investigações da agência de prostituição Emperor´s Club VIP, "Kristen", nome de luta da guerreira, deve, finalmente, fazer sucesso, ainda que à base da deportação. Mais de 5 milhões de pessoas já visitaram o perfil de Ashley no MySpace e no Facebook.

De acordo com o jornal norte-americano “New York Post”, Ashley já conseguiu cerca de US$ 200 mil (R$ 342 mil) com as vendas das músicas "What You Want" e "Move Ya Body" no site Aime Street. O autor da canção fica com 70% do valor das vendas.

A cantora, guerreira, prostituta, atriz e denunciadora de governador já recebeu a oferta de US$ 1 milhão (R$ 1,71 milhão) para posar nua na revista Hustler e tem proposta, sem valores divulgados, da revista Penthouse. A produtora Kick Ass Pictures anunciou também que pagaria US$ 1 milhão para ter a garota como estrela.

Bom para ela. Ruim para o governador de Nova York, Eliot Spitzer, que teve que renunciar ao cargo e ainda pedir perdão em público para a esposa. Bill Clinton fez escola.

sábado, 15 de março de 2008

Sexy kitchen

Para não fugir ao meu dia-a-dia monotemático, mas, porque hoje é sábado, dou um refresco no calor das aulas e ofereço outro tipo de calor, mais específico. Quando eu for chef, minha cozinha será assim. Defendo que seja assim porque, além de hoje ser sábado, sou calorento e ninguém é obrigado nem nada a fazer uma linha militar na cozinha (a dolmã é de origem militar). Porque hoje é sábado, então, olha só como será a minha cozinha.

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Redneck, em inglês, define um homem rude (e nude), grosseiro. Às vezes, posso ser bem bronco. Mas, na maior parte do tempo, sou doce, sensível e rio de tudo, inclusive de mim mesmo. (Redneck is an English expression meaning rude, brute - and nude - man. Those who knows me know that sometimes can be very stupid. But most times, I'm sweet, sensitive and always laugh at everything, including myself.)

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